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Exportações de carne suína batem recorde, mas setor enfrenta dificuldades

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A suinocultura brasileira consolidou um novo patamar de vendas externas em 2026, mantendo o ritmo de crescimento observado após o desempenho recorde de 2025, quando o país embarcou 1,51 milhão de toneladas de carne suína. Apesar do volume robusto — com recordes mensais registrados, inclusive em maio deste ano —, o setor enfrenta um paradoxo: a força exportadora não tem sido suficiente para garantir rentabilidade na mesma proporção ao produtor doméstico, que lida com custos de produção elevados e oscilações de preços no mercado interno.

Os números da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) confirmam a expansão sustentada da proteína brasileira, que se consolidou como uma das principais forças do agronegócio nacional. Com as Filipinas mantendo a liderança como destino das exportações e a diversificação de mercados na Ásia, o Brasil tem conseguido escoar sua produção. Contudo, o cenário interno em 2026 tem se mostrado desafiador. Dados de mercado indicam que o excesso de oferta de suíno vivo, em momentos de descompasso com a demanda, pressionou as cotações, resultando em margens negativas para produtores independentes em diversos estados.

Para analistas do setor, a dinâmica atual exige uma correção de rota voltada à eficiência produtiva. Enquanto as exportações avançam, o produtor brasileiro encontra-se diante de um custo de produção que, em momentos de queda nas cotações do suíno vivo, ultrapassa o valor de venda. Em maio, o prejuízo estimado por animal abatido refletiu a fragilidade do equilíbrio entre os ganhos de produtividade zootécnica e a volatilidade dos insumos, como o milho e o farelo de soja, que compõem a base da ração.

O desafio para o restante de 2026 reside na capacidade da cadeia em otimizar processos. A recomendação técnica para o setor é o foco rigoroso na redução de custos e na melhoria da conversão alimentar. A manutenção do status sanitário do país — um dos pilares que permitem ao Brasil acessar mercados exigentes — permanece como condição inegociável para garantir que o fluxo de exportações continue sendo a válvula de escape para o excedente produzido internamente.

A perspectiva do setor é de que, a menos que ocorra um ajuste mais severo na oferta ou uma recuperação consistente da demanda interna, a lucratividade da suinocultura dependerá exclusivamente de ganhos de eficiência dentro da granja. A escala, por si só, provou-se insuficiente para blindar o setor contra a volatilidade global e o aperto das margens operacionais.

O que o setor precisa ajustar

Para sustentar a competitividade e mitigar riscos, a palestra destacou pontos críticos de atenção:

  • Genética e produtividade: O foco deve ser a redução contínua do custo de produção. Piva enfatizou que o uso de genética avançada não é opcional, sendo fundamental para melhorar a conversão alimentar e reduzir o tempo de ganho de peso.

  • Status Sanitário: A manutenção da sanidade do rebanho foi apontada como o principal ativo do Brasil. Qualquer falha nesse quesito pode comprometer a posição conquistada em mercados exigentes, como Japão e Filipinas.

  • Gestão de granja: A profissionalização do manejo e a integração entre empresas e entidades são necessárias para que produtores menores, que possuem menor capacidade de absorver crises, consigam se adaptar às mudanças de ciclo da economia global.

  • Eficiência além do volume: O setor precisa priorizar a eficiência técnica sobre o crescimento desordenado do plantel. O aumento na produtividade, segundo Piva, deve vir via tecnologia e melhores índices produtivos, e não apenas pelo incremento no número de matrizes.

A avaliação central é que o Brasil já provou sua capacidade de escalar embarques — notadamente com o fortalecimento das Filipinas como destino — mas a longevidade desse sucesso dependerá da capacidade da cadeia produtiva em refinar seus processos internos diante das oscilações de custos que, historicamente, penalizam a margem do suinocultor.

Fonte: Pensar Agro



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Decisão judicial extingue ação da Aprosoja que cobrava R$ 1,1 bilhão por Moratória da Soja

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A Justiça de Mato Grosso encerrou a ação em que a Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT) cobrava R$ 1,1 bilhão de empresas e entidades por prejuízos que atribuía à Moratória da Soja. A sentença, proferida na terça-feira (13), fecha na primeira instância a tentativa de obter uma reparação coletiva aos agricultores atingidos pelas restrições de compra do acordo.

A cobrança buscava compensar perdas que, segundo a associação, decorreram da dificuldade de vender soja mesmo quando a produção atendia à legislação ambiental. A Aprosoja-MT pretendia que empresas comercializadoras, entidades setoriais e seus representantes respondessem financeiramente por esses danos.

O processo discutia os efeitos de um pacto do qual a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) anunciou sua saída em janeiro de 2026. A retirada ocorreu após a entrada em vigor da lei mato-grossense que restringiu incentivos fiscais a empresas participantes de acordos com exigências superiores às da legislação ambiental. Em agosto, depois do julgamento do Supremo Tribunal Federal (STF), a entidade reafirmou que não pretendia retomar a moratória. Saiba mais aqui

Criado em 2006, o compromisso previa a recusa de soja cultivada em áreas do bioma Amazônia desmatadas depois de julho de 2008. A restrição alcançava também áreas abertas com autorização. Para a Aprosoja-MT, esse critério prejudicava agricultores que cumpriam a lei, mas encontravam menos alternativas de compradores para sua produção.

A saída das empresas e a cobrança pelas perdas anteriores seguiram caminhos diferentes. Enquanto a Abiove abandonou o pacto coletivo, a associação dos produtores manteve a tentativa de responsabilizar seus participantes pelos efeitos que atribuía à aplicação das restrições.

Essa cobrança foi atingida pelo julgamento do STF de 12 de agosto. O Supremo considerou que o acordo respeitava a Constituição e determinou o encerramento dos processos judiciais e administrativos baseados na sua suposta ilegalidade, inclusive dos pedidos de responsabilização financeira. A Vara Especializada em Ações Coletivas de Cuiabá aplicou essa ordem ao processo da Aprosoja-MT. portal.stf.jus.br

Com isso, o pedido de R$ 1,1 bilhão foi encerrado antes da análise dos prejuízos alegados. A sentença deixa os agricultores representados pela associação sem a reparação buscada nessa ação e afasta das empresas processadas, nesta primeira instância, a cobrança coletiva.

O Supremo também manteve as leis estaduais que restringem incentivos a participantes de acordos dessa natureza. Estabeleceu, porém, que a retirada de benefícios deve respeitar os prazos tributários e a proteção das isenções concedidas mediante condições assumidas pelas empresas. O resultado preservou tanto a validade jurídica do pacto quanto a possibilidade de os estados estabelecerem condições para conceder incentivos.

Na mesma sentença, a Justiça rejeitou os pedidos para que a Aprosoja-MT pagasse honorários, despesas processuais e multa por má-fé. A associação teve sua cobrança encerrada, mas ficou livre dessas despesas reclamadas pelos réus.

Na comercialização atual, a Abiove informou que suas associadas passaram a atender individualmente às exigências dos mercados compradores. Para o produtor, as condições de aceitação da soja dependem das políticas de cada empresa. Já a sentença desta semana trata da disputa pelas perdas atribuídas ao antigo compromisso coletivo e encerra, nessa primeira instância, a tentativa de recuperação desses valores.

Isan Rezende

Com isso, os produtores representados pela Aprosoja-MT não receberão qualquer indenização das empresas ligadas à Moratória da Soja. A Aprosoja-MT buscava responsabilizar empresas e entidades por prejuízos que atribuía à moratória. Seu argumento era que agricultores que respeitavam a legislação ambiental também podiam ficar sem acesso a compradores por causa das exigências do acordo.

O presidente do Instituto do Agronegócio (IA), Isan Rezende, lamentou a decisão. “O encerramento da ação frustra a expectativa de reparação dos produtores que se consideram prejudicados pela Moratória da Soja. A cobrança da Aprosoja procurava dar uma resposta a quem cumpriu a legislação ambiental, investiu na propriedade e encontrou restrições para vender. A sentença encerrou esse pedido sem examinar os prejuízos alegados. Isso precisa ficar claro para o agricultor”, comentou.

“O problema comercial continua exigindo atenção. O produtor precisa saber, antes de plantar e de assumir compromissos, quais critérios serão usados para receber sua soja. Quem trabalha dentro da lei precisa de previsibilidade para investir. Também é necessário dar transparência às exigências dos compradores, para que o agricultor consiga avaliar suas alternativas de venda e os custos envolvidos”, disse Rezende.

“Agora, o setor precisa concentrar esforços para ampliar mercados e construir condições comerciais mais claras. Sair de um acordo coletivo não significa, necessariamente, abandonar as restrições de compra. Por isso, a representação dos produtores deve acompanhar as regras adotadas por cada empresa e buscar soluções que preservem o acesso aos mercados e a renda de quem produz”, recomendou o presidente do IA.

Fonte: Pensar Agro



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