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É ‘inevitável’ realizar as reformas estruturantes, diz presidente do BC

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Durante participação em audiência pública no Senado, Ilan Goldfajn é advertido por parlamentares sobre dificuldade de avançar com a reforma da Previdência à medida que a eleição se aproxima

Da Redação

 

A realização das reformas estruturais é “inevitável”, disse nesta terça-feira, 10, o presidente do Banco Central (BC), Ilan Goldfajn, durante audiência pública na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado. Pouco antes de fazer o comentário, o presidente do BC havia sido advertido por dois senadores, um deles da base do governo, sobre a dificuldade em avançar com a reforma da Previdência em meio à proximidade do calendário eleitoral.

“Não há como escapar de fazer as reformas em algum momento, e quanto mais cedo, melhor”, afirmou Goldfajn. “As despesas obrigatórias vão crescendo e ocupando espaço dentro do teto. Isso tem que ser feito de qualquer forma”, acrescentou.

O presidente do Banco Central afirmou que, caso o cenário básico de inflação evolua conforme o esperado, a instituição vê como “adequada uma redução moderada” no ritmo de redução na taxa básica de juros, a Selic. Nas mesmas condições, o Comitê de Política Monetária (Copom) antevê um “encerramento gradual” do ciclo de flexibilização monetária.

Segundo Goldfajn, o cenário básico para a inflação não se alterou de forma material desde a última reunião do Copom, mas o processo de redução dos juros vai continuar dependendo da evolução da atividade econômica, do balanço de riscos, de possíveis reavaliações da estimativa da extensão do ciclo e das projeções e expectativas de inflação. Hoje, após sucessivos cortes, a Selic está em 8,25% ao ano, e o mercado espera que encerre 2017 em 7% ao ano segundo o Boletim Focus.

“Há expectativas por parte do mercado de quedas adicionais da Selic à frente”, afirmou o presidente do BC.

A dosagem da política monetária se mostrou adequada diante da necessidade de ancorar expectativas para a inflação, defendeu o presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn. Segundo ele, o ritmo de elevação de preços não teria apresentado a mesma desaceleração observada caso a autoridade monetária não tivesse atuado de maneira firme para “domar” as perspectivas.

Além disso, houve o choque nos preços dos alimentos, que contribuiu para a redução da inflação em quase 2 pontos porcentuais. Isso também justifica por que a inflação está abaixo da meta de 4,5% – economistas já apostam no risco real de o índice ficar abaixo do piso da meta, que é de 3%.

“É natural esperar que, no regime de metas, a inflação flutue em torno da meta. A flutuação não é sempre acima da meta”, ressaltou.

Reformas sob risco. Após o presidente do Banco Central citar no “balanço de riscos” à condução da política monetária uma eventual frustração na condução das reformas estruturantes, dois parlamentares o advertiram de que “dificilmente” a reforma da Previdência avançará no período próximo às eleições. Os senadores Fernando Bezerra (PMDB-PE) e Armando Monteiro (PTB-PE) cobraram de Goldfajn uma explicação de como o BC agirá diante dessa perspectiva.

Bezerra disse que cálculos apontam um “excesso” de US$ 145 bilhões nas reservas internacionais detidas pelo Brasil e que isso poderia ser usado neste momento para aliviar a situação fiscal e “oferecer mais espaço” para a agenda de reformas estruturantes. “Não vamos conseguir avançar nessa reforma da Previdência como gostaríamos em função da eleição”, admitiu o peemedebista.

“Concordo com senador Fernando Bezerra, acho que não vamos conseguir. Com a proximidade do calendário eleitoral e com os problemas que hoje envolvem ambiente político no Brasil, não vamos conseguir de forma mais efetiva avançar na reforma da Previdência”, sentenciou Monteiro na sequência.

“Não havendo reforma da Previdência, talvez tenhamos que aprofundar ajuste fiscal, não poderemos fugir de alguma proposta de ajuste na área fiscal”, afirmou o senador petebista.

Mais cedo, Goldfajn havia citado no balanço de riscos ao cenário básico de inflação que “uma frustração das expectativas sobre a continuidade das reformas e ajustes necessários na economia brasileira pode afetar prêmios de risco e elevar a trajetória da inflação no horizonte relevante para a política monetária”. Segundo o presidente do BC, é a permanência do cenário básico que norteia o processo de corte nos juros em curso.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Fonte: O Estado de S.Paulo

Foto: André Dusek/Estadão

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Tesouro Direto bate recorde em agosto com R$ 15 bi em investimentos

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Os investimentos no Tesouro Direto somaram R$ 15 bilhões em agosto, o maior valor da série histórica do programa. No período, foram realizados 1,32 milhão de operações.

Os resgates e vencimentos totalizaram R$ 17,22 bilhões, resultando em captação líquida negativa (quando o governo paga mais dinheiro aos investidores do que capta com novas aplicações) de R$ 2,21 bilhões.

O resultado foi influenciado principalmente pelos vencimentos do Tesouro IPCA+ 2026, que somaram R$ 11,3 bilhões, e do Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 2026, com R$ 1,5 bilhão.

Os títulos indexados à taxa Selic foram os mais procurados pelos investidores. As vendas do Tesouro Selic e do Tesouro Reserva alcançaram R$ 7 bilhões em agosto, o equivalente a 46,9% do total.

Os papéis indexados à inflação responderam por R$ 5,5 bilhões das aplicações (36,3%), enquanto os títulos prefixados somaram R$ 2,5 bilhões (16,7%).

Nas recompras antecipadas, os títulos atrelados à Selic também lideraram, com R$ 3 bilhões, ou 67,4% do total. Nesse caso, os títulos indexados à inflação (índices de preços) responderam por pouco mais de R$ 1 bilhão (22,9%), enquanto os prefixados, por R$ 423,6 milhões (9,7%).

Em relação ao prazo dos investimentos, a preferência foi por títulos com vencimento entre um e cinco anos, que concentraram 45,2% das vendas. Os com vencimento entre cinco e dez anos responderam por 43,2% das aplicações, enquanto os com prazo superior a dez anos representaram 11,7% do total.

As aplicações de até R$ 1 mil continuaram predominando entre os investidores e corresponderam a 55,7% das operações realizadas no mês. O valor médio por aplicação foi de R$ 11.366,43.

Estoque

O estoque do Tesouro Direto encerrou agosto em R$ 272 bilhões. O valor representa estabilidade em relação ao mês anterior, quando o estoque estava em R$ 272,3 bilhões, e crescimento de 43% na comparação com agosto de 2025, quando o estoque estava em R$ 190,2 bilhões.

Os títulos indexados à inflação permanecem como a principal parcela da carteira, com estoque de R$ 128 bilhões, o equivalente a 47,1% do total. Em seguida aparecem os títulos atrelados à Selic, com R$ 106,9 bilhões (39,3%), e os prefixados, com R$ 37,1 bilhões (13,6%).

Do total em estoque, R$ 20,2 bilhões (7,4%) vencem em até um ano. Os títulos com vencimento entre um e cinco anos somam R$ 131,4 bilhões (48,3%), enquanto aqueles com prazo superior a cinco anos alcançam R$ 120,5 bilhões (44,3%).

Investidores

O número de investidores ativos, aqueles que possuem aplicações no programa, chegou a 3,83 milhões em agosto. Em relação ao mês anterior, houve acréscimo de 23.962 investidores. Na comparação com agosto do ano passado, o avanço foi de 21,7%.

Já o número de investidores cadastrados atingiu 36,44 milhões. O programa registrou a adesão de 315.217 novos investidores no mês. Em 12 meses, o crescimento foi de 9,6%.



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