Economia
Mercado financeiro abre espaço às iniciativas que preservam a floresta
Economia
Políticas públicas associadas ao crescente interesse da iniciativa privada têm tirado a sociobioeconomia da invisibilidade e tornado cada vez maior a fatia de participação desse modelo de desenvolvimento no Produto Interno Bruto Brasileiro (PIB).

A sociobioeconomia é um modelo de desenvolvimento econômico praticado por comunidades, principalmente em territórios coletivos como indígenas e quilombolas, que produz bens e serviços a partir de práticas e uso de recursos naturais de forma sustentável. São exemplos o plantio de agrofloresta e de alimento e madeira a partir da restauração.
Uma pesquisa recente da Confederação Nacional da Indústria apontou que o setor já movimenta no país cerca de R$ 2,7 trilhões, o equivalente a 25,3% do PIB brasileiro.
Para a diretora executiva da organização social Conexsus, Fabíola Zerbini, o setor tem saído da invisibilidade após a inserção da sociobiodiversidade em políticas de governo como o Plano de Transformação Ecológica e novos instrumentos de finanças verdes, como o Ecoinvest.
“Começa-se a entender que fortalecer esse setor é estratégico para o país. Ele é estratégico com a agenda climática, de conservação, com uma agenda de justiça social, mas também com uma agenda econômica”, afirma Fabíola Zerbini.
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Acesso ao crédito
Para a gestora, embora o setor tenha se expandido e venha se estruturando na forma de cooperativas e associações, ainda há uma dificuldade em fazer com que os produtores na ponta acessem o credito e os recursos financeiros disponíveis no mercado.
“Eles enfrentam uma série de adversidades porque a maior parte dos incentivos, das subvenções, dos subsídios ou das políticas de fomento mesmo ao modelo de desenvolvimento econômico não foram feitas para esses negócios comunitários”, diz.
Um exemplo é Cooperativa de Agricultura Familiar Sustentável com Base na Economia Solidária (COPABASE), que existe há 18 anos, na cidade de Arinos, Cerrado de Minas Gerais. Com 165 cooperados, que produzem polpas de frutas e outros produtos sustentáveis do Cerrado, a cooperativa só teve acesso à primeira linha de crédito após mais de dez anos de existência.
“A gente pegou [crédito] para capital de giro para a semente de baru, que antes a árvore aqui era só para corte de madeira. Depois que a gente começou a beneficiar, os produtores perceberam que o baru vale mais em pé. Que eles vão ter mais renda do que com a madeira para construir cerca e curral”, diz a gestora ambiental e assistente técnica, Anny Caroliny Rocha.
A mesma dificuldade também foi enfrentada pela Associação dos Produtores Agroextrativistas da Colônia do Sardinha (Aspacs), no município de Lábrea, Sul do Amazonas.
As mercadorias produzidas pela Aspacs a partir do aproveitamento sustentável de recursos da Floresta Amazônica, como óleos de copaíba, andiroba e as manteigas de murumuru e tucumã, geram renda a mais de 1,5 mil famílias.
“A gente teve que buscar apoio da Conexsus para conseguir financiamento e aumentar o número de colaboradores na época de produção, transformando o crédito em renda dentro das comunidades”, diz a presidente da Aspacs, Marcikely Ferreira.
Parcerias
Com o objetivo de abrir novas frentes de captação de recursos e atrair investidores interessados em soluções que conciliem desenvolvimento econômico, inclusão produtiva e conservação ambiental, uma parceria da Conexsus com o Instituto Clima e Sociedade (iCS) e o Banco do Brasil pretende fazer com que R$5 bilhões em crédito chegue, até 2030, aos produtores da sociobioeconomia, por meio do Programa Implementa Sociobio.
“A iniciativa contribui para ampliar o acesso a instrumentos financeiros, assistência técnica e mercados, fortalecendo cadeias produtivas sustentáveis”, afirma José Ricardo Sasseron, vice-presidente de Governo e Sustentabilidade Empresarial do Banco do Brasil.
Para Fabíola Zerbini, transformar a floresta em pé em economia real, competitiva e capaz de gerar renda para quem vive nos territórios é um desafio que se bem superado pode impactar positivamente toda economia nacional.
“O modelo de uso da terra que o país, as empresas e, mesmo, o consumidor, decide fortalecer, apoiar, suportar, vai definir, lá na frente, o risco ao qual o país vai estar mais ou menos exposto. Uma vez que você está aumentando ou diminuindo o risco, você está aumentando ou diminuindo o custo”, explica.
No caso da sociobioeconomia, a especialista defende que os impactos positivos vão muito além do valor do produto, por entregarem serviços ecossistêmicos, como a captura de gases do efeito estufa, e também mitigarem riscos associados à urgência climática.
“Minimiza o custo que o país vai ter para mitigar um risco como a falta de água, os problemas das cidades sendo inundadas, o problema de uma seca extrema, que vai ter que ser suprida de alguma forma por cisternas”, conclui.
Economia
Brasil deve voltar a ser 8ª maior economia do mundo em 2027, prevê FMI
O Brasil deve voltar ao posto de oitava maior economia do mundo em 2027, deixando para trás Rússia e Itália. 

A projeção faz parte do documento Perspectivas da Economia Mundial, divulgado nesta semana pelo Fundo Monetário Internacional (FMI).
De acordo com o estudo, o Produto Interno Bruto (PIB, conjunto de todos os bens e serviços produzidos no país) brasileiro alcançará US$ 2,80 trilhões (R$ 14,65 trilhões) no ano que vem.
Em 2026, o país termina na décima posição do ranking, com PIB de US$ 2,655 trilhões.
Para 2027, a lista mantém os Estados Unidos como maior potência econômica, seguida pela China.
Confira o Top 10 das economias mundiais, segundo a projeção do FMI, instituição multilateral vinculada às Nações Unidas.
- Estados Unidos: US$ 34,44 trilhões
- China: US$ 22,94 trilhões
- Alemanha: US$ 5,66 trilhões
- Índia: US$ 4,52 trilhões
- Reino Unido: US$ 4,49 trilhões
- Japão: US$ 4,47 trilhões
- França: US$ 3,65 trilhões
- Brasil: US$ 2,80 trilhões
- Itália: US$ 2,77 trilhões
- Rússia: US$ 2,68 trilhões
A última vez em que o Brasil ficou no oitavo lugar foi em 2017. De acordo com a estimativa do FMI, o país segue na oitava posição até 2031, último ano projetado.
A melhor posição já ocupada pelo Brasil no ranking global de PIB foi a sétima posição, alcançada em 1995 e de 2010 a 2014.
Índia decola
Um dos destaques da previsão do FMI é a Índia, que salta do sexto para o quarto lugar e ultrapassa Reino Unido e Japão. Em 2031, a Índia deve tomar o terceiro lugar, da Alemanha.
Estados Unidos e China devem ocupar os dois primeiros lugares do ranking, nesta ordem, até 2031.
O que é o PIB
O PIB é o conjunto de todos os bens e serviços produzidos em uma localidade em determinado período. Com o dado, é possível traçar o comportamento da economia do país, estado ou cidade, assim como fazer comparações internacionais.
O PIB é calculado com o auxílio de diversas pesquisas setoriais, como comércio, serviços e indústria.
Durante o cálculo, há cuidados para não haver dupla contagem. Um exemplo: se um país produz R$ 100 de trigo, R$ 200 de farinha de trigo e R$ 300 de pão, o PIB será de R$ 300, pois os valores da farinha e do trigo já estão embutidos no valor do pão.
Os bens e serviços finais que compõem o PIB são medidos no preço em que chegam ao consumidor. Dessa forma, levam em consideração também os impostos cobrados.
O PIB ajuda a compreender a realidade de um país, mas não expressa fatores como distribuição de renda e condição de vida. É possível, por exemplo, um país ter PIB alto e padrão de vida relativamente baixo, assim como pode haver nação com PIB baixo e altíssima qualidade de vida.
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