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Consórcio 116 Sertões vence leilão da Rota dos Sertões

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O Consórcio 116 Sertões foi o vencedor do leilão de concessão da BR-116/324/BA/PE, ao oferecer desconto de 19,60% na tarifa básica de pedágio. O processo ocorreu nesta quinta-feira (28), na B3, a bolsa de valores brasileira, em São Paulo.

Estão previstos R$ 88,5 bilhões em investimentos, com duplicações, contorno viário, bases de atendimento ao usuário, nas BRs 116 e 324, totalizando 502 quilômetros entre Salgueiro (PE) e o anel rodoviário de Feira de Santana (BA). 

Ao todo, serão usados R$ 8,5 bilhões ao longo dos 30 anos de contrato, sendo R$ 4,1 bilhões destinados diretamente a obras de ampliação e modernização da infraestrutura rodoviária.

As intervenções previstas abrangem 16 municípios ao longo do corredor rodoviário e incluem:

  • duplicação de 108 quilômetros de rodovia;
  • implantação de vias marginais;
  • construção de novos retornos;
  • execução do contorno viário de Serrinha (BA);
  • implementação de sistemas inteligentes de monitoramento;
  • instalação de 10 bases de serviço de atendimento ao usuário;
  • construção de ponto de parada e descanso para motoristas profissionais.

O critério de julgamento do leilão foi o maior desconto tarifário sobre a tarifa básica de pedágio prevista no edital. O projeto foi estruturado pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), em parceria com o Ministério dos Transportes e o Banco Nacional do Desenvolvimento (BNDES).

Rota dos Sertões

O trecho concedido conecta importantes eixos logísticos do Nordeste e tem papel fundamental no escoamento da produção agropecuária e industrial da região, além de integrar centros urbanos, polos industriais e mercados consumidores.

Feira de Santana (BA) é o principal entroncamento rodoviário do Norte-Nordeste, ao concentrar operações industriais, comerciais e logísticas que dependem da BR-116/324.

Para o diretor-geral da ANTT, Guilherme Theo Rodrigues da Rocha Sampaio, o sucesso do leilão é reflexo da confiança do mercado na solidez da instituição. Segundo ele, a duração do contrato traz a previsibilidade necessária para transformar a infraestrutura do país.

“Nosso compromisso é com a segurança jurídica e a entrega de uma rodovia que realmente chegue à ponta, atendendo quem vive e trabalha neste importante corredor entre a Bahia e Pernambuco.”

A ANTT acompanhará as próximas etapas para assinatura do contrato e início da transição operacional da concessão, a fim de assegurar a continuidade dos serviços e melhoria da infraestrutura.




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Bets reduzem consumo e atividade econômica, diz pesquisa da USP

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Um estudo feito pelo Centro de Pesquisa em Macroeconomia das Desigualdades (Made), da Faculdade de Economia, Administração, Contabilidade e Atuária da Universidade de São Paulo (FEA/USP), revelou que as apostas, conhecidas popularmente como bets, reduziram o consumo e retiraram da atividade econômica entre R$ 120 bilhões e R$ 141 bilhões, o que equivale a 0,9% a 1,1% do PIB – Produto Interno Bruto), no ano de 2025. 

“Para dimensionar essa magnitude, a perda estimada corresponde a algo entre 40% e 50% de todo o crescimento da economia em 2025 e é cerca de cinco vezes maior que estimativas do impacto do tarifaço americano sobre o PIB brasileiro. Mesmo levando em conta as estimativas dos empregos diretos e indiretos criados associados às bets, o quadro praticamente não muda”, conclui a pesquisa. 

O estudo estima que essa redução na atividade econômica resultaria em uma perda de arrecadação entre R$ 31,1 bilhões e R$ 54,8 bilhões.

“Descontando os cerca de R$ 9 bilhões arrecadados diretamente com as plataformas de apostas, o efeito líquido sobre as contas públicas ainda seria negativo em, no mínimo, R$ 22 bilhões, podendo chegar a até R$ 46 bilhões”. 

Segundo os pesquisadores, esse valor corresponde de 10% a 20% de todo o orçamento destinado à saúde pública na São Paulo de 2025, o que indica que, embora as bets gerem arrecadação direta, a perda de atividade econômica que provocam mais do que compensa essa receita. 

Endividamento 

A pesquisa considera também que parte das apostas tenha gerado aumento do endividamento. Os pesquisadores consideram que se o saldo do crédito para pessoa física subiu cerca de R$ 450 bilhões e a transferência líquida de R$ 62,5 bilhões tivesse sido financiada por novo crédito, o que é visto como uma hipótese extrema, isso corresponderia a cerca de 14% do aumento do endividamento das famílias em 2025. 

Segundo a pesquisa é possível também que as bets tenham causado efeito negativo na distribuição de renda. Levando em conta que o 1% da população mais rica fica com cerca de 24% de toda a renda do país, essa transferência de dinheiro das famílias para as bets aumentou a concentração de renda dessa minoria do topo, entre 0,5% e 2,1%, dependendo de quem recebe os lucros das casas de aposta. 

“No primeiro caso, apenas retiramos os R$ 62,5 bilhões da renda dos 99% da base, enquanto no segundo adicionamos esse valor para o 1% mais rico. Mesmo no caso mais conservador, é um efeito significativo em um país em que a concentração de renda já é extremamente elevada”, dizem os pesquisadores. 

A pesquisa concluiu que, do ponto de vista econômico, o problema das apostas não se limita aos efeitos individuais, mas também têm consequências macroeconômicas, pois ao retirar renda das famílias, principalmente as de menor renda, as bets podem aumentar a desigualdade, reduzir a demanda e afetar o PIB de maneira relevante, além de reduzirem a arrecadação fiscal e refletirem nas contas públicas.  

 



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