PEDIDO NEGADO

Ministro nega acordo a mato-grossenses que participaram de manifestações públicas em Brasília

Alexandre de Moraes pontuou que não cabe ao STF obrigar o Ministério Público a oferecer o acordo

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Política

Agência Brasil

O ministro Alexandre de Moraes negou um pedido dos mato-grossenses Luane Vignaga Grotta e Rogério César Grotta, que buscavam um acordo de não persecução penal (ANPP) para se livrarem de julgamento pela participação nos manifestos públicos ocorridos em 8 de janeiro de 2023. Decisão foi publicada no Diário do Supremo Tribunal Federal (STF) desta quarta-feira (26)

Alexandre de Moraes pontuou que não cabe ao STF obrigar o Ministério Público a oferecer o acordo, assim como as circunstâncias não permitem a formalização do benefício.

A Procuradoria-Geral da República ofereceu denúncia contra Luane, Rogério e Juliano Antoniolli no dia 1º de abril de 2024 pelos crimes de associação criminosa armada, abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, deterioração de patrimônio tombado, concurso de pessoas, concurso material e dano qualificado pela violência e grave ameaça, contra o patrimônio da União e com considerável prejuízo para a vítima.

No último dia 24 de junho a defesa de Luane e Rogério informou o interesse em formalizar um ANPP. Eles pediram, entre outras coisas, “o recebimento do presente pedido com imediato encaminhamento ao Ministério Público Federal para que proponha o acordo de não persecução penal”.

O ministro Alexandre de Moraes, ao analisar o pedido, pontuou que eles já foram denunciados pelos crimes cometidos no dia 8 de janeiro de 2023 e que há provas suficientes da participação deles.

Em relação a Juliano e Luane, o magistrado destacou que o perfil @contragolpebrasil no Instagram reproduziu o conteúdo publicado pelos próprios denunciados no dia dos fatos, que tiveram seus perfis desativados. As informações sobre Rogério foram encontradas no celular de Luane, sendo ele o pai dela.

“Nas imagens, também encontradas a partir de pesquisas em fontes abertas, Juliano Antoniolli e Luane Vignaga Grotta aparecem no gramado e na rampa de acesso ao Congresso Nacional, no momento de sua invasão. Em uma das fotos, o casal está acompanhado também de Rogério César Grotta, reforçando a compreensão de que os três investigados compareceram juntos às manifestações ocorridas no dia 8.1.2023”.

Foi o Ministério Público de Mato Grosso que encaminhou relatórios à Polícia Federal identificando eles como sendo naturais de Mato Grosso.

Com relação ao ANPP, Moraes explicou que ele não é um direito garantido, mas sim uma opção que parte do Ministério Público.

“Essa opção ministerial encaixa-se dentro desse novo sistema acusatório, onde a obrigatoriedade da ação penal foi substituída pela discricionariedade mitigada; ou seja, respeitados os requisitos legais o Ministério Público poderá optar pelo oferecimento do acordo de não persecução penal […]. Esse novo sistema acusatório de discricionariedade mitigada não obriga o Ministério Público ao oferecimento do acordo de não persecução penal, tampouco garante ao acusado o direito subjetivo em realizá-lo”, esclareceu.

O ministro também considerou que as penas mínimas somadas dos denunciados ultrapassam 4 anos de prisão e, além disso, houve violência ou grave ameaça, o que revela ausência de dois requisitos para a celebração do acordo. Pontuou também que não cabe ao STF determinar que o MP ofereça o ANPP.

“Não cabe, inclusive, ao Poder Judiciário se imiscuir na esfera de atuação do órgão acusador, seja para obrigá-lo, seja para proibi-lo de oferecer o acordo de não persecução penal, por se tratar inclusive de instrumento extraprocessual, cabendo ao julgador apenas a verificação do atendimento aos requisitos legais, da voluntariedade do agente e da adequação, suficiência e proporcionalidade dos termos do acordo”, disse Moraes ao indeferir o pedido.

 

 

 

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Mauro Mendes considera “estranha” migração de votos para Lula após derrota de Flávio

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O senador eleito por Mato Grosso, Mauro Mendes (União Brasil), classificou como “muito estranha” a migração de votos no segundo turno da eleição presidencial, após a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre Flávio Bolsonaro (PL). Para o ex-governador, o comportamento do eleitorado contrariou suas expectativas, especialmente diante do perfil conservador de Mato Grosso.

“É muito estranho. Estado de direita como o nosso, o estado de Mato Grosso. A maior parte da migração dos votos do primeiro turno foi para ele”, declarou Mauro, ao comentar o resultado da votação realizada no domingo (25).

Apesar de questionar o cenário, o senador eleito afirmou que não pretende especular sobre as razões que levaram ao resultado. Ele destacou que não há elementos suficientes para atribuir a movimentação dos votos a uma causa específica.

“É algo que merece ser estudado e eu não vou fazer nenhuma ilação, muito menos afirmações”, afirmou.

Antes do encerramento da apuração, Mauro demonstrava confiança na vitória do candidato do PL. No domingo, ele chegou a projetar que Flávio Bolsonaro venceria a disputa presidencial com uma vantagem de quatro a cinco pontos percentuais. A previsão, no entanto, não se confirmou.

Lula foi reeleito com 51,79% dos votos válidos em âmbito nacional, enquanto Flávio obteve 48,21%, segundo os resultados divulgados após a apuração.

Em Mato Grosso, o cenário foi diferente. Flávio manteve ampla vantagem, com 66,06% dos votos válidos, contra 33,94% do petista. O resultado estadual, portanto, não acompanhou a tendência nacional apontada por Mauro ao comentar a migração de votos.

Lula ampliou votação em Mato Grosso

Embora tenha sido derrotado no estado, Lula recebeu mais votos no segundo turno do que na primeira etapa da eleição. O petista passou de 581.681 para 694.067 votos, um acréscimo de 112.386. Flávio também ampliou sua votação, passando de 1.298.581 para 1.350.912 votos.

Os números mostram que ambos cresceram em quantidade de votos entre os turnos, mas o aumento da votação de Lula foi maior em termos absolutos. Isso, isoladamente, não permite identificar de quais candidatos vieram os votos adicionais, já que a comparação também depende do comparecimento dos eleitores e de outros fatores eleitorais.

Senador diz que prioridade será trabalhar pelo país

Apesar da derrota de seu aliado, Mauro afirmou que pretende exercer o mandato no Senado com foco nas demandas nacionais, independentemente das divergências políticas com o presidente reeleito.

O senador eleito também manifestou preocupação com a situação fiscal do Brasil e com os desafios econômicos que, em sua avaliação, deverão ser enfrentados nos próximos anos. Entre os pontos citados estão o crescimento da dívida pública e o déficit da Previdência.

Mauro assumirá o mandato no Senado em fevereiro de 2027.



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