CONTAS EQUILIBRADAS
Enquanto 12 estados aumentam impostos, MT é o que mais reduz no país
O governador Mauro Mendes lembrou que hoje Mato Grosso é o estado com as menores alíquotas de ICMS dos principais itens usados pelo cidadão, como energia elétrica, gasolina, etanol, gás, internet e telefonia.
Economia
Para conseguir pagar as contas, 12 estados brasileiros já anunciaram aumento de impostos sobre itens como energia, telecomunicações e combustíveis, cuja alíquota máxima havia sido limitada a 18% por conta das leis complementares federais 192 e 194, do ano passado.
A informação foi divulgada nesta segunda-feira (30.01) pelo jornal Valor Econômico. Na contramão, Mato Grosso irá continuar com as alíquotas atuais e se consolidar como o estado que mais reduziu impostos no país, principalmente de ICMS (Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Serviços).
O governador Mauro Mendes lembrou que hoje Mato Grosso é o estado com as menores alíquotas de ICMS dos principais itens usados pelo cidadão, como energia elétrica, gasolina, etanol, gás, internet e telefonia.
De acordo com ele, Mato Grosso não precisará aumentar impostos porque durante os últimos quatro anos organizou as contas públicas e promoveu um equilíbrio fiscal que dá segurança aos investimentos em todas as áreas, mesmo com os cortes inesperados e sem estudo das duas leis federais.
Esse trabalho tem sido reconhecido nacionalmente, uma vez que além de receber a Nota A da Secretaria do Tesouro Nacional (STN) em relação à Capacidade de Pagamento (CAPAG), que é a maior nota disponível, o Governo de Mato Grosso foi apontado pelo Centro de Liderança Pública (CLP) como o estado com a melhor gestão fiscal do país.

Foto: Michael Alvim – SECOM-MT
“Fomos o primeiro estado que anunciou corte de impostos, muito antes de isso virar pauta nacional. E pudemos fazer isso porque enxugamos despesas, otimizamos a receita e promovemos um grande pacote de investimentos que está desenvolvendo Mato Grosso como nunca antes. E continuaremos a investir em Saúde, Educação, Segurança, Assistência Social e em tudo que importa ao cidadão, pois nos programamos para isso”, afirmou.
No total, conforme o governador, o Governo de Mato Grosso reduziu ou isentou mais de 140 impostos nos últimos quatro anos.
“Reduzimos diversas taxas do Detran e da Sema, cortamos o ICMS de segmentos como bares, restaurantes, tecidos, confecções e isentamos os itens da cesta básica. Sem contar a redução de multas acessórias, que tem beneficiado milhares de empresas, especialmente as micro e pequenas”, mencionou.
Economia
Reforma tributária impulsiona doações de imóveis a herdeiros
A Reforma Tributária promulgada em dezembro de 2023 provocou um aumento no número de doações de imóveis em todo o país. Segundo o Colégio Notarial do Brasil (CNB), em 2025, foram registradas 185.861 escrituras públicas – um crescimento de 59% em comparação aos 116.225 atos formalizados em 2020.

Para especialistas, a “corrida” aos cartórios e à plataforma digital do CNB, o e-notariado, reflete uma crescente busca das famílias para antecipar a transferência de patrimônio, antes da entrada em vigor das novas regras do Imposto sobre Transmissão Causa Mortis e Doação (ITCMD).
O ITCMD é um imposto que os estados e o Distrito Federal cobram sobre a herança e a doação de bens ou direitos patrimoniais. Cada unidade federativa tem autonomia para definir seus próprios prazos e taxas.
Com a gradual entrada em vigor da Reforma Tributária, quanto maior for o valor do bem maior será o percentual das alíquotas do ITCMD, podendo chegar ao máximo de 8%.
A título de exemplo, no Distrito Federal, o governo distrital cobra uma alíquota progressiva de 4% a 6% para heranças e doações, independentemente do valor do patrimônio transmitido. Em São Paulo, há dois projetos de lei em discussão na Assembleia Legislativa: um que reduz a alíquota progressiva atualmente cobrada no estado, limitando-a ao máximo de 4%, e outro que institui o teto de 8%.
Além disso, conforme o texto da Emenda nº 132/2023, que institui a Reforma Tributária, a base de cálculo do imposto passará a ser o valor de mercado do imóvel ou bem, e não mais seu valor patrimonial – geralmente, mais baixo.
“A expectativa é que esse volume de doações continue crescendo e, portanto, também as lavraturas de escrituras”, declarou, em nota, o presidente do CNB, Eduardo Calais.
Ainda segundo a entidade, que representa os mais de 9 mil notários e tabeliães do Brasil, o registro de escrituras públicas de doações de imóveis começou a aumentar já em 2020, antes mesmo da Reforma Tributária ser promulgada, mas se intensificou nos últimos anos, até atingir, em 2025, o maior número da série histórica.
“Nos últimos meses, é nítido o aumento na procura de clientes que buscam antecipar sua sucessão patrimonial, seja por meio de doações diretas a descendentes, seja pela integralização de ativos em holdings familiares”, acrescentou, na mesma nota, Joanna Oliveira Rezende Barbosa, especialista em planejamento patrimonial.
Para os especialistas, há muitas famílias acompanhando a movimentação legislativa nos estados e no Distrito Federal para decidir se antecipam as doações em vida, e como fazê-las. Até porque, conforme já estabelecido pelo Supremo Tribunal Federal (STF), mudanças na cobrança do imposto precisam ser previamente aprovadas e regulamentadas pelo poder local.
Doações exigem cautela
Por outro lado, o advogado Matheus Bertolo Piconez alerta que agir impulsivamente pode gerar uma série de problemas, inclusive familiares.
Por exemplo: se os pais antecipam a doação para o(s) filho(s) do único imóvel que possuem, sem estabelecer seu direito de, enquanto vivos, continuarem morando ou se beneficiando da renda gerada pelo bem, passarão a depender da boa vontade do(s) herdeiro(s).
“A antecipação faz sentido quando vem acompanhada de planejamento completo, não como uma corrida de última hora”, acrescentou o advogado.
Piconez destaca a importância de o interessado também definir os termos gerais do acordo de transmissão do bem e verificar se dispõe dos recursos financeiros necessários para honrar despesas imediatas, já que a doação de um imóvel ou patrimônio não elimina a obrigação de pagar o ITCMD e outras despesas.
Presidente da seção do Colégio Notarial do Brasil no Distrito Federal, Geraldo Felipe de Souto destaca que, além de poderem registrar as escrituras remotamente, por meio da plataforma e-notariado, é possível realizar o planejamento sucessório sem abrir mão do pleno controle patrimonial. Uma das opções mais adotadas para isto é a chamada doação com reserva de usufruto.
“A Reforma Tributária trouxe urgência para conversas que muitas famílias ainda não tinham tido. Planejar a sucessão patrimonial deixou de ser algo para o futuro e passou a ser uma decisão do presente”, comentou Souto, garantindo que os cartórios de notas estão prontos para orientar cada família sobre as melhores alternativas para cada caso.
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