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Agro movimenta R$ 1,44 trilhão, mas custos pressionam renda no campo

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O agronegócio brasileiro deve encerrar 2026 com Valor Bruto da Produção Agropecuária (VBP) estimado em R$ 1,44 trilhão, segundo levantamento de setembro da Secretaria de Política Agrícola do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).

O montante equivale a quase R$ 4 bilhões por dia em valor de produção, mas está longe de representar o dinheiro que efetivamente permanece nas mãos dos produtores. A diferença entre faturamento e renda revela um dos principais desafios do setor: transformar o crescimento da produção em rentabilidade.

As lavouras respondem por R$ 921,7 bilhões, aproximadamente 64% do total, enquanto a pecuária representa R$ 517,9 bilhões, ou 36%. O resultado confirma a dimensão econômica da atividade rural, mas também evidencia sua concentração em algumas cadeias produtivas, particularmente soja, milho, cana-de-açúcar e carne bovina.

Para o produtor presidente do Instituto do Agronegócio (IA), Isan Rezende (foto), a dimensão econômica do setor precisa ser acompanhada de uma análise sobre a renda efetivamente gerada nas propriedades.

“O Brasil alcançou uma dimensão extraordinária na produção agropecuária, mas precisamos olhar para o que realmente fica com o produtor. Faturamento não é lucro. Não adianta produzir mais, bater recordes e movimentar trilhões se uma parcela cada vez maior dessa receita é consumida pelos custos de produção, pelos juros e pelas despesas para colocar a safra no mercado”.

A soja, sozinha, responde por R$ 352,7 bilhões, quase um quarto de todo o VBP nacional. O milho aparece com R$ 162 bilhões, seguido pela cana-de-açúcar, com R$ 112,3 bilhões, e pelo café, com R$ 106,5 bilhões. Juntas, essas quatro culturas representam aproximadamente metade do valor bruto de toda a produção agropecuária brasileira.

Essa concentração torna o resultado nacional especialmente sensível às oscilações dos preços internacionais, às condições climáticas e ao comportamento da demanda externa. Uma safra volumosa não significa necessariamente maior faturamento, assim como um aumento do VBP não garante melhores margens de lucro. Quando os preços agrícolas recuam, o produtor pode colher mais e receber menos por unidade comercializada.

O problema se torna mais evidente quando entram na conta os custos de sementes, fertilizantes, defensivos, diesel, mão de obra e financiamento. São despesas que antecedem a colheita e precisam ser pagas independentemente do preço alcançado pelo produto no mercado. Em períodos de juros elevados e margens apertadas, mesmo propriedades com produtividade satisfatória podem enfrentar dificuldades financeiras.

Isan Rezende observa que o descasamento entre o momento dos investimentos e o recebimento pela produção amplia a exposição financeira dos agricultores, principalmente em períodos de maior volatilidade dos mercados.

“O produtor assume praticamente todos os riscos antes de receber pela produção. Compra insumos, contrata financiamento, investe em tecnologia e enfrenta as incertezas do clima e dos preços. Quando chega a colheita, muitas vezes descobre que a margem ficou menor do que a prevista. Precisamos de crédito mais acessível, seguro rural eficiente e condições para que o aumento da produtividade se transforme em renda”.

Na pecuária, a carne bovina responde por R$ 253,4 bilhões, equivalente a 17,6% do VBP brasileiro. A carne de frango acrescenta R$ 110 bilhões. As duas atividades somam R$ 363,4 bilhões, mostrando o peso das proteínas animais na formação da receita agropecuária nacional.

O desempenho dessas cadeias também está condicionado à relação entre custos e preços. Na bovinocultura, reposição de animais, alimentação, sanidade e manutenção das pastagens influenciam o resultado econômico. Na avicultura, o custo da ração, principalmente milho e farelo de soja, é determinante para a competitividade.

Centro-Oeste concentra quase um terço do valor produzido

O Centro-Oeste lidera o levantamento regional, com R$ 431,2 bilhões, aproximadamente 30% do VBP brasileiro. Mato Grosso responde por R$ 225,2 bilhões, ou 15,6% do total nacional, consolidando sua posição entre os principais polos de produção de grãos e proteínas animais.

A liderança regional, entretanto, traz desafios proporcionais à escala produtiva. Grandes distâncias entre as propriedades, os centros consumidores e os portos ampliam a importância do transporte e da armazenagem. O custo do frete, as condições das rodovias e a capacidade de escoamento interferem diretamente no valor líquido recebido pelos agricultores.

O Sudeste aparece com R$ 367,3 bilhões, impulsionado pela diversidade de atividades agrícolas e pecuárias. Minas Gerais concentra R$ 172,4 bilhões, com destaque para cadeias como café, leite e produção animal. O Sul responde por R$ 315,7 bilhões, sustentado pela produção de grãos, aves, suínos e outras atividades de elevada integração agroindustrial.

A distribuição regional mostra que o valor produzido depende tanto da escala quanto do perfil econômico das cadeias. Culturas de maior valor por hectare, sistemas intensivos de criação e atividades integradas à indústria podem gerar resultados expressivos mesmo em áreas menores.

Na avaliação de Isan Rezende, o avanço da produção precisa ser acompanhado de investimentos estruturais que reduzam os custos e ampliem a capacidade de negociação dos produtores.

“O próximo grande salto do agronegócio brasileiro não será apenas produzir mais, mas produzir com maior rentabilidade. Temos tecnologia, capacidade empresarial e produtores preparados. O que falta é avançar em infraestrutura, armazenagem, logística e segurança econômica. O sucesso do agro não deve ser medido somente pelo tamanho da safra, mas também pela capacidade de gerar renda, investir e manter as propriedades economicamente sustentáveis”.

O VBP também não deve ser confundido com a participação do agronegócio no Produto Interno Bruto (PIB). Enquanto o primeiro estima o valor bruto da produção agropecuária, o PIB mede o valor adicionado pelas atividades econômicas, evitando a dupla contagem de insumos e produtos intermediários.

Assim, os R$ 1,44 trilhão estimados pelo Mapa dimensionam a capacidade produtiva do campo brasileiro, mas não permitem concluir quanto os agricultores e pecuaristas efetivamente ganharam. Para isso, seria necessário confrontar a receita com os custos de produção, as despesas financeiras e os investimentos realizados ao longo do ciclo produtivo.

Fonte: Pensar Agro



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Agronegócio pode ajudar a elevar o Brasil à 8ª economia mundial

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Segundo projeções do Fundo Monetário Internacional (FMI), o Produto Interno Bruto (PIB) nacional deverá alcançar R$ 14 trilhões no próximo ano, considerando o câmbio de referência de R$ 5 por dólar. O avanço colocaria o país à frente da Itália e da Rússia, com a produção agropecuária, as exportações e os investimentos no campo entre os fatores que podem contribuir para esse resultado.

Atualmente na décima posição, o Brasil deverá encerrar 2026 com PIB equivalente a R$ 13,28 trilhões. A projeção para 2027 representa a recuperação de duas posições no ranking internacional, resultado que dependerá tanto do crescimento da economia quanto do comportamento do câmbio, já que a classificação considera o PIB nominal convertido em dólares.

O peso do agronegócio ajuda a dimensionar sua importância nesse cenário. Segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo (Esalq-USP), em parceria com a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), o setor respondeu por 25,13% do PIB brasileiro em 2025, movimentando R$ 3,20 trilhões.

Essa participação considera toda a cadeia produtiva, desde os insumos utilizados nas propriedades até o processamento industrial, o transporte e a comercialização. Significa que o desempenho das lavouras e da pecuária influencia diretamente outras atividades econômicas, gerando demanda por máquinas, equipamentos, combustíveis, serviços e mão de obra.

Para 2026, o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) estima o Valor Bruto da Produção Agropecuária (VBP) em R$ 1,44 trilhão. Desse total, R$ 921,7 bilhões correspondem às lavouras e R$ 517,9 bilhões à pecuária. A soja lidera, com R$ 352,7 bilhões, seguida pelo milho, com R$ 162 bilhões. Na produção animal, a carne bovina responde por R$ 253,4 bilhões.

Outro fator decisivo é a participação do setor nas exportações brasileiras. Em 2025, as vendas externas do agronegócio alcançaram aproximadamente R$ 845 bilhões, representando quase metade de tudo o que o Brasil exportou. A entrada desses recursos ajuda a equilibrar as contas externas e sustenta investimentos em diferentes regiões produtoras.

O Brasil ocupa posições de destaque no comércio internacional de soja, carnes, café, açúcar e celulose. A capacidade de ampliar essas vendas, conquistar mercados e agregar valor à produção será importante para fortalecer a economia nacional nos próximos anos.

Entretanto, produzir mais não significa necessariamente ganhar mais. A elevação dos custos de fertilizantes, defensivos, combustíveis, frete e financiamento reduz as margens dos agricultores e pecuaristas. Além disso, as oscilações dos preços internacionais podem comprometer a receita mesmo em anos de safras recordes.

A infraestrutura também representa um desafio. A falta de capacidade de armazenagem, as deficiências das rodovias e as longas distâncias até os portos encarecem o escoamento da produção, especialmente no Centro-Oeste, região responsável por aproximadamente 30% do valor bruto da agropecuária brasileira.

Para ampliar sua contribuição ao crescimento nacional, o setor dependerá de investimentos em tecnologia, crédito, logística e industrialização. O processamento de produtos agrícolas dentro do país, por exemplo, permite gerar empregos, aumentar o valor das exportações e reduzir a dependência da venda de matérias-primas.

Fonte: Pensar Agro



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