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Presidente do IA analisa posicionamento do agro, diante das mudanças no cenário global

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O presidente do Instituto do Agronegócio (IA), Isan Rezende (foto), analisa o posicionamento do agronegócio brasileiro, diante das mudanças no cenário global, que dia a dia vem despertando preocupações do setor, especialmente devido à relação comercial entre Brasil e Estados Unidos.

“O futuro das exportações agrícolas depende do rumo que essa nova administração tomará em relação a tarifas, acordos internacionais e eventuais conflitos comerciais. Desde que Donald Trump tomou posse para seu segundo mandato, em 20 de janeiro, mais de 30 decretos foram assinados, abordando temas como economia, exportações e imigração –  dá mais de um por dia, e ele tá apenas começando”, comentou o presidente do IA.

“Internamente a alta dos juros, o endividamento crescente do setor público e a volatilidade dos mercados globais impõem desafios à recuperação e capitalização dos produtores. Além da pressão interna, os primeiros decretos assinados por Donald Trump em seu segundo mandato, que afetam economia, exportações e imigração, adicionam novas incertezas ao setor. A postura protecionista dos Estados Unidos pode impactar o comércio internacional e interferir no câmbio, elevando os custos de produção no Brasil”.

“Internamente, a escalada da Selic mantém o crédito rural caro e restringe a liquidez no campo. O passivo acumulado desde 2022, agravado por quebras de safra e queda nos preços das commodities, gerou um aumento expressivo na prorrogação de financiamentos e na busca por recuperação judicial. Apenas no Banco do Brasil, as renegociações de crédito rural cresceram quase 80% em 2024, totalizando R$ 38,1 bilhões. Em outubro do mesmo ano, o endividamento rural no sistema financeiro chegou a R$ 744,1 bilhões, cerca de 13,2% do total das operações, segundo dados do Banco Central”.

“O impacto disso já se reflete no aumento da dependência do crédito bancário. No Mato Grosso, a participação do capital próprio no financiamento da safra 2024/25 caiu de 31,58% para 18,85%, enquanto a dependência do sistema financeiro subiu de 16,72% para 30,50%, conforme dados do Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea). A alta dos juros, que já se aproxima de 20% ao ano em algumas linhas de crédito, compromete o retorno financeiro e limita novos investimentos. Segundo economistas, a reversão desse quadro exigirá mais de uma safra com bons resultados e uma redução na taxa de juros da economia. Caso contrário, os próximos ciclos agrícolas poderão levar à saída de produtores menos capitalizados do mercado, com devolução de áreas arrendadas e concentração fundiária”, analisa Rezende.

“Aliado a tudo isso, as decisões do governo Trump também podem afetar diretamente as exportações brasileiras. Se houver um novo embate comercial entre Estados Unidos e China, como ocorreu em 2018, a demanda chinesa por soja e milho brasileiros pode aumentar, impulsionando os preços das commodities. No entanto, o Brasil não pode contar apenas com esse fator externo para sustentar sua competitividade. O setor precisa de planejamento estratégico para lidar com oscilações cambiais, custos elevados e incertezas no mercado global”.

“Outro fator que merece atenção é o impacto dessas mudanças na estrutura de custos do agronegócio brasileiro. Com a Selic elevada e juros agrícolas variando entre 15% e 20%, muitos produtores enfrentam dificuldades para manter o equilíbrio financeiro. Se houver qualquer adversidade climática, as dificuldades de liquidez podem se agravar, criando um efeito dominó na produção e na comercialização das safras”.

“Diante desse cenário, os produtores que conseguirem manter um bom fluxo de caixa e reduzir sua exposição ao crédito caro terão maior capacidade de crescimento e resiliência nos próximos anos. A estrutura financeira do setor está fragilizada, e a recuperação será lenta. O desafio agora é equilibrar crescimento com sustentabilidade financeira para garantir que o agronegócio continue sendo um pilar fundamental da economia brasileira. O agronegócio nacional já demonstrou resiliência em momentos de instabilidade e, com planejamento adequado, poderá transformar turbulências externas em novas oportunidades de crescimento, completou o presidente do Instituto do Agronegócio.

Fonte: Pensar Agro



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Agro brasileiro mira novos mercados e investimentos na produção de energia

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A expansão dos biocombustíveis está transformando o mercado de produtos agrícolas no Brasil. Além de abastecer a indústria de alimentos e as exportações, milho, cana-de-açúcar, soja e resíduos da pecuária ganham espaço na produção de energia. Esse movimento amplia as possibilidades de comercialização para o produtor rural, mas também exige investimentos, infraestrutura e regras capazes de sustentar o crescimento da atividade.

O futuro desse mercado está no centro das discussões do Fórum Planeta Campo 2026, iniciado nesta sexta-feira (06.11), em São Paulo. Representantes da agropecuária, da indústria e do Congresso Nacional discutem como o Brasil poderá aproveitar sua experiência na produção de etanol e biodiesel para ampliar a participação em segmentos como biometano e combustível sustentável de aviação.

A dimensão econômica dessa transformação já aparece nas estatísticas. Segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a produção brasileira de etanol deverá alcançar 41,88 bilhões de litros na safra 2026/27, crescimento estimado de 11,7% em relação ao ciclo anterior. O avanço é impulsionado pela demanda por combustíveis renováveis e pela ampliação da capacidade industrial.

O milho ocupa uma posição cada vez mais importante nesse cenário. A produção de etanol a partir do cereal foi estimada pela Conab em 10,17 bilhões de litros na safra 2025/26, aumento de 29,8% sobre o ciclo anterior. Para regiões produtoras do Centro-Oeste, a expansão das usinas representa uma alternativa de comercialização, especialmente em períodos de grande oferta e pressão sobre os preços dos grãos.

A indústria também cria oportunidades para a pecuária. O processamento do milho gera coprodutos utilizados na alimentação animal, enquanto resíduos de atividades agropecuárias podem servir de matéria-prima para biogás e biometano. O aproveitamento desses materiais permite integrar diferentes atividades e agregar valor à produção, embora os resultados dependam dos custos e da escala dos empreendimentos.

Durante a abertura do fórum, o presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp), Tirso Meirelles, defendeu um planejamento estratégico de 20 a 30 anos para orientar os investimentos em tecnologia e pesquisa. O dirigente lembrou que a experiência brasileira com o etanol demonstra a importância de políticas de longo prazo para o desenvolvimento industrial.

A necessidade de ampliar a presença brasileira no mercado internacional também foi abordada pelo presidente global da JBS, Gilberto Tomazoni. Ele destacou que a busca de diferentes países por segurança alimentar e energética cria oportunidades para parcerias comerciais e industriais. Nesse ambiente, a rastreabilidade e a comprovação de práticas sustentáveis passam a ter importância crescente para a competitividade das exportações.

No Congresso, o debate envolve a construção de condições para novos investimentos. O presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), deputado Pedro Lupion, defendeu incentivos à produção de combustíveis renováveis e avanços na legislação. A previsibilidade das regras é considerada um dos fatores necessários para viabilizar projetos industriais de grande porte, que exigem financiamento e têm retorno de longo prazo.

A ampliação do mercado, entretanto, não significa valorização automática dos produtos agrícolas. A rentabilidade dependerá da localização das usinas, dos custos de transporte, da concorrência entre compradores e dos preços pagos pelas matérias-primas. Em regiões distantes das unidades industriais, as despesas logísticas continuarão sendo decisivas para o resultado do produtor.

O crescimento da bioenergia também coloca em discussão a capacidade de conciliar a produção de alimentos, a demanda industrial e as exigências ambientais dos mercados consumidores. O desafio será ampliar o aproveitamento da produção existente, incorporar novas tecnologias e assegurar que os ganhos econômicos alcancem diferentes perfis de produtores.

Mais do que aumentar a fabricação de combustíveis, o Brasil terá de desenvolver cadeias produtivas capazes de transformar matérias-primas agrícolas em produtos de maior valor. Para o campo, a principal oportunidade está na diversificação dos compradores e na possibilidade de participar de um mercado energético que tende a ganhar importância nas próximas décadas.

Fonte: Pensar Agro



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