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Sanidade animal e capacitação técnica impulsionam produtores rurais de Várzea Grande
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A sanidade animal está entre os destaques da programação de capacitações oferecidas aos produtores da agricultura familiar de Várzea Grande durante o mês de junho. Ao todo, nove cursos serão realizados pelo Sistema Famato/Senar, em parceria com a Prefeitura de Várzea Grande e o Sindicato Rural de Nossa Senhora do Livramento, abordando temas como vacinação contra brucelose, produção de alimentos, cultivo agrícola e inclusão digital no campo.
Entre os dias 8 e 12 de junho, foram realizados dois cursos de Inclusão Digital Rural Intermediária, na Comunidade Sadia 1. No mesmo período, ocorreram os cursos de Pedreiro Rural, no Capão do Pequi, e Produção de Queijos, na Comunidade Santa Luzia.
Já entre os dias 15 e 18 de junho serão oferecidos os cursos de Cultivo da Banana, Produção Artesanal de Embutidos e Defumados de Carne Bovina e Produção Artesanal de Derivados do Leite.
De 22 a 25 de junho, os produtores poderão participar do curso de Produção Artesanal de Embutidos e Defumados de Carne Suína.
A programação será encerrada nos dias 30 de junho e 1º de julho com o treinamento de Aplicação de Vacina contra Brucelose, considerado fundamental para a prevenção da doença nos rebanhos bovino e bubalino. A capacitação orienta sobre as técnicas corretas de vacinação, manejo dos animais, legislação sanitária e procedimentos exigidos pelos órgãos de defesa agropecuária.
Segundo o coordenador de Desenvolvimento Rural, Leandro Silva, a capacitação contribui para que os produtores mantenham seus rebanhos protegidos e atendam às exigências sanitárias.
“A sanidade animal é um dos pilares da atividade pecuária. Com informação e capacitação, os produtores conseguem realizar os procedimentos de forma correta, garantindo a saúde do rebanho e a regularidade da produção”, afirmou.
Leandro também explica que a brucelose é uma zoonose que pode ser transmitida entre animais e seres humanos. A vacinação das fêmeas bovinas e bubalinas com idade entre três e oito meses é obrigatória, e o descumprimento da norma pode resultar em penalidades, incluindo restrições para a emissão da Guia de Trânsito Animal (GTA).
Durante o curso de vacinação contra brucelose, os participantes terão acesso a conteúdos sobre bem-estar animal, sanidade animal, manejo no curral, conservação e armazenamento de vacinas, doenças de notificação obrigatória, segurança no trabalho rural e procedimentos de comunicação ao Instituto de Defesa Agropecuária de Mato Grosso (Indea-MT).
Para o secretário municipal de Meio Ambiente e Desenvolvimento Rural Sustentável, Ricardo Amorim, as capacitações contribuem para o fortalecimento das propriedades rurais e para a melhoria da produção no município.
“A qualificação permite que os produtores tenham acesso a novas técnicas e conhecimentos, tanto na área de produção quanto na sanidade animal, fortalecendo a agricultura familiar e a pecuária de Várzea Grande”, destacou.
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Zoonoses de Várzea Grande faz alerta para alta de casos positivos e pede atenção da população aos sinais da doença
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Várzea Grande sempre foi uma região considerada endêmica para a Leishmaniose Visceral Canina (LVC), uma doença de caráter zoonótico causada por um protozoário do gênero Leishimania, transmitida pela picada do mosquito-palha e portanto afetando tanto humanos quanto animais. Não passa diretamente de uma pessoa para outra, no entanto, começa silenciosa e justamente por isso, vai se proliferando por meio do ataque dos mosquitos palhas, pois precisa do mosquito Lutzomyia longipalpis e outras espécies do gênero para disseminação da doença.
No ambiente urbano, o cão atua como o principal reservatório do protozoário. Portanto, o aumento de casos nos animais eleva diretamente o risco de contágio para os seres humanos.
Como explica o Médico Veterinário e Responsável Técnico do Centro de Controle de Zoonoses (CCZ VG), Luciano Miranda, a pressão da doença no Município deixa as autoridades em Saúde Pública sempre em alerta. “Somente neste ano, de janeiro a junho, já registramos quase 500 testes realizados em animais suspeitos de LVC em Várzea Grande. Uma das explicações para alta incidência está no avanço do desmatamento urbano, com as habitações e a circulação de pessoas avançando cada vez mais nessas regiões. Um exemplo dessa realidade no Município é a região do Jardim Maringá, em plena expansão, e concidentemente tendio um aumento de sua incidência nessa região.
Apesar do bairro ser destaque nesse mapeamento, o Médico Veterinário faz questão de ressaltar que a doença não pode mais ser ‘marginalizada’, pois já se encontram casos de cães positivos que vivem com seus tutores em apartamentos. Essa constatação só reforça o sinal de alerta para a prevenção e cuidados com nossos pets”.
SINAIS DE ALERTA – O Dr. Luciano chama à atenção para sintomas clássicos como o emagrecimento sem sentido algum, onde o animal muitas vezes está comendo bem, porém o pet nunca engorda e fica na situação cada vez mais de emagrecimento. Isso porque provavelmente a doença já atingiu fígado, o baço, que são um dos órgãos mais acometidos pela doença. No geral o animal come, mas o fígado atacado e inflamado, não consegue atuar de forma normal em seu auxílio à digestão, levando ao emagrecimento progressivo. Além do emagrecimento, existem as feridinhas, queda de pelos, etc onde essas feridas acabam por nunca se cicatrizarem, principalmente em extremidades de focinho e pavilhão auricular, etc. Em relação à crença de que unhas compridas são sinal de leishmaniose, Miranda esclarece que nem sempre essa observação é o suficiente para se condenar um animalzinho, pois fatores externos, como o piso liso farão com que o cãozinho não tenha o desfaste de suas unhas. Aí existem pessoas que por causa da unha trazem o cãozinho no CCZ para eutanásia”.
Sobre a eutanásia, ela só é feita no CCZ VG quando há comprovação do diagnóstico da doença, conforme determinação do Ministério da Saúde. “O diagnóstico é essencial, pois hão doenças que parecem ser a leishmaniose sendo confundidas com a mesma, daí sendo interessante fazermos os testes diagnósticos para a comprovação ou não da doença. Dentre doenças que podem ser confundidas com a Leishimaniose, temos
doenças bacterianas, fúngicas, doenças auto imunes e até mesmo a sarna. “Infelizmente a população muitas vezes chega aqui impondo eutanásia no animal sem qualquer comprovação. Diante da nossa negativa em relação ao sacrifício, há agressões com palavras e ameaças de todo tipo”, lamenta.
Em caso de suspeita, o tutor pode levar o animalzinho até o CCZ VG para realizar a testagem e confirmação ou não da doença. O CCZ diariamente realiza o teste de triagem dos casos suspeitos sendo o diagnóstico final realizado pelo laboratório do Estado (Lacen), necessitando assim da comprovação de todos os testes citados para a comprovação da doença.
“A população em geral precisa entender que cachorro com excesso de carrapatos, cachorro com viroses como Parvovirose e Cinomose não são casos de atendimento do CCZ por não se tratarem de zoonoses. Nós não somos centro de descarte de animais. Somos um centro de controle e prevenção de zoonoses”, desabafa o Responsável Técnico.
MANEJO – A equipe veterinária do setor de monitoramento de zoonoses reforça que os números refletem uma urgência de mobilização social. “Precisamos que a população entenda que o combate ao vetor é a única forma de interromper essa cadeia de transmissão e esse combate é o mesmo que vale para o Aedes aegypti”, reforça o Médico Veterinário.
Como não há campanhas públicas de vacinação em massa contra a leishmaniose voltadas para animais, as diretrizes do Ministério da Saúde focam no manejo ambiental e na proteção individual dos cães. A recomendação técnica principal foca no uso de barreiras químicas e físicas.
“O uso contínuo de coleiras repelentes à base de deltametrina e a limpeza rigorosa de quintais, eliminando folhas e frutos caídos (matéria úmida) são no entanto as únicas barreiras eficientes para proteger as famílias e os pets”, completa.
SERVIÇO – Os moradores que precisarem realizar testes em seus animais ou denunciar focos de alta infestação podem entrar em contato com o CCZ de Várzea Grande em horário comercial, localizado na Rua 42, Bairro Jardim Paiaguás I, ou, pelo (65) 98476-5719.
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