Política
Alexandre quebra sigilos de dez deputados e um senador, todos bolsonaristas
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Da Redação
Dez deputados e um senador, todos bolsonaristas, tiveram os sigilos fiscais quebrados por determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), no inquérito que apura a organização de financiamento de atos antidemocráticos. A informação foi obtida pela Estadão nesta terça, 16. A decisão do ministro, que conduz as investigações, foi tomada no dia 27 de maio.
Moraes também determinou que YouTube, Facebook e Instagram prestem informações se as páginas mantidas pelos alvos da operação recebem algum tipo de pagamento por cada postagem. Um dos objetivos da investigação é apurar se as convocações de atos antidemocráticos e as postagens contra as instituições são ou não remuneradas.
Veja a lista:
Daniel Silveira, deputado federal (PSL-RJ)
Junio do Amaral, deputado federal (PSL-MG)
Otoni de Paula, deputado federal (PSC-RJ)
Caroline de Toni, deputada federal (PSL-SC)
Carla Zambelli, deputada federal (PSL-SP)
Alê Silva, deputada federal (PSL-MG)
Beatriz Kicis, deputada federal (PSL-DF)
General Girão, deputado federal (PSL-RN)
José Guilherme Negrão Peixoto, deputado federal (PSL-SP)
Aline Sleutjes, deputada federal (PSL-PR)
Arolde de Oliveira, senador (PSC-RJ)
As diligências do inquérito, aberto a pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR), começaram a andar na segunda-feira, 15, quando a Polícia Federal deu início ao cumprimento de seis mandatos de prisão contra integrantes do grupo bolsonarista ‘300 do Brasil’. Uma de suas lideranças, a extremista Sara Fernanda Giromini, foi presa ontem.
De acordo com a PGR, uma linha de apuração é que os investigados teriam agido articuladamente com parlamentares para “financiar e promover atos que se enquadram em práticas tipificadas como crime pela Lei de Segurança Nacional”.
Nesta terça, uma força-tarefa voltou às ruas para fazer buscas e apreensões em São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Maranhão, Santa Catarina e no Distrito Federal. Entre os alvos da ação de hoje estão o deputado federal bolsonarista Daniel Silveira (PSL-RJ), que está na lista dos que tiveram sigilo fiscal quebrado, o blogueiro Allan dos Santos, o empresário e advogado Luís Felipe Belmonte, principal operador político do Aliança pelo Brasil, o publicitário Sérgio Lima, marqueteiro do partido que o presidente Jair Bolsonaro tenta criar, e o investidor Otavio Fakhoury, financiador do site Crítica Nacional. A ofensiva mira ainda youtubers bolsonaristas.
Alexandre de Moraes também é responsável por um outro inquérito, que se debruça sobre ameaças, ofensas e fake news disparadas contra integrantes do STF e seus familiares. Como Moraes é relator dos dois processos, um inquérito está subsidiando as investigações do outro.
Ao determinar a abertura do inquérito em abril deste ano, Moraes alegou que é imprescindível a “verificação da existência de organizações e esquemas de financiamento de manifestações contra a democracia e a divulgação em massa de mensagens atentatórias ao regime republicano, bem como as suas formas de gerenciamento, liderança, organização e propagação que visam lesar ou expor a perigo de lesão os direitos fundamentais, a independência dos poderes instituídos e ao Estado Democrático de Direito, trazendo como consequência o nefasto manto do arbítrio e da ditadura”.
Na época, ao encaminhar à Corte o pedido de investigação, o procurador-geral da República, Augusto Aras, mencionou os nomes dos deputados federais Daniel Silveira (PSL-RJ) e Junio Amaral (PSL-MG). A apuração foi aberta após a realização de uma série de atos antidemocráticos em abril, que contaram inclusive com a participação do presidente Jair Bolsonaro.
COM A PALAVRA, ALÊ SILVA
“Fui surpreendida. Eu nem sabia que eu estava envolvida nessa investigação. Jamais pensei que estaria envolvida. Fiquei sabendo através da imprensa, não tenho nenhuma informação concreta sobre isso. Sou uma pessoa muito simples, tenho vivido exclusivamente do meu salário, pago as minhas continhas, tenho ajudado entidades assistenciais. Sei dizer exatamente cada centavo que entrou e saiu da minha conta, acho até que eles não precisavam ter quebrado sigilo, era só pedir. Estou bem tranquila”, disse a deputada.
COM A PALAVRA, BIA KICIS
“Mesmo com dengue e recomendação médica de repouso, estou há horas recebendo ligações de jornalistas pedindo minha manifestação sobre uma quebra de sigilo bancária por ordem do ministro Alexandre de Moraes, da qual não fui notificada. Se é real, como a imprensa sabe e eu e meus advogados não?”, questionou Bia Kicis no Twitter.
COM A PALAVRA, CARLA ZAMBELLI
A assessoria de imprensa da deputada federal Carla Zambelli esclarece que a defesa da parlamentar não foi intimada a respeito de suposta quebra de sigilo bancário da deputada, não sabendo sequer em qual procedimento a referida decisão pode ter sido ultimada. Carla Zambelli afirma que “se alguém espera encontrar algo que me comprometa, terá uma grande decepção”.
COM A PALAVRA, JUNIO AMARAL
“Soube pela imprensa que meu sigilo bancário estaria sendo quebrado por haver indícios de financiamento a ‘atos antidemocráticos’. Eu pouco importo para o que verão lá, mas chegamos no extremo. Direitos e garantias fundamentais garantidos, salvo se apoiador do presidente”, disse o parlamentar.
Fonte: https://politica.estadao.com.br/blogs/fausto-macedo/alexandre-quebra-sigilos-de-dez-deputados-e-um-senador/
Fotos: Reprodução/Câmara dos Deputados
Política
Pivetta prepara enxugamento da máquina e avalia cortes no Governo de MT
O governador reeleito Otaviano Pivetta (Republicanos) prepara uma revisão ampla da estrutura do Governo de Mato Grosso antes do início do novo mandato, em janeiro de 2027. A medida pretende identificar despesas que podem ser reduzidas e tornar a máquina pública mais enxuta.
A previsão é que um decreto seja publicado entre esta quarta-feira (7) e quinta-feira (8), estabelecendo os critérios para a análise. O trabalho deverá avaliar a estrutura dos órgãos estaduais, gastos com pessoal e custeio, contratos e possíveis sobreposições de funções.
A condução dos estudos deverá ficar a cargo de uma comissão presidida pelo ex-secretário de Fazenda Rogério Gallo, que coordenou a campanha de Pivetta nas eleições deste ano. O grupo terá a missão de reunir informações de diferentes setores do Estado para elaborar um diagnóstico da atual estrutura administrativa.
Entre os dados que serão analisados estão o número de servidores e cargos existentes, a organização das secretarias, contratos firmados pelo Governo e despesas administrativas. A partir desse levantamento, a comissão deverá apontar setores com possibilidade de redução de custos e áreas que precisam ser preservadas ou consideradas prioritárias.
A revisão também poderá atingir o quadro de pessoal, principalmente os cargos comissionados. No entanto, a quantidade e o formato de eventuais cortes ainda não estão definidos e dependerão das conclusões do levantamento.
A proposta faz parte da preparação para o novo ciclo administrativo de Pivetta, que foi reeleito no primeiro turno no último domingo (4). A intenção é iniciar 2027 com uma estrutura considerada mais eficiente e com maior capacidade de direcionar recursos para investimentos e serviços públicos.
O movimento ocorre paralelamente às mudanças que o governador já sinalizou para a equipe de secretariado. Pivetta afirmou que pretende promover alterações pontuais na estrutura do Governo, sem uma reforma ampla, com o objetivo de corrigir áreas que ainda não apresentam os resultados esperados.
Com a revisão, a gestão pretende identificar onde há espaço para economia sem comprometer serviços considerados essenciais. O diagnóstico deverá servir de base para as decisões administrativas que serão tomadas na preparação do próximo mandato.
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