BRIGA INTERNA
Stopa dispara contra petistas e diz que quem apoiou Lula em MT foi o PV: “o PT não teve coragem”
Stopa: PT não consegue se entender nem entre eles, como vão se entender com os outros?
Política
Decididamente a ‘temperatura’ interna da Federação Brasil da Esperança, composta por PT, PV e PCdoB, anda ‘fumegante’ desde a escolha do deputado estadual Lúdio Cabral (PT) como pré-candidato à prefeitura de Cuiabá. Como já era esperado, essa decisão praticamente rachou o grupo, pois Cabral rivalizava diretamente com o vice-prefeito e secretário municipal de obras, José Roberto Stopa (PV).
Em entrevista recente nesta sexta-feira (5), Stopa criticou duramente o PT e afirmou diretamente que tem sido alvo de críticas por parte de alguns setores do Partido dos Trabalhadores. Ele rebateu dizendo que o partido enfrenta dificuldades de entendimento interno e que, por isso, tem problemas para dialogar com outros setores.
A declaração pode ser interpretada como uma tentativa do PT em obter o apoio dos vereadores do PV. No entanto, essa questão ainda não está resolvida. E pelo tom das declarações de Stopa, a possibilidade de Lúdio ter o partido em seu palanque está se tornando cada vez mais distante.
“Eu tenho recebido críticas de alguns setores do PT. Mas é normal. Eles não conseguem se entender nem entre eles, como vão se entender com os outros? Primeiramente, eles tem que se entenderem entre eles. Como eles não conseguem se entender entre eles, eu acho difícil eles se entenderem com os outros”, disse.
Stopa também, na mesma entrevista, acusou o PT de não ter tido a coragem de apoiar Lula em Mato Grosso durante as eleições presidenciais de 2022. Ele disse que essa missão foi feita apenas pelo seu partido, o PV.
“Mas nós temos a nossa consciência muito tranquila é preciso ressaltar: Quem representou o palanque do presidente Lula no estado de Mato Grosso foi o PV. Partido Verde do Estado de Mato Grosso, porque o PT não teve essa coragem”, disparou.
Há cerca de uma semana, no evento de lançamento oficial da pré-candidatura de Lúdio Cabral, o vereador Robinson Cireia (PT) foi questionado se os vereadores do PV seriam ‘forçados’ a apoiar o petista. Ele respondeu que sim, argumentando que, estando dentro da federação, é obrigatório que os partidos caminhem juntos. Hoje, o PV conta com dois parlamentares na Câmara Municipal de Cuiabá: Marcus Brito e Mario Nadaf.
Política
Eleitores aprovam mudanças territoriais em quatro municípios de MT
Eleitores de quatro municípios de Mato Grosso aprovaram, em plebiscitos realizados no domingo (25), propostas de mudanças nos limites territoriais de Poxoréu, Primavera do Leste, Colniza e Cotriguaçu. As consultas populares ocorreram durante o segundo turno das eleições presidenciais de 2026.
Apesar da aprovação nas urnas, as alterações não serão imediatas e dependerão da tramitação e votação de projetos de lei na Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT).
A expectativa é que o Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso (TRE) comunique oficialmente nos próximos dias os resultados à Comissão de Revisão Territorial dos Municípios e das Cidades, da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT). Após o recebimento das informações, serão elaborados e apresentados os projetos de lei necessários para dar continuidade ao processo de alteração dos limites municipais.
Nos municípios de Poxoréu e Primavera do Leste, a proposta de desmembramento do distrito de Nova Poxoréu, atualmente pertencente a Poxoréu, para sua incorporação à Primavera do Leste recebeu 41.590 votos favoráveis, o equivalente a 74,66% dos 55.706 votos válidos. Outros 14.116 eleitores, 25,34%, votaram contra a mudança.
Já em Colniza e Cotriguaçu, a proposta de transferir as ilhas de ocupação do Projeto de Assentamento Nova Cotriguaçu, atualmente vinculadas territorialmente a Colniza, para Cotriguaçu também obteve ampla aprovação. Foram registrados 17.723 votos favoráveis, correspondentes a 86,61% dos votos válidos, enquanto 2.739 eleitores, ou 13,39%, se manifestaram contrários à proposta. A abstenção foi de 6.446 eleitores.
O procurador-geral da ALMT, Ricardo Riva, explicou que a Lei Complementar Federal aprovada em 2026 criou as condições legais para que o estado possa promover alterações nos limites territoriais entre municípios. Segundo ele, antes da nova legislação, leis estaduais que tratavam do desmembramento de áreas municipais eram declaradas inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e pelo Tribunal de Justiça, devido à ausência de uma norma federal que regulamentasse o procedimento.
Ricardo Riva destacou que a realização de plebiscito, isoladamente, não era suficiente para viabilizar as mudanças territoriais. “O processo exige o cumprimento de etapas legais, que incluem estudo de viabilidade municipal, consulta à população por meio de plebiscito, observância da legislação complementar federal e aprovação de lei estadual para formalizar a alteração dos limites entre os municípios envolvidos”, afirmou o procurador.
Legislação – Mesmo com a aprovação popular, a redefinição dos limites municipais não ocorre automaticamente. Segundo o subprocurador da Assembleia Legislativa de Mato Grosso, Gabriel Machado dos Santos, caberá ao Parlamento estadual analisar e votar as propostas legislativas que formalizarão as mudanças e estabelecerão as condições administrativas decorrentes da nova configuração territorial.
Entre os aspectos que deverão ser considerados estão a delimitação das áreas transferidas, a responsabilidade pela prestação dos serviços públicos e os impactos financeiros e orçamentários para os municípios envolvidos.
“Depois do plebiscito, sendo aprovada a proposta, a Assembleia terá que regulamentar essas questões por meio de lei. É nessa fase que serão definidos os limites territoriais e analisados os impactos administrativos e orçamentários. Não é uma mudança automática. Existe um procedimento legal que precisa ser concluído para que a nova configuração territorial seja efetivada”, explicou o procurador.
O consultor de Serviços Legislativos, Gabriel Lucas Scardini Barros, afirmou que é preciso apresentar um projeto de lei para cada alteração territorial, com as modificações necessárias nas leis que estabelecem os limites dos municípios envolvidos.
As matérias seguirão a tramitação legislativa ordinária, sem prazo específico para aprovação ou previsão de urgência. Dessa forma, o resultado favorável nas urnas representa uma etapa importante do processo, mas não determina quando as mudanças serão efetivamente implementadas.
“Será apresentado um projeto de lei para cada alteração territorial, com a modificação das leis que estabelecem os limites dos municípios envolvidos. Não há previsão de urgência para a apreciação das matérias. Os projetos seguirão os procedimentos regimentais da Assembleia Legislativa”, explicou Gabriel Barros.
Fonte: ALMT – MT
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