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Cidades, Transportes e Fazenda lideram desbloqueio do Orçamento

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Os Ministérios das Cidades, dos Transportes e da Fazenda lideraram o desbloqueio de R$ 5,7 bilhões do Orçamento de 2026, anunciou na noite desta quinta-feira (30) o Ministério do Planejamento e Orçamento.

Os novos limites de gastos constam do decreto publicado em edição extraordinária do Diário Oficial da União, com os novos valores detalhados dos bloqueios por ministérios e por órgãos. Pela legislação, o decreto é divulgado oito dias após o envio ao Congresso Nacional do Relatório Bimestral de Avaliação de Receitas e Despesas, documento que orienta a execução do Orçamento.

Segundo o documento, dos R$ 5,741 bilhões desbloqueados no último dia 24, R$ 3,332 bilhões são de gastos discricionários (não obrigatórios) e R$ 1,204 de emendas parlamentares. Dentro dos gastos discricionários, R$ 2,523 bilhões serão liberados do Novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

Os ministérios e demais órgãos federais têm até 6 de agosto para detalharem os programas que terão mais recursos.

A última edição do Relatório Bimestral de Avaliação de Receitas e Despesas reduziu de R$ 23,679 bilhões para R$ 17,937 bilhões o volume bloqueado no Orçamento de 2026.

Emendas parlamentares

Mesmo com a liberação de recursos, continuam bloqueados R$ 3,675 bilhões em emendas parlamentares de bancada, recursos indicados por deputados e senadores para obras e projetos nos estados.

Nesse caso, será aplicada a Lei Complementar 210/2024, aprovada para regulamentar a execução das emendas parlamentares e ampliar a transparência desses recursos.

Pela lei complementar, as emendas são bloqueadas ou desbloqueadas até a mesma proporção aplicada às demais despesas discricionárias, para cumprir as metas fiscais. No entanto, o Congresso poderá definir as prioridades quando houver necessidade de bloqueio ou contingenciamento, indicando quais programações terão os recursos preservados e quais serão afetadas pelos cortes, dentro dos limites definidos pelo governo.

Faseamento

Além dos bloqueios, o governo está utilizando o chamado faseamento de empenho. O mecanismo não corta recursos, mas limita temporariamente a velocidade com que os órgãos podem assumir novos compromissos financeiros.

A medida funciona como um controle de fluxo de caixa. Se a arrecadação ficar abaixo do esperado, o governo evita empenhar (autorizar o gasto de) recursos antes de confirmar a entrada das receitas.

A restrição de empenho está prevista em R$ 47,46 bilhões até setembro. O valor sujeito a esse controle cai para R$ 29,498 bilhões até novembro e para zero em dezembro.

Ao somar o total bloqueado de R$ 17,937 bilhões, a restrição chega a R$ 65,397 bilhões até setembro e a R$ 47,436 bilhões até novembro.

Tipos de despesa

O arcabouço fiscal em vigor divide os recursos congelados em dois tipos: o contingenciamento e o bloqueio. O contingenciamento representa os recursos retidos temporariamente para cobrir falta de receitas do governo que atrapalham o cumprimento da meta fiscal. Para este ano, a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) prevê resultado primário zero (nem déficit, nem superávit), com uma margem de tolerância de até R$ 31 bilhões para mais ou para menos.

O bloqueio corresponde aos recursos retidos para cumprir o limite de gastos do arcabouço. Neste ano, o governo federal não contingenciou o Orçamento, porque prevê superávit primário (economia de recursos para pagar os juros da dívida pública) de R$ 10,8 bilhões, se excluídos precatórios e alguns gastos com saúde, educação e defesa.

Para 2026, o marco fiscal limita o crescimento das despesas a 2,5% acima da inflação do ano anterior.

Detalhamento

Desconsiderando as emendas parlamentares, a redução dos bloqueios foi dividida da seguinte forma:
 

Órgãos Bloqueio 2º Bimestre Bloqueio 3º Bimestre Diferença (R$ milhões)
Ministério das Cidades 3,047.50 1,847.30 -1,200.20
Ministério dos Transportes 1,608.70 592.9 -1,015.80
Ministério da Fazenda 1,396.30 856.3 -540
Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação 490.1 153.8 -336.3
Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar 545.2 245.2 -300
Ministério da Educação 1,605.00 1,325.00 -280
Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional 399.3 259.3 -140
Ministério das Relações Exteriores 414.5 284.5 -130
Presidência da República 279.9 209.9 -70
Ministério do Planejamento e Orçamento 334.1 272.1 -62
Ministério do Esporte 162.3 101.1 -61.2
Advocacia-Geral da União 111.1 51.1 -60
Agência Nacional de Transportes Terrestres 57 7 -50
Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania 76.1 30.1 -46
Banco Central do Brasil 92.4 47.4 -45
Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico 44.9 -44.9
Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos 228.7 188.7 -40
Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome 243.4 206.4 -37
Ministério dos Povos Indígenas 74.7 44.8 -29.9
Agência Nacional de Mineração 22.7   -22.7
Ministério da Defesa 4,363.30 4,344.30 -19
Agência Nacional de Proteção de Dados 6.5   -6.5
Ministério da Agricultura e Pecuária 489.9 489.9  
Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços 130.7 130.7  
Ministério da Justiça e Segurança Pública      
Conselho Administrativo de Defesa Econômica 9.7 9.7  
Ministério de Minas e Energia 143.1 143.1  
Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis 18.1 18.1  
Agência Nacional de Energia Elétrica 34.3 34.3  
Ministério da Previdência Social      
Ministério da Saúde 1,001.70 1,001.70  
Agência Nacional de Vigilância Sanitária 22.4 22.4  
Agência Nacional de Saúde Suplementar 34.2 34.2  
Controladoria-Geral da União 29.4 29.4  
Ministério do Trabalho e Emprego      
Ministério das Comunicações 127.6 127.6  
Agência Nacional de Telecomunicações 51.8 51.8  
Ministério da Cultura 220.8 220.8  
Agência Nacional do Cinema 8.2 8.2  
Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima 31.8 31.8  
Ministério do Turismo 83.8 83.8  
Ministério da Pesca e Aquicultura 46.8 46.8  
Gabinete da Vice-Presidência da República 0.9 0.9  
Ministério das Mulheres 53.3 53.3  
Ministério da Igualdade Racial 29.9 29.9  
Ministério de Portos e Aeroportos 347.2 347.2  
Agência Nacional de Transportes Aquaviários 14.3 14.3  
Agência Nacional de Aviação Civil 24 24  
Ministério do Empreendedorismo, da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte 151.1 151.1  

Na divisão por tipo de despesa, a distribuição dos recursos desbloqueados é a seguinte:
 

Total bloqueado 2º Bimestre 3º Bimestre Diferença (R$ milhões)
I. Poder Executivo 23,678.60 17,937.50 -5,741.00
I.I. Discricionárias totais 18,709.00 14,172.40 -4,536.60
↳ RP 2 (Discricionárias em geral) 9,963.40 7,949.50 -2,013.80
↳ RP 3 (PAC) 8,745.60 6,222.80 -2,522.80
I.II. Emendas 4,969.60 3,765.20 -1,204.40
Fonte: Ministério do Planejamento e Orçamento



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Receita paga nesta sexta-feira terceiro lote de restituição do IR 2026

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Quase 3 milhões de contribuintes recebem, nesta sexta-feira (31), o terceiro lote de restituição do Imposto de Renda 2026. Ao longo do dia, a Receita Federal liberará R$ 4,61 bilhões a 2.743.200 declarantes.

A consulta pode ser feita desde o dia 24 na página da Receita Federal na internet. Basta o contribuinte clicar em “Meu Imposto de Renda” e, em seguida, no botão “Consultar a Restituição”. Também é possível fazer a consulta no aplicativo da Receita Federal para tablets e smartphones.

As restituições estão distribuídas da seguinte forma:

  • 1.396.474 contribuintes sem prioridade;
  • 839.464 contribuintes que usaram a declaração pré-preenchida ou optaram simultaneamente por receber a restituição via Pix;
  • 309.441 contribuintes que usaram a declaração pré-preenchida e optaram simultaneamente por receber a restituição via Pix; 
  • 197.821 contribuintes com prioridade legal.

As prioridades legais são as seguintes: idosos a partir de 80 anos, idosos de 60 a 79 anos, pessoas com deficiência física ou mental ou doença grave e contribuintes cuja maior fonte de renda seja o magistério.

Em relação aos contribuintes sem prioridade, esse será o primeiro pagamento de restituição para quem declarou em 2026. Os dois primeiros lotes só abrangeram contribuintes com prioridade legal e não determinada por lei.

Os lotes de maio e junho, informou o órgão, representaram 80% das restituições previstas para serem pagas este ano, tanto em valores quanto em número de contribuintes. Segundo o Fisco,  a agilidade no processamento das declarações e no avanço das ferramentas de modernização e automação permitiram a concentração dos pagamentos nos dois primeiros lotes.

Encerramento 

Este ano, a Receita reduziu de cinco para quatro o número de lotes regulares de restituições da declaração, com pagamentos no fim de maio, de junho, de julho e de agosto.

O Fisco informou que o lote de julho encerra a fila de restituições relativas ao Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) 2026. Após o processamento, o lote de agosto concentrará apenas restituições retidas em malha fiscal ou que apresentam inconsistências nos dados bancários informados para o recebimento, como casos relacionados à chave PIX.

Segundo a Receita, cerca de 165 mil restituições não foram creditadas porque o contribuinte informou o CPF como chave Pix para recebimento, mas não detém conta bancária vinculada a essa chave.

Para regularizar a situação, o contribuinte tem três alternativas:

  1. cadastrar uma chave Pix CPF numa instituição financeira;
  2. alterar a conta para crédito da restituição por meio do serviço Meu Imposto de Renda;
  3. retificar a declaração, informando uma conta bancária de sua titularidade.

Pagamento

O pagamento será creditado na conta ou na chave Pix do tipo CPF informada na declaração do Imposto de Renda. Caso o contribuinte não esteja na lista, deverá entrar no Centro Virtual de Atendimento ao Contribuinte (e-CAC) e requerer o extrato da declaração. Se verificar pendência, pode enviar declaração retificadora e esperar os próximos lotes.

Se, por algum motivo, a restituição não for depositada na conta informada na declaração, como no caso de conta desativada, os valores ficarão disponíveis para resgate por até um ano no Banco do Brasil.

Nesse caso, o cidadão poderá agendar o crédito em qualquer conta bancária em seu nome, por meio do Portal BB ou ligando para a Central de Relacionamento do banco, nos telefones 4004-0001 (capitais), 0800-729-0001 (demais localidades) e 0800-729-0088 (telefone especial exclusivo para deficientes auditivos).

Caso o contribuinte não resgate o valor de sua restituição depois de um ano, deverá requerer o valor no Portal e-CAC. Ao entrar na página, o cidadão deve acessar o menu “Declarações e Demonstrativos”, clicar em “Meu Imposto de Renda” e, em seguida, no campo “Solicitar restituição não resgatada na rede bancária”.



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