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Congresso volta às atividades nesta segunda e deve pressionar renegociação de dívidas rurais

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Com o retorno do Congresso Nacional aos trabalhos nesta segunda-feira (02.02), o futuro da principal linha emergencial de renegociação de dívidas rurais entra no centro do debate político. A Medida Provisória (MP) 1.314/2025, que liberou R$ 12 bilhões para produtores afetados por adversidades climáticas, perde validade no próximo dia 12, deixando uma janela curta para eventuais ajustes legislativos e ampliando a pressão por decisões rápidas.

A linha, operacionalizada com recursos do BNDES, já alcançou R$ 6,3 bilhões em contratações — pouco mais de 50% do orçamento disponível — após mais de três meses de vigência. O avanço, no entanto, ocorre de forma desigual e sob críticas de produtores, que relatam entraves burocráticos e lentidão na liberação dos recursos, o que coloca em risco a utilização integral do montante antes do prazo final.

Os dados mostram forte concentração regional das renegociações. O Rio Grande do Sul absorveu cerca de R$ 5,9 bilhões dos recursos públicos contratados até agora, reflexo direto das perdas acumuladas em sucessivas safras impactadas por estiagens. Nos demais Estados, as operações somaram aproximadamente R$ 400 milhões, evidenciando disparidades no acesso à linha e levantando questionamentos sobre a efetividade nacional da política.

A execução do programa também expõe o peso das instituições com maior capilaridade no meio rural. As renegociações com recursos públicos somam 23,6 mil operações, concentradas em poucos agentes financeiros. Do ponto de vista do perfil dos beneficiários, os médios produtores responderam pela maior parcela dos valores renegociados, seguidos pelos grandes produtores. Os pequenos agricultores, embora numerosos em contratos, ficaram com uma fatia menor do volume financeiro, o que reacende o debate sobre o alcance social da medida.

Paralelamente à linha emergencial, os bancos avançaram com renegociações utilizando recursos próprios, movimento que supera com folga o volume público. As operações com recursos livres já totalizam R$ 30,8 bilhões, elevando para R$ 37,1 bilhões o valor total renegociado desde outubro. O dado reforça que o ajuste financeiro do setor tem ocorrido, em grande parte, fora do escopo direto das políticas governamentais.

A recente autorização para incluir dívidas de custeio da safra 2024/25 ampliou o potencial da linha, mas chegou tardiamente para parte dos produtores. Com a MP prestes a expirar e o calendário legislativo apertado, o risco agora é duplo: que os recursos disponíveis não sejam totalmente utilizados e que o setor rural volte a ficar sem um instrumento legal de renegociação em um momento de fragilidade financeira.

O retorno do Congresso, portanto, transforma o crédito rural emergencial em pauta política imediata. A definição sobre prorrogações, ajustes ou ampliação das regras deverá ocorrer sob forte pressão do setor produtivo, em um intervalo de poucos dias — decisivo para determinar se a renegociação será uma política de transição ou apenas um alívio parcial diante do endividamento crescente no campo.

Fonte: Pensar Agro



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Brasil se prepara para plantar quase 50 milhões de hectares de soja na safra 2026/2027

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O Brasil começa a preparar o plantio da safra de soja 2026/27 depois de colher a maior produção de sua história e com uma área cultivada próxima de 50 milhões de hectares. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) ainda não divulgou sua primeira estimativa oficial para a nova temporada, mas a dimensão alcançada pela cultura mostra o tamanho do desafio que estará no campo a partir de setembro: manter a produtividade e a rentabilidade em um ciclo marcado por margens mais apertadas e maior cautela dos produtores.

As primeiras projeções privadas convergem para uma área entre 49 milhões e 49,5 milhões de hectares. A AgRural estima 49,006 milhões de hectares, crescimento de 0,9% sobre a temporada anterior. A StoneX trabalha com 49,5 milhões de hectares, alta de 0,76%, enquanto a Hedgepoint Global Markets projeta 49,2 milhões.

Apesar das diferenças entre os levantamentos, todos apontam para o mesmo cenário: a soja continuará avançando sobre novas áreas, mas em ritmo bem mais lento.

Pela estimativa da AgRural, serão acrescentados aproximadamente 443 mil hectares. Seria o 20º ano consecutivo de expansão da soja no Brasil, porém com o menor crescimento anual de área das últimas duas décadas.

A desaceleração representa uma mudança importante para uma cultura que avançou rapidamente pelo território brasileiro nos últimos anos. Desta vez, a decisão de plantar mais está esbarrando principalmente na rentabilidade esperada para a próxima temporada.

Preços menos favoráveis, fertilizantes e outros insumos ainda caros, maior endividamento e dificuldade de acesso ao crédito levam parte dos produtores a evitar expansões mais agressivas. Em algumas regiões, a estratégia pode passar pela manutenção da área e por ajustes no pacote tecnológico utilizado nas lavouras.

Mesmo assim, as primeiras projeções continuam apontando para uma produção próxima ou superior ao recorde atual.

A StoneX estima 183,1 milhões de toneladas de soja em 2026/27, com produtividade média próxima de 3,7 toneladas por hectare. Se confirmada, seria uma nova máxima para a produção brasileira.

A Hedgepoint trabalha com um cenário mais conservador. A consultoria projeta 181,7 milhões de toneladas, praticamente estáveis em relação às 181,5 milhões estimadas para a temporada anterior. A produtividade média cairia de 3,72 para 3,69 toneladas por hectare.

A diferença entre as projeções mostra que o tamanho da próxima safra dependerá muito mais do rendimento das lavouras do que de uma grande expansão territorial.

Mato Grosso deve plantar mais de 13 milhões de hectares

No maior Estado produtor, a expansão também perdeu velocidade. O Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) estima que Mato Grosso plante 13,05 milhões de hectares de soja na safra 2026/27.

A produtividade está projetada em 62,44 sacas por hectare e a produção, em 48,88 milhões de toneladas.

Sozinho, Mato Grosso deverá concentrar mais de um quarto de toda a área brasileira destinada à oleaginosa. O Estado também será um dos primeiros a colocar as máquinas no campo depois do fim do vazio sanitário.

A partir de 7 de setembro, a semeadura estará legalmente autorizada em Mato Grosso. O início efetivo dos trabalhos, entretanto, dependerá da chegada e da regularidade das chuvas. Entrar cedo demais com as plantadeiras sem umidade suficiente no solo aumenta o risco de falhas na germinação e necessidade de replantio.

O clima será, portanto, uma das principais variáveis da temporada. As estimativas iniciais trabalham com condições que permitam produtividades próximas dos níveis elevados registrados nas últimas safras, mas eventuais irregularidades nas chuvas podem alterar rapidamente esse cenário.

O comportamento do clima também interfere na janela da segunda safra. Quanto mais cedo a soja for semeada e colhida dentro de condições adequadas, maior tende a ser a janela disponível posteriormente para o milho e o algodão.

Abertura nacional será em 17 de setembro

O início da nova temporada será marcado pela Abertura Nacional do Plantio da Soja 2026/27, programada para 17 de setembro, na Fazenda Horizontina, em Ipiranga do Norte (440 km da capital Cuiabá), em Mato Grosso.

O encontro reunirá produtores, pesquisadores e representantes da cadeia produtiva e terá como tema central a verticalização da soja na produção de alimentos e energia.

A escolha do tema acompanha uma mudança importante na demanda pela oleaginosa. Além das exportações do grão e da utilização do farelo na alimentação animal, o óleo de soja ganha importância com a expansão dos biocombustíveis.

O crescimento do processamento também ocorre no mercado internacional. O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) projeta aumento do esmagamento mundial de soja na temporada 2026/27, sustentado pela maior demanda por farelo e óleo.

Para o produtor brasileiro, entretanto, a primeira decisão está mais próxima: definir quanto investir na lavoura que começará a ser implantada nas próximas semanas.

A área deverá novamente bater recorde, mas a expansão de menos de 1% prevista por algumas consultorias mostra uma safra diferente das anteriores. Depois de duas décadas avançando rapidamente, a soja entra em 2026/27 com o produtor mais preocupado em preservar margem e produtividade do que simplesmente colocar novos hectares em produção.

Serviço

Abertura Nacional do Plantio da Soja 2026/27
Data: 17 de setembro
Horário: 8h, horário de Mato Grosso
Local: Fazenda Horizontina, Ipiranga do Norte (MT)

Fonte: Pensar Agro



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