ASSEMBLEIA LEGISLATIVA
Em nova temporada, programa Palavra Literária homenageia autores in memoriam
Novos episódios começam a ser exibidos no próximo dia 8; Manoel de Barros e outros escritores serão tema dos capítulos
Política
Na 6ª temporada do programa Palavra Literária, o público poderá revisitar o passado ao mesmo tempo em que acompanha debates sobre questões muito atuais. Os novos 11 episódios vão homenagear in memoriam autores e autoras que fizeram história em Mato Grosso com ações e obras que conversam diretamente com os dias de hoje. O capítulo de estreia tratará do poeta Manoel de Barros e irá ao ar no dia 8 de fevereiro pela TV Assembleia (canal 30.1 na região metropolitana de Cuiabá e 9.2 no interior).
Sem a presença física dos escritores para discutir a própria obra, a aposta foi no convite a pessoas que conviveram com os autores. Também participam dos episódios, especialistas na bibliografia dos nomes selecionados, conforme adianta o diretor da atração, José Augusto Filho. “No primeiro bloco algum familiar ou amigo próximo fala sobre os hobbies, jeito de pensar, rotina [do homenageado]. Tudo isso ilustrado com fotos, vídeos, objetos trazidos pelos entrevistados. No segundo, tratamos da obra do autor, publicações, sempre com um convidado com profundo conhecimento sobre o escritor. Esse bloco é ilustrado com leituras, frases e pensamentos sobre a obra”.
“No bloco três são abordados os desdobramentos da obra do autor, o que a obra provocou nas pessoas. Por exemplo, no programa do poeta Antônio Sodré, o Sodrezinho, trouxemos os jornalistas Lidiane Barros e Protásio de Moraes, responsáveis por um documentário sobre a obra do poeta”, completa o diretor. A produção é de Bruna Obadowski.
O secretário adjunto de Comunicação da Assembleia Legislativa, Everaldo Jota, destaca que as homenagens não apenas preservam a memória, mas também fortalecem as raízes culturais de Mato Grosso, inspirando futuros escritores e garantindo que a riqueza de nossas histórias nunca seja esquecida.
“Homenagear grandes nomes da literatura regional que já faleceram é um ato de resgate e valorização da identidade cultural de um povo. Essas homenagens preservam a memória coletiva, inspiram novas gerações e reafirmam que a riqueza de uma região não está apenas em sua geografia, mas na profundidade de suas narrativas e na alma de seus escritores”, justifica.
Integrantes da Comissão de Audiovisual da Assembleia Legislativa, as servidoras Larissa Campos e Noemia Almeida chegaram aos onze nomes de escritores homenageados pela relevância do que produziram para Mato Grosso e disponibilidade de entrevistados que ajudassem a lembrar dessas personalidades. “São pessoas que consolidaram os movimentos daqui. Alguns ali [que não nasceram em Mato Grosso] nem escreviam, eles passaram a escrever aqui. Fizeram parte de movimentos literários aqui em Cuiabá ou no estado, vários compuseram a Academia de Letras”, explica Larissa Campos.
“Em um episódio sobre a Tereza Albues, de quando eu terminei de ler ‘A travessia dos sempre vivos’, fiquei muito impressionada. Está dentro totalmente do que a gente entende de literatura brasileira contemporânea. Tem algo muito parecido com o que está vendendo hoje e a ela no começo da década de 1990 já vinha escrevendo isso”, lembra Campos. “Tem também o caso do Ricardo Guilherme Dicke e do Wlademir Dias-Pino, que só foram reconhecidos pós-morte. O Dicke foi premiado fora daqui. Mato Grosso não conhecia. Então, essa é a importância do Palavra Literária. Esta temporada faz esse resgate, valorizando e contando essa história e divulgando esses autores”, complementa Noemia Almeida.
Pesquisadora, professora e filha de Silva Freire, Larissa Silva Freire, está entre os convidados desta temporada. “Foi muito importante participar, porque ajuda muito a divulgar a obra dele. Ele foi um autor conhecido, mas a obra dele tem pouca leitura. Eu me emocionei também. Quando você lê o texto, a palavra, parece que você dá vida para a pessoa”, resume a diretora da Casa Silva Freire, onde estão disponíveis obras tanto do escritor que dá nome ao espaço, como de outros autores. Estão entre os temas abordados no capítulo dedicado a Silva Freire, a perseguição sofrida durante a ditadura militar e participação do poeta e advogado no Intensivismo, manifestação literária e cultural reconhecida por lei proposta e aprovada pelo Parlamento Estadual.
Estreante na apresentação do Palavra Literária, a historiadora e escritora Cris Soares considera esta temporada especial por resgatar autores já falecidos e que se dedicaram a refletir sobre o estado. “A maioria deles contam um pouco sobre Mato Grosso, um Mato Grosso que nós não conhecíamos, que eles ajudaram a construir. Esses autores nos fazem apaixonar ainda mais pelo nosso estado e revelam também um lado crítico, um Mato Grosso que precisa de mais atenção. Revelam também que não temos necessidade de buscar referências em outros estados, quando temos em nossa história escritores tão brilhantes. Palavra Literária “In memoriam” é uma temporada que tem muito a nos ensinar”, afirma.
Cada programa tem duração de cerca de 30 minutos. Os episódios vão ao ar pela TV Assembleia. Os vídeos também são disponibilizados no canal da TVAL no YouTube. Acesse aqui a playlist do programa Palavra Literária.
Veja abaixo a lista dos autores homenageados nos onze episódios da 6ª temporada:
– Airton Reis
– Antonio Sodré
– Ivens Scaff
– Manoel de Barros
– Marília Beatriz
– Pedro Casaldáliga
– Ricardo Guilherme Dicke
– Santiago Villela Marques
– Silva Freire
– Tereza Albues
– Wlademir Dias-Pino
POR INGRIDY PEIXOTO / SECRETARIA DE COMUNICAÇÃO SOCIAL
Secretaria de Comunicação Social
Política
Flávia Moretti veta passe livre para autistas e pessoas com fibromialgia em Várzea Grande
A prefeita de Várzea Grande, Flávia Moretti (PL), vetou integralmente o projeto de lei que ampliava o acesso ao transporte coletivo gratuito para pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) e fibromialgia. A proposta, aprovada pela Câmara Municipal, também previa a concessão do benefício a acompanhantes quando houvesse necessidade comprovada.
O veto foi publicado na terça-feira (20) no Jornal Oficial Eletrônico dos Municípios de Mato Grosso. A decisão atinge o Projeto de Lei nº 211/2026, de autoria do vereador Miguel Angel Claros Paz Junior, que alterava a Lei Municipal nº 4.478/2019, responsável por regulamentar a gratuidade no transporte para pessoas de baixa renda com transtornos mentais em tratamento nos Centros de Atenção Psicossocial (Caps).
Com a mudança proposta pelos vereadores, pessoas com autismo e fibromialgia poderiam solicitar o benefício mediante apresentação de documentação médica e parecer social, conforme os critérios previstos na legislação.
A justificativa do Executivo para barrar a medida é a ausência de definição sobre a origem dos recursos necessários para financiar a ampliação do passe livre, além de questionamentos sobre os cálculos apresentados para estimar os custos da proposta.
Durante a tramitação do projeto, foi apresentada uma estimativa de impacto financeiro de R$ 83,6 mil mensais, o equivalente a R$ 1.003.200 por ano. O cálculo considerou 380 cartões de transporte, uma média de 44 viagens mensais por beneficiário e tarifa de referência de R$ 5.
Embora a Procuradoria Legislativa tenha reconhecido que a operação matemática estava correta, o parecer técnico apontou falta de informações que comprovassem os números utilizados. Entre as dúvidas estão a quantidade real de beneficiários, a frequência de uso dos ônibus e o número de acompanhantes que poderiam receber a gratuidade.
A análise também destacou a ausência de estudos sobre os efeitos da ampliação do benefício nos contratos do transporte coletivo e sobre a eventual necessidade de compensação financeira à empresa responsável pelo serviço.
Outro questionamento envolve a compatibilidade da despesa com o Plano Plurianual (PPA), a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) e a Lei Orçamentária Anual (LOA).
Critérios para concessão também foram questionados
Além das questões financeiras, o parecer jurídico apontou dúvidas sobre os critérios de acesso ao benefício. A legislação original estabelece requisitos relacionados à baixa renda e ao acompanhamento pelos Caps, mas o projeto não teria esclarecido suficientemente como essas exigências seriam aplicadas às pessoas com autismo e fibromialgia.
Também foram levantadas questões sobre os profissionais habilitados a emitir os documentos exigidos, a necessidade de parecer social e os procedimentos para comprovar que o beneficiário precisa de acompanhante.
Apesar das ressalvas, a análise reconheceu a finalidade social da proposta e a competência da Câmara Municipal para legislar sobre a ampliação de benefícios no transporte público.
Na justificativa do veto, assinada em 14 de outubro, Flávia Moretti considerou que os problemas identificados comprometiam o projeto como um todo. Por esse motivo, optou por vetar integralmente o texto, em vez de barrar apenas parte dos dispositivos.
A Prefeitura indicou que uma nova proposta poderá ser apresentada, desde que inclua estimativa de impacto financeiro, fonte de custeio definida e critérios objetivos para a concessão da gratuidade.
Câmara poderá derrubar veto
Com o veto integral, a ampliação do passe livre prevista no projeto não entra em vigor neste momento. A decisão será encaminhada à Câmara Municipal, que poderá manter o veto da prefeita ou rejeitá-lo, conforme as regras do processo legislativo.
O impasse coloca em discussão tanto a ampliação do acesso ao transporte público para pessoas com autismo e fibromialgia quanto a definição de como o benefício seria financiado pelo município.
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