MATO GROSSO
Remuneração e benefícios pagos a agentes de saúde e combate a endemias deve seguir marco regulatório do TCE-MT
As mesas técnicas são voltadas ao consenso e eficiência na solução de questões complexas relacionadas à administração pública.
Política
O Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT) apontou, nesta segunda-feira (21), que os 141 municípios do estado deverão adotar o mesmo entendimento sobre a regulamentação das atividades de agentes comunitários de saúde (ACS) e de combate a endemias (ACE), garantindo o cumprimento da Constituição Federal na formalização do vínculo, remuneração e pagamento de adicional de insalubridade, dentre outros.
Na sessão ordinária desta terça-feira (22), o presidente da Corte de Contas, conselheiro José Carlos Novelli, destacou a efetividade do consensualismo na resolução da questão, que se arrastava por anos sem definição. “Há mais de 10 anos vínhamos ouvindo neste Plenário sobre as mobilizações e reivindicações dos agentes. Então este é o caminho: buscar soluções consensuais para conflitos relevantes para a administração pública.”
A questão foi deliberada em mesa técnica solicitada pelo conselheiro Sérgio Ricardo, com base em pedido subscrito pelo prefeito de Jangada. O gestor alega haver controvérsias na interpretação da lei, referentes à destinação dos incentivos financeiros da União, piso salarial, pagamento de insalubridade e certificação.
Diante disso, o TCE-MT instituiu marco regulatório para regulamentar as atividades, unificando os entendimentos sobre o assunto. “Chegamos a uma resposta que é a de que a legislação precisará ser cumprida por todos os municípios. A definição do Tribunal abrange todos esses profissionais e é uma grande conquista para toda a população.”
O conselheiro chamou a atenção para o papel dos agentes, que diariamente se expõem ao contato com diferentes quadros de saúde. “Em um país onde se vive uma crise de saúde, eles são, na maioria das vezes, o único acesso entre comunidades carentes e os serviços de saúde. Para muitos, os agentes são a distância entre a vida e a morte”, pontuou.
De acordo com o presidente da Comissão Permanente de Saúde e Assistência Social do TCE-MT, conselheiro Guilherme Antonio Maluf, Mato Grosso tem mais de seis mil agentes. “Além de uma série de ganhos para os profissionais, isso também garante que os prefeitos possam se planejar e se orientar sobre como agir com estas categorias.”
Para tanto, o TCE-MT lançará uma cartilha de deveres e atribuições e, em parceria com outras instituições, deverá capacitar as equipes das prefeituras. “A cartilha vai mostrar desde a forma correta para a realização do processo seletivo, passando pela efetivação, até a aposentadoria, uma vez que muitos deles já estão na fila para se aposentar.”
O tema foi abordado junto à Comissão Permanente de Normas, Jurisprudência e Consensualismo (CPNJur), presidida pelo conselheiro Valter Albano, em reunião com o conselheiro Gonçalo Domingos de Campos Neto e com o presidente da Associação Mato-grossense dos Municípios (AMM), Neurilan Fragra, dentre outros.
Aprovado por unanimidade no âmbito da CPNJur, o encaminhamento segue agora para apreciação do Plenário do TCE-MT.
Histórico
Esta não é a primeira vez que o TCE-MT atua para solucionar a questão. Em reunião com representantes das categorias, em fevereiro, Sérgio Ricardo adiantou que a mesa técnica extinguiria falhas nas interpretações da Emenda Constitucional 120/2022 e da Lei 11.350/16, que regulamentam as carreiras e aplicação dos recursos repassados.
À época, também chamou a atenção para a Lei 1.336/22, que determina que os agentes têm direito ao adicional de insalubridade em grau máximo, calculado sobre os vencimentos. “Hoje nem todos recebem, mas precisam receber porque todos eles vivem esse quadro de insalubridade. Eles merecem e está na lei”, defendeu na reunião de hoje.
O conselheiro se reuniu ainda com representantes dos agentes Sorriso e, por meio de decisão monocrática, assegurou a certificação dos profissionais de Alto Araguaia. Em 2022, o conselheiro Antonio Joaquim também determinou o registro e a certificação de processos seletivos da Prefeitura de Cuiabá para provimento de vagas de ACS e ACE.
Mesa Técnica
As mesas técnicas são voltadas ao consenso e eficiência na solução de questões complexas relacionadas à administração pública. A ferramenta legitima o processo decisório e amplia a segurança jurídica aos fiscalizados, privilegiando ações de controle externo preventivo antes de processos sancionadores.
Instituídas em 2022, elas estão em consonância com a postura adotada pela Corte de Contas na gestão do presidente, conselheiro José Carlos Novelli, que vem estreitando o relacionamento entre o órgão e seus jurisdicionados ao prestigiar o diálogo e a cooperação.
Secretaria de Comunicação/TCE-MT
Política
Pivetta prepara enxugamento da máquina e avalia cortes no Governo de MT
O governador reeleito Otaviano Pivetta (Republicanos) prepara uma revisão ampla da estrutura do Governo de Mato Grosso antes do início do novo mandato, em janeiro de 2027. A medida pretende identificar despesas que podem ser reduzidas e tornar a máquina pública mais enxuta.
A previsão é que um decreto seja publicado entre esta quarta-feira (7) e quinta-feira (8), estabelecendo os critérios para a análise. O trabalho deverá avaliar a estrutura dos órgãos estaduais, gastos com pessoal e custeio, contratos e possíveis sobreposições de funções.
A condução dos estudos deverá ficar a cargo de uma comissão presidida pelo ex-secretário de Fazenda Rogério Gallo, que coordenou a campanha de Pivetta nas eleições deste ano. O grupo terá a missão de reunir informações de diferentes setores do Estado para elaborar um diagnóstico da atual estrutura administrativa.
Entre os dados que serão analisados estão o número de servidores e cargos existentes, a organização das secretarias, contratos firmados pelo Governo e despesas administrativas. A partir desse levantamento, a comissão deverá apontar setores com possibilidade de redução de custos e áreas que precisam ser preservadas ou consideradas prioritárias.
A revisão também poderá atingir o quadro de pessoal, principalmente os cargos comissionados. No entanto, a quantidade e o formato de eventuais cortes ainda não estão definidos e dependerão das conclusões do levantamento.
A proposta faz parte da preparação para o novo ciclo administrativo de Pivetta, que foi reeleito no primeiro turno no último domingo (4). A intenção é iniciar 2027 com uma estrutura considerada mais eficiente e com maior capacidade de direcionar recursos para investimentos e serviços públicos.
O movimento ocorre paralelamente às mudanças que o governador já sinalizou para a equipe de secretariado. Pivetta afirmou que pretende promover alterações pontuais na estrutura do Governo, sem uma reforma ampla, com o objetivo de corrigir áreas que ainda não apresentam os resultados esperados.
Com a revisão, a gestão pretende identificar onde há espaço para economia sem comprometer serviços considerados essenciais. O diagnóstico deverá servir de base para as decisões administrativas que serão tomadas na preparação do próximo mandato.
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