Agricultura
Feira Agro Nater Coop discute desafios do clima e mercado cafeeiro
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Santa Maria de Jetibá (cerca de 80 km da capital, Vitória), no Espírito Santo, será o centro das atenções para o agronegócio entre quinta e sábado (16a e 18) desta semana. O Centro de Eventos Sofia Arnholz Berger recebe a 14ª edição da Feira Agro Nater Coop, evento que se consolidou como uma referência técnica e comercial para o produtor rural da região. A expectativa da organização é atrair cerca de 8 mil visitantes em três dias de programação.
O encontro tem como principal objetivo estreitar o relacionamento entre os produtores, especialistas e empresas parceiras. Segundo Denilson Potratz, presidente da Nater Coop, a feira vai além da exposição de produtos. “O foco é ampliar conexões, estimular negócios e contribuir para o crescimento sustentável do agro capixaba através da troca de experiências in loco”, afirma.
A programação técnica é um dos diferenciais do evento. Diante de um cenário de mudanças climáticas e novas regras fiscais, a feira aposta em temas que afetam diretamente o dia a dia do produtor. Entre os destaques, especialistas debaterão os impactos do El Niño na agropecuária, técnicas de cultivo protegido em estufas e o manejo da fusariose no café — uma preocupação constante para a qualidade da produção local.
O mercado de café, pilar da economia de diversas famílias da região, também terá espaço com análises sobre as tendências de preços. Além disso, a avicultura será tema central, com foco na saúde intestinal das aves e na qualidade do esterco, refletindo a diversificação das atividades da cooperativa. A Reforma Tributária também entra na pauta do último dia de evento, para esclarecer como as novas regras podem incidir sobre a atividade rural.
Além da transferência de tecnologia, a feira conta com espaços voltados ao networking e áreas de convivência. Para incentivar o público, a cooperativa preparou sorteios de prêmios: cooperados e clientes cadastrados concorrem a uma motocicleta, enquanto compras acima de R$ 3 mil em produtos ou serviços dão direito a cupons para o sorteio de um automóvel.
A Nater Coop, com 61 anos de história e sede em Santa Maria de Jetibá, atua como o principal braço do agro no Espírito Santo. A instituição reúne mais de 25 mil cooperados e opera marcas reconhecidas, como Veneza, Rações Coope, Liva e Pronova, exportando para mais de 40 países.
Confira o cronograma de palestras técnicas:
16 de julho (quarta-feira)
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14h: Clima, El Niño e os impactos no agro – Ivaniel Fôro Maia (Incaper)
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16h: Desafios e oportunidades no cultivo em estufa – Cícero Alexandre Leite (All Bright)
17 de julho (quinta-feira)
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10h: Vaniva: transformando o manejo da fusariose no café – Willian Bucker (Ufes) e Ronaldo Sakai (Sygenta)
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14h: Mercado do café: o que está movendo os preços? – Fernando Maximiliano (Stonex)
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15h30: Avicultura: o papel dos probióticos na saúde intestinal de poedeiras – Rafael Monteiro de Lima (Imeve)
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16h: Avicultura: aspectos que influenciam na qualidade do esterco – Fernando Rodrigues (De Heus)
18 de julho (sexta-feira)
Agricultura
MT é o primeiro contemplado com nova linha de crédito para pecuária sustentável
A pecuária do Mato Grosso se tornou o primeiro case do Brasil a conseguir financiamento da linha Eco Invest 2, especifica para estruturar um projeto que mantenha o rebanho e não deixe a área migrar para outras atividades como lavoura ou florestas. A Novapec obteve acesso aos recursos do programa do Governo Federal, voltado à recuperação de áreas degradadas e ao incentivo à produção sustentável, e nesta primeira etapa do projeto, a previsão é de recuperar mais de 3 mil hectares de pastagens e intensificar a produção com a Terminação Intensiva a Pasto (TIP) e a Recria Intensiva a Pasto (RIP).
A operação é complexa e levou cerca de um ano para ser estruturada e aprovada. Mas, segundo Arlindo Vilela, diretor da Novapec, o financiamento representa uma oportunidade de transformar investimentos em sustentabilidade com resultados econômicos para o produtor rural.
“É uma linha com foco na sustentabilidade, com recursos e taxas atrativos, por isto mesmo com alto nível de exigência para captar, necessitando de um elevado nível de gestão, organização e compliance”, explica o pecuarista.
O Eco Invest Brasil é um programa que busca atrair investimentos públicos e privados para projetos sustentáveis. Sua segunda linha, conhecida como Eco Invest 2, foi lançada em abril de 2025, com foco na recuperação produtiva de terras degradadas, permitindo que essas áreas voltem a ser utilizadas na agricultura, pecuária e em sistemas integrados de produção.
O programa utiliza um modelo de financiamento combinado, no qual recursos públicos são empregados para estimular a participação de instituições financeiras e investidores privados. A proposta é ampliar a oferta de crédito para projetos ambientais, com condições que favoreçam investimentos de longo prazo.
No segundo leilão do programa, realizado em 2025, foram contemplados R$ 16,5 bilhões em recursos públicos, com previsão de mobilizar R$ 30,2 bilhões em investimentos e recuperar aproximadamente 1,4 milhão de hectares em diferentes regiões do país.
Para o diretor de Projetos do Instituto Mato-grossense da Carne (Imac), Bruno de Jesus Andrade, iniciativas como o Eco Invest 2 são importantes para ampliar o acesso dos pecuaristas a recursos destinados à modernização das propriedades e à adoção de práticas sustentáveis.
“O financiamento é uma ferramenta importante para que o produtor consiga investir em tecnologia, recuperar áreas degradadas e aumentar a produtividade sem a necessidade de abrir novas áreas. Também é uma forma de reconhecer e beneficiar os pecuaristas que já adotam boas práticas ambientais, demonstrando que a sustentabilidade pode trazer resultados econômicos concretos para a atividade”, destaca o diretor de Projetos do Imac.
Para conseguir a aprovação do financiamento, a Novapec contou com o apoio técnico do Imac na resolução de questões ambientais relacionadas à propriedade. Um dos principais entraves envolvia a existência de uma Área de Proteção Ambiental (APA) em uma das fazendas, situação que que precisou ser esclarecida durante a análise do projeto.
“O Imac foi fundamental pois ajudou com sua estrutura ambiental interna a solucionar os entraves que consultorias de fora do Mato Grosso tinham um entendimento totalmente equivocado. Se não lutarmos e buscarmos os caminhos, mesmo estando certos, seremos desaprovados em vários sentidos por pessoas que não conhecem a realidade do assunto”, relata Vilela.
Com a aprovação deste Ecoinvest, o pecuarista pretende avançar na intensificação com sustentabilidade. Para ele, o acesso a este crédito, representa uma mudança na forma como os investimentos ambientais começam a ser tratados pelo setor financeiro.
“O caminho que temos defendido é que a intensificação é uma das maiores ferramentas da sustentabilidade e essa é a primeira vez que temos um retorno realmente efetivo por defendermos estas técnicas sustentáveis. Isso é um projeto disruptivo com um potencial fantástico para a pecuária do Mato Grosso”, enfatiza.
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