Opinião
Cuidado bucal previne doenças cardíacas
Opinião
Por Sandro Franco*
Apesar de parecer um ato simples, até comum, cuidar da saúde bucal é de extrema importância para nos manter longe dos problemas cardíacos. Um estudo realizado pelo Instituto do Coração (Incor) salienta que a falta de tratamento dentário adequado pode causar graves consequências que põem a vida do paciente em risco. O documento indica que cerca de 45% das doenças cardiovasculares e 36% das mortes por problemas do coração são originárias das moléstias periodontais.
Essa relação direta entre o coração e a boca ocorre por meio da corrente sanguínea. Quando doenças inflamatórias atingem os tecidos de suporte e de sustentação dos dentes (periodontais) ou há cáries, microrganismos podem se espalhar pelo corpo abrindo espaço para o surgimento de patologias sistêmicas como a aterosclerose (acúmulo de placas de gordura nas artérias que provocam obstrução), endocardite (infecção do revestimento interno do coração), a formação de coágulos e acidente vascular cerebral (AVC), entre outras.
A higienização correta é primordial para a manutenção da saúde bucal e cardíaca. O estudo “Risco de Aterosclerose em Comunidades (ARIC)” divulgado pela Universidade da Carolina do Sul (EUA) indica que o uso regular de fio dental, pelo menos uma vez na semana, pode estar relacionado a menor risco da ocorrência de AVC e fibrilação arterial (batimento cardíaco irregular e acelerado).
A pesquisa respondida por mais de seis mil pessoas constatou que o uso do acessório de limpeza dos dentes reduz a chance do acidente vascular cerebral, por exemplo, porque diminui infecções e inflamações orais.
Conforme a investigação científica, entre os indivíduos que fizeram uso do fio dental durante o período de estudo, 4.092 não sofreram AVC e 4.050 não receberam diagnóstico de fibrilação atrial.
Reincidência – Conservar a saúde bucal também pode prevenir um segundo AVC, de acordo com uma pesquisa apresentada na Conferência Internacional sobre AVCs da American Heart Association.
Pacientes acometidos pelo acidente vascular têm menor possibilidade de repetir o evento se mantiverem os tratamentos odontológicos em dia, já que com essa medida evita a ocorrência das doenças periodontais.
Estudos preliminares também sugerem a queda da pressão arterial e redução de colesterol nos pacientes que adotaram a higiene e tratamento odontológico permanente. Porém pesquisas mais abrangentes serão iniciadas em breve.
Prevenção oral – Para prevenir doenças que afetam gengivas e dentes, o ideal é efetuar a escovação dos dentes ao menos três vezes ao dia e utilizar o fio dental regularmente.
*Sandro Franco é médico cardiologista e intensivista do Hospital São Mateus de Cuiabá
Opinião
O empresário vai pagar a conta? Os desafios econômicos após as eleições
O resultado das eleições de 2026 abrirá uma nova etapa para a economia brasileira. A partir de 2027, as decisões do governo eleito, a atuação do Congresso Nacional e as condições do cenário internacional poderão influenciar os juros, a inflação, o crédito e o ambiente de negócios.
Para o empresário, compreender esses movimentos é essencial. As decisões econômicas podem repercutir no custo de financiamento, nas margens operacionais, na demanda e na capacidade de cumprir obrigações financeiras.
A trajetória das contas públicas influencia as expectativas de investidores e a percepção de risco do país. O crescimento da dívida e a credibilidade das medidas fiscais podem pressionar os juros de longo prazo e afetar as condições de financiamento das empresas. Esses efeitos, contudo, dependem de fatores como a política monetária, o cenário internacional e a confiança dos agentes econômicos.
Quando o crédito fica mais caro ou restrito, empresas que dependem de capital de giro ou de financiamento para investir podem enfrentar maior pressão sobre o caixa. A inflação também merece atenção, pois o aumento dos custos operacionais nem sempre pode ser repassado integralmente aos clientes.
Os impactos podem variar conforme a atividade econômica. No agronegócio, o intervalo entre os investimentos na produção e a comercialização pode gerar descompassos entre receitas e vencimentos. Oscilações nos preços dos insumos, nas commodities e nas condições de crédito podem comprometer o planejamento financeiro.
Na indústria, o custo das matérias-primas e o financiamento da produção afetam as margens. No comércio e nos serviços, a redução da demanda, o aumento das despesas e os atrasos nos recebimentos podem comprometer a liquidez.
É nesse contexto que surge a pergunta central: o empresário vai pagar a conta? Embora não seja possível antecipar os efeitos das decisões do próximo governo, os custos de eventuais desequilíbrios econômicos podem chegar ao setor produtivo por meio do crédito, dos preços e da redução das margens. A intensidade desse impacto dependerá da exposição de cada empresa e de sua capacidade de absorver mudanças no cenário econômico.
Por isso, o planejamento precisa considerar diferentes cenários, incluindo a capacidade de pagamento, o perfil das dívidas e a necessidade de capital de giro.
O endividamento, por si só, não representa um problema. O risco surge quando o custo, o volume ou o prazo das obrigações deixa de ser compatível com a geração de caixa. Nessa situação, a empresa pode comprometer pagamentos essenciais e depender de novos empréstimos para honrar dívidas anteriores.
Identificar esses sinais permite avaliar alternativas antes que as dificuldades se agravem. A Recuperação Judicial, prevista na Lei nº 11.101/2005 e suas alterações, pode viabilizar a reorganização de empresas que atendam aos requisitos legais. Sua adequação depende da situação financeira, da composição do passivo e da viabilidade da atividade. A renegociação extrajudicial também pode ser considerada, conforme as circunstâncias.
O conhecimento em Direito Empresarial, com destaque para Recuperação Judicial, reestruturação de empresas e questões relacionadas ao agronegócio já demonstrou a necessidadede uma estratégia adequada. A análise jurídica permite examinar obrigações, garantias e alternativas de reorganização de acordo com a realidade de cada negócio.
Os efeitos do período pós-eleitoral dependerão das decisões implementadas e das condições econômicas. Para o empresário, acompanhar esse cenário é importante, mas conhecer a própria exposição financeira e avaliar os riscos com antecedência pode ser determinante para preservar a atividade e orientar decisões em momentos de incerteza.
*MARCO AURÉLIO MESTRE MEDEIROS é advogado, especialista em recuperação judicial de empresas, sócio-fundador do Mestre Medeiros Advogados Associados, com atuação nacional, secretário-geral da Comissão Especial de Falências e Recuperação Judicial do Conselho Federal da OAB e Diretor Administrativo do Instituto Brasileiro de Insolvência – IBAJUD. Membro da Comissão Estadual de Falência e Recuperação de Empresa da OAB-MT e da Comissão de Falência e Recuperação Judicial da OAB-MS
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