CULTURA
“Dia da Árvore”: data que propõe reflexão mundial…
“Sem um livro, é possível ter um filho e plantar uma árvore? E sem uma árvore, é possível escrever um livro e ter um filho?”. Questionamentos que merecem reflexão profunda…
Opinião
“Um homem estará pleno quando tiver um filho, escrever um livro e plantar uma árvore!”
Percebam que não é alternativo, mas taxativo! Tem que cumprir todos os requisitos para alcançar a plenitude!
Atribui-se essa frase ao poeta cubano, José Martí.
Vou permitir-me flanar pelos recônditos sensoriais do poeta, afinal, estes não pensam, mas sentem!
Penso que ao cunhar essa, que se tornou uma máxima, num só disparo, derribou três perdizes!
Ora, sentia-se José algo temporário, buscando ser extemporâneo, e assim, fez-se!
Morreu há mais de século, todavia, permanece vivo com profunda raiz nas rodas de botequim, nas discussões eruditas ou na simples menção de algum nobre desconhecido tentando impressionar!
Quantos outros seres sazonais já não pronunciaram essa frase?
Fato é que José agora é pai, escritor e agricultor de frases.
Mas voltando à premissa, haveria uma ordem cronológica entre o livro, o filho e a árvore?
Difícil saber, portanto, assumamos uma nova proposição, ainda que Martí tenha querido, talvez, assegurar sua própria imortalidade!
Qual dos três é imprescindível?
Sem um filho, é possível escrever um livro e plantar uma árvore?
Sem um livro, é possível ter um filho e plantar uma árvore?
E sem uma árvore, é possível escrever um livro e ter um filho?
Quem responder certo vai ganhar um caju, com castanha e pedúnculo floral!
Feliz dia da árvore!
Por Fred Henrique Gadonski

Advogado e escritor Fred Henrique
Foto: arquivo pessoal
Opinião
O Brasil precisa ser maior que suas diferenças políticas
O resultado das eleições presidenciais de 2026 vai muito além da escolha de quem ocupará o Palácio do Planalto pelos próximos quatro anos. Ele nos convida a refletir sobre o Brasil que estamos construindo e, principalmente, sobre a forma como temos lidado com nossas diferenças.
Mais uma vez, o processo eleitoral evidenciou divergências políticas e ideológicas que atravessam famílias, amizades e relações sociais. O que deveria ser uma expressão legítima da democracia, muitas vezes, transforma-se em motivo de conflitos, julgamentos e intolerância.
É preocupante perceber como o posicionamento político passou a ser utilizado, em determinadas situações, como medida para avaliar o caráter, a inteligência e até a dignidade das pessoas.
Mas desde quando pensar diferente significa ser inimigo?
A democracia existe justamente porque somos diferentes. Porque temos histórias, experiências, necessidades e visões distintas sobre o futuro do país. E nenhuma dessas diferenças deveria nos impedir de reconhecer a humanidade do outro.
O resultado das urnas define vencedores e derrotados em uma disputa eleitoral, mas não deveria dividir uma nação entre pessoas que merecem ou não respeito.
Independentemente das preferências políticas, continuamos sendo brasileiros que compartilham os mesmos desafios. A mãe que espera atendimento na saúde pública, o trabalhador que busca melhores condições de vida, o jovem que sonha com oportunidades e a família que luta diariamente para colocar comida na mesa não deveriam ser separados por escolhas partidárias.
Os problemas reais da população não desaparecem com o encerramento de uma eleição.
Por isso, o momento exige maturidade não apenas dos representantes eleitos, mas também de toda a sociedade.
Aos vencedores, cabe compreender que governar significa representar uma nação inteira, inclusive aqueles que não lhes confiaram o voto. Aos derrotados, permanece o direito legítimo de discordar, fiscalizar e exercer oposição, sempre dentro dos princípios democráticos.
Respeitar o resultado das urnas não significa abandonar convicções. Da mesma forma, defender uma opinião não exige desqualificar quem pensa diferente.
Precisamos recuperar algo que parece estar se perdendo em meio aos embates políticos: a capacidade de ouvir.
Ouvir sem atacar. Discordar sem ofender. Dialogar sem transformar cada conversa em uma disputa que precisa ter um vencedor.
Talvez a maior reconstrução de que o Brasil necessita não seja apenas econômica, política ou institucional, mas também humana.
Precisamos reconstruir a civilidade, fortalecer a empatia e compreender que nenhuma preferência partidária pode ser maior que o respeito ao próximo.
As eleições passam. Os governos mudam. Os mandatos terminam. Mas as relações humanas e os valores que sustentam uma sociedade precisam permanecer.
Que o resultado destas eleições não seja apenas mais um capítulo da polarização brasileira, mas uma oportunidade para refletirmos sobre o país que desejamos deixar às próximas gerações.
Porque pensar diferente é um direito. Respeitar as diferenças é um dever de convivência.
O Brasil não precisa de uma sociedade em que todos pensem igual. Precisa de cidadãos capazes de conviver, mesmo quando discordam.
Afinal, antes de sermos eleitores de qualquer candidato, somos seres humanos. E nenhuma disputa política deveria ser maior que a nossa humanidade.
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