Nos Presídios
Desembargador diz que ‘generalato’ comanda o crime organizado das cadeias: ‘não é um problema fácil de ser resolvido’
Esse “generalato”, conforme o magistrado, consegue driblar o sistema penitenciário
Política
Quanto a dura realidade do avanço do poderio do Crime Organizado em Mato Grosso, principalmente, de dentro das penitenciárias, o desembargador Orlando Perri, do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), destaca que os principais nomes das facções criminosas em Mato Grosso, atualmente, comandam o crime de dentro das cadeias. Esse “generalato”, conforme o magistrado, consegue driblar o sistema penitenciário, tendo acesso a celulares, drogas e armas.
“Não é um problema fácil de ser resolvido. Não é um problema fácil. Veja vocês, é muito difícil nós controlarmos a entrada de drogas, de celulares, até de armas dentro do sistema prisional. Nós temos hoje o crime organizado tentando introduzir através de drones, através de mulas, através de corrupção de agentes penais”, avaliou o magistrado.
Conforme Perri, um celular dentro de uma unidade prisional vale aproximadamente R$ 20 mil. O valor elevado faz com que diversas pessoas se arrisquem a entrar no sistema penitenciário com aparelhos de comunicação. Ainda segundo o magistrado, os principais beneficiados são chefes de facções.
“Os líderes das nossas organizações criminosas estão dentro do presídio. Eu costumo dizer que o generalato do crime organizado não está aqui fora, não. Aqui nós temos soldados, cabos, sargentos, talvez até um capitão e um major do crime. Mas os generais estão dentro das nossas unidades prisionais. As unidades prisionais precisam ser controladas”.
O desembargador explicou que medidas estão sendo planejadas para conter o comando do crime de dentro da cadeia. “Nós vamos instalar aqui um sistema de monitoramento dentro das nossas unidades prisionais. Eu até tenho brincado dizendo o seguinte, vamos colocar câmeras até no banheiro, porque nós precisamos monitorar especialmente a entrada de drogas, armas e celulares. Se nós controlarmos a entrada de celulares, nós vamos silenciar o Generalato, o comando do crime organizado com os soldados aqui fora”, finalizou Perri.
Política
Fábio Garcia nega descumprir ordem do STF após encontro com Mauro
O deputado federal Fábio Garcia (União) negou ter violado a medida cautelar determinada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) após dividir o mesmo palanque com o ex-governador Mauro Mendes (União) durante um evento político em Sinop. Os dois são investigados na Operação Heritage e estão proibidos de manter contato por decisão do ministro Flávio Dino.
O encontro ocorreu na sexta-feira (4), durante o lançamento da candidatura à reeleição do deputado estadual Dilmar Dal Bosco (União). Fábio e Mauro estiveram no mesmo espaço e chegaram a se cumprimentar publicamente. Durante sua fala, Fábio também citou o ex-governador ao cumprimentar as autoridades presentes.
Questionado na terça-feira (8) sobre a situação, Fábio afirmou que está tranquilo e sustentou que a decisão judicial não determina uma distância física entre os investigados.
“A decisão diz que a gente não pode ter contato, não diz que a gente tem que ter uma distância de tantos metros um do outro”, afirmou.
O deputado também negou ter sido procurado pela Polícia Federal para prestar esclarecimentos sobre o episódio. “Bom, não fui chamado para nada. Sobre isso, nós estamos absolutamente tranquilos”, declarou.
Apesar da interpretação apresentada por Fábio, a Polícia Federal está analisando as imagens do evento para verificar se houve eventual descumprimento da cautelar. A decisão de Flávio Dino determina a proibição de contato entre os investigados, ressalvadas apenas as comunicações estritamente familiares.
O episódio ganhou repercussão justamente porque os dois aparecem juntos e há registros de cumprimento e de uma possível interação durante o evento. Eventual descumprimento dependerá da análise das imagens e da interpretação do alcance da ordem judicial pelo STF.
A situação também chama atenção porque o próprio Fábio havia apresentado uma interpretação diferente da medida em agosto. Na ocasião, ao desistir da candidatura a vice-governador na chapa de Otaviano Pivetta, o deputado afirmou que ele e Mauro não poderiam se comunicar e, por isso, “não podemos estar no mesmo local”. Agora, porém, Garcia sustenta que a decisão impede apenas o contato entre os dois.
Investigação sobre R$ 308 milhões
A restrição foi imposta no âmbito da Operação Heritage, que investiga suspeitas relacionadas a um acordo envolvendo o Governo de Mato Grosso e a empresa Oi, com valores superiores a R$ 308 milhões, segundo as investigações. Entre as medidas determinadas pelo STF estão, além da proibição de contato, a entrega de passaportes e a proibição de saída do país.
A repercussão do encontro também foi utilizada pelo ex-governador Pedro Taques (PSB), que apresentou pedido de prisão contra Mauro Mendes e Fábio Garcia sob alegação de descumprimento das medidas cautelares. O pedido, contudo, não significa que o Judiciário tenha reconhecido até o momento a existência de uma violação.
Agora, a Polícia Federal deverá concluir a análise das imagens e, caso identifique indícios de descumprimento, o episódio poderá ser submetido ao ministro Flávio Dino para avaliação das providências cabíveis.
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