Agricultura

Sementes, búfalos e insumos brasileiros ganham acesso a seis mercados externos

Publicado em

Agricultura


Produtores de sementes, criadores de búfalos e aves ornamentais e indústrias de nutrição animal ganharam novas possibilidades de venda em seis países. Argentina, Peru, Egito, Marrocos, Quênia e Singapura autorizaram a entrada de produtos brasileiros, segundo comunicado conjunto dos ministérios da Agricultura e Pecuária e das Relações Exteriores, divulgado na sexta-feira (23).

As liberações alcançam segmentos que vão da produção de sementes ao fornecimento de material para laboratórios. O anúncio não informa estimativas de faturamento, volumes negociados ou datas dos primeiros embarques. O efeito econômico dependerá da contratação de compradores e do cumprimento das exigências de cada destino.

Na América do Sul, a Argentina autorizou sementes de crotalária, planta utilizada na cobertura do solo e na adubação verde. Conforme a espécie e o sistema de cultivo, ela também auxilia no manejo de determinados nematoides, organismos que atacam as raízes e prejudicam a produtividade das lavouras.

A abertura interessa aos produtores e beneficiadores de sementes, que passam a contar com outra alternativa comercial. A autorização é para o material destinado ao plantio, não para uma commodity voltada à alimentação.

O Peru aprovou sementes de feijão-mungo e de coentro, além de couro equino. São oportunidades para cadeias distintas: de um lado, empresas que produzem e comercializam sementes; de outro, estabelecimentos que processam produtos de origem animal.

Na África, o Marrocos autorizou a compra de bubalinos vivos para abate. A medida abre uma possibilidade de comercialização para a criação de búfalos, condicionada às exigências sanitárias e à organização do transporte dos animais.

O Egito, por sua vez, liberou aves de criação destinadas a fins ornamentais. A autorização atende a esse segmento específico e não deve ser confundida com abertura para carne de frango ou outros produtos avícolas.

O Quênia aprovou ingredientes hemoderivados e palatabilizantes sem proteínas de ruminantes para alimentação animal. Hemoderivados são ingredientes obtidos do processamento do sangue; os palatabilizantes ajudam a tornar o alimento mais atrativo aos animais. A exigência de ausência de proteínas de ruminantes delimita quais formulações poderão ser comercializadas.

Em Singapura, a autorização contempla soro fetal bovino, utilizado como suplemento em meios de cultivo de células. O produto atende aplicações de pesquisa e biotecnologia, conectando a cadeia pecuária ao fornecimento de insumos laboratoriais.

A diversidade dos itens mostra que ampliar as exportações agropecuárias também envolve encontrar compradores para sementes, animais e produtos especializados. Essas operações criam alternativas para diferentes elos da cadeia, embora o anúncio, isoladamente, ainda não permita calcular quanto acrescentarão às vendas brasileiras.

Para transformar o acesso autorizado em embarque, os interessados precisam verificar os requisitos do produto e do país comprador. No caso de sementes, o Ministério da Agricultura informa que a exportação depende de sua anuência e do atendimento às exigências fitossanitárias do destino. Para produtos de origem animal, devem ser conferidos os registros, as habilitações e os certificados aplicáveis à operação.

Fonte: Pensar Agro



COMENTE ABAIXO:
Propaganda

Agricultura

Fiagros somam R$ 73 bilhões e ampliam alternativas de financiamento ao campo

Publicados

em


Os Fundos de Investimento nas Cadeias Produtivas do Agronegócio (Fiagros) chegaram a setembro com patrimônio líquido de R$ 73 bilhões e 301 fundos em operação, segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). O mercado reúne recursos de investidores para aplicar em atividades que vão do crédito ao produtor à participação em empresas e imóveis rurais, ampliando as alternativas de financiamento da cadeia.

A perspectiva de uma nova safra recorde reforça a necessidade de capital para produzir, armazenar, transportar e comercializar os grãos. No primeiro levantamento da temporada 2026/27, divulgado em outubro, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estimou uma colheita de 367,1 milhões de toneladas, crescimento de 1,4% sobre o ciclo anterior.

O patrimônio dos Fiagros, entretanto, não corresponde a dinheiro novo disponível para empréstimos. O valor representa os ativos das carteiras, descontadas suas obrigações. Parte desses recursos já está aplicada em operações contratadas, com diferentes prazos e finalidades.

Na prática, os fundos conectam o mercado de investimentos às necessidades do agronegócio. Conforme sua estratégia, podem comprar títulos ligados à produção, financiar empresas, adquirir participações em negócios ou investir em propriedades rurais.

Uma das possibilidades é a aquisição de Cédulas de Produto Rural (CPRs), títulos pelos quais o produtor assume um compromisso de entrega de mercadoria ou de pagamento financeiro. Outra é o investimento em Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs), lastreados em direitos de crédito da cadeia.

Para quem produz, essas estruturas oferecem alternativas às linhas bancárias tradicionais. O acesso, porém, depende da análise da operação: capacidade de pagamento, garantias, prazo e custo do financiamento continuam determinantes. A existência de um fundo interessado no setor não significa aprovação automática nem juros inferiores aos de outras fontes.

Uma colheita maior também produz efeitos diferentes sobre os negócios financiados. Armazéns e transportadoras podem movimentar mais mercadorias, enquanto produtores ficam sujeitos à relação entre o volume colhido e o preço recebido. Se a oferta crescer e as cotações caírem, o aumento da produção pode não se converter em melhora da margem.

Essa diferença chega às carteiras dos Fiagros. Um fundo que recebe juros de operações de crédito depende principalmente do cumprimento dos contratos pelos devedores. Outro, com participação em empresas, fica mais diretamente exposto aos resultados desses negócios. Já os investimentos em imóveis rurais envolvem condições como arrendamento, ocupação e valorização das áreas.

A regulamentação da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) permite combinar diferentes ativos ligados ao agronegócio. Por isso, o nome Fiagro, sozinho, não revela quais riscos o investidor assume nem de onde virão os rendimentos.

Nos fundos de crédito, a análise precisa considerar quem deve, quanto cada devedor representa na carteira e quais garantias sustentam os pagamentos. A concentração em uma empresa, cultura ou região pode aumentar a exposição a uma quebra de safra ou a dificuldades de comercialização.

As garantias reduzem parte do risco, mas sua execução pode exigir tempo e despesas. Uma renegociação também pode alterar o calendário de recebimentos e afetar as distribuições aos cotistas. Assim, safra recorde e crescimento do patrimônio do setor não asseguram rentabilidade para todos os fundos.

Para o produtor que busca financiamento, a comparação deve começar pelo custo total, incluindo taxas e despesas, e pela compatibilidade dos vencimentos com a entrada de receita da propriedade. Também é necessário entender as consequências do atraso e as condições das garantias oferecidas.

Para o investidor, os documentos do fundo devem mostrar a composição da carteira, a concentração dos ativos e eventuais atrasos ou renegociações. O ponto de encontro entre os dois lados é a qualidade da operação: crédito que permita sustentar a produção e compromissos compatíveis com a capacidade de pagamento.

Fonte: Pensar Agro



COMENTE ABAIXO:
Continue lendo

POLÍTICA

POLÍCIA

ESPORTE

ENTRETENIMENTO

MAIS LIDAS DA SEMANA