Edição 2023 da Corrida Homens do Fogo
Tradicional competição reúne mais de 2 mil participantes em Várzea Grande
Competição é resultado de uma parceria entre o Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso e o Sesc
Esporte
Há 25 anos, Solange Costa foi desafiada a participar da Corrida de Reis e, assim, correu pela primeira vez. Desde então, se apaixonou pelo esporte e não perdeu mais nenhuma competição da Corrida Sesc Homens do Fogo, como a 35ª edição realizada na manhã deste domingo (2), em Várzea Grande e Cuiabá. Mais de 2 mil pessoas participaram, consagrando a edição como a maior da história da competição.
“Correr é deixar todos os problemas para trás. Nunca tive problemas de saúde, mas era sedentária. Um dia, falaram que eu não conseguiria terminar a Corrida de Reis, e fui. Agora, todo mundo em casa corre, até os netos. Todo domingo, sempre que tem, estou nas corridas”, disse Solange Costa.
Todos os participantes se reuniram logo no início da manhã na sede da Coordenadoria de Logística e Patrimônio do Corpo de Bombeiros, em Várzea Grande. Os dois mil corredores se dividiram em dois percursos, de 5 e 10 quilômetros, atravessando a ponte Sérgio Motta, que liga o município a Cuiabá, passando pela Avenida Beiro Rio.“Há dois meses, quando abrimos as inscrições, tivemos 2 mil inscritos em tempo recorde. A 35ª edição, então, se consagra como a maior em número de participantes na história da corrida. Só está sendo possível realizar, nessa dimensão, graças a parceria entre o Governo do Estado e o Sesc”, explicou o comandante do 1º Batalhão dos Bombeiros, tenente-coronel Faro.


Corpo de Bombeiros realiza 35° Corrida SESC Homens de Fogo
Créditos: Michel Alvim – SECOM MT
André Ramos, de Barra do Garças, venceu em primeiro lugar na categoria geral masculina dos 10 km. Ele é um dos beneficiários do Bolsa Atleta, programa do Governo de Mato Grosso que incentiva o atletismo no Estado, e explica que a corrida serviu como um treinamento para o Troféu Brasil, que acontece a partir da próxima quinta-feira (5).
“Eu quero agradecer ao Governo de Mato Grosso por investir no esporte, por meio do Projeto Olimpus. Temos grandes investimentos no esporte, como o Bolsa Atleta, que serve como uma motivação para nos levantarmos todos os dias e treinar. Com o Bolsa Atleta, podemos investir em nós mesmos, comprar nossos materiais, ir para competições nacionais e internacionais fora de Mato Grosso e representar o Estado”, afirmou André.


Créditos: Michel Alvim – SECOM MT
Outra beneficiária do Bolsa Atleta é Francielly Marcondes. Ela também é de Barra do Graças e conquistou o troféu de primeiro lugar na categoria geral feminina dos 10 km.
Francielly explica que desde que se tornou beneficiária do programa, ela pôde participar de muito mais competições: “O Governo do Estado investe nos seus profissionais, tanto que o Bolsa Atleta é o melhor programa de apoio para nós. É um programa que faz muita diferença. Antes, eu não conseguia viajar para as competições, mas agora eu consigo graças ao programa”, contou.


Créditos: Michel Alvim – SECOM MT
Já a soldado Juliana Dalila, do Corpo de Bombeiros, foi medalhista do primeiro lugar na categoria militar. Corredora há 10 anos, ela elogiou a iniciativa do Corpo de Bombeiros junto ao Serviço Social do Comércio (Sesc)
“Eu sempre gostei da prática esportiva pelo bem estar e qualidade de vida que traz. É algo que me faz bem. Faz parte de mim. Estou muito feliz com meu resultado porque bati meu próprio recorde nos 10 quilômetros. Sabia que o Corpo de Bombeiros iria fazer uma prova magnífica”, disse a soldado.


Créditos: Michel Alvim – SECOM MT
Cerca de 60 pessoas foram premiadas com troféus. A competição também premiou os primeiros colocados com prêmios em dinheiro.
Tradição e parceria
A Corrida Homens do Fogo acontece, tradicionalmente, há 35 anos e foi realizada neste domingo em comemoração ao Dia do Bombeiro Militar. A data marca a criação do Corpo Provisório de Bombeiros da Corte, pelo então imperador Dom Pedro II. Este feito se deu através do Decreto Imperial 1.775, de 02 de julho de 1856.

Assim como em anos anteriores, a corrida arrecada alimentos não perecíveis para doar a instituições filantrópicas de Mato Grosso.

Créditos: Michel Alvim – SECOM MT
“É uma parceria muito bacana porque muito além da prática esportiva, trabalhamos também com a humanidade. Cada um dos corredores doou dois quilos de alimentos que serão doados para instituições de caridade”, explicou o diretor regional do Sesc, Alan Serotini.Secretária de Assistência Social e Cidadania (Setasc), Grasielle Bugalho, destacou a importância da corrida para a sociedade mato-grossense e parabenizou a iniciativa do Corpo de Bombeiros e Sesc de doação para pessoas em vulnerabilidade social.
“Para nós, é uma alegria poder participar e ver uma corrida que inclui e respeita o direito de todos, principalmente ao final, trazendo sempre um atendimento social, com a doação. É muito importante que o Governo do Estado, por meio das suas secretarias e autarquias, ofereça para a sociedade corridas como a Homens do Fogo, que promovem um impacto social muito forte”, afirmou a secretária da Setasc.

Esporte
Quando perder músculo também ameaça o cérebro
Durante muito tempo, falar em obesidade significava olhar apenas para o peso e para o IMC. Hoje sabemos que isso é insuficiente.
Duas pessoas com o mesmo peso podem ter condições completamente diferentes. Uma pode apresentar boa massa muscular e força preservada. A outra pode acumular gordura, especialmente abdominal, enquanto perde músculo e capacidade funcional.
Essa combinação é chamada de obesidade sarcopênica.
Ela reúne dois problemas importantes: excesso de gordura corporal e redução da massa ou da força muscular. Além de aumentar o risco de fragilidade, quedas, diabetes e doenças cardiovasculares, novas evidências mostram que essa condição também pode estar associada a maior risco de demência.
O que a ciência mostra :
Um grande estudo publicado na revista Clinical Nutrition avaliou dados de centenas de milhares de pessoas e analisou a relação entre composição corporal, força muscular e desenvolvimento de demência.
Os resultados mostraram que tanto a sarcopenia isolada quanto a obesidade sarcopênica estavam associadas a um risco maior de declínio cognitivo. Um dos achados mais relevantes foi a importância da força de preensão manual, medida por dinamometria.
Quanto menor a força e quanto maior sua redução ao longo dos anos ,maior foi o risco observado.
Isso reforça uma mudança importante na forma de avaliar a saúde: Não basta saber quanto peso uma pessoa perdeu. Precisamos saber quanto músculo e quanta força ela conseguiu preservar.
Emagrecer , nem sempre significa melhorar a saúde ?
Uma perda de peso mal conduzida pode incluir perda significativa de massa muscular, principalmente em pessoas mais velhas, sedentárias, submetidas a dietas muito restritivas ou a tratamentos sem acompanhamento adequado.
Mesmo com o avanço dos medicamentos para obesidade, o objetivo não deve ser apenas reduzir o número na balança. O tratamento precisa preservar músculo, reduzir gordura visceral, melhorar o metabolismo e manter a autonomia.
O paciente não deve apenas ficar mais leve. Deve ficar mais saudável, mais forte e funcionalmente mais capaz.
Por que o músculo influencia a saúde cerebral?
A relação entre músculo e cérebro é complexa, mas alguns mecanismos ajudam a explicá-la.
A perda muscular pode piorar a resistência à insulina, reduzir o gasto energético, aumentar o sedentarismo e favorecer inflamação crônica. Ao mesmo tempo, fatores como hipertensão, diabetes, apneia do sono e colesterol elevado afetam os vasos sanguíneos que irrigam tanto o coração quanto o cérebro.
Por isso, preservar músculo é muito mais do que uma questão estética. É uma estratégia de proteção metabólica, cardiovascular, funcional e possivelmente cognitiva.
Como enfrentar cientificamente esse problema ?
O primeiro passo é avaliar mais do que o peso. Circunferência abdominal, composição corporal, força de preensão, velocidade da marcha, capacidade funcional e exames cardiometabólicos ajudam a identificar riscos que o IMC isolado não mostra.
O treinamento de força deve ocupar posição central. Caminhar é importante, mas pode não ser suficiente para preservar ou recuperar massa muscular. Exercícios resistidos, progressivos e individualizados são fundamentais.
A alimentação também precisa garantir quantidade adequada de proteínas e energia, distribuídas ao longo do dia e ajustadas à idade, função renal, rotina e condição clínica.
Além disso, é essencial tratar fatores que aceleram a perda muscular e o envelhecimento vascular, como sedentarismo, diabetes, hipertensão, alterações do sono, tabagismo e obesidade visceral.
Envelhecer bem ,exige preservar força
A obesidade sarcopênica mostra por que o cuidado não pode ser fragmentado. Peso, metabolismo, coração, músculo e cérebro fazem parte do mesmo sistema.
Entendemos que o acompanhamento precisa ir além da balança. Avaliamos composição corporal, força, risco cardiovascular, alimentação, sono, rotina e capacidade funcional para construir estratégias verdadeiramente individualizadas.
Porque o objetivo não é apenas perder peso. É preservar autonomia, proteger o cérebro, fortalecer o corpo e construir saúde antes que a doença se manifeste.
Saúde não é sorte. É rotina.
Dr. Max Wagner de LimaCardiologista — CRM 6194 | RQE 2308 Prevenção cardiovascular, cardiometabolismo e medicina de antecipação.
Maristela Luft — CRN -16431Nutricionista e Mestre em nutrição clínica, composição corporal e cuidado cardiometabólico.
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