ASSEMBLEIA LEGISLATIVA DE MT

CST debate saúde mental em Mato Grosso

Em 2019, foi estimado que 10,2% da população com 18 anos ou mais de idade tinham recebido diagnóstico de depressão por profissional de saúde mental

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Política

Foto: Marcos Lopes

A Assembleia Legislativa do Estado de Mato Grosso realizou hoje (24) a segunda reunião de trabalho da Câmara Setorial Temática (CST) da Saúde Mental.  Na ocasião, o presidente da CST, deputado Carlos Avallone (PSDB), falou sobre o plano de trabalho que a equipe técnica vai seguir ao longo dos debates.  Em seguida, a psicóloga da Secretaria Estadual de Saúde, Daniela Santos Bezerra fez uma apresentação sobre o panorama da atual situação em Mato Grosso.

“Hoje dividimos em duas partes, onde num primeiro momento apresentei uma proposta sobre como vamos dar sequência no trabalho da câmara, proposta essa que será colocada no grupo de participantes para sugestões. A proposta de ação da CST será identificar a fragilidade dos sistemas de saúde mental em Mato Grosso; e também  propus construir agenda de fortalecimento do sistema de atenção de saúde mental para todos em Mato Grosso”, revelou o parlamentar.

“Ás vezes a gente faz uma coisa pensando que vai ter uma repercussão de um determinado tamanho, mas não imagina que teria tanto interesse de diferentes órgãos. Realmente me impressionou o interesse positivo, e o que podemos fazer com esse grupo que está sendo formado sobre a saúde pública. Estou muito animado e empolgado para mostrar resultados extremamente positivos”, disse Avallone.

Ele afirmou que a CST busca alternativas de melhorias à saúde mental. “O Brasil lidera o ranking de casos de depressão e ansiedade na América Latina, com mais 23 milhões de padecentes, e ocupa o terceiro lugar de doenças mentais no mundo. Nossa visão é de um mundo que se valoriza, promova e proteja a saúde mental”, falou o deputado.

Conforme esclarecimentos de Avallone, uma das propostas de ação da CST é identificar a fragilidade do sistema de saúde mental em Mato Grosso e construir uma agenda de fortalecimento na rede de atenção à saúde mental para todos no estado.

“Ao longo dos debates vamos convidar pessoas diretamente ligadas à área de saúde mental em Mato Grosso e também de outros estados, para debater os mais variados assuntos dentro da temática ”, destacou ele.

Durante a sua apresentação, a psicóloga da Secretaria de Estado de Saúde, Daniela Bezerra, exemplificou que em Mato Grosso a pesquisa do IBGE mostrou que o distúrbio mental já foi diagnosticado em 40 mil homens e 165 mil mulheres até 2019. Este número é 30% maior que o registrado em 2013, quando foi realizada a edição anterior do estudo. À época, havia sido diagnosticado o total de 157 mil pessoas no estado, sendo 32 mil homens e 124 mil mulheres.

“Estamos focando o embasamento no trabalho desempenhado por nós, em relação à saúde mental. Precisamos melhorar muito para chegarmos onde desejamos, começando pelo apoio e interesse dos políticos”, comentou ela.

Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Mato Grosso tem 205 mil pessoas diagnosticadas com depressão. Desse total, segundo a pesquisa do órgão, 165 mil são mulheres e 40 mil são homens.

“Vem crescendo o número de pessoas diagnosticadas com depressão em Mato Grosso. Em 2019, o número chegou a 205 mil entre cidadãos com 18 anos ou mais. É o que mostra a Pesquisa Nacional de Saúde (PNS), divulgada em 2021 pelo IBGE. Conforme dados do estudo, a doença tem avançado significativamente pelo país, e também em Mato Grosso”, aponta a psicóloga.

Entre as pessoas com diagnóstico de depressão em Mato Grosso, até 2019, 32,6% usam medicamentos para a doença nas últimas semanas anteriores à pesquisa. Por aqui, mais homens fazem uso de remédios para controlar a doença. Cerca de 36,8% deles confirmaram o uso, enquanto entre elas, a proporção é de 31,6%. A faixa etária mais atingida é de pessoas entre 65 a 74 anos. O estudo mostra que 9,7% dessa população convive com a doença em Mato Grosso.

“Atualmente, 19 municípios mato-grossenses possuem porte populacional para a implantação de um Centro de Atendimento Psicossocial com profissionais especializados”, destacou Daniela.

Nos últimos anos, as doenças mentais tiveram um aumento considerável. Segundo a Organização Mundial de Saúde, o Brasil é considerado o país mais ansioso do mundo e o quinto mais depressivo. Mesmo assim, parte dessas pessoas não possui assistência médica adequada quanto à saúde mental.

Em todo o Brasil

Em 2019, foi estimado que 10,2% da população com 18 anos ou mais de idade tinham recebido diagnóstico de depressão por profissional de saúde mental. Esse percentual foi maior do que o encontrado pela PNS 2013 (7,6%) e representa 16,3 milhões de pessoas. A prevalência urbana (10,7%) foi maior do que a rural (7,6%). As regiões Sul e Sudeste apresentaram os maiores percentuais de pessoas com depressão diagnosticada, acima do percentual nacional, 15,2% e 11,5%, respectivamente. Observou-se, também, maior prevalência em pessoas nos extremos de nível de instrução, ou seja, pessoas com ensino superior completo (12,2%) e pessoas sem instrução e com fundamental incompleto (10,9%).


Secretaria de Comunicação Social

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Fábio Garcia nega descumprir ordem do STF após encontro com Mauro

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O deputado federal Fábio Garcia (União) negou ter violado a medida cautelar determinada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) após dividir o mesmo palanque com o ex-governador Mauro Mendes (União) durante um evento político em Sinop. Os dois são investigados na Operação Heritage e estão proibidos de manter contato por decisão do ministro Flávio Dino.

O encontro ocorreu na sexta-feira (4), durante o lançamento da candidatura à reeleição do deputado estadual Dilmar Dal Bosco (União). Fábio e Mauro estiveram no mesmo espaço e chegaram a se cumprimentar publicamente. Durante sua fala, Fábio também citou o ex-governador ao cumprimentar as autoridades presentes.

Questionado na terça-feira (8) sobre a situação, Fábio afirmou que está tranquilo e sustentou que a decisão judicial não determina uma distância física entre os investigados.

“A decisão diz que a gente não pode ter contato, não diz que a gente tem que ter uma distância de tantos metros um do outro”, afirmou.

O deputado também negou ter sido procurado pela Polícia Federal para prestar esclarecimentos sobre o episódio. “Bom, não fui chamado para nada. Sobre isso, nós estamos absolutamente tranquilos”, declarou.

Apesar da interpretação apresentada por Fábio, a Polícia Federal está analisando as imagens do evento para verificar se houve eventual descumprimento da cautelar. A decisão de Flávio Dino determina a proibição de contato entre os investigados, ressalvadas apenas as comunicações estritamente familiares.

O episódio ganhou repercussão justamente porque os dois aparecem juntos e há registros de cumprimento e de uma possível interação durante o evento. Eventual descumprimento dependerá da análise das imagens e da interpretação do alcance da ordem judicial pelo STF.

A situação também chama atenção porque o próprio Fábio havia apresentado uma interpretação diferente da medida em agosto. Na ocasião, ao desistir da candidatura a vice-governador na chapa de Otaviano Pivetta, o deputado afirmou que ele e Mauro não poderiam se comunicar e, por isso, “não podemos estar no mesmo local”. Agora, porém, Garcia sustenta que a decisão impede apenas o contato entre os dois.

Investigação sobre R$ 308 milhões

A restrição foi imposta no âmbito da Operação Heritage, que investiga suspeitas relacionadas a um acordo envolvendo o Governo de Mato Grosso e a empresa Oi, com valores superiores a R$ 308 milhões, segundo as investigações. Entre as medidas determinadas pelo STF estão, além da proibição de contato, a entrega de passaportes e a proibição de saída do país.

A repercussão do encontro também foi utilizada pelo ex-governador Pedro Taques (PSB), que apresentou pedido de prisão contra Mauro Mendes e Fábio Garcia sob alegação de descumprimento das medidas cautelares. O pedido, contudo, não significa que o Judiciário tenha reconhecido até o momento a existência de uma violação.

Agora, a Polícia Federal deverá concluir a análise das imagens e, caso identifique indícios de descumprimento, o episódio poderá ser submetido ao ministro Flávio Dino para avaliação das providências cabíveis.



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