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Suinocultura deve atingir 53 milhões de cabeças até 2030

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O rebanho suíno brasileiro deve chegar a 53 milhões de cabeças até 2030, crescimento de cerca de 10% em relação ao patamar atual, segundo projeção da Fundação Getulio Vargas (FGV). A expansão acompanha um mercado que vem ganhando tração no consumo interno e nas exportações, mas também pressiona a conta de custos dentro da porteira, especialmente por causa da dependência de milho, farelo de soja, energia e mão de obra.

O Brasil contabilizou 43,9 milhões de suínos em 2024, alta de 1,8% sobre o ano anterior, conforme a Pesquisa da Pecuária Municipal do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A produção segue concentrada no Sul. Santa Catarina é o principal estado produtor, seguido por Paraná e Rio Grande do Sul. O Paraná, segundo maior rebanho do país, chegou a 7,3 milhões de cabeças em 2024, com 16,6% do efetivo nacional; juntos, os três estados do Sul respondem por 51,9% da produção brasileira.

A força do setor também aparece no comércio exterior. As exportações brasileiras de carne suína somaram 1,510 milhão de toneladas em 2025, recorde histórico e alta de 11,6% sobre 2024. A receita chegou a US$ 3,619 bilhões, crescimento de 19,3%, segundo a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA). As Filipinas passaram a liderar os destinos, com 392,9 mil toneladas, à frente de China, Chile, Japão e Hong Kong.

O início de 2026 manteve o ritmo positivo. No primeiro trimestre, o Brasil embarcou 392,2 mil toneladas de carne suína, avanço de 16,5% sobre igual período de 2025. A receita no intervalo somou US$ 916 milhões, alta de 16,1%. Em março, os embarques chegaram a 153,8 mil toneladas, maior volume mensal da série, com receita de US$ 361,6 milhões. Santa Catarina também liderou as exportações no mês, com 71 mil toneladas, seguida por Rio Grande do Sul e Paraná.

A projeção da FGV indica que a expansão não ficará restrita ao eixo tradicional. A maior parte do crescimento continuará no Sul, mas estados fora da rota clássica da suinocultura devem ganhar espaço. Roraima pode chegar a 247 mil cabeças, avanço de 222% frente a 2019, enquanto Pernambuco deve dobrar o plantel, alcançando 1,7 milhão de animais. A interiorização da atividade reduz a dependência do Centro-Sul e aproxima a produção de novos mercados consumidores.

O crescimento, porém, não garante margem automaticamente. Entre julho de 2010 e maio de 2025, o preço médio do suíno subiu 237%, acima da inflação medida pelo Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna (IGP-DI), que avançou 176% no período, segundo os dados do estudo. Ainda assim, o produtor seguiu exposto à oscilação dos grãos. A alimentação representa a maior parcela do custo de produção, e qualquer alta do milho ou do farelo de soja reduz rapidamente a rentabilidade da granja.

Além da conta econômica, há pressão ambiental. A expansão do rebanho aumenta o volume de dejetos e as emissões de metano, o que torna o uso de biodigestores uma alternativa cada vez mais importante. A tecnologia permite transformar resíduos em biogás, energia e biofertilizantes, reduzindo passivos ambientais e criando uma nova fonte de receita. Levantamentos da Embrapa apontam que os custos de produção de suínos voltaram a subir em 2025, reforçando a necessidade de eficiência dentro da propriedade.

A tendência é que a suinocultura brasileira avance apoiada em três pilares: demanda interna por proteína mais acessível, diversificação dos mercados externos e maior profissionalização das granjas. Para o produtor, o desafio será transformar crescimento de rebanho em renda. Isso dependerá menos do número de animais alojados e mais da capacidade de controlar custo, aproveitar dejetos, melhorar conversão alimentar e acessar mercados que paguem melhor pela proteína brasileira.

Fonte: Pensar Agro



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Agro brasileiro mira novos mercados e investimentos na produção de energia

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A expansão dos biocombustíveis está transformando o mercado de produtos agrícolas no Brasil. Além de abastecer a indústria de alimentos e as exportações, milho, cana-de-açúcar, soja e resíduos da pecuária ganham espaço na produção de energia. Esse movimento amplia as possibilidades de comercialização para o produtor rural, mas também exige investimentos, infraestrutura e regras capazes de sustentar o crescimento da atividade.

O futuro desse mercado está no centro das discussões do Fórum Planeta Campo 2026, iniciado nesta sexta-feira (06.11), em São Paulo. Representantes da agropecuária, da indústria e do Congresso Nacional discutem como o Brasil poderá aproveitar sua experiência na produção de etanol e biodiesel para ampliar a participação em segmentos como biometano e combustível sustentável de aviação.

A dimensão econômica dessa transformação já aparece nas estatísticas. Segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a produção brasileira de etanol deverá alcançar 41,88 bilhões de litros na safra 2026/27, crescimento estimado de 11,7% em relação ao ciclo anterior. O avanço é impulsionado pela demanda por combustíveis renováveis e pela ampliação da capacidade industrial.

O milho ocupa uma posição cada vez mais importante nesse cenário. A produção de etanol a partir do cereal foi estimada pela Conab em 10,17 bilhões de litros na safra 2025/26, aumento de 29,8% sobre o ciclo anterior. Para regiões produtoras do Centro-Oeste, a expansão das usinas representa uma alternativa de comercialização, especialmente em períodos de grande oferta e pressão sobre os preços dos grãos.

A indústria também cria oportunidades para a pecuária. O processamento do milho gera coprodutos utilizados na alimentação animal, enquanto resíduos de atividades agropecuárias podem servir de matéria-prima para biogás e biometano. O aproveitamento desses materiais permite integrar diferentes atividades e agregar valor à produção, embora os resultados dependam dos custos e da escala dos empreendimentos.

Durante a abertura do fórum, o presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp), Tirso Meirelles, defendeu um planejamento estratégico de 20 a 30 anos para orientar os investimentos em tecnologia e pesquisa. O dirigente lembrou que a experiência brasileira com o etanol demonstra a importância de políticas de longo prazo para o desenvolvimento industrial.

A necessidade de ampliar a presença brasileira no mercado internacional também foi abordada pelo presidente global da JBS, Gilberto Tomazoni. Ele destacou que a busca de diferentes países por segurança alimentar e energética cria oportunidades para parcerias comerciais e industriais. Nesse ambiente, a rastreabilidade e a comprovação de práticas sustentáveis passam a ter importância crescente para a competitividade das exportações.

No Congresso, o debate envolve a construção de condições para novos investimentos. O presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), deputado Pedro Lupion, defendeu incentivos à produção de combustíveis renováveis e avanços na legislação. A previsibilidade das regras é considerada um dos fatores necessários para viabilizar projetos industriais de grande porte, que exigem financiamento e têm retorno de longo prazo.

A ampliação do mercado, entretanto, não significa valorização automática dos produtos agrícolas. A rentabilidade dependerá da localização das usinas, dos custos de transporte, da concorrência entre compradores e dos preços pagos pelas matérias-primas. Em regiões distantes das unidades industriais, as despesas logísticas continuarão sendo decisivas para o resultado do produtor.

O crescimento da bioenergia também coloca em discussão a capacidade de conciliar a produção de alimentos, a demanda industrial e as exigências ambientais dos mercados consumidores. O desafio será ampliar o aproveitamento da produção existente, incorporar novas tecnologias e assegurar que os ganhos econômicos alcancem diferentes perfis de produtores.

Mais do que aumentar a fabricação de combustíveis, o Brasil terá de desenvolver cadeias produtivas capazes de transformar matérias-primas agrícolas em produtos de maior valor. Para o campo, a principal oportunidade está na diversificação dos compradores e na possibilidade de participar de um mercado energético que tende a ganhar importância nas próximas décadas.

Fonte: Pensar Agro



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