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Com cota chinesa por um fio, JBS suspende abates e acende alerta na pecuária nacional

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Esta cota é um mecanismo de salvaguarda previsto no protocolo sanitário e comercial entre Brasil e China. O objetivo chinês é proteger sua própria cadeia produtiva e evitar uma dependência total de um único fornecedor, mantendo o controle sobre os preços internos e o volume de entrada da proteína. Para o Brasil, a solução estrutural para este gargalo passa obrigatoriamente pela diversificação da pauta de destinos: a indústria precisa acelerar a habilitação de novos mercados, como Indonésia, Vietnã e o fortalecimento de blocos como o Oriente Médio, para reduzir a suscetibilidade à política de “torneira fechada” de Pequim.

Paralelamente à crise na proteína bovina, um novo vetor de instabilidade surge no setor de grãos, aumentando a pressão sobre o agro brasileiro. A recente reaproximação comercial entre Pequim e Washington, após a cúpula entre Xi Jinping e Donald Trump, coloca os Estados Unidos novamente como um concorrente agressivo no fornecimento de soja. O anúncio pelo USDA de que a China já iniciou a compra de 132 mil toneladas da safra americana 2026/27 — somadas a outras 384 mil toneladas de destino ainda não confirmado — sinaliza o cumprimento dos compromissos de importação firmados pelos chineses, que prometem adquirir cerca de US$ 17 bilhões anuais em produtos agrícolas dos EUA até 2028.

Na opinião do presidente do Instituto do Agronegócio (IA), Engenheiro Agrônomo Isan Rezende (foto), o cenário atual revela uma fragilidade estrutural que o setor vinha tentando postergar. “Nossa dependência excessiva do mercado chinês transformou uma política de salvaguardas em um freio de mão para toda a economia agropecuária brasileira. Quando o maior comprador do mundo decide, por meio de cotas tarifárias, o ritmo em que devemos produzir, perdemos a soberania sobre o ciclo produtivo e entregamos o controle das margens ao sabor de decisões geopolíticas em Pequim”, afirma Rezende.

“Essa pressão sobre a carne bovina é apenas o primeiro sinal de um reposicionamento comercial mais amplo. A entrada agressiva dos Estados Unidos como concorrente direto na oferta de grãos, após os recentes compromissos entre Washington e Pequim, retira do Brasil a vantagem de ser o fornecedor único ou preferencial. O produtor precisa entender que o mundo não está mais jogando com as mesmas cartas de 2025; estamos diante de uma disputa por participação de mercado onde o Brasil, pela primeira vez em anos, começa a ser pressionado em múltiplas frentes de exportação simultaneamente”, destaca o presidente do IA.

“A solução não é simples, mas é urgente: a profissionalização da gestão dentro da porteira não bastará se não houver um esforço nacional para a diversificação de mercados. O agro brasileiro precisa descolar sua rentabilidade da volatilidade das relações sino-americanas. Se não buscarmos ativamente novos destinos e não modernizarmos nossa estratégia de comercialização para não sermos apenas um fornecedor de volume, continuaremos vulneráveis a essas ‘torneiras fechadas’ que, cada vez mais, ameaçam a estabilidade financeira das nossas propriedades”, conclui Rezende.

Para o produtor brasileiro, esse cenário desenha um desafio duplo. Se por um lado a pecuária enfrenta o teto de cota que limita o escoamento da carne, por outro, a agricultura lida com o retorno dos EUA à disputa pelo mercado chinês, o que pode pressionar as cotações da soja e forçar uma revisão nas margens de lucro para a próxima colheita. A combinação entre a salvaguarda chinesa na carne e o retorno da competitividade americana na soja exige que o setor brasileiro profissionalize ainda mais sua gestão de estoque e busque mercados de nicho, sob o risco de ficar refém de decisões políticas tomadas entre Washington e Pequim, que pouco levam em conta a realidade da porteira brasileira.



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Carambeí reúne produtores para discutir mercado, tecnologia e futuro da pecuária

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A cidade de Carambeí, nos Campos Gerais do Paraná, a cerca de 140 quilômetros de Curitiba, recebe de quinta-feira (12.11) a sábado (14) a 19ª edição da ExpoFrísia, uma das tradicionais exposições da pecuária leiteira paranaense. Promovido pela Frísia Cooperativa Agroindustrial, o evento reunirá produtores, pesquisadores, empresas e especialistas para discutir os desafios econômicos e tecnológicos das cadeias do leite, dos grãos e da suinocultura. A entrada e o estacionamento serão gratuitos.

Neste ano, a exposição apresenta uma mudança importante no calendário. Realizada tradicionalmente em abril, a ExpoFrísia passa a ocorrer em novembro, período escolhido pela organização para facilitar a participação dos cooperados, produtores e empresas expositoras. A feira será realizada no Pavilhão de Exposições Frísia, anexo ao Parque Histórico de Carambeí.

A programação terá como um dos principais temas a conjuntura econômica do agronegócio, especialmente os efeitos dos custos de produção, das oscilações de preços e das condições de mercado sobre a rentabilidade das propriedades. A palestra de abertura, marcada para quinta-feira, às 16h, será conduzida pela jornalista Kellen Severo, que abordará as perspectivas macroeconômicas e o comportamento dos mercados de leite, grãos e suínos.

A escolha desses temas reflete a realidade dos produtores da região, onde a integração entre agricultura, pecuária leiteira e suinocultura tem papel importante na economia rural. A produção de grãos, especialmente milho e soja, está diretamente relacionada ao custo da alimentação animal, um dos principais componentes das despesas nas atividades leiteira e suinícola.

Além das discussões econômicas, a feira terá debates sobre gestão das propriedades, sucessão familiar, reforma tributária e licenciamento ambiental. O Fórum Comercial da Organização das Cooperativas do Estado do Paraná (Ocepar) também integra a programação, ampliando as discussões sobre competitividade e organização das cadeias produtivas.

A sucessão familiar receberá atenção especial diante das dificuldades enfrentadas por muitas propriedades para manter os jovens na atividade rural. A modernização da gestão, a profissionalização dos negócios e a incorporação de novas tecnologias são fatores considerados importantes para garantir a continuidade das atividades e a sustentabilidade econômica das famílias produtoras.

Na área técnica, a ExpoFrísia apresentará soluções relacionadas à agricultura regenerativa, rastreabilidade, manejo de propriedades e aproveitamento de resíduos da produção animal. Um workshop sobre dejetos abordará alternativas para o manejo desses materiais, tema que envolve custos, exigências ambientais e possibilidades de utilização como fertilizantes.

A programação também incluirá fóruns voltados à suinocultura, além do tradicional Concurso de Silagem. A qualidade da silagem é decisiva para a alimentação dos rebanhos leiteiros, com reflexos sobre a produtividade, os custos de alimentação e o desempenho econômico das propriedades.

Genética e qualidade do rebanho

Um dos principais atrativos da ExpoFrísia continuará sendo a exposição de animais da raça Holandesa, com julgamentos nas categorias Jovem e Adulto, envolvendo exemplares das variedades Holandês Preto e Branco (HPB) e Holandês Vermelho e Branco (HVB).

As competições permitem avaliar características relacionadas à conformação dos animais e ao melhoramento genético dos rebanhos. Para os criadores, a participação também representa uma oportunidade de apresentar os resultados dos investimentos em seleção, manejo, nutrição e reprodução.

A programação contará ainda com a tradicional Copa dos Apresentadores e atividades destinadas às crianças, como o Clube de Bezerras, que busca aproximar as novas gerações da atividade pecuária.

A exposição de máquinas, equipamentos e tecnologias voltadas à agricultura e à produção animal completará a programação. A proposta é aproximar os produtores de soluções que contribuam para elevar a eficiência das propriedades, melhorar os índices produtivos e reduzir desperdícios.

A ExpoFrísia será realizada de 12 a 14 de novembro, no Pavilhão de Exposições Frísia, em Carambeí (PR), com entrada e estacionamento gratuitos. A programação completa e as informações para visitantes estão disponíveis no site oficial do evento.

Fonte: Pensar Agro



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