Mato Grosso
Projeto inédito do TJMT leva Programa de Integridade à rotina das unidades judiciárias
Mato Grosso
O Poder Judiciário de Mato Grosso (PJMT) deu mais um passo no fortalecimento da cultura de ética, transparência e governança ao lançar, no dia 30 de julho, o IntegridadeJus – Oficina de Integridade Aplicada à Unidade Judiciária. Com a iniciativa, a Justiça de Mato Grosso (TJMT) torna-se o primeiro do país a estruturar um programa de integridade com foco na realidade cotidiana de uma unidade jurisdicional, aproximando os princípios da integridade pública da prática diária de magistrados e servidores.A unidade escolhida para receber o projeto-piloto é a 3ª Vara Especializada em Direito Bancário da Comarca de Cuiabá, que terá papel estratégico na construção da metodologia. Na prática, o programa IntegridadeJus prevê a realização de diagnóstico institucional, gestão de riscos, aperfeiçoamento dos fluxos de trabalho, proteção de dados, capacitação das equipes e elaboração de planos de ação voltados às necessidades específicas das unidades.
O coordenador do Comitê Gestor de Integridade e Compliance do PJMT, desembargador Jones Gattass Dias destacou que o projeto representa um novo momento do Programa de Integridade do Tribunal, baseado na prevenção, na responsabilidade compartilhada e no compromisso ético de todos os integrantes da instituição.
“O programa busca incorporar em todos nós a consciência de fazer a coisa certa, independentemente de haver fiscalização. A intenção não é controlar pessoas, mas fortalecer uma cultura de integridade, prevenindo riscos que possam comprometer a imagem, a credibilidade e a confiança da sociedade no Poder Judiciário. É um trabalho colaborativo que pretende aproximar essas práticas da rotina das unidades judiciárias e servir de modelo para outras comarcas e até para outros tribunais brasileiros”, afirmou.Toda a metodologia de trabalho da 3ª Vara Especializada em Direito Bancário da Comarca de Cuiabá será aperfeiçoada durante a execução do projeto-piloto para, posteriormente ser expandida às demais unidades judiciárias do estado, consolidando um modelo que poderá servir de referência nacional.
Para o juiz da 3ª Vara Especializada em Direito Bancário, Alex Nunes de Figueiredo, a iniciativa coloca o TJMT em posição de protagonismo nacional ao desenvolver um modelo inovador voltado ao Primeiro Grau de jurisdição.
“É um desafio muito grande e um programa inédito voltado ao Primeiro Grau de jurisdição. Estamos iniciando um processo novo, que será construído passo a passo em parceria com o Comitê de Integridade e as áreas técnicas do Tribunal. Nosso objetivo é desenvolver um modelo que possa ser replicado em outras unidades do estado e, futuramente servir de referência para outros tribunais do país”, ressaltou.
Ao levar o Programa de Integridade para dentro da rotina das unidades judiciárias, a Justiça de Mato Grosso reafirma seu compromisso com uma gestão pública moderna, preventiva e orientada por valores éticos. A expectativa é de que os resultados a serem obtidos na unidade-piloto contribuam para o aperfeiçoamento contínuo da prestação jurisdicional, fortaleçam a confiança da sociedade na Justiça e consolidem o TJMT como protagonista nacional na promoção da cultura da integridade no Poder Judiciário.
Projeto amplia cooperação institucional e atrai atenção de outros tribunais
O caráter inovador da iniciativa já despertou interesse de outros tribunais brasileiros. O lançamento foi acompanhado, de forma remota, pela gerente do Centro de Controle, Transparência e Integridade do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), Ursina Andrade, que demonstrou interesse na metodologia desenvolvida pelo TJMT. Os dois tribunais mantêm um termo de cooperação voltado ao fortalecimento de seus programas de integridade, favorecendo o intercâmbio de experiências, boas práticas e soluções institucionais. O reconhecimento reforça o potencial do IntegridadeJus para se tornar uma referência na implementação de programas de integridade no Judiciário brasileiro.
Autor: Carlos Celestino
Fotografo: Josi Dias
Departamento: Coordenadoria de Comunicação do TJMT
Email: [email protected]
Mato Grosso
MPMT capacita servidores sobre planejamento de contratações e uso de IA
O Centro de Estudos e Aperfeiçoamento Funcional (Ceaf) – Escola Institucional Ministério Público do Estado de Mato Grosso (MPMT) promoveu, nos dias 24 e 25 de setembro, uma capacitação voltada aos servidores da área-meio sobre planejamento de contratações públicas e o uso de novas tecnologias no desenvolvimento dos documentos exigidos pela legislação. Com o tema “O planejamento da contratação com base na Lei 14.133/2021 – construindo ETPs e TR com uso do ChatGPT e outras tecnologias para servidores do MPMT”, o curso foi ministrado pelo professor Sandro Bernardes, auditor do Tribunal de Contas da União (TCU).Ao longo dos dois dias, os participantes tiveram contato com aspectos relacionados ao planejamento das contratações, especialmente à elaboração de documentos como o Estudo Técnico Preliminar (ETP) e o Termo de Referência (TR), além de conhecerem possibilidades de aplicação da inteligência artificial e de outras ferramentas tecnológicas na rotina de trabalho.Para o assessor especial da Subprocuradoria-Geral de Justiça Administrativa, José Fabrício Silva, a capacitação ocorre em um momento importante de adaptação às exigências trazidas pela nova legislação de contratações públicas.“Esse tipo de capacitação é fundamental por dois aspectos essenciais. O primeiro é que as equipes que constroem essas demandas de contratação ainda precisam de formação sobre a estrutura dos documentos e tudo o que precisa ser preparado para que uma contratação seja realizada”, explicou.José Fabrício também destacou a utilização da inteligência artificial como uma ferramenta capaz de auxiliar os servidores diante do volume e da complexidade dos documentos produzidos no processo de contratação. “São documentos, às vezes, de muitas páginas, de uma estrutura que a lei exige que seja feita. A capacitação realmente veio para ajudar no dia a dia”, afirmou.Na avaliação do servidor, a incorporação de novas tecnologias à administração pública tende a fazer parte cada vez mais da rotina. “Quanto mais capacitadas as pessoas para darem conta de acompanhar esse avanço, que não é só no setor público, mas também no setor privado, melhores serão os resultados para a administração e, consequentemente, para a população”, ressaltou.A servidora Débora Luz, que atua na Coordenadoria de Engenharia e acompanha atividades relacionadas ao departamento, também destacou a importância da formação continuada. Entre suas atribuições estão o assessoramento na elaboração de documentos relacionados às contratações de engenharia, com atenção à legislação e às normas aplicáveis.Para ela, cursos dessa natureza são fundamentais para o aprimoramento dos processos de contratação do Ministério Público. “Não só importante, como essencial, fundamental. Uma condição sem a qual não é possível nós evoluirmos nossas contratações e licitações aqui no Ministério Público”, afirmou.Débora defendeu ainda que a capacitação seja realizada de forma permanente, permitindo o aprofundamento dos conhecimentos e a aplicação prática dos conteúdos. “A cada etapa, a cada curso, você permite se aprofundar mais na matéria e aplicar na sua prática. Então, sem uma reincidência, um retorno disso, eventualmente até com alguns mesmos professores ou mesmas temáticas, a gente não consegue andar evoluindo os resultados”, explicou.Para a servidora, a participação de especialistas com experiência na administração pública federal também contribui para aproximar o conteúdo apresentado da realidade enfrentada pelas equipes do MPMT.O professor Sandro Bernardes ressaltou que a atualização dos servidores é essencial diante das transformações pelas quais passa a administração pública. Segundo ele, o curso integra um processo de desenvolvimento de capacidades e habilidades necessárias aos profissionais que atuam em todas as etapas da contratação pública, desde o planejamento até a entrega do objeto à sociedade. “Não existe retrocesso” no uso da inteligência artificial, afirmou o professor, ao destacar que essas ferramentas tendem a ser incorporadas cada vez mais ao cotidiano profissional.O instrutor também chamou atenção para o papel da tecnologia como instrumento de apoio ao trabalho dos servidores, e não como substituta da atuação humana. Para ele, ferramentas de inteligência artificial podem potencializar o trabalho, proporcionando maior celeridade e novas possibilidades de pesquisa e análise, mas a supervisão humana permanece indispensável. “O que as plataformas, os chats e as IAs que temos à disposição vão fazer por nós é potencializar o nosso trabalho”, explicou.Sandro Bernardes destacou ainda que a responsabilidade pelas decisões continua sendo humana, especialmente no serviço público, que tem como finalidade atender às necessidades da sociedade. “A supervisão humana ainda é necessária, primeiro pela responsabilidade que a gente tem diante da comunidade civil. A plataforma nunca vai se comportar como ser humano; ela vai emular, vai usar algoritmos, números para tentar traduzir aquilo que considera como interesse público”, afirmou.Segundo o professor, a tecnologia pode ampliar as possibilidades de atuação dos servidores, mas não substitui aspectos próprios da experiência humana, como a capacidade de compreender contextos, interpretar situações e manter proximidade com a sociedade.
Fonte: Ministério Público MT – MT
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