GERAÇÃO DE RENDA
Feira da Agricultura Familiar comercializa R$ 350 mil durante FIT Pantanal
Nesta edição, participaram 51 expositores de 20 municípios do Estado
Economia
A Feira de Exposição e Vendas de Produtos da Agricultura Familiar recebeu mais de 100 mil visitantes e teve um faturamento de R$ 350 mil, durante a Feira Internacional do Turismo do Pantanal 2023 (Fit Pantanal), realizada nos dias 04 a 07 de maio, no Centro de Eventos do Pantanal, na cidade de Cuiabá. Os visitantes da Feira da Agricultura encontraram nesta edição mais de 50 expositores, representando 20 municípios do Estado, representantes das Comunidades Tradicionais, Assentados, Quilombolas, Indígenas e Povos da Floresta.
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Os visitantes puderam conhecer produtos diversos da agricultura familiar de MT, como doces, licores, queijos, xarope, temperos, derivados da banana (doces, salgados, frita, chips), salames, matrinxã defumada, farinhas de vários sabores, café orgânico, mel, própolis, produtos agroecológicos (babaçu, farinha de coco), artesanatos, mudas exóticas, ornamentais e nativas, pacotes e promoção de trilhas e turismo rural no Estado e outros.

Créditos: Lucas Diego/Seaf-MT
Foram comercializados produtos de 238 fornecedores.
A Secretaria de Estado e Agricultura Familiar (Seaf) e a Empresa Mato-grossense de Pesquisa, Assistência e Extensão Rural (Empaer) foram parceiras do evento e organizaram a participação dos agricultores e empreendedores na feira.
“Esse foi um momento muito importante para a agricultura familiar no Estado. Além de mostrarmos o potencial do turismo rural em Mato Grosso, seja pelas belezas naturais ou pelo produto agregado, o Governo do Estado viabilizou que os pequenos produtores pudessem mostrar que nossos produtores são de qualidade. Prova disso é o resultado que tivemos”, avalia a secretária de Estado de Agricultura Familiar, Teté Bezerra.


Créditos: Lucas Diego/Seaf-MT
Participaram representantes das Comunidades Tradicionais, Assentados, Quilombolas, Indígenas e Povos da Floresta.
O presidente da Empaer, Renaldo Loffi, destacou que os agricultores trouxeram para a FIT Pantanal uma amostra do que é produzido nas comunidades rurais nas diversas cadeias produtivas. Segundo Loffi, o fomento ao turismo rural é de extrema importância e uma garantia de oportunidades para os agricultores familiares que vivem no campo.
“Temos muitos atrativos voltados para as belezas naturais e para a cozinha como o café, queijos, doces, biscoitos, cachaça e muito mais. É importante criar condições para o desenvolvimento do turismo rural no Estado, dando suporte aos agricultores familiares, no sentido de ampliar a geração de emprego e renda de forma sustentável”, explica Loffi.
Geraldo Donizeti Lúcio, agente técnico da Empaer e coordenador do evento, conta que a feira foi montada num espaço de 600 metros quadrados e teve representantes da agricultura familiar de 20 municípios, entre associações, cooperativas, iniciativas individuais e outras. Ele explica que os expositores trouxeram produtos de 238 fornecedores para apresentar ao público e comercializar na feira.
“Essa iniciativa teve como objetivo fomentar a cadeia do turismo rural e mostrar que é possível gerar renda em uma propriedade rural associada ao turismo”, enfatiza.
SECOM/MT
Economia
Economistas propõem taxar ricos em vez de cortar gastos sociais
Economistas e outros especialistas divulgaram um manifesto, nesta sexta-feira (30), denunciando a pressão do mercado financeiro para que o governo eleito adote um programa de corte de gastos com a finalidade de estabilizar a dívida pública.

O texto pede novo regime fiscal no país, menos rígido do que o atual arcabouço, além da mudança na meta de inflação e da tributação dos ricos no lugar de corte em despesas sociais.
Assinado por 50 profissionais, o documento afirma que a Faria Lima – avenida no centro de São Paulo, sede dos principais bancos de investimentos, corretoras, escritórios, que representa o mercado financeiro do país – quer impor um “terceiro turno” presidencial com objetivo de fazer o presidente Luiz Inácio Lula da Silva adotar o programa de corte de despesas que seria defendido pelo candidato derrotado Flávio Bolsonaro.
“Em 25 de outubro, a maioria do eleitorado reelegeu Lula e recusou o programa de Flávio Bolsonaro, que prometia cortar R$ 190 bilhões do gasto público. Um governo eleito por um levante popular contra a ameaça bolsonarista não pode escolher a via defendida pelos mais ricos”, diz o documento.
Os especialistas argumentam que o problema da dívida pública é o custo com os juros fixados pelo Banco Central (BC), e não com os gastos da União. A dívida bruta do Brasil alcançou 82,9% do Produto Interno Bruto (PIB) em agosto deste ano. Em 2022, a dívida estava em 71,7% do PIB.
O texto aponta como o principal responsável pelo aumento da dívida os juros reais praticados no Brasil, que são os maiores do mundo segundo ranking da Moneyou. Nos últimos doze meses, os juros consumiram mais de R$ 1,1 trilhão do orçamento público, o que representa 8,9% do PIB brasileiro, segundo o BC.
“O gasto com juros é mais de catorze vezes o déficit primário de R$ 82 bilhões. A inflação de doze meses, de 4,58% em setembro, passou do teto por causa da energia e dos alimentos, choques que a Selic [taxa de juros definida pelo BC] não corrige”, diz o manifesto.
O Banco Central justifica os juros elevados, entre outros motivos, devido as pressões inflacionárias e aos déficits fiscais primários nas contas públicas. Segundo a autoridade monetária, os gastos primários acima da arrecadação pressionam a inflação.
Tributação de Altas Rendas
No lugar de um corte de gastos públicos, o que poderia afetar áreas sociais, os economistas defendem antecipar para o próximo ano a tributação mínima de 10% para pessoas de altas rendas, que recebem acima de R$ 600 mil por ano, conforme aprovada pela Lei 15.270 de 2025.
Isso, porque a nova regra só vale para declaração de 2027 com lucros acumulados até 2025 podendo ser distribuídos sem imposto até 2028.
“Se aprovada por lei até 31 de dezembro, uma nova tributação do topo vale já em janeiro. Ela deve alcançar dividendos, juros sobre capital próprio e aplicações isentas. É preciso também rever isenções, regimes especiais e incentivos, que somam R$ 612,8 bilhões em gastos tributários”, diz o comunicado.
No Brasil, os recursos pagos aos acionistas por meio de dividendos são isentos de pagamento de Imposto de Renda (IR).
Selic e meta de inflação
O manifesto pede ainda que o Banco Central não promova nenhuma nova alta da taxa Selic, atualmente em 13,75% ao ano, e pede medidas para que a queda dos juros chegue às famílias e pequenas e médias empresas endividadas.
Outra proposta é a revisão da meta da inflação, usada pelo BC para fixar os juros. Atualmente, o centro da meta de inflação está em 3% ao ano e é definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), onde o governo federal tem maioria de votos.
“Um novo decreto deve suprimir a carência de 36 meses criada em 2024 para mudar a meta. Propomos retomar o centro de 4,5%, vigente de 2005 a 2018, alongar o horizonte de convergência e dar peso efetivo ao pleno emprego, que a lei já inclui entre os objetivos do Banco Central”, diz o manifesto.
Nova regra fiscal
Outra proposta é a aprovar no Congresso Nacional, ainda neste ano, nova regra fiscal para o Brasil que substitua o arcabouço fiscal, que limita o crescimento real das despesas a até 2,5% ao ano e até 70% do crescimento da receita.
“O limite atrelado a 70% da receita é incompatível com pisos de saúde e educação que crescem com a receita. As regras fiscais atuais também inibem os desafios do próximo mandato, como a reindustrialização com transição ecológica, que depende de investimento público, de aportes nas estatais e do crédito do BNDES”, diz o texto.
O manifesto sugere que uma nova lei complementar deve excluir dos limites fiscais tanto o investimento público, o Bolsa Família e os pisos da saúde e educação, quanto os aportes nas estatais e no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
Críticas ao ajuste fiscal
Os especialistas ainda criticam membros do governo que tem defendido, nos últimos dias, medidas de ajuste fiscal, como o ministro da Fazenda, Dario Durigan.
“O programa derrotado volta pela porta da Fazenda. Já vimos esse filme. Em 2024 e 2025, a Fazenda apertou o orçamento enquanto o Banco Central elevava a Selic de 10,5% para 15%. A avaliação positiva do governo caiu de 36% para 24%”, diz a nota.
Os especialistas ainda argumentam que o ajuste fiscal de 2015 realizado pela presidente Dilma Rousseff contribuiu para recessão econômica daquele período, o que teria aberto caminho para o impeachment da petista.
“Diante de um Congresso mais hostil, com 121 deputados do PL e 49 senadores de direita a partir de fevereiro, repetir a receita pode enfraquecer o apoio obtido nas ruas para a reeleição de Lula e tornar seu governo vulnerável a um novo golpe parlamentar”, diz o manifesto.
Entre os economistas que assinam o texto, estão os professores da Unicamp, Pedro Paulo Zahluth Bastos e Simone Deos, da Universidade de Brasília (UnB), Maria de Lourdes Rollemberg Mollo, da Queen’s University Belfast, Alfredo Saad Filho, e da Universidade Federal Fluminense, Juliane Furno
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