CUIABÁ

TCE-MT acompanha retomada das cirurgias no antigo Pronto Socorro de Cuiabá

Frente à situação da fila de espera, os procedimentos foram apontados como prioritários pela Comissão do TCE-MT, que estabeleceu outros cinco eixos para a atuação da equipe de intervenção

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Política

Mayke Toscano/Secom-MT

A Comissão Especial do Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT) que auxilia a intervenção na saúde de Cuiabá acompanhou a retomada das cirurgias eletivas no antigo Pronto Socorro Municipal de Cuiabá (PSMC), na manhã desta segunda-feira (10).  O grupo, criado pelo presidente da instituição, conselheiro José Carlos Novelli, definiu em março que os procedimentos que aguardam em filas de espera voltassem a ser realizados pelo município hoje. 

Foi o que explicou o coordenador da Comissão, conselheiro Sérgio Ricardo. “O Tribunal de Contas definiu pelo menos cinco eixos para intervenção trabalhar. Desde as primeiras reuniões sugerimos que havia necessidade urgente do reinício das cirurgias para acabar com as filas, pois é uma situação gravíssima e recebemos com muita alegria a notícia de que o governador entendeu essa situação e hoje está aqui retomando o atendimento total do Pronto Socorro, que estava com apenas cerca de 30% da sua capacidade sendo utilizada”.

O conselheiro ressaltou que a retomada das cirurgias era um anseio da sociedade. “Ninguém queria a intervenção, mas se ela está aqui, se está posta, tem que funcionar. Eu não tenho dúvida nenhuma que, com a boa vontade de todos, a intervenção vai dar certo e a sociedade vai ter o atendimento restabelecido, o atendimento que precisa, em sua plenitude.”

Foto: Tony Ribeiro/TCE-MT

Membro da Comissão Especial e presidente da Comissão Permanente de Saúde e Assistência Social do TCE-MT, o conselheiro Guilherme Antônio Maluf explicou que a ação de hoje, lançada pelo governador e pela intervenção, é de suma importância. “Desde o início tivemos o entendimento de que essa fila tinha que ser abordada o mais rápido possível e hoje nós temos a satisfação de ver que a fila vai andar. Está sendo preparada toda a estrutura do antigo Pronto Socorro para isso”.

Durante a visita técnica, o governador Mauro Mendes adiantou que a expectativa é de que, em breve, sejam realizadas 200 cirurgias por semana na unidade. Na ocasião, ele chamou a atenção para a ação conjunta entre as instituições e para o trabalho do Tribunal de Contas. “Com apoio importante do Tribunal de Contas do Estado do Mato Grosso, do Ministério Público e daqueles que apoiam esse movimento para recuperar saúde pública de Cuiabá, a intervenção está redesenhando a rede municipal para que, em articulação com a rede estadual, possamos melhorar a atuação da saúde pública na nossa Capital”.

A interventora, Danielle Carmona Bertucini, também falou sobre o fluxo de cirurgias e afirmou que a previsão é de que nos próximos 12 dias 292 pacientes sejam operados. “Hoje nós já temos 18 pacientes internados e as cirurgias foram iniciadas às 8h. Nós temos aproximadamente 110 mil pacientes aguardando internações eletivas e nosso foco aqui nesse hospital é de uma demanda grande de cirurgia nas áreas de laqueadura, hérnia e vesícula”.

Frente à situação da fila de espera, os procedimentos foram apontados como prioritários pela Comissão do TCE-MT, que estabeleceu outros cinco eixos para a atuação da equipe de intervenção: o funcionamento do Hospital Municipal de Cuiabá (HMC) e das Unidades de Pronto Atendimento (Upas); Central de Regulação: demanda reprimida por cirurgias emergenciais e eletivas; Recursos humanos: quantitativo de profissionais da saúde; Assistência Farmacêutica: gestão de medicamentos; e Levantamento de informações financeiras: Passivo/Fornecedores.

Secretaria de Comunicação/TCE-MT

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ALMT participa da elaboração de manuais de orientação sobre violência contra a mulher

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A Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), por meio da Procuradoria Especial da Mulher, participa da elaboração de dois manuais voltados à prevenção e ao enfrentamento da violência contra a mulher. Desenvolvidos em parceria com o Governo do Estado, os materiais serão destinados aos profissionais da comunicação e da segurança pública, com orientações para evitar a exposição das vítimas, a reprodução de comportamentos violentos e a divulgação sensacionalista de casos de violência doméstica e feminicídio. A previsão é que os documentos sejam concluídos até o final de novembro.

A parceria envolve, além da Assembleia Legislativa e do Governo do Estado, representantes do Poder Judiciário, Ministério Público do Estado de Mato Grosso (MP-MT), Defensoria Pública, Tribunal de Contas e Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), entre outras instituições.

A iniciativa é coordenada pelo Gabinete de Enfrentamento à Violência contra a Mulher, comandado pela delegada da Polícia Civil Mariell Antonini, e reúne instituições da Rede Estadual de Enfrentamento à Violência contra a Mulher. Para desenvolver os materiais, foi criado um grupo de trabalho responsável por estabelecer diretrizes de comunicação e medidas preventivas relacionadas ao chamado efeito copycat, expressão utilizada para definir a possível imitação de comportamentos violentos após a ampla divulgação de determinados crimes.

Segundo Mariell Antonini, a preocupação surgiu a partir de estudos que apontam a possibilidade de determinados crimes serem reproduzidos após receberem grande repercussão, especialmente quando a divulgação apresenta detalhes excessivos sobre a violência praticada.

“Dependendo da notícia, da veiculação de uma informação pelos canais de comunicação, pela mídia em geral, é possível que haja uma replicação, um efeito imitador daquela conduta nas semanas seguintes aos fatos”, explicou a delegada.

A procuradora especial da Mulher da ALMT, Francielle Brustolin, destacou que a participação da Casa de Leis ocorreu desde os estudos iniciais até a elaboração dos protocolos, manuais, guias, cartilhas e estruturação das capacitações. O trabalho contou também com a contribuição técnica da jornalista Deisy Boroviec, profissional de comunicação da Assembleia com experiência na temática da violência de gênero.

“A Assembleia Legislativa não participou apenas formalmente do grupo de trabalho. Contribuiu efetivamente para a construção de instrumentos que buscam transformar a comunicação em uma ferramenta de prevenção, proteção e enfrentamento à violência contra as mulheres”, afirmou Francielle.

Imprensa e segurança pública – O manual destinado à imprensa terá caráter orientativo, respeitando a liberdade de imprensa e a independência editorial dos veículos. Entre as recomendações estão evitar a culpabilização das vítimas, a romantização dos crimes, a exposição desnecessária de detalhes da violência e expressões que possam justificar as agressões.

Já o documento voltado às forças de segurança, especialmente às polícias Civil e Militar, apresentará orientações para pronunciamentos oficiais, preservação das investigações, proteção das vítimas e familiares e cuidados com a divulgação de informações sobre os crimes.

“A publicação vai abordar os cuidados necessários para preservar a dignidade das vítimas, evitar a exposição dos filhos e demais familiares e garantir que a divulgação das ocorrências não comprometa investigações ou provas. Também estão previstas recomendações sobre a preservação dos locais de crime e o respeito à cadeia de custódia, conjunto de procedimentos que assegura a integridade das provas durante a investigação criminal”, descreveu a delegada.

Segundo Mariell Antonini, a forma como os casos são apresentados à sociedade pode influenciar comportamentos e contribuir para a naturalização da violência.

“A imprensa tem um importante papel de transformação. O que nós precisamos mudar na nossa sociedade é a cultura, essa cultura de naturalização da violência contra a mulher. Por isso, precisamos trabalhar com todos os atores que possam colaborar”, ressaltou a delegada.

Para a procuradora Francielle, a proposta não é limitar a divulgação das ocorrências, mas oferecer referências técnicas que permitam informar com responsabilidade e dar visibilidade aos mecanismos de denúncia e proteção.

“Não basta que a sociedade saiba que uma mulher foi vítima de violência. É fundamental que compreenda a gravidade do crime, reconheça os sinais de risco e saiba onde buscar ajuda. A notícia precisa informar sem transformar a violência em espetáculo”, enfatizou.

Capacitação – Além da elaboração dos documentos, a Procuradoria Especial da Mulher organiza uma capacitação prevista para novembro, na sede da ALMT, nas modalidades presencial e virtual. A data ainda será definida.

A formação será direcionada a jornalistas, assessores de imprensa, publicitários, comunicadores institucionais, influenciadores digitais e demais profissionais que atuam na produção e divulgação de informações. O objetivo é apresentar orientações práticas sobre a cobertura responsável de crimes contra mulheres, o uso adequado da linguagem e a prevenção da revitimização.

A modalidade virtual permitirá a participação de profissionais do interior do estado, com a possibilidade de articulação das Procuradorias da Mulher existentes nas Câmaras Municipais.

“Queremos oferecer uma formação que vá além da apresentação dos manuais, com orientações práticas sobre a cobertura responsável de crimes de violência contra a mulher, a prevenção dos riscos associados ao efeito copycat e a preservação da dignidade das vítimas”, explicou a procuradora.

A Procuradoria Especial da Mulher também pretende utilizar a Escola do Legislativo, a TV Assembleia e os canais digitais da Casa de Leis para ampliar as ações educativas e levar informações à população.

Para Francielle Brustolin, a iniciativa reforça o compromisso da ALMT com a prevenção, o acolhimento das vítimas e o fortalecimento das políticas públicas de proteção às mulheres.

“A transformação cultural começa quando deixamos de justificar a violência, passamos a reconhecer seus primeiros sinais e assumimos coletivamente a responsabilidade de combatê-la”, disse.

Após a conclusão, os dois manuais deverão ficar disponíveis na plataforma mulher.mt.gov.br⁠, para consulta dos profissionais e da sociedade.

O portal também disponibiliza vídeos informativos de curta duração, com orientações sobre como identificar situações de violência doméstica, buscar atendimento e contribuir para a prevenção.

Fonte: ALMT – MT



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