Seminário do TCE-MT
Ministros do STF, STJ e TCU destacam cooperação institucional
Neste contexto, o presidente do TCE-MT, conselheiro José Carlos Novelli, destacou a atuação do órgão na orientação e o consensualismo
Política
Durante o seminário “Eficácia das Decisões dos Tribunais de Contas”, realizado pelo Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT), o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça destacou o papel da cooperação institucional no desenvolvimento do estado. Nesta sexta-feira (12), também palestraram no evento os ministros do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Reynaldo da Fonseca e Alberto Faria, e o presidente do Tribunal de Contas da União (TCU), ministro Bruno Dantas.
Neste contexto, o presidente do TCE-MT, conselheiro José Carlos Novelli, destacou a atuação do órgão na orientação e o consensualismo, que vem garantindo a desburocratização, economicidade e efetividade nas ações da administração pública mato-grossense. “Ao resolver conflitos entre partes e fazermos ajustes administrativos em assuntos importantes, o Tribunal tem garantido o cumprimento de metas importantes.”
A fala foi reforçada pelos ministros. “Mato Grosso está em primeiro lugar na cooperação institucional pela boa governança. Isso eu ainda não vi em nenhum outro estado. Esta integração resolve os problemas porque, desta forma, há menos burocracia e mais possibilidade de transformar a realidade em menor tempo e com mais eficácia possível”, disse André Mendonça.
| Foto: Thiago Bergamasco/TCE-MT |
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O ministro do STJ, Reynaldo da Fonseca, por sua vez, reforçou que vem crescendo a atuação do controle externo na efetivação de direitos fundamentais reconhecidos pela Constituição. “Não é só um papel de controle dos atos administrativos, da legalidade e da moralidade, mas também um papel preventivo e pedagógico, que faz com que municípios, estados e a própria União realizem políticas públicas com o menor custo.”
O também ministro do STJ, Alberto Gurgel, avaliou que, para além da orientação, a atuação dos Tribunais avança rumo ao consensualismo, garantindo um ambiente de segurança jurídica propício ao desenvolvimento econômico e social. “Fazendo com que o estado melhore sua atuação, há uma segurança de que estes agentes estarão atuando em prol de uma nação que ofereça um ambiente propício para investimentos.”
| Foto: Tony Ribeiro/TCE-MT |
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Na abertura do evento, na quinta-feira (11), também foi lançado o primeiro Código de Processo de Controle Externo do país, lembrando pelo ministro do TCU, Bruno Dantas, “Sempre achei que os estados poderiam e deveriam exercitar sua competência legislativa em matéria de procedimentos. Folheando este Código, vi que há uma forte conexão entre ele e o código de processo civil, que é moderníssimo.”
No mesmo sentido, se pronunciou o conselheiro Sérgio Ricardo, que presidiu um dos painéis. “As decisões do Tribunal de Contas são muito complexas e às vezes até de difícil compreensão, desde aquele que está recebendo uma decisão, até os próprios operadores do direito. Então ao criar o Código, o TCE-MT está facilitando a compreensão dos jurisdicionados e garantindo mais segurança-jurídica.”
Além de José Carlos Novelli e Sérgio Ricardo, os painéis foram presididos, por pelo supervisor da Escola Superior de Contas, conselheiro Waldir Teis e pelo procurador-geral do Ministério Público de Contas de Mato Grosso (MPC-MT), Alisson Carvalho de Alencar.
“O controle passou a ser humanizado, porque o nosso ponto de partida é que nossos servidores são seres humanos que precisam ser valorizados, capacitados e aprimorados no dia a dia para exercer muito bem as suas funções. Nosso destinatário final são nossos gestores, que precisam ser compreendidos antes de serem julgados. Para isso é preciso capacitá-los para que acertem sempre. Essa é a nossa missão”, disse Alisson.
Homenagens
| Foto: Thiago Bergamasco/TCE-MT |
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Em nome da Escola Superior de Contas, o conselheiro Waldir Teis e o consultor jurídico geral do TCE-MT, Grhegory Maia entregaram homenagem ao presidente do TCE-MT. “A vossa coragem de encarar desafios é incansável. Tínhamos uma boa Escola, mas que precisava de uma repaginação, que demonstrasse a envergadura do Tribunal. Para mim, é um prazer transmitir meu agradecimento e dos nossos servidores”, afirmou Teis.
Ao lado de todos os servidores da Escola, Novelli agradeceu a honraria e reforçou seu compromisso com o órgão. “Reforço minha felicidade em presidir o Tribunal em um momento tão profícuo. O Tribunal fez uma opção e, nesta visão estratégica 2022/2023, a capacitação é o carro chefe. Nossa missão é transformar a administração pública estadual e municipal em referência nacional”, afirmou.
| Foto: Tony Ribeiro/TCE-MT |
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Na ocasião, representando a Assembleia Legislativa de Mato Grosso (AL-MT), a deputada Janaína Riva entregou aos ministros a outorga de cidadãos mato-grossenses. “O título é concedido àqueles que não nasceram em Mato Grosso e que, mesmo longe daqui, trabalham pelo crescimento do estado ou contribuem para o seu desenvolvimento. A instituição pública tem que reconhecer o papel de destaque que desempenham.”
Relevância nacional
Autoridades como o governador em exercício, Otaviano Pivetta e a desembargadora Maria Erotides Kneip participaram do Seminário, apontado como um dos mais importantes para o setor realizado nos últimos anos. O encontro teve início na quinta-feira (11), com palestras dos professores Fredie Didier Júnior, Gianpaolo Smanio, Rafael Soares da Fonseca e a professora Cíntia Brunetta.
| Foto: Thiago Bergamasco/TCE-MT |
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“O evento trouxe personalidades ilustres e é, talvez, o mais bem estruturado que eu tenha visto nos últimos tempos. Penso que o Tribunal de Contas de Mato Grosso está sempre em busca da inovação e do avanço e, por isso, vem despontando como um dos mais modernos do país. Esse seminário é a prova disso, tanto pela escolha dos temas quanto dos temas”, afirmou a desembargadora.
Voltado a agentes do controle externo de todo o país, o Seminário é fruto de parceria com a Escola de Direito da Alfa Educação (Uni Alfa – Fadisp) e está disponível no Canal do TCE-MT no YouTube. Também estiveram presentes os conselheiros Gonçalo Domingos de Campos Neto e Guilherme Antonio Maluf, o presidente da Associação dos Membros dos Tribunais de Contas do Brasil (Atricon), Sérgio Miola e o deputado Wilson Santos.
Confira a galeria de fotos aqui.
Secretaria de Comunicação/TCE-MT
Política
Retrospectiva: Câmara aprovou no primeiro semestre regras para definir valor da pensão alimentícia
A Câmara dos Deputados aprovou no primeiro semestre novas regras para pensão alimentícia. De autoria da deputada Maria Arraes (PSB-PE), o Projeto de Lei 2121/25 foi aprovado em caráter conclusivo pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) e seguiu para o Senado.
O projeto estabelece critérios para definir o valor da pensão alimentícia do filho com até 18 anos, tendo como alimentante o pai ou a mãe.
A proposta altera o Código Civil e diz que a fixação do valor deverá levar em conta a sobrecarga de quem tem a guarda de criança ou adolescente e o comprovado abandono afetivo pelo pai ou pela mãe pagador da pensão.
Criança com TDAH
Neste semestre, a Câmara dos Deputados aprovou ainda projeto de lei que institui a Política Nacional de Atenção às Pessoas Diagnosticadas com Transtornos do Neurodesenvolvimento, com foco em pessoas com dificuldades de aprendizagem.
O texto, dos deputados Alex Manente (Cidadania-SP), Amom Mandel (Republicanos-AM) e Any Ortiz (PP-RS), foi enviado ao Senado com a relatoria da deputada Andreia Siqueira (PSB-PA).
Segundo o Projeto de Lei 4225/23, pessoas com dislexia, Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) ou outros transtornos de aprendizagem contarão com adaptações na realização de provas no ambiente escolar, em concursos públicos, processos seletivos e avaliações.
Esse público deverá ter acesso, por exemplo, a:
- tempo adicional para as avaliações;
- ambiente com menos estímulos para distraí-los;
- oferta de pessoa para ler (ledor) o material;
- recursos tecnológicos de apoio; e
- flexibilização de formatos de prova, observadas as normas específicas de cada sistema de ensino ou de seleção.
As regras serão aplicáveis à educação básica, à educação profissional e tecnológica e à educação superior, bem como às políticas de qualificação profissional e de inserção no trabalho, sem prejuízo de outros direitos previstos em legislação específica.
Passaporte estudantil
Estudantes de baixa renda que realizem estudos ou pesquisas no exterior poderão contar com isenção de taxas para emissão de passaportes e outros documentos de viagem.
A Câmara aprovou a regra por meio do Projeto de Lei 861/19. O texto teve origem no Senado e retornou àquela Casa para nova votação, por ter sido modificado pelos deputados.
O texto foi relatado pela deputada Laura Carneiro (PSD-RJ) e beneficia estudantes que pertençam a famílias inscritas no Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal (CadÚnico) e que tenham renda familiar mensal de até três salários mínimos.
Pais de PCD
A Câmara dos Deputados aprovou a redução da jornada de trabalho, sem prejuízo salarial, para pais de pessoas com deficiência. O Projeto de Lei 2458/25, da deputada Laura Carneiro, foi aprovado em caráter conclusivo na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) e será enviado ao Senado.
Segundo o texto, a norma valerá para trabalhadores contratados pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). A necessidade e o percentual da redução da jornada serão definidos por avaliação biopsicossocial, realizada pelo menos a cada dois anos. Conforme o resultado, o benefício poderá ser ampliado, mantido, reduzido ou suspenso.
Foto: Valquir Kiu Aureliano/Prefeitura de Curitiba
Comunidade terapêutica em Curitiba, Paraná
Acolhimento por drogas
Foi aprovado pela Câmara dos Deputados o Projeto de Lei 1822/24, que permite o acolhimento voluntário de crianças e adolescentes usuários ou dependentes de drogas em comunidades terapêuticas. A proposta agora está em análise no Senado.
De autoria do deputado Pastor Sargento Isidório (Avante-BA), o texto teve a relatoria do deputado Dr. Fernando Máximo (PL-RO).
Segundo o texto, as comunidades terapêuticas acolhedoras poderão realizar esse acolhimento para tratamento por dependência química em conjunto com os pais ou responsáveis legais.
O acolhimento conjunto deverá ser feito em instituições credenciadas e não substitui nem dispensa a frequência da criança ou adolescente à escola básica obrigatória. A exceção é se houver ameaça comprovada à sua vida ou à sua integridade física por parte de organizações criminosas ou grupos de tráfico de drogas em decorrência de envolvimento anterior.
Nesse caso, sua salvaguarda será garantida com decisão judicial ou laudo médico que permita a restrição de circulação em vias públicas durante o programa de tratamento. O estudo continuaria no próprio estabelecimento terapêutico ou em modalidade de ensino compatível com a condição de segurança pretendida.
Essas instituições de acolhimento deverão assegurar a separação entre as crianças e adolescentes dos adultos, em especial no alojamento, dormitório, instalações sanitárias e espaços de tratamento.
Outra modalidade de tratamento é a internação assistida, que deverá ocorrer com o consentimento dos pais ou responsáveis legais e a concordância do adolescente entre 12 e 18 anos, conforme definição do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).
A diferença em relação à modalidade hoje existente, denominada voluntária, é que o novo tipo não dependerá de declaração escrita e seu término não está vinculado explicitamente a laudo médico ou pedido escrito da pessoa sob tratamento.
Sofrimento animal
A Câmara dos Deputados também aprovou o projeto de lei que proíbe a produção e a comercialização de produtos obtidos por meio de alimentação forçada de animais – como o foie gras. O texto aguarda sanção presidencial.
Foie gras é o nome dado ao fígado gordo de pato ou ganso, iguaria da culinária francesa obtida com a alimentação forçada desses animais.
Aprovado em caráter conclusivo pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania da Câmara, o Projeto de Lei 90/20 é oriundo do Senado e prevê penas de detenção de três meses a um ano e multa pelo descumprimento da norma, além de outras sanções estabelecidas na Lei dos Crimes Ambientais.
A proibição abrangerá tanto os produtos in natura quanto os enlatados obtidos por meio do gavage, método de alimentação forçada com a introdução de um tubo na garganta da ave, o que leva à hipertrofia do fígado.
A comercialização dos produtos obtidos já é proibida em alguns países, como Argentina, Austrália e Índia. O texto foi relatado pelo deputado Fred Costa (PRD-MG).
Tarifa mínima de água
A Câmara dos Deputados aprovou projeto de lei que proíbe a cobrança de tarifa mínima de consumo pelos serviços públicos de água e esgoto.
O Projeto de Lei 1845/25, do deputado Carlos Jordy (PL-RJ), altera a Lei do Saneamento Básico e agora está em análise no Senado. O texto foi relatado pelo deputado Kim Kataguiri (Missão-SP).
Segundo o projeto, somente uma das opções da Norma de Referência 13/25, da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), vai bancar os custos recorrentes do serviço que não dependem do volume consumido: a tarifa fixa e básica sem franquia de consumo.
Atualmente, a norma de referência traça regras gerais que devem ser seguidas pelas agências reguladoras da prestação do serviço nos estados e permite o uso de uma parcela fixa calculada com base em uma franquia de consumo mínimo. Nessa situação, quer o usuário tenha ou não tenha consumido o volume definido, ele é cobrado em toda conta.
No entanto, o texto aprovado pelos deputados continua a remeter à norma de referência da ANA a definição dos parâmetros para calcular esse valor fixo.
A parcela variável conforme o volume consumido continua a fazer parte da composição total da tarifa final. Desde que haja disponibilidade regular do serviço ao usuário, a parcela fixa não dependerá da existência de consumo efetivo.
Seguro-defeso
Com a aprovação da Medida Provisória 1323/25, a Câmara dos Deputados fixou novas condições de cadastro e identificação para evitar fraudes no pagamento do seguro-defeso.
Convertida na Lei 15.399/26, a MP também autoriza a quitação das parcelas pendentes em 2026 se o beneficiário atender aos requisitos exigidos em lei.
Segundo o texto, para ter direito ao benefício de anos anteriores, o interessado deve tê-lo solicitado dentro dos prazos legais. O pagamento ocorrerá em até 60 dias depois da regularidade plena do pescador no programa.
Para 2026, o total do seguro-defeso previsto, exceto esses atrasados, é de R$ 7,9 bilhões.
Além disso, o texto prorroga, até 31 de dezembro de 2026, o prazo para os pescadores artesanais apresentarem o já exigido Relatório Anual de Exercício da Atividade Pesqueira (Reap) referente aos anos de 2021, 2022, 2023, 2024 e 2025.
Pescadores artesanais habilitados no Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) e suas associações e cooperativas contarão com os mesmos encargos financeiros de custeio e investimento usados nos programas de reforma agrária, inclusive bônus ou redutores.
Reportagem – Eduardo Piovesan
Edição – Roberto Seabra
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