EMPRESA DE PONTA EM VG
Marfrig sedia workshop da Embrapa sobre produção de Carne com Baixo Carbono
A Marfrig foi escolhida para receber o workshop por defender a intensificação da agropecuária regenerativa
Economia
Várzea Grande, a cidade industrial de Mato Grosso, foi palco de workshop promovido pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) sobre os critérios para produção de Carne Baixo Carbono (CBC). O encontro aconteceu em parceria com a Marfrig e apresentou, para produtores de gado de diferentes cidades de Mato Grosso, práticas sustentáveis voltadas para a indústria da pecuária.
Além dos critérios presentes no protocolo, os participantes receberam orientações sobre como situar seus sistemas de produção diante deste novo modelo (CBC), mais eficiente do ponto de vista produtivo e climático.
A Marfrig foi escolhida para receber o workshop por defender a intensificação da agropecuária regenerativa, aumentando a produtividade, mas sem comprometer a vegetação nativa.
“A companhia pretende melhorar a genética do rebanho, reduzindo o tempo de preparação dos animais para abate e integrando fazendas de confinamento. A utilização de tecnologias de medição de carbono no solo visa a gerar créditos certificados”, expôs o diretor de Sustentabilidade da Marfrig, Paulo Pianez.
Ele ressaltou o compromisso da empresa com a sustentabilidade dentro desta cadeia produtiva e atuação pioneira da companhia na busca por soluções que garantam a adoção de boas práticas socioambientais pelos seus fornecedores no campo. “A certificação de Carne Baixo Carbono e Carne Carbono Neutro, em colaboração com a
Embrapa, destaca o compromisso da Marfrig em mitigar a pegada de carbono no setor. Acreditamos firmemente que Mato Grosso oferece um cenário propício para a restauração ecológica, apresentando inclusive oportunidades de geração de créditos de carbono, uma medida que pode proporcionar compensações financeiras aos produtores”, disse Pianez.
Durante o workshop, os produtores participaram de discussões sobre estratégias práticas para reduzir as emissões de carbono associadas à produção de carne, como confirma o pecuarista Amarildo Merotti, que é vice-presidente da Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato). “Boa parte das pessoas que estão aqui, que a Marfrig convidou, já realizam práticas agrícolas regenerativas, só que nenhuma empresa, até então, havia despertado o interesse dos produtores em adquirir uma certificação e dosar isso nas suas propriedades. Então, já fizemos um compromisso com a Marfrig e a Embrapa, de realizarem uma medição em uma das minhas propriedades, para que possamos colocar tudo isso em prática”, comemorou.
Protocolo CBC: pioneiro
O Protocolo CBC desenvolvido pela Embrapa é o primeiro do Brasil a estabelecer um conjunto de critérios e procedimentos auditáveis e certificáveis, que garantem a redução das emissões de Gases de Efeito Estufa pelo sistema produtivo da bovinocultura de corte e a obtenção de um selo para a carne, que possibilita ao consumidor optar por um produto com atributos de descarbonização nas gôndolas dos supermercados.
O protocolo se fundamentou em um estudo realizado na Unidade de Referência Tecnológica da Embrapa na Bahia, no bioma Cerrado, em 2021, no qual parâmetros como estoque de carbono, ganho de peso do gado, qualidade da carne e emissões de metano foram avaliados. Os resultados mostraram que, com a adoção do manejo adequado do sistema, é possível aumentar a produtividade e a qualidade da carne, trazendo mais lucratividade para o pecuarista, sem a necessidade de expansão de sua área produtiva.
Roberto Giolo, pesquisador da Embrapa Gado de Corte, líder da Plataforma de Pecuária de Baixo Carbono e um dos desenvolvedores do protocolo, pontuou sobre a importância dessa parceria com a Marfrig. “O objetivo desse protocolo é disponibilizar, para o maior número possível de produtores, a adoção desse protocolo de boas práticas, que tem como resultado final uma melhor eficiência do próprio sistema. A gente consegue essa mitigação, essa redução das emissões; consegue colocar mais carbono no solo simplesmente com essas boas práticas. Esse é o papel da Embrapa, de desenvolvimento do protocolo com bases técnicas, e a parceria com a Marfrig é muito importante porque é justamente quem vai proporcionar uma escala. A companhia irá colocar os produtores, os fornecedores que têm esse potencial – e muitos deles já realizam boa parte dos requisitos mínimos do protocolo – para ampliar a área desse protocolo com intuito de melhorar a eficiência da pecuária brasileira”.
O pesquisador explicou ainda que, diferentemente de outros tipos de certificação, a unidade certificada não é a propriedade, mas sim a área destinada à produção de baixo carbono, o que possibilita que o produtor vá expandindo suas áreas de produção conforme se sinta apto e perceba se existe a demanda pelo seu produto. Estão habilitadas para operar como certificadoras desse protocolo o Sistema Brasileiro de Certificação (SBC), o IBD, a Genesis Certificações e a Pantanal Certificadora.
A parceria estratégica entre Embrapa e Marfrig foi estabelecida em 2019 para aumentar o valor agregado da carne bovina brasileira por meio de marcas conceituais voltadas para a realidade do pecuarista, balizadas pela ciência e por padrões internacionais: a Carne Carbono Neutro (CCN), lançada em 2020, e a Carne Baixo Carbono (CBC), cujo lançamento oficial deve ocorrer ao longo de 2024. Diferentemente da primeira, a marca conceito CBC não inclui o componente florestal – necessário para neutralizar as emissões de carbono dos sistemas CCN –, o que possibilita uma maior escalabilidade de seu sistema, uma vez que apenas cerca de 2% das áreas de pastagem cultivadas no Brasil estão inseridas em sistemas de integração com componente florestal.
Parceria com Amigos da Terra
Os sistemas CBC produzem animais cujas emissões de metano foram mitigadas pelo próprio processo produtivo, pela redução na idade do abate, melhoria da dieta dos animais e por meio do aumento do estoque de carbono no solo, resultante da adoção de boas práticas agropecuárias envolvendo recuperação e manejo sustentável das pastagens e/ou sistemas de Integração Lavoura-Pecuária (ILP).
A fim de trazer os conceitos gerais e apresentar os requisitos mínimos deste protocolo, a ONG Amigos da Terra elaborou o Guia para a produção de baixo carbono: aplicação do protocolo da Carne Baixo Carbono (CBC) da Embrapa.
“O guia fornece um passo a passo para a implementação do protocolo, servindo como um referencial de partida para os produtores que tiverem interesse em entender mais, antes de ingressarem neste processo de certificação”, adiantou Pedro Burnier, que é diretor do programa da Embrapa.
O documento traz, de forma simplificada, os 20 requisitos essenciais para início do processo de certificação. Além disso, o guia oferece links úteis para facilitar o acesso rápido a ferramentas que poderão auxiliar no cumprimento e na checagem dos critérios pelos próprios produtores. Para entrar em vigor, o Protocolo CBC deverá ser disponibilizado ao público na plataforma Agri Trace Rastreabilidade Animal, da Confederação Nacional da Agricultura (CNA), em 2024.
A marca permanecerá sendo de uso exclusivo da Marfrig até 2030. Para aderir à certificação, a propriedade deverá demonstrar, já na auditoria inicial, estar em conformidade com os 20 requisitos mínimos obrigatórios para a implantação do sistema, de um total de 67, que serão requeridos progressivamente ao longo de auditorias bienais. O protocolo na íntegra será disponibilizado apenas aos produtores que ingressarem na plataforma.
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Economia
Reforma tributária impulsiona doações de imóveis a herdeiros
A Reforma Tributária promulgada em dezembro de 2023 provocou um aumento no número de doações de imóveis em todo o país. Segundo o Colégio Notarial do Brasil (CNB), em 2025, foram registradas 185.861 escrituras públicas – um crescimento de 59% em comparação aos 116.225 atos formalizados em 2020.

Para especialistas, a “corrida” aos cartórios e à plataforma digital do CNB, o e-notariado, reflete uma crescente busca das famílias para antecipar a transferência de patrimônio, antes da entrada em vigor das novas regras do Imposto sobre Transmissão Causa Mortis e Doação (ITCMD).
O ITCMD é um imposto que os estados e o Distrito Federal cobram sobre a herança e a doação de bens ou direitos patrimoniais. Cada unidade federativa tem autonomia para definir seus próprios prazos e taxas.
Com a gradual entrada em vigor da Reforma Tributária, quanto maior for o valor do bem maior será o percentual das alíquotas do ITCMD, podendo chegar ao máximo de 8%.
A título de exemplo, no Distrito Federal, o governo distrital cobra uma alíquota progressiva de 4% a 6% para heranças e doações, independentemente do valor do patrimônio transmitido. Em São Paulo, há dois projetos de lei em discussão na Assembleia Legislativa: um que reduz a alíquota progressiva atualmente cobrada no estado, limitando-a ao máximo de 4%, e outro que institui o teto de 8%.
Além disso, conforme o texto da Emenda nº 132/2023, que institui a Reforma Tributária, a base de cálculo do imposto passará a ser o valor de mercado do imóvel ou bem, e não mais seu valor patrimonial – geralmente, mais baixo.
“A expectativa é que esse volume de doações continue crescendo e, portanto, também as lavraturas de escrituras”, declarou, em nota, o presidente do CNB, Eduardo Calais.
Ainda segundo a entidade, que representa os mais de 9 mil notários e tabeliães do Brasil, o registro de escrituras públicas de doações de imóveis começou a aumentar já em 2020, antes mesmo da Reforma Tributária ser promulgada, mas se intensificou nos últimos anos, até atingir, em 2025, o maior número da série histórica.
“Nos últimos meses, é nítido o aumento na procura de clientes que buscam antecipar sua sucessão patrimonial, seja por meio de doações diretas a descendentes, seja pela integralização de ativos em holdings familiares”, acrescentou, na mesma nota, Joanna Oliveira Rezende Barbosa, especialista em planejamento patrimonial.
Para os especialistas, há muitas famílias acompanhando a movimentação legislativa nos estados e no Distrito Federal para decidir se antecipam as doações em vida, e como fazê-las. Até porque, conforme já estabelecido pelo Supremo Tribunal Federal (STF), mudanças na cobrança do imposto precisam ser previamente aprovadas e regulamentadas pelo poder local.
Doações exigem cautela
Por outro lado, o advogado Matheus Bertolo Piconez alerta que agir impulsivamente pode gerar uma série de problemas, inclusive familiares.
Por exemplo: se os pais antecipam a doação para o(s) filho(s) do único imóvel que possuem, sem estabelecer seu direito de, enquanto vivos, continuarem morando ou se beneficiando da renda gerada pelo bem, passarão a depender da boa vontade do(s) herdeiro(s).
“A antecipação faz sentido quando vem acompanhada de planejamento completo, não como uma corrida de última hora”, acrescentou o advogado.
Piconez destaca a importância de o interessado também definir os termos gerais do acordo de transmissão do bem e verificar se dispõe dos recursos financeiros necessários para honrar despesas imediatas, já que a doação de um imóvel ou patrimônio não elimina a obrigação de pagar o ITCMD e outras despesas.
Presidente da seção do Colégio Notarial do Brasil no Distrito Federal, Geraldo Felipe de Souto destaca que, além de poderem registrar as escrituras remotamente, por meio da plataforma e-notariado, é possível realizar o planejamento sucessório sem abrir mão do pleno controle patrimonial. Uma das opções mais adotadas para isto é a chamada doação com reserva de usufruto.
“A Reforma Tributária trouxe urgência para conversas que muitas famílias ainda não tinham tido. Planejar a sucessão patrimonial deixou de ser algo para o futuro e passou a ser uma decisão do presente”, comentou Souto, garantindo que os cartórios de notas estão prontos para orientar cada família sobre as melhores alternativas para cada caso.
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