VÁRZEA GRANDE
Prefeitura realiza trabalho inédito para avaliar transporte público
Secretaria de Serviços Públicos está ouvindo a população que passa pelo Terminal André Maggi com objetivo de tornar o serviço mais eficiente e confortável
Política
A rotina de quem frequenta diariamente o terminal intermunicipal “André Maggi”, em Várzea Grande, está ganhando atenção especial. Durante todo o mês de janeiro, uma pesquisa inédita está sendo realizada no local pela secretaria municipal de Serviços Públicos e Mobilidade Urbana. O objetivo? Escutar a população, identificar problemas e transformar o transporte público em um serviço mais eficiente, seguro e confortável.
De acordo com o secretário municipal de Serviços Públicos e Mobilidade Urbana, Gerson Ronei Scarton Júnior, o principal foco é dar voz aos usuários. “O transporte público é parte essencial da vida de milhares de pessoas. Queremos entender as reais necessidades dos passageiros para oferecer um serviço que realmente faça a diferença no dia a dia de quem depende dele”, afirma.
O levantamento – que mensura a qualidade dos serviços -, que está sendo feito pelos agentes de trânsito, busca levantar informações sobre diversos aspectos, desde a estrutura do terminal até a qualidade da frota, horários e tempo de espera. A coordenadora regional de Serviços Públicos, Ana Paula Morcillo, explica que a pesquisa é uma oportunidade de resolver problemas antigos de forma mais efetiva.

SECOM/VG
“Desde que assumimos, recebemos muitas reclamações sobre o transporte: ônibus antigos, atrasos e até a estrutura do terminal. Com a pesquisa, poderemos trabalhar diretamente nos pontos que mais incomodam a população. Utilizar melhor os recursos públicos, e, o que for de responsabilidade da secretaria, vamos agir, o que for da União Transportes, vamos cobrar soluções rápidas”, garantiu Ana Paula.
Ela também destacou que a gestão do terminal é compartilhada entre a prefeitura – que cuida da limpeza e organização das plataformas, banheiros, entorno – e a União Transportes – responsável pela frota e as linhas. “É um trabalho conjunto, todos estamos empenhados em melhorar a experiência do usuário”, afirmou.
PARA A PRÁTICA – Além de identificar os problemas, a pesquisa permitirá que os recursos públicos sejam aplicados com mais eficiência, beneficiando diretamente a população. “Nossa prioridade é atender as pessoas da melhor maneira possível, e isso só será possível entendendo suas dores e demandas”, reforçou o secretário adjunto de Serviços Públicos, José Carlos.
Os resultados da pesquisa devem ser divulgados em fevereiro, e a partir daí as ações começarão a ser implementadas. “Queremos, acima de tudo, garantir um transporte público mais seguro e acessível para quem usa o sistema todos os dias. A opinião da população é a base de todo esse trabalho e a pesquisa representa mais do que números será um passo importante para colocar os usuários no centro das decisões e transformar o transporte público em um serviço. digno e eficiente para todos”, pontuou o gestor.
RAFAELA MAXIMIANO
Política
Flávia Moretti veta passe livre para autistas e pessoas com fibromialgia em Várzea Grande
A prefeita de Várzea Grande, Flávia Moretti (PL), vetou integralmente o projeto de lei que ampliava o acesso ao transporte coletivo gratuito para pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) e fibromialgia. A proposta, aprovada pela Câmara Municipal, também previa a concessão do benefício a acompanhantes quando houvesse necessidade comprovada.
O veto foi publicado na terça-feira (20) no Jornal Oficial Eletrônico dos Municípios de Mato Grosso. A decisão atinge o Projeto de Lei nº 211/2026, de autoria do vereador Miguel Angel Claros Paz Junior, que alterava a Lei Municipal nº 4.478/2019, responsável por regulamentar a gratuidade no transporte para pessoas de baixa renda com transtornos mentais em tratamento nos Centros de Atenção Psicossocial (Caps).
Com a mudança proposta pelos vereadores, pessoas com autismo e fibromialgia poderiam solicitar o benefício mediante apresentação de documentação médica e parecer social, conforme os critérios previstos na legislação.
A justificativa do Executivo para barrar a medida é a ausência de definição sobre a origem dos recursos necessários para financiar a ampliação do passe livre, além de questionamentos sobre os cálculos apresentados para estimar os custos da proposta.
Durante a tramitação do projeto, foi apresentada uma estimativa de impacto financeiro de R$ 83,6 mil mensais, o equivalente a R$ 1.003.200 por ano. O cálculo considerou 380 cartões de transporte, uma média de 44 viagens mensais por beneficiário e tarifa de referência de R$ 5.
Embora a Procuradoria Legislativa tenha reconhecido que a operação matemática estava correta, o parecer técnico apontou falta de informações que comprovassem os números utilizados. Entre as dúvidas estão a quantidade real de beneficiários, a frequência de uso dos ônibus e o número de acompanhantes que poderiam receber a gratuidade.
A análise também destacou a ausência de estudos sobre os efeitos da ampliação do benefício nos contratos do transporte coletivo e sobre a eventual necessidade de compensação financeira à empresa responsável pelo serviço.
Outro questionamento envolve a compatibilidade da despesa com o Plano Plurianual (PPA), a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) e a Lei Orçamentária Anual (LOA).
Critérios para concessão também foram questionados
Além das questões financeiras, o parecer jurídico apontou dúvidas sobre os critérios de acesso ao benefício. A legislação original estabelece requisitos relacionados à baixa renda e ao acompanhamento pelos Caps, mas o projeto não teria esclarecido suficientemente como essas exigências seriam aplicadas às pessoas com autismo e fibromialgia.
Também foram levantadas questões sobre os profissionais habilitados a emitir os documentos exigidos, a necessidade de parecer social e os procedimentos para comprovar que o beneficiário precisa de acompanhante.
Apesar das ressalvas, a análise reconheceu a finalidade social da proposta e a competência da Câmara Municipal para legislar sobre a ampliação de benefícios no transporte público.
Na justificativa do veto, assinada em 14 de outubro, Flávia Moretti considerou que os problemas identificados comprometiam o projeto como um todo. Por esse motivo, optou por vetar integralmente o texto, em vez de barrar apenas parte dos dispositivos.
A Prefeitura indicou que uma nova proposta poderá ser apresentada, desde que inclua estimativa de impacto financeiro, fonte de custeio definida e critérios objetivos para a concessão da gratuidade.
Câmara poderá derrubar veto
Com o veto integral, a ampliação do passe livre prevista no projeto não entra em vigor neste momento. A decisão será encaminhada à Câmara Municipal, que poderá manter o veto da prefeita ou rejeitá-lo, conforme as regras do processo legislativo.
O impasse coloca em discussão tanto a ampliação do acesso ao transporte público para pessoas com autismo e fibromialgia quanto a definição de como o benefício seria financiado pelo município.
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