ENTREVISTA DA SEMANA
“Governo tem sido implacável contra crimes ambientais e a PGE atua com rigor na cobrança desses infratores”, garante procurador-geral
Procuradoria Geral do Estado tem incluído inadimplentes na dívida ativa, impossibilitando a obtenção de crédito e empréstimos
Política
“O Governo do Estado tem sido implacável no combate aos crimes ambientais e a PGE não fica para trás, atuando fortemente para que o infrator seja cobrado com rigor, inserindo seu nome na dívida ativa. Sabemos que isso resulta em uma série de impedimentos e dificuldades para quem comete esse tipo de crime”, afirmou.
O procurador destacou que, ao ficar com o nome sujo, tanto a pessoa física quanto a jurídica, passam a ter dificuldades de obter créditos e empréstimos, e ficam impedidas de contratar com o poder público. Além disso, a inscrição na dívida ativa também pode gerar a indisponibilidade de bens do inadimplente.
“Nas palavras do governador, acabou a época em que os crimes prescreviam e não davam em nada”, ressaltou.
O procurador também destacou que, pela primeira vez na história, a PGE conta com o quadro completo de servidores, o que garante mais eficiência na atuação em defesa do interesse público e fortalece o combate às ilegalidades.
Confira a entrevista completa abaixo:
1) A PGE nomeou novos procuradores do Estado e completou, pela primeira vez na história, o seu quadro de servidores. Na sua visão, ter a equipe completa fortalece a PGE e significa mais eficiência nos serviços para a população?
Desde a criação da PGE, há pouco mais de 25 anos, esta é a primeira vez que a Procuradoria está atuando com o seu quadro completo, 110 procuradores do Estado. Para nós é motivo de muito orgulho, porque revela o respeito e a confiança que o governador Mauro Mendes vem depositando na nossa instituição. Somente neste governo foram nomeados 35 novos colegas, o que representa mais de 1/3 do seu atual quadro de procuradores.
Com certeza essa nova fase da PGE se traduz num compromisso maior da instituição em apresentar à sociedade um serviço rápido e eficiente, seja na elaboração de pareceres que darão a segurança jurídica nas diversas contratações de obras e serviços realizadas pelo Estado, seja na defesa e preservação do patrimônio público e na recuperação da dívida ativa.
2) O Governo tem a política de tolerância zero para crimes ambientais. De que forma a PGE atua nesses processos e garante a aplicação das condenações?
O Governo do Estado tem sido implacável com quem comete crimes ambientais e a PGE não fica para trás. Na hipótese de aplicação de sanções administrativas e do não pagamento espontâneo da multa, a PGE tem atuado incisivamente para que o infrator seja cobrado com rigor, inserindo seu na dívida ativa. Sabemos que isso resulta em uma série de impedimentos e dificuldades para quem comete esses crimes. O nome fica negativado e tanto a pessoa quanto a empresa ficam impedidos de obter crédito e empréstimos, além de ficarem impedidos de contratar com o poder público. Nas palavras do governador, acabou a época em que os crimes prescreviam e não davam em nada.
A Secretaria de Meio Ambiente, com apoio da nossa Subprocuradoria-Geral de Defesa do Meio Ambiente, por meio de pareceres sobre a correta aplicação das legislações federais e estaduais sobre políticas do meio ambiente, tem julgado os casos com muita rapidez e a PGE tem executado os débitos em aberto, fazendo a inscrição na dívida ativa.
3) A PGE desempenha um papel importante em defesa do Estado, dentre eles a análise dos projetos de lei que são aprovados na Assembleia Legislativa e chegam para sanção do Governo. Como se dá essa atuação e o que os procuradores levam em conta nas análises?
No desempenho de suas atribuições, a PGE trabalha no controle da constitucionalidade dos projetos de leis que vem da AL para sanção do chefe do Executivo. Além dos aspectos materiais, a PGE também analisa os requisitos formais dos projetos de leis submetidos à apreciação do governador. É neste momento que a PGE verifica o interesse público, a correta tramitação do projeto na AL e eventuais vícios de iniciativa, para conferir a segurança jurídica nos textos normativos estaduais.
4) A atuação da PGE, embora voltada para o Estado, visa garantir a eficiência no serviço público prestado à população. Como é esse trabalho quanto ao auxílio na formação de políticas públicas?
Além de outras atribuições, cabe a PGE emitir pareceres em todos os processos de aquisições, obras e serviços realizados pelo Estado. Ao desempenhar este papel, a PGE contribui de forma significativa na implantação das políticas públicas dos diversos órgãos e secretarias do poder executivo estadual, conferindo maior eficiência e segurança jurídica nessas atividades. É bom que se diga que qualquer benefício direcionado à população somente alcançará os seus objetivos se estiver bem alicerçado juridicamente.
5) Um benefício que é visto diretamente pela população é quanto a renegociação dos juros e multas por dívidas com o Estado, por meio de programas como Refis e Regularize, em que tanto pessoas físicas ou jurídicas podem participar. Como tem sido a adesão aos programas? Quanto o Estado já recuperou com isso?
Desde o início da gestão, o governador Mauro Mendes sempre mostrou preocupação com aquele contribuinte que, por uma situação qualquer, não conseguiu cumprir seus compromissos com o fisco estadual. Nas palavras do governador, o contribuinte deve ser tratado com respeito, e nós, da PGE, devemos oferecer todos os meios legais para que ele possa resolver suas pendências. Ainda nas palavras do governador, precisamos devolver ao contribuinte a sua regularidade fiscal, pois somente assim ele poderá desenvolver com tranquilidade as suas atividades cotidianas. Desta forma, tanto o Refis quanto o Regularize são programas de incentivos à regularização fiscal que o governo colocou à disposição da sociedade mato-grossense. E o contribuinte está aderindo de forma muito satisfatória a esses dois programas.
Somente no primeiro semestre de 2023 a PGE já arrecadou mais de R$ 145 milhões e, certamente, ultrapassará a previsão de R$ 300 milhões para o ano de 2023. É importante ressaltar que, também atendendo às recomendações do governador, a PGE investiu em sistemas de controle de dívida ativa para identificar e receber de forma mais eficiente as pendências dos devedores contumazes. Com a implantação dessas ferramentas de cobranças e a adoção de medidas mais enérgicas, como a negativação do devedor, por exemplo, de 2019 a 2022 a PGE arrecadou mais de R$ 1,5 bilhão. Esse valor, ao entrar nos cofres estaduais, contribuiu de forma significativa para a implantação de políticas públicas de interesse de toda a sociedade.
6) A PGE tem parcerias com outras instituições, como o Tribunal de Justiça, para reduzir as demandas judiciais e, ao mesmo tempo, evitar perdas para o Estado. Qual tem sido o resultado dessas ações?
A PGE segue a corrente de que a conciliação é o método mais eficiente para a solução de conflitos, então temos investido maciçamente nessa modalidade para diminuir as demandas, sejam administrativas ou judiciais.
No âmbito administrativo, instalamos a Câmara de Conciliação Administrativa (Consenso), visa identificar eventuais conflitos de interesses que possam ser resolvidos administrativamente. Para isso, a PGE investe fortemente na capacitação de procuradores e servidores em técnicas de mediação e conciliação, possibilitando que as pendências sejam resolvidas consensualmente, evitando, por vezes, a judicialização desnecessária, que sempre é mais onerosa para as partes.
Da mesma forma, na esfera judicial, desde a implantação do Centro Judiciário de Solução de Conflitos e Cidadania da Fazenda Pública estadual, a PGE vem atuando em parceria com o Judiciário para identificar possíveis demandas que possam ser solucionadas por intermédio da composição entre o Estado e o cidadão.
Ainda no campo da conciliação, a PGE vem atuando nas mesas técnicas instaladas e presididas pelo TCE-MT, que também busca solucionar, de forma consensual, os problemas que possam dificultar a realização de políticas públicas necessárias ao bem-estar da população mato-grossense. A composição entre as partes, tanto na esfera administrativa quanto judicial, evita vários transtornos e custos exacerbados na tramitação dos processos, colaborando com um dos objetivos primordiais da administração pública de distribuir a paz social entre os administrados.
7) Hoje a PGE também faz a defesa de servidores em processos judiciais por demandas relativas ao desempenho da função. Isso dá mais segurança para o servidor trabalhar?
Desde meados de 2019, por determinação do governador Mauro Mendes, foi alterada a Complementar nº 111/2002 e a PGE passou a fazer a defesa dos servidores nos casos em que são acionados em razão de atos de ofícios.
Não temos dúvidas de que essa medida trouxe maior tranquilidade e segurança para os servidores, porque assim eles sabem que suas atividades exercidas licitamente serão respaldadas e defendidas pela PGE.

Política
Retrospectiva: Câmara aprovou no primeiro semestre regras para definir valor da pensão alimentícia
A Câmara dos Deputados aprovou no primeiro semestre novas regras para pensão alimentícia. De autoria da deputada Maria Arraes (PSB-PE), o Projeto de Lei 2121/25 foi aprovado em caráter conclusivo pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) e seguiu para o Senado.
O projeto estabelece critérios para definir o valor da pensão alimentícia do filho com até 18 anos, tendo como alimentante o pai ou a mãe.
A proposta altera o Código Civil e diz que a fixação do valor deverá levar em conta a sobrecarga de quem tem a guarda de criança ou adolescente e o comprovado abandono afetivo pelo pai ou pela mãe pagador da pensão.
Criança com TDAH
Neste semestre, a Câmara dos Deputados aprovou ainda projeto de lei que institui a Política Nacional de Atenção às Pessoas Diagnosticadas com Transtornos do Neurodesenvolvimento, com foco em pessoas com dificuldades de aprendizagem.
O texto, dos deputados Alex Manente (Cidadania-SP), Amom Mandel (Republicanos-AM) e Any Ortiz (PP-RS), foi enviado ao Senado com a relatoria da deputada Andreia Siqueira (PSB-PA).
Segundo o Projeto de Lei 4225/23, pessoas com dislexia, Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) ou outros transtornos de aprendizagem contarão com adaptações na realização de provas no ambiente escolar, em concursos públicos, processos seletivos e avaliações.
Esse público deverá ter acesso, por exemplo, a:
- tempo adicional para as avaliações;
- ambiente com menos estímulos para distraí-los;
- oferta de pessoa para ler (ledor) o material;
- recursos tecnológicos de apoio; e
- flexibilização de formatos de prova, observadas as normas específicas de cada sistema de ensino ou de seleção.
As regras serão aplicáveis à educação básica, à educação profissional e tecnológica e à educação superior, bem como às políticas de qualificação profissional e de inserção no trabalho, sem prejuízo de outros direitos previstos em legislação específica.
Passaporte estudantil
Estudantes de baixa renda que realizem estudos ou pesquisas no exterior poderão contar com isenção de taxas para emissão de passaportes e outros documentos de viagem.
A Câmara aprovou a regra por meio do Projeto de Lei 861/19. O texto teve origem no Senado e retornou àquela Casa para nova votação, por ter sido modificado pelos deputados.
O texto foi relatado pela deputada Laura Carneiro (PSD-RJ) e beneficia estudantes que pertençam a famílias inscritas no Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal (CadÚnico) e que tenham renda familiar mensal de até três salários mínimos.
Pais de PCD
A Câmara dos Deputados aprovou a redução da jornada de trabalho, sem prejuízo salarial, para pais de pessoas com deficiência. O Projeto de Lei 2458/25, da deputada Laura Carneiro, foi aprovado em caráter conclusivo na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) e será enviado ao Senado.
Segundo o texto, a norma valerá para trabalhadores contratados pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). A necessidade e o percentual da redução da jornada serão definidos por avaliação biopsicossocial, realizada pelo menos a cada dois anos. Conforme o resultado, o benefício poderá ser ampliado, mantido, reduzido ou suspenso.
Foto: Valquir Kiu Aureliano/Prefeitura de Curitiba
Comunidade terapêutica em Curitiba, Paraná
Acolhimento por drogas
Foi aprovado pela Câmara dos Deputados o Projeto de Lei 1822/24, que permite o acolhimento voluntário de crianças e adolescentes usuários ou dependentes de drogas em comunidades terapêuticas. A proposta agora está em análise no Senado.
De autoria do deputado Pastor Sargento Isidório (Avante-BA), o texto teve a relatoria do deputado Dr. Fernando Máximo (PL-RO).
Segundo o texto, as comunidades terapêuticas acolhedoras poderão realizar esse acolhimento para tratamento por dependência química em conjunto com os pais ou responsáveis legais.
O acolhimento conjunto deverá ser feito em instituições credenciadas e não substitui nem dispensa a frequência da criança ou adolescente à escola básica obrigatória. A exceção é se houver ameaça comprovada à sua vida ou à sua integridade física por parte de organizações criminosas ou grupos de tráfico de drogas em decorrência de envolvimento anterior.
Nesse caso, sua salvaguarda será garantida com decisão judicial ou laudo médico que permita a restrição de circulação em vias públicas durante o programa de tratamento. O estudo continuaria no próprio estabelecimento terapêutico ou em modalidade de ensino compatível com a condição de segurança pretendida.
Essas instituições de acolhimento deverão assegurar a separação entre as crianças e adolescentes dos adultos, em especial no alojamento, dormitório, instalações sanitárias e espaços de tratamento.
Outra modalidade de tratamento é a internação assistida, que deverá ocorrer com o consentimento dos pais ou responsáveis legais e a concordância do adolescente entre 12 e 18 anos, conforme definição do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).
A diferença em relação à modalidade hoje existente, denominada voluntária, é que o novo tipo não dependerá de declaração escrita e seu término não está vinculado explicitamente a laudo médico ou pedido escrito da pessoa sob tratamento.
Sofrimento animal
A Câmara dos Deputados também aprovou o projeto de lei que proíbe a produção e a comercialização de produtos obtidos por meio de alimentação forçada de animais – como o foie gras. O texto aguarda sanção presidencial.
Foie gras é o nome dado ao fígado gordo de pato ou ganso, iguaria da culinária francesa obtida com a alimentação forçada desses animais.
Aprovado em caráter conclusivo pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania da Câmara, o Projeto de Lei 90/20 é oriundo do Senado e prevê penas de detenção de três meses a um ano e multa pelo descumprimento da norma, além de outras sanções estabelecidas na Lei dos Crimes Ambientais.
A proibição abrangerá tanto os produtos in natura quanto os enlatados obtidos por meio do gavage, método de alimentação forçada com a introdução de um tubo na garganta da ave, o que leva à hipertrofia do fígado.
A comercialização dos produtos obtidos já é proibida em alguns países, como Argentina, Austrália e Índia. O texto foi relatado pelo deputado Fred Costa (PRD-MG).
Tarifa mínima de água
A Câmara dos Deputados aprovou projeto de lei que proíbe a cobrança de tarifa mínima de consumo pelos serviços públicos de água e esgoto.
O Projeto de Lei 1845/25, do deputado Carlos Jordy (PL-RJ), altera a Lei do Saneamento Básico e agora está em análise no Senado. O texto foi relatado pelo deputado Kim Kataguiri (Missão-SP).
Segundo o projeto, somente uma das opções da Norma de Referência 13/25, da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), vai bancar os custos recorrentes do serviço que não dependem do volume consumido: a tarifa fixa e básica sem franquia de consumo.
Atualmente, a norma de referência traça regras gerais que devem ser seguidas pelas agências reguladoras da prestação do serviço nos estados e permite o uso de uma parcela fixa calculada com base em uma franquia de consumo mínimo. Nessa situação, quer o usuário tenha ou não tenha consumido o volume definido, ele é cobrado em toda conta.
No entanto, o texto aprovado pelos deputados continua a remeter à norma de referência da ANA a definição dos parâmetros para calcular esse valor fixo.
A parcela variável conforme o volume consumido continua a fazer parte da composição total da tarifa final. Desde que haja disponibilidade regular do serviço ao usuário, a parcela fixa não dependerá da existência de consumo efetivo.
Seguro-defeso
Com a aprovação da Medida Provisória 1323/25, a Câmara dos Deputados fixou novas condições de cadastro e identificação para evitar fraudes no pagamento do seguro-defeso.
Convertida na Lei 15.399/26, a MP também autoriza a quitação das parcelas pendentes em 2026 se o beneficiário atender aos requisitos exigidos em lei.
Segundo o texto, para ter direito ao benefício de anos anteriores, o interessado deve tê-lo solicitado dentro dos prazos legais. O pagamento ocorrerá em até 60 dias depois da regularidade plena do pescador no programa.
Para 2026, o total do seguro-defeso previsto, exceto esses atrasados, é de R$ 7,9 bilhões.
Além disso, o texto prorroga, até 31 de dezembro de 2026, o prazo para os pescadores artesanais apresentarem o já exigido Relatório Anual de Exercício da Atividade Pesqueira (Reap) referente aos anos de 2021, 2022, 2023, 2024 e 2025.
Pescadores artesanais habilitados no Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) e suas associações e cooperativas contarão com os mesmos encargos financeiros de custeio e investimento usados nos programas de reforma agrária, inclusive bônus ou redutores.
Reportagem – Eduardo Piovesan
Edição – Roberto Seabra
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