"Várzea Grande"
Moradores de assentamento descobrem potencial da terra em curso de ovinocultura
A ideia é exatamente fomentar a ovinocultura entre os pequenos produtores para ampliar o mercado no município
Economia
Um grupo de moradores do assentamento Nossa Senhora Aparecida 1, mais conhecido como Sadia 1, participou, ao longo desta semana, do curso de ovinocultura com foco na produção comercial de cordeiro para corte, oferecido pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar-MT) por meio de parceria com a Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Desenvolvimento Rural Sustentável (SEMMADRS) e o Sindicato Rural de Nossa Senhora do Livramento.
Durante o curso, os pequenos agricultores familiares descobriram que a atividade é a que melhor se adequa às condições do solo da localidade onde vivem, conforme explica o engenheiro agrônomo e instrutor do curso, Giogio Kuyumtzief.
“As condições do solo deste assentamento são impróprias para a maioria das atividades, inclusive a atividade leiteira. Por outro lado, os ovinos preferem um ambiente como este, mais árido. Esta é a grande oportunidade que eles têm de ter uma renda fácil de obter porque o ambiente é propício. Com 4 hectares de capineira bem plantada, você alimenta o ano inteiro um rebanho onde tenha 100 matrizes e o que vem com ela, vai dar quase 200 cabeças. E não precisa irrigação. Para isso, vai ser necessário muito apoio da Prefeitura para que os produtores daqui tenham a estrutura necessária para poder aproveitar essa atividade como uma fonte de renda”, avalia o especialista.
Segundo o coordenador de Desenvolvimento Rural Sustentável da SEMMADRS, Jhonattan Fernandes, a ideia é exatamente fomentar a ovinocultura entre esses pequenos produtores para ampliar o mercado no município. “Trouxemos o curso pra despertar o interesse deles em trabalhar com ovinos porque nós temos um frigorífico em Várzea Grande que precisa de animais. Como na Baixada Cuiabana não tem muita produção, ele está tendo que trazer de outros estados para fazer o abate. Então, esse curso foi para eles entenderem como funciona o processo de manejo dos ovinos para que eles possam, num futuro próximo, estar fornecendo para o frigorífico. Esse desejo tem que partir deles”, afirma.
O objetivo de despertar o interesse entre os moradores do assentamento surtiu efeito. Conforme o vice-presidente da Associação dos Agricultores do Projeto de Assentamento Nossa Senhora Aparecida 1, José Ribamar Souza Oliveira, que participou da capacitação, ele e os vizinhos já estão pensando em criar uma cooperativa. “Com fé em Deus, eu acho que vai dar certo. Depois desse curso, nós vamos fazer um grupo para ver por onde nós vamos começar. Precisamos fazer um planejamento. Estamos animados!”, diz.
Quem também se aprimorou na ovinocultura foi Luís Carlos do Nascimento Marques, que já cria algumas cabeças de cordeiro, além de gado, porco e galinhas. Ele avaliou positivamente a experiência. “O professor nos ensinou muito bem. Como a gente já cria, já conhece algumas coisas, mas ele veio e reforçou e ainda ensinou coisas que não sabíamos, como identificar doenças e tratar, identificar a necessidade e fazer aplicação de vermífugo, cruzamento de raças, questão de alimentação, ensinou a fazer silagem prática e fácil”, conta.
Economia
Novas medidas para combustíveis terão impacto de R$ 7 bilhões por mês
As novas medidas anunciadas pelo governo federal para conter a alta dos combustíveis terão custo estimado de R$ 7 bilhões por mês, informou nesta quarta-feira (9) o ministro do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti.

O pacote inclui redução de tributos sobre gasolina e etanol e uma nova subvenção ao diesel, em meio à alta do petróleo provocada pela guerra no Oriente Médio.
“Estamos fazendo uso do espaço fiscal de que dispomos, sem pedir espaço adicional”, declarou Moretti.
Gasolina e etanol
Decreto assinado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva reduz em R$ 0,63 por litro as alíquotas de PIS/Pasep e Cofins sobre a gasolina, fazendo a cobrança cair para R$ 0,16 por litro.
Para o etanol hidratado, os tributos federais serão zerados temporariamente, com redução de R$ 0,19 por litro.
As medidas valem de 10 de setembro a 9 de outubro e substituem a subvenção anterior da gasolina, de R$ 0,44 por litro. O impacto estimado da desoneração da gasolina e do etanol é de R$ 2 bilhões por mês.
Subsídio ao diesel
Medida provisória autoriza nova subvenção de R$ 1 por litro de diesel rodoviário para produtores e importadores. O valor será regulamentado pelo Ministério da Fazenda e revisado a cada 30 dias, podendo ser alterado, interrompido ou prorrogado conforme as condições do mercado.
O custo estimado é de R$ 5 bilhões em setembro, dependendo da adesão das empresas.
Custo total
Somadas as novas medidas, o impacto mensal chega a R$ 7 bilhões. Com a atual subvenção de R$ 1,12 por litro de diesel, que termina em 27 de setembro e custa R$ 5,5 bilhões por mês, o impacto sobre as contas públicas em setembro será de R$ 12,5 bilhões.
Entre março e agosto, o governo gastou ou deixou de arrecadar R$ 25 bilhões com medidas para conter os preços dos combustíveis. Com setembro, a conta chega a R$ 37,5 bilhões em 2026.
Recursos
O secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Rogério Ceron, afirmou que o governo espera mais de R$ 10 bilhões em receitas extraordinárias de petróleo para financiar as desonerações.
“A estimativa de receitas extraordinárias para esse período será de mais de R$ 10 bilhões”, disse.
A subvenção do diesel será financiada por crédito extraordinário editado por medida provisória. O impacto será incorporado ao próximo Relatório Bimestral de Avaliação de Receitas e Despesas, previsto para 24 de setembro.
O relatório traz orientações para a execução do Orçamento. Caso necessário, o governo poderá bloquear gastos não obrigatórios para cumprir os limites de despesas do arcabouço fiscal.
Alta do petróleo
Moretti rejeitou a avaliação de que o pacote tenha caráter populista e afirmou que as medidas são temporárias e buscam reduzir os efeitos da alta internacional do petróleo.
“Essa é uma política de suavização de preço, de mitigação dos efeitos da guerra sobre os preços de derivado. Portanto, não há uma redução artificial. Não há distorção de preço relativo, não há um uso, digamos, populista desse instrumento”, afirmou.
O barril do tipo Brent, referência internacional, fechou a US$ 101,21 nesta quarta-feira, com alta de 3,36%. Em nota, o Palácio do Planalto afirmou que “as medidas buscam amortecer, de forma temporária, os efeitos dessa conjuntura internacional sobre o mercado doméstico”.
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, defendeu ações temporárias para proteger a população e classificou como boa prática a adoção de “medidas limitadas e temporárias”.
Segundo o governo, as medidas anteriores ajudaram a conter os preços. Durante a guerra, o diesel caiu 6% no Brasil, enquanto subiu 25% na Alemanha. Apesar da queda recente, os preços brasileiros ainda estão acima dos níveis anteriores ao conflito.
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