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Gigantes do agro faturam R$ 2,1 trilhões e ampliam força na economia

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As 100 maiores empresas do agronegócio brasileiro alcançaram receita líquida conjunta de R$ 2,1 trilhões em 2025, crescimento de 13,45% em relação ao levantamento anterior. Desse total, R$ 1,24 trilhão ficou concentrado nas dez maiores companhias, responsáveis por aproximadamente 59% do faturamento do grupo. Os números integram o ranking Agro100, divulgado pela revista Forbes Brasil, e mostram a dimensão econômica das empresas que atuam no processamento, na comercialização e na exportação da produção agropecuária nacional.

O resultado foi impulsionado principalmente pelo comércio de produtos agrícolas e pela indústria de proteína animal. Entre os sete segmentos acompanhados pelo levantamento, seis registraram crescimento de receita superior à inflação de 2025. A expansão reflete o peso das cadeias de grãos, carnes, alimentos e energia na atividade econômica brasileira, embora o aumento do faturamento não signifique, necessariamente, crescimento equivalente dos lucros.

A liderança permanece com a JBS, que registrou receita líquida de R$ 480,58 bilhões. O valor corresponde a quase 39% do faturamento das dez primeiras colocadas e coloca a companhia em posição bastante superior à das demais empresas do ranking.

Na segunda posição aparece a MBRF, com R$ 163,96 bilhões, seguida pela Cargill Alimentos, com R$ 115,29 bilhões. Juntas, as três primeiras colocadas somaram aproximadamente R$ 760 bilhões, evidenciando a concentração de receitas nas cadeias de carnes e comercialização de alimentos.

O comércio de produtos agrícolas apresentou o maior crescimento percentual entre os segmentos avaliados, com expansão de 23,51%. O grupo reúne empresas que compram, armazenam, processam e comercializam commodities, especialmente soja e milho, além de operar na exportação de produtos brasileiros.

Para o produtor rural, a atuação dessas companhias tem influência direta sobre o escoamento das safras. Tradings e cooperativas participam da formação dos canais de comercialização, do financiamento de operações e da logística que liga as propriedades aos mercados consumidores. O crescimento dessas empresas amplia a dimensão econômica da cadeia, mas também reforça a importância da concorrência e da transparência nas relações comerciais.

O segmento de proteína animal registrou aumento de 16,37% na receita, segundo maior avanço do levantamento. O desempenho acompanha a importância da indústria frigorífica brasileira, que transforma a produção pecuária em alimentos destinados ao mercado interno e às exportações.

Além da JBS e da MBRF, a Minerva integra o grupo das dez maiores empresas, com faturamento de R$ 54,83 bilhões. As três companhias de proteína animal presentes na lista somaram aproximadamente R$ 699 bilhões, o equivalente a mais da metade da receita das dez líderes.

A concentração de receitas na indústria de carnes demonstra o tamanho da estrutura necessária para abate, processamento, distribuição e exportação. Também evidencia a dependência econômica entre frigoríficos e pecuaristas, uma relação em que os preços pagos pelos animais, os custos industriais e as condições de acesso aos mercados internacionais influenciam os resultados de toda a cadeia.

A agroenergia apresentou crescimento de 13,37%, impulsionada pelas atividades ligadas à produção de etanol e outros biocombustíveis. A Raízen Energia aparece na quinta posição do ranking, com receita de R$ 87,7 bilhões. O desempenho do segmento reforça a importância da transformação de matérias-primas agrícolas em energia, atividade que amplia a demanda por produtos como cana-de-açúcar e milho.

As empresas de alimentos e bebidas registraram expansão de 7,2%. Nesse grupo estão Cargill Alimentos, Ambev e Bunge Alimentos, que ocupam, respectivamente, a terceira, quarta e sexta posições. O segmento reúne operações de processamento e industrialização que agregam valor à produção agropecuária antes de sua chegada ao consumidor.

A celulose apresentou o desempenho mais fraco entre os sete setores acompanhados. A redução das cotações internacionais da matéria-prima pressionou as receitas das companhias, em um mercado sujeito às oscilações da demanda global e dos preços industriais. Mesmo nesse ambiente, a Suzano permaneceu entre as dez maiores empresas do agronegócio, com receita de R$ 50,12 bilhões.

As dez maiores empresas do agronegócio em 2025

Posição Empresa Receita líquida
1ª JBS R$ 480,58 bilhões
2ª MBRF R$ 163,96 bilhões
3ª Cargill Alimentos R$ 115,29 bilhões
4ª Ambev R$ 88,24 bilhões
5ª Raízen Energia R$ 87,70 bilhões
6ª Bunge Alimentos R$ 76,01 bilhões
7ª Copersucar R$ 65,78 bilhões
8ª Cofco International Brasil R$ 61,63 bilhões
9ª Minerva R$ 54,83 bilhões
10ª Suzano R$ 50,12 bilhões

Fonte: Ranking Agro100, Forbes Brasil. Receitas líquidas referentes a 2025.

A presença de companhias de diferentes segmentos entre as líderes demonstra que o peso econômico do agronegócio vai muito além da produção dentro das propriedades. A atividade movimenta indústrias, sistemas de armazenagem, transporte, comércio exterior, processamento de alimentos e produção de energia.

O crescimento das receitas, entretanto, não permite concluir que todos os participantes dessas cadeias tenham registrado melhora equivalente de rentabilidade. O produtor rural continua sujeito às oscilações dos preços das commodities, aos custos dos insumos, às condições climáticas e às despesas financeiras, fatores que podem reduzir suas margens mesmo quando o faturamento das grandes empresas aumenta.

O levantamento também evidencia a importância de investimentos em infraestrutura e capacidade industrial. Com a produção brasileira de grãos projetada em aproximadamente 367 milhões de toneladas na safra 2026/27, a expansão da atividade agropecuária exigirá estruturas capazes de armazenar, transportar e transformar volumes cada vez maiores.

Os R$ 2,1 trilhões registrados pelas cem maiores empresas representam, portanto, a dimensão de uma cadeia econômica que se estende da propriedade rural ao mercado internacional. O desafio para os próximos anos será fazer com que o crescimento dessa estrutura também se traduza em maior eficiência, competitividade e oportunidades de renda para quem produz.

Fonte: Pensar Agro



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Doenças ampliam alerta sanitário e ameaçam produção e exportações

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A avicultura brasileira enfrenta um novo período de atenção sanitária. Enquanto Santa Catarina trabalha para conter os focos da doença de Newcastle, o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) mantém seis investigações de ocorrências respiratórias e neurológicas em aves, cinco delas no estado catarinense. O avanço da vigilância ocorre em uma das principais regiões produtoras de carne de frango do País e reforça a preocupação com possíveis prejuízos à produção, aos contratos de exportação e à renda dos avicultores.

O painel de Investigações de Síndrome Respiratória e Nervosa das Aves (SRN), atualizado nesta quinta-feira (29.10), registra quatro ocorrências em criações domésticas de galinhas no Oeste de Santa Catarina. Uma está localizada em Quilombo, outra em Coronel Freitas e duas em Nova Itaberaba. Os municípios ficam próximos das áreas onde foram identificados os focos de Newcastle a partir de 18 de outubro.

Há ainda uma investigação envolvendo pombos silvestres em Itajaí, no litoral catarinense, e outra em uma criação doméstica de galinhas em São José do Belmonte, Pernambuco. Em todos os seis casos, as amostras coletadas aguardavam resultados laboratoriais conclusivos na atualização de quinta-feira.

É importante distinguir investigação de confirmação. A SRN não é uma doença específica, mas uma classificação utilizada pelo serviço veterinário oficial para identificar aves com sinais que exigem apuração. Entre as enfermidades investigadas estão a influenza aviária de alta patogenicidade e a doença de Newcastle. Portanto, os seis registros não representam seis novos focos confirmados.

A concentração das investigações no Oeste catarinense exige atenção especial pela importância econômica da região. A produção avícola local reúne propriedades integradas, cooperativas, frigoríficos e fornecedores de insumos. Uma eventual ampliação das restrições sanitárias poderia afetar o alojamento de aves, o funcionamento das indústrias e o transporte de animais e produtos.

O risco comercial também merece acompanhamento. Restrições impostas por países importadores em resposta à doença de Newcastle podem alcançar municípios, estados ou todo o território brasileiro, dependendo dos acordos sanitários estabelecidos com cada mercado. Mesmo quando os bloqueios ficam restritos a determinada região, frigoríficos precisam reorganizar embarques, contratos e destinos comerciais.

Além da vigilância sobre Newcastle e influenza aviária, outra enfermidade preocupa a avicultura nacional: a bronquite infecciosa aviária. Embora provoque sintomas respiratórios que podem se confundir com os de outras doenças, ela é causada por um vírus diferente e exige diagnóstico laboratorial específico. Não há, nas informações divulgadas sobre as seis investigações, confirmação de que alguma delas esteja relacionada à bronquite infecciosa.

Causada por um coronavírus que infecta galinhas, a bronquite infecciosa se espalha rapidamente entre as aves e compromete tanto a produção de carne quanto a de ovos. A transmissão ocorre pelo contato com animais infectados e por materiais contaminados, como equipamentos, roupas e utensílios utilizados nas granjas.

O problema vai além dos sintomas respiratórios. Dependendo da variante do vírus, a infecção também pode atingir os rins e o sistema reprodutivo das aves. Em frangos de corte, a redução do consumo de ração e do ganho de peso prejudica o desempenho dos lotes. Nas poedeiras, a doença pode provocar queda acentuada na produção e alterações na qualidade dos ovos.

Referências técnicas do setor apontam que, em situações graves, a redução na postura pode chegar a 70%. A recuperação dos indicadores produtivos pode levar várias semanas, especialmente quando há comprometimento do aparelho reprodutivo. Esses percentuais representam situações específicas e não devem ser interpretados como perdas esperadas em todas as granjas atingidas.

Para o produtor, os prejuízos incluem despesas com atendimento veterinário, maior necessidade de manejo, pior conversão alimentar e redução da quantidade de animais ou ovos comercializados. A presença de infecções secundárias também pode agravar o quadro e elevar a mortalidade.

A bronquite infecciosa, entretanto, tem consequências sanitárias e comerciais diferentes das doenças que motivam as investigações oficiais de SRN. Newcastle e influenza aviária de alta patogenicidade estão sujeitas a medidas específicas de controle e podem provocar restrições internacionais imediatas. A bronquite infecciosa exige atenção permanente das granjas, mas sua ocorrência não implica automaticamente os mesmos embargos comerciais.

Essa distinção é importante para evitar que sintomas semelhantes sejam tratados como confirmação de uma enfermidade. A identificação do agente causador depende de exames laboratoriais, e a resposta sanitária deve considerar a doença efetivamente diagnosticada.

O controle da bronquite infecciosa envolve vacinação, acompanhamento veterinário e medidas de biosseguridade. Os programas de imunização precisam considerar as características das aves, as variantes virais presentes na região e as condições de produção. A vacinação, isoladamente, não substitui o controle de acesso às instalações, a higienização de equipamentos e o monitoramento dos lotes.

No caso das investigações conduzidas pelo Mapa, a prioridade é identificar rapidamente a causa das alterações respiratórias e neurológicas observadas. A comunicação de suspeitas ao serviço veterinário oficial permite antecipar medidas de contenção quando necessárias e reduzir o risco de disseminação de enfermidades de maior impacto sanitário.

O momento exige atenção também dos fornecedores de milho e farelo de soja. A avicultura é uma das principais consumidoras desses produtos no mercado interno, e eventuais interrupções prolongadas na atividade industrial ou na criação de aves podem repercutir sobre a demanda regional por rações.

Para o Brasil, um dos maiores exportadores mundiais de carne de frango, preservar a condição sanitária dos plantéis é essencial para manter o acesso aos mercados internacionais. A competitividade do setor depende não apenas de produtividade e custos, mas também da capacidade de detectar, controlar e comunicar ocorrências sanitárias com rapidez.

As seis investigações em andamento ainda dependem de laudos conclusivos. Até que os resultados sejam divulgados, não é possível afirmar que representam novos focos de Newcastle, influenza aviária ou bronquite infecciosa. O que os registros demonstram é a necessidade de manter a vigilância em uma cadeia produtiva na qual um problema sanitário localizado pode produzir consequências econômicas muito além da propriedade afetada.

Fonte: Pensar Agro



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