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Prefeitura de Sinop destaca sinopense com reconhecimento internacional no Dia da Ciência e do Pesquisador

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Neste Dia Nacional da Ciência e do Pesquisador, comemorado hoje (8), a Prefeitura de Sinop destaca a trajetória do pesquisador sinopense Cícero Moraes, profissional que transformou o conhecimento desenvolvido na cidade em projetos científicos reconhecidos internacionalmente.

Referência em reconstrução facial forense e paleofacial, ele participa de pesquisas que unem tecnologia, arqueologia, medicina e engenharia biomédica, levando o nome de Sinop para alguns dos principais centros científicos do mundo.

Cícero iniciou sua carreira, na década de 1990, a partir de desenhos arquitetônicos, acompanhando o crescimento acelerado de Sinop. “Sinop estava crescendo bastante e tinha uma demanda muito grande de projetos. Eu fazia desenhos analógicos para suprir uma necessidade econômica da cidade. Naturalmente, fui adaptando esse conhecimento para a modelagem 3D, quando veio o advento da computação. Depois, esse conhecimento foi para a publicidade e, posteriormente, para a arqueologia e para a reconstrução facial forense. O restante do processo foi isso que a gente conhece, as reconstruções faciais e os projetos internacionais”, relatou.

O primeiro trabalho na área de reconstrução facial foi a múmia Tothmea, preservada em Curitiba – PR, uma das duas únicas múmias remanescentes no Brasil. Desde então, a trajetória evoluiu para uma atuação consolidada no cenário científico internacional.

Ao longo da carreira, Cícero contabiliza 115 projetos com repercussão internacional. Entre os mais conhecidos estão a reconstrução facial de Santo Antônio (padroeiro de Sinop), realizada a convite de pesquisadores italianos, além de trabalhos envolvendo o compositor Beethoven e estudos relacionados ao Santo Sudário.

Tecnologia desenvolvida em Sinop salva vidas em diferentes países
Para ele, uma das suas contribuições mais relevantes é o desenvolvimento de um software de simulação cirúrgica, atualmente utilizado em 37 países e publicado em 120 idiomas.

“A gente trabalha diretamente com humanos, desde bebês até indivíduos de idade mais avançada, e também na área da veterinária. Foi possível distribuir essa tecnologia em nível mundial para salvar vidas e dar melhores condições de vida, a exemplo de próteses adaptadas para cada necessidade”, apontou.

Entre seus projetos também está a criação da primeira carapaça de jabuti impressa em 3D do mundo, trabalho que recebeu reconhecimento do Guinness World Records em 2022.

Produção científica e reconhecimento internacional
Além das pesquisas, Cícero reúne 48 artigos científicos revisados por pares publicados, 24 apresentações em congressos e já ministrou palestras em instituições de referência, como a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

O reconhecimento internacional também o levou a integrar recentemente a Sigma Xi, uma das mais tradicionais sociedades científicas do mundo, que já teve entre seus membros Albert Einstein e centenas de laureados com o Prêmio Nobel.

Entre os reconhecimentos mais recentes, um estudo liderado por Cícero sobre o Santo Sudário tornou-se o artigo de maior impacto da história da revista científica Archaeometry, uma das principais publicações internacionais na área de arqueologia e patrimônio histórico, reforçando a relevância mundial das pesquisas desenvolvidas a partir de Sinop.

A produção científica acumulada ao longo dos anos também abriu um caminho inédito em sua formação acadêmica. Inicialmente, o pesquisador teve o pedido de ingresso no doutorado em Engenharia Biomédica da Universidade Federal de Uberlândia (UFU) indeferido por não possuir mestrado, requisito prévio. Após recorrer e comprovar sua trajetória científica, apresentando as pesquisas publicadas e a repercussão internacional de seus trabalhos, tornou-se o primeiro candidato da história do programa aprovado diretamente para o doutorado na modalidade excepcional, destinada a pesquisadores com produtividade científica comprovadamente diferenciada.

Grande parte dos projetos também conta com a colaboração da esposa, Lis Moura, fisioterapeuta e zootecnista, que participa de diferentes etapas das pesquisas desenvolvidas pelo casal.

Sinop: polo de pesquisa e inovação
Para Cícero, cada conquista representa também uma oportunidade de projetar Sinop para além das fronteiras brasileiras. “Todas as vezes que sai uma notícia e o pessoal cita a cidade que eu vivo, aparece o nome de Sinop. Para mim é uma honra muito grande, porque eu estive aqui em todas essas etapas, quando Sinop era pequena, se tornou uma cidade média e depois essa cidade grande que todo mundo conhece”, lembrou.

Mesmo com o reconhecimento e projeção internacional, o pesquisador optou por permanecer em Sinop, cidade que considera parte fundamental de sua trajetória. “Hoje eu vejo Sinop como um polo não só de uma cidade grande, mas também um polo acadêmico. Antigamente as pessoas tinham que sair de Sinop para estudar fora, hoje as pessoas vêm estudar em Sinop. É uma evolução muito grande, eu me sinto muito feliz e esse é um dos motivos pelos quais eu não saio dessa cidade. Daqui não saio, daqui ninguém me tira”, assegurou.

Para o pesquisador, a expansão das universidades e da estrutura científica instalada no município amplia as oportunidades para quem deseja ingressar na área da pesquisa. “Hoje nós temos uma boa tecnologia, que é a internet, e temos campos que permitem estudar algumas linhas de tecnologia aqui em Sinop. Se você é jovem e quer começar a estudar, simplesmente comece. Comece a escrever, comece a estudar, comece a produzir e lance mão de toda essa estrutura científica que nós temos hoje à nossa disposição aqui na cidade, porque Sinop realmente está crescendo, não só visualmente, mas também no contexto acadêmico”, recomendou.

Ao refletir sobre a própria trajetória, Cícero afirma que aprendeu com o desenvolvimento da cidade. “Muito do que eu aprendi em relação ao crescimento, eu aprendi com o crescimento de Sinop. Eu vi uma cidade pequena se converter numa cidade gigantesca, que hoje é conhecida em nível nacional. Quando vou palestrar em Brasília, São Paulo, Minas Gerais ou qualquer estado do Brasil, Sinop é muito reconhecida. Isso faz com que cada vez mais eu queira ficar aqui. Sinop tem tudo o que eu preciso e eu adoro essa cidade”, concluiu.



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Cortes em auxílios sociais podem gerar retração em cidades do interior

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São Paulo – A estagnação ou cortes no valor dos benefícios sociais e previdenciários poderão causar uma retração severa à atividade econômica em municípios do interior do Brasil, mostra levantamento do Centro de Pesquisa em Macroeconomia das Desigualdades (Made), da Faculdade de Economia e Administração da Universidade de São Paulo (FEA-USP), lançado nesta semana.

Segundo o estudo, as aposentadorias, o Bolsa Família e o Benefício de Prestação Continuada (BPC) têm peso significativo na economia dessas cidades e chegam a representar quase metade do orçamento das famílias mais pobres.

“Como o valor recebido por essas famílias é usado quase integralmente para a aquisição de itens de primeira necessidade, o dinheiro circula imediatamente no comércio local, garante empregos e mantém a arrecadação municipal ativa”, destaca a co-diretora do Made-USP, a economista Luiza Nassif.

De acordo com o levantamento, dos 5.569 municípios brasileiros, cerca de 4 mil estão fora das regiões metropolitanas. Nessas cidades, segundo o estudo, o peso das transferências públicas chega a ser o dobro em relação aos dos grandes centros urbanos. No Ceará, por exemplo, os benefícios sociais e previdenciários respondem por 22% da renda agregada da capital e região metropolitana. Já nas cidades do interior, esse número é de 40%.

Impactos futuros

O estudo do Made/USP projetou os efeitos econômicos da evolução da renda dos benefícios sociais e previdenciários nas cidades do interior para os próximos três anos. O estudo tomou como base os anos de 2022 a 2025, em que houve um crescimento real para BPC e aposentadorias, e comparou esse cenário ao contexto de reajustes utilizados entre 2019 e 2022, sem ganhos reais do salário mínimo e congelamento total.

O levantamento mostra que, sem os reajustes, a renda agregada do interior do país sofreria uma retração severa, ficando entre 6,8% e 10,8% abaixo do patamar com a valorização real dos benefícios sociais e previdenciários. 

“Isso geraria uma reação em cadeia na atividade econômica que atinge inclusive as famílias que não dependem do socorro público”, avalia Nassif. 

O estudo mostra que os cenários mais críticos ocorreriam no interior do Rio Grande do Norte, Amapá e Piauí, em que a renda total cairia entre 17% a 18%, sem o ritmo atual de aumento dos benefícios sociais. No Amazonas, Sergipe e Pernambuco, a perda seria na casa dos 15%. No Ceará, Maranhão, em Alagoas e Bahia, a queda ficaria entre 10% e 13%, enquanto no Mato Grosso do Sul, Rio de Janeiro, Espírito Santo, São Paulo, Mato Grosso, Rio Grande do Sul e Santa Catarina, o prejuízo chegaria a 6,5%.  

Os efeitos na pobreza

O levantamento destaca que, além dos efeitos sobre a renda e a atividade econômica dos municípios do interior, os benefícios desempenham um papel decisivo no combate à pobreza.

“Para quem vive no limite, qualquer reajuste abaixo da inflação empurra a família diretamente para a pobreza”, afirma Nassif. Segundo ela, para famílias com rendimento de até 1,5 salário mínimo per capita, os benefícios podem chegar a 50% do rendimento. 

Simulações realizadas pelo levantamento indicam que a ausência de ganhos reais nos benefícios, entre 2022 e 2025, teria empurrado aproximadamente 2,7 milhões de pessoas para a pobreza nos municípios fora das regiões metropolitanas, 2,4 milhões delas para extrema pobreza.

Em números absolutos, as maiores altas na pobreza ocorreriam na Bahia (até 336 mil pessoas a mais), São Paulo (até 263 mil) e Minas Gerais (até 251 mil), seguidos por Maranhão, Pará e Ceará (com mais de 200 mil pessoas cada).

“Olhando para o impacto que a queda de renda provoca, fica nítido o estrago que uma trava no crescimento dos benefícios pode fazer nas economias locais”, observa Nassif. “Manter a valorização real da previdência, do BPC e dos programas de transferência de renda é a garantia mínima de dignidade para as famílias e de sobrevivência para o comércio local no Brasil profundo”, acrescenta.




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