PRÉDIO DO ANTIGO FÓRUM DE VG
“Pessoas precisam ter palavra”, dispara Wanderley Cerqueira sobre revogação de decreto
Wanderley Cerqueira afirmou que a revogação do decreto equivale a uma rasteira surpresa nos representantes populares. “A prefeita [Moretti] pode ceder aquele prédio [do Fórum do VG] a quem quiser. Suas justificativas não procedem. Mesmo porque o setor de armamento é separado do prédio principal”
Política
Em tom de visível desencanto, mas também com dedo crítico, o presidente do Legislativo de Várzea Grande, vereador Wanderley Cerqueira, MDB, disse estar desapontado com a revogação do decreto de cessão do prédio do antigo fórum de VG à Câmara Municipal local. Ele não fez rodeios para dizer que a prefeita Flávia Moretti não cumpriu sua palavra ao determinar isso, fato que considera primordial não a qualquer gestor, mas a todos os cidadãos.
“Eu, Wanderley Cerqueira, tenho palavra. Se afirmo algo, aquilo vai ser cumprido. Agora, revogar um decreto que resolveria de vez o problema das instalações da Câmara Municipal de Várzea Grande, decididamente foi algo desleal para com os representantes populares e com a própria população”.
Conforme o dirigente do Parlamento, o aluguel do atual prédio está orçado em R$ 66 mil reais/mensais, o que equivale a um gasto de quase um R$ 1 milhão/ano. Recurso, cita, que poderia estar sendo direcionado para atender áreas sociais do município.
“Nesse imóvel que ocupamos, torna-se inviável a mobilidade de cadeirantes. Como subir as escadas de aço? Nós queremos mudar, sim, a fim de facultar maior conforto aos parlamentares/servidores e ao povo, em geral. Ao revogar o decreto, a prefeita nos pegou de surpresa. Uma surpresa bem desagradável, diga-se de passagem. O porquê disso, desconhecemos, pois a destinação desse prédio do fórum agora é de competência da Prefeitura, não do Judiciário. Volto a frisar: as pessoas devem ter palavra, manter aquilo que prometeram”.
No próximo dia 20.02, informa, vence o prazo [contrato] de permanência do Legislativo no atual espaço na Avenida Alzira Santana. Wanderley garante já ter algum outro imóvel em vista, com contatos adiantados com o proprietário.
“Nós vamos sediar a Câmara Municipal em imóvel da área central, no bairro Água Limpa. Estamos em processo de acordo em relação aos custos de locação. No caso do prédio antigo do Fórum de VG, ali seria realmente ideal para que pudéssemos desenvolver as atividades de forma mais abrangente, a exemplo da instituição da Sala da Mulher, onde teríamos cursos profissionalizantes e uma série de atividades. O Legislativo estaria então apto a realizar um trabalho social fantástico junto à população”.
Política
Flávia Moretti veta passe livre para autistas e pessoas com fibromialgia em Várzea Grande
A prefeita de Várzea Grande, Flávia Moretti (PL), vetou integralmente o projeto de lei que ampliava o acesso ao transporte coletivo gratuito para pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) e fibromialgia. A proposta, aprovada pela Câmara Municipal, também previa a concessão do benefício a acompanhantes quando houvesse necessidade comprovada.
O veto foi publicado na terça-feira (20) no Jornal Oficial Eletrônico dos Municípios de Mato Grosso. A decisão atinge o Projeto de Lei nº 211/2026, de autoria do vereador Miguel Angel Claros Paz Junior, que alterava a Lei Municipal nº 4.478/2019, responsável por regulamentar a gratuidade no transporte para pessoas de baixa renda com transtornos mentais em tratamento nos Centros de Atenção Psicossocial (Caps).
Com a mudança proposta pelos vereadores, pessoas com autismo e fibromialgia poderiam solicitar o benefício mediante apresentação de documentação médica e parecer social, conforme os critérios previstos na legislação.
A justificativa do Executivo para barrar a medida é a ausência de definição sobre a origem dos recursos necessários para financiar a ampliação do passe livre, além de questionamentos sobre os cálculos apresentados para estimar os custos da proposta.
Durante a tramitação do projeto, foi apresentada uma estimativa de impacto financeiro de R$ 83,6 mil mensais, o equivalente a R$ 1.003.200 por ano. O cálculo considerou 380 cartões de transporte, uma média de 44 viagens mensais por beneficiário e tarifa de referência de R$ 5.
Embora a Procuradoria Legislativa tenha reconhecido que a operação matemática estava correta, o parecer técnico apontou falta de informações que comprovassem os números utilizados. Entre as dúvidas estão a quantidade real de beneficiários, a frequência de uso dos ônibus e o número de acompanhantes que poderiam receber a gratuidade.
A análise também destacou a ausência de estudos sobre os efeitos da ampliação do benefício nos contratos do transporte coletivo e sobre a eventual necessidade de compensação financeira à empresa responsável pelo serviço.
Outro questionamento envolve a compatibilidade da despesa com o Plano Plurianual (PPA), a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) e a Lei Orçamentária Anual (LOA).
Critérios para concessão também foram questionados
Além das questões financeiras, o parecer jurídico apontou dúvidas sobre os critérios de acesso ao benefício. A legislação original estabelece requisitos relacionados à baixa renda e ao acompanhamento pelos Caps, mas o projeto não teria esclarecido suficientemente como essas exigências seriam aplicadas às pessoas com autismo e fibromialgia.
Também foram levantadas questões sobre os profissionais habilitados a emitir os documentos exigidos, a necessidade de parecer social e os procedimentos para comprovar que o beneficiário precisa de acompanhante.
Apesar das ressalvas, a análise reconheceu a finalidade social da proposta e a competência da Câmara Municipal para legislar sobre a ampliação de benefícios no transporte público.
Na justificativa do veto, assinada em 14 de outubro, Flávia Moretti considerou que os problemas identificados comprometiam o projeto como um todo. Por esse motivo, optou por vetar integralmente o texto, em vez de barrar apenas parte dos dispositivos.
A Prefeitura indicou que uma nova proposta poderá ser apresentada, desde que inclua estimativa de impacto financeiro, fonte de custeio definida e critérios objetivos para a concessão da gratuidade.
Câmara poderá derrubar veto
Com o veto integral, a ampliação do passe livre prevista no projeto não entra em vigor neste momento. A decisão será encaminhada à Câmara Municipal, que poderá manter o veto da prefeita ou rejeitá-lo, conforme as regras do processo legislativo.
O impasse coloca em discussão tanto a ampliação do acesso ao transporte público para pessoas com autismo e fibromialgia quanto a definição de como o benefício seria financiado pelo município.
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