Economia
Prefeita inaugura CMEI no Santa Isabel e entrega relatório sobre ampliação de vagas aos órgãos de fiscalização
Economia
A prefeita de Várzea Grande, Flávia Moretti, juntamente com a secretária municipal de Educação, Cultura, Esporte e Lazer, Maria Fernanda Figueiredo, entregou à população do bairro Santa Isabel o Centro Municipal de Educação Infantil (CMEI) Gervásio Bueno Dias. A unidade, que atenderá até 250 crianças, era um sonho antigo dos moradores da região e agora passa a oferecer um espaço totalmente planejado para a primeira infância.
“Uma das minhas promessas de campanha era justamente destravar obras paralisadas, como este centro infantil, que permaneceu por mais de uma década sem conclusão, enquanto a comunidade aguardava ansiosamente por sua entrega. Este é mais um investimento na educação, o retorno do IPTU pago pelos moradores e o cumprimento da obrigação do poder público de atender a todos indistintamente”, destacou a prefeita.
Durante o discurso, Flávia Moretti ressaltou os avanços promovidos na área da educação. “Esta é a terceira unidade infantil que entrego desde que assumi a gestão, e posso garantir que muitas outras virão. Ainda não concluímos o segundo ano de governo e já estamos planejando os dois anos seguintes, definindo ações para todos os setores”, afirmou.
Emocionada, a filha do homenageado, Naiara Bueno, agradeceu à gestão pelo reconhecimento ao trabalho realizado por seu pai e pela homenagem. “Estamos muito felizes por inaugurar este CMEI que leva o nome do meu pai. Falar sobre ele é algo difícil e fácil ao mesmo tempo. O Bueno, como era conhecido, foi um ser humano temente a Deus, filho obediente e dedicado, pai amoroso, amigo inesquecível e servidor público comprometido. Tenho certeza de que ele continuará zelando por este espaço, que agora também faz parte de sua história. Seu compromisso com a vida pública marcou todos que o conheceram”, declarou.
A secretária de Educação, Maria Fernanda Figueiredo, lembrou que participou do projeto da creche há 13 anos, ao lado de diversos servidores públicos. “Esta obra é um marco para a gestão, mas também destaca a importância dos servidores públicos, especialmente os de carreira, que conhecem de perto a realidade do município. Para nós, que somos professores e vivemos o cotidiano das escolas, é uma honra entregar uma obra como esta. Sou secretária, mas também sou professora, e quero voltar às escolas com orgulho, encontrando unidades cada vez melhores e mais dignas para servidores e alunos”, afirmou.
Maria Fernanda também comentou as pressões enfrentadas desde que assumiu a pasta e reforçou seu compromisso com a educação. “Não será a intimidação de vereador que vai me tirar da Secretaria de Educação”, declarou.
O presidente da Comissão de Educação da Câmara Municipal, vereador Charles Caetano, classificou a entrega como um momento histórico para Várzea Grande. “Estamos entregando um espaço de respeito e dignidade para aquilo que nossa cidade tem de mais precioso: as crianças. Mais do que uma estrutura física, este CMEI representa esperança e oportunidade. Aqui serão atendidas 250 famílias, oferecendo às mães um ambiente seguro e de qualidade para seus filhos”, destacou.
Representando o Governo do Estado, a secretária estadual de Educação, Flávia Soares, ressaltou a importância da iniciativa. “Participo deste momento não apenas como gestora pública, mas também como mulher e mãe, que compreende a necessidade de oferecer um ambiente seguro para as crianças. Em nome do governador, reafirmo que o Governo do Estado está à disposição para trabalhar em parceria com o município”, disse.
A defensora pública Cleide Regina afirmou que fez questão de participar da inauguração. “Aqui estamos mais próximos da população que mais precisa dos serviços públicos. A Defensoria atende diariamente entre 50 e 80 mães em busca de seus direitos. Cuidar das pessoas também significa inaugurar unidades como esta. Não vejo apenas um prédio, mas 250 crianças protegidas e famílias atendidas. Quando me perguntam como reduzir a violência, respondo: abrindo escolas”, declarou.
O conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCE-MT), Antônio Joaquim, destacou a importância da ampliação da oferta de vagas na educação infantil. “Essa é uma luta presente em todos os municípios e que acompanho de perto, especialmente no que se refere à educação inclusiva. Precisamos olhar com atenção para esse setor e potencializar as capacidades das nossas crianças. Em breve teremos, em Mato Grosso, um encontro sobre educação especial inclusiva e esperamos contar com a participação de todos”, afirmou.
O conselheiro também elogiou a postura da prefeita diante dos desafios da administração municipal. “Respeito e admiro sua coragem para enfrentar os problemas e continuar avançando”, disse.
Transparência
Durante a solenidade, a secretária de Educação entregou à prefeita três Relatórios Técnicos Preliminares que apresentam o planejamento estratégico da Rede Municipal de Ensino de Várzea Grande durante a fase de consolidação do Censo Escolar 2026.
O estudo analisa a evolução das matrículas, a expansão da Educação Especial, o crescimento da Educação Integral e os possíveis impactos financeiros sobre os repasses do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb) para o exercício de 2027.
“Este relatório é uma análise preliminar voltada ao apoio da tomada de decisões, permitindo identificar oportunidades de ampliação da receita educacional por meio da qualificação das informações declaradas ao Educacenso”, explicou Maria Fernanda.
A prefeita Flávia Moretti também entregou cópias do relatório ao conselheiro Antônio Joaquim, à defensora pública Cleide Regina e ao vereador Charles Caetano, para que possam acompanhar a evolução dos indicadores e ações da Secretaria Municipal de Educação.
Galeria de Fotos (50 fotos)
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Estudo mostra necessidade de proteger soja para evitar perdas
Estudo da Universidade Federal de Viçosa (UFV), em parceria com a Croplife Brasil, associação que reúne empresas de biotecnologia, melhoramento genético e defensivos agrícolas, mostrou que as lavouras de soja no país teriam perdas de até 55% na produtividade, caso não fossem protegidas contra pragas, doenças e ervas daninhas.

De acordo com a pesquisa, uma redução da produção poderia causar impactos negativos na economia brasileira e nos preços de produtos ao consumidor.
No entanto, o uso de defensivos químicos é um método de proteção controverso, uma vez que algumas substâncias usadas para o manejo fitossanitário são nocivas ao meio ambiente e à saúde humana, segundo levantamento publicado por elo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).
A soja, segundo o Ipea, responde, junto com o milho e a cana-de-açúcar, por 76% do consumo de agrotóxicos no Brasil.
Doenças nas lavouras
O estudo feito pela Universidade Federal de Viçosa trabalhou com simulações envolvendo quatro doenças (entre elas a ferrugem-asiática e a mancha-alvo), cinco pragas (como a mosca-branca) e nove plantas daninhas.
Os pesquisadores analisaram três cenários, lavouras sem qualquer controle, com controle parcial (que garantiria até 40% de proteção da plantação) e com controle ótimo (80% de proteção).
A universidade estimou que, com controle ótimo, a produtividade por hectare pode chegar a 72 sacas. O controle parcial garantiria uma produtividade de 52 sacas, ou seja, 28% a menos que o controle ótimo. Sem qualquer controle, seria de apenas 32 sacas, o que significa uma perda de 55%.
Com isso, de acordo com o estudo, para compensar as perdas com a falta de controle fitossanitário, seria necessário plantar uma área adicional de 33,5 milhões de hectares, ou seja, quase do tamanho do estado de Goiás. A perda média, em cenário sem manejo (na comparação), chegaria a 121,3 milhões de toneladas, com um valor estimado de R$ 223,5 bilhões.
Com o cenário de controle ótimo, a receita brasileira simulada com exportações de soja chega a US$ 44,2 bilhões. Sem controle, recua para US$ 26,6 bilhões, uma diferença potencial de US$ 17,6 bilhões por safra, segundo o estudo.
A redução da oferta poderia gerar uma alta estimada no preço da soja de até 49%.
Haveria, com isso, um aumento de cerca de 0,26 ponto percentual na inflação oficial, medida pelo IPCA, uma vez que a alta da soja teria impactos nos preços de produtos como óleo, leite e ovos.
“Essa redução da produtividade da soja, lá no produtor, acaba tendo um impacto significativo no preço da soja e na disponibilidade dos produtos no mercado final, por exemplo, de óleo de soja e do farelo, que é um subproduto da soja. Consequentemente, ia ter uma mudança no preço da carnes, carnes de porco, de frango, porque tudo isso está na cadeia de produção da soja”, destaca a pesquisadora da UFV Ana Carolyne Carvalho.
O estudo considera quatro métodos de controle fitossanitário, que podem ser usados para evitar perdas nas lavouras: a biotecnologia (como os organismos geneticamente modificados), o melhoramento genético, os bioinsumos e os defensivos químicos, além do manejo integrado, que mistura dois ou mais desses métodos.
Defensivos
Estudo publicado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) mostrou que, de 2003 a 2023, o uso dos defensivos químicos, popularmente chamados de agrotóxicos, cresceu 4,4 vezes no país, passando de um consumo anual de 180 mil toneladas para 800 mil toneladas.
Com isso, o Brasil se tornou o país com maior uso de agrotóxicos por hectare plantado, 10,9 quilos por hectare (kg/ha), quatro vezes mais que os Estados Unios (2,85 kg/ha) e cinco vezes mais que a China (1,9 kg/ha).
“Os defensivos químicos podem apresentar riscos à saúde humana, incluindo efeitos agudos e crônicos, dependendo da toxicidade das substâncias e dos níveis de exposição. No ambiente, podem contaminar solos e recursos hídricos e afetar organismos não alvo, como polinizadores e organismos aquáticos, com consequências para a biodiversidade”, alerta o pesquisador da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) Robson Barizon.
Barizon alerta que organismos geneticamente modificados podem tanto servir como estratégia para reduzir o uso de agrotóxicos como para um incremento deles.
Isso porque algumas plantas geneticamente modificadas são imunes a doenças e a predadores, dispensando, portanto, o uso de defensivos para protegê-las nesses aspectos.
Por outro lado, algumas plantas OGM são também imunes ao efeito de agrotóxicos. Com isso, produtores podem elevar a dose dessas substâncias para ter mais efetividade na eliminação de ervas daninhas, que crescem no meio da lavoura.
“No caso dos OGM, aprovados para comercialização, não existem evidências científicas robustas de riscos adicionais à saúde humana associados ao seu consumo. Os possíveis impactos ambientais estão relacionados principalmente às características da modificação genética e às práticas agrícolas associadas, como o uso intensivo de herbicidas em culturas tolerantes, que pode favorecer a seleção de plantas daninhas resistentes”, explica Barizon.
O coordenador de Sustentabilidade da Croplife, Pedro Duarte, afirma que há uma preocupação do setor com a segurança dos químicos usados na proteção das lavouras.
“Para que um produto seja aprovado no Brasil, um defensivo químico passa por muitos estudos. Há um investimento muito grande do setor para poder garantir que aquele produto aprovado tenha a segurança, quando aplicado dentro das recomendações”, afirma Duarte.
De 2005 a 2019, 3.151 novos agrotóxicos foram registrados para uso no Brasil, com apenas 20% desse total sendo considerado de baixa toxicidade, de acordo com a pesquisa do Ipea.
Depois da promulgação da nova Lei dos Agrotóxicos (Lei 14.875/2023), segundo o Ipea, o ritmo de novos registros de defensivos químicos aumentou. Em 2024, foram 663 liberações de novos produtos, acima dos 555 registrados em 2023.
Dados do Ministério da Saúde divulgados pela organização não governamental (ONG) Repórter Brasil, mostram que de 2015 a 2025, foram registrados 73.391 casos de intoxicação por agrotóxico no país, sendo 9.729 apenas no ano passado.
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