CUIABÁ
Eduardo Botelho desponta fácil na linha sucessória da capital
O atual presidente da Assembleia Legislativa de MT tem sido lembrado por quatro em cada 10 pessoas consultadas aleatoriamente em Cuiabá. Na opinião geral dos eleitores, o deputado estadual Eduardo Botelho reúne quesitos de credibilidade e capacidade administrativa para realizar um bom governo no Palácio Alencastro
Política
Se as eleições municipais fossem hoje em Cuiabá, o resultado seria infalivelmente a favor do deputado estadual Eduardo Botelho (União Brasil), atual presidente da Assembleia Legislativa. É impressionante o percentual de eleitores que já apostam fichas positivas no nome de Botelho para suceder Emanuel Pinheiro. Consultados informalmente, dizem que Botelho representa esperança de dias melhores na capital.
O deputado afirma que pretende se candidatar, sim, mas tudo vai depender das suas bases partidárias e grupos aliados da exitosa marcha política que desempenha em MT. Aos 63 anos, ele diz estar rejuvenescido para tocar qualquer empreitada que possa contribuir para sequenciar o bem coletivo da população.
“Amo Cuiabá, assim como também amo Várzea Grande. São cidades irmãs, que detêm canto especial no meu coração. Pretendo ser prefeito da capital um dia, e se tudo correr bem, conforme espero, oficializarei minha candidatura já no próximo pleito. A palavra final será sempre dos meus parceiros, devo frisar, que sempre me acompanham desde o início da minha vida pública, em 2014. Época em que assumi meu primeiro mandato na ALMT, sendo eleito com 40.157 votos”.
Desde então, Botelho disparou célere em brilho político, assumindo a presidência da ALMT de MT no biênio 2017/2019. Em 23 de março de 2018, ele se filiou ao partido Democratas (DEM), sendo reeleito em outubro do mesmo ano, com 33.788 votos. Em 1º de fevereiro, foi reeleito presidente da ALMT para o período de fevereiro de 2019 a fevereiro de 2022.
“Assumi novamente a Mesa Diretora da ALMT por contar com plena confiança dos colegas de Parlamento. As composições falaram sempre a meu favor, e houve esse entendimento consensual. Estamos unidos lá é para trabalhar pelo Estado e seus habitantes. É um compromisso geral de todos os componentes da Casa de Leis, não apenas dos componentes da Mesa”.
Na sua avaliação, uma candidatura a prefeito de Cuiabá é bem mais complexa do que uma disputa ao Legislativo, pois exige dupla habilidade para composição de alianças partidárias e apoio geral de lideranças comunitárias.
“É quase que ‘sambar nos 30’, por assim dizer. Trata-se de postulação realmente desafiadora, e prova disso é o acirramento das últimas disputas protagonizadas na capital. Temos casos de candidatos que foram dormir eleitos e acordaram derrotados. Eleição em Cuiabá é uma caixa de pandora, cheia de surpresas. Quem se habilitar a concorrer precisa ter fôlego, ser dotado de visão privilegiada para enxergar além do comum”, salienta.
EMANUELZINHO X FÁBIO GARCIA
Outros nomes também têm sido lembrados na enquete informal que o site vem realizando em Cuiabá a respeito dos nomes mais cotados para as próximas eleições. Além de Botelho, sempre em destaque na lembrança dos entrevistados, também surge [com distância confortável do presidente do Parlamento Estadual] os nomes dos deputados federais Emanuelzinho e Fábio Garcia, praticamente empatados.

Deputado federal Emanuelzinho
Foto: Davi Valle
Esses últimos detêm apoios políticos importantes, fator que naturalmente vai contar para acirrar ainda mais a disputa. Emanuelzinho, por exemplo, é filho do atual prefeito Emanuel Pinheiro, considerado velha raposa política de MT, com passagens pela Câmara de Vereadores e ALMT. Emanuelzinho conta ainda com carisma contagiante entre a população mais jovem, principalmente a ala estudantil.

Deputado federal Fábio Garcia
Foto: Roque de Sá/Agência Senado
Já Fábio Garcia saiu direto do cargo de secretário do então prefeito da capital, Mauro Mendes, para se projetar no cenário federal, sendo eleito e reeleito nas últimas eleições. Garcia prima por uma postura mais austera no trato com o eleitorado. Há quem afirme que foi eleito basicamente pela força política do governador Mauro Mendes.
O que importa é que Eduardo Botelho – a despeito dessa precoce largada vantajosa rumo à Prefeitura de Cuiabá – já tem dois grandes adversários pela frente, pois os demais nomes colocados pela mídia ainda não chegaram às trincheiras populares, “à boca do povo”.
Questionados, alguns disseram um simplesmente “não conheço” ou um “nunca ouvi falar” sem rodeios. Disputa tripla polarizada, pelo visto.
À parte do prestígio dos três principais nomes que se configuram hoje como possíveis candidatos ao Alencastro, também vai pesar a mobilização dos seus padrinhos políticos. Botelho, sempre prudente, diz que não há clima de Já Ganhou.
No seu caso específico, ele tem sido seu próprio padrinho, dispensando ajudas externas. Isso se deve ao reflexo positivo do seu trabalho parlamentar, empenho que tem contemplado não apenas Cuiabá e VG, mas também cidades interioranas de MT, beneficiando dezenas de milhares de famílias. Ser presente quando o povo mais precisa é infalível aval eleitoral.
Política
Fábio Garcia nega descumprir ordem do STF após encontro com Mauro
O deputado federal Fábio Garcia (União) negou ter violado a medida cautelar determinada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) após dividir o mesmo palanque com o ex-governador Mauro Mendes (União) durante um evento político em Sinop. Os dois são investigados na Operação Heritage e estão proibidos de manter contato por decisão do ministro Flávio Dino.
O encontro ocorreu na sexta-feira (4), durante o lançamento da candidatura à reeleição do deputado estadual Dilmar Dal Bosco (União). Fábio e Mauro estiveram no mesmo espaço e chegaram a se cumprimentar publicamente. Durante sua fala, Fábio também citou o ex-governador ao cumprimentar as autoridades presentes.
Questionado na terça-feira (8) sobre a situação, Fábio afirmou que está tranquilo e sustentou que a decisão judicial não determina uma distância física entre os investigados.
“A decisão diz que a gente não pode ter contato, não diz que a gente tem que ter uma distância de tantos metros um do outro”, afirmou.
O deputado também negou ter sido procurado pela Polícia Federal para prestar esclarecimentos sobre o episódio. “Bom, não fui chamado para nada. Sobre isso, nós estamos absolutamente tranquilos”, declarou.
Apesar da interpretação apresentada por Fábio, a Polícia Federal está analisando as imagens do evento para verificar se houve eventual descumprimento da cautelar. A decisão de Flávio Dino determina a proibição de contato entre os investigados, ressalvadas apenas as comunicações estritamente familiares.
O episódio ganhou repercussão justamente porque os dois aparecem juntos e há registros de cumprimento e de uma possível interação durante o evento. Eventual descumprimento dependerá da análise das imagens e da interpretação do alcance da ordem judicial pelo STF.
A situação também chama atenção porque o próprio Fábio havia apresentado uma interpretação diferente da medida em agosto. Na ocasião, ao desistir da candidatura a vice-governador na chapa de Otaviano Pivetta, o deputado afirmou que ele e Mauro não poderiam se comunicar e, por isso, “não podemos estar no mesmo local”. Agora, porém, Garcia sustenta que a decisão impede apenas o contato entre os dois.
Investigação sobre R$ 308 milhões
A restrição foi imposta no âmbito da Operação Heritage, que investiga suspeitas relacionadas a um acordo envolvendo o Governo de Mato Grosso e a empresa Oi, com valores superiores a R$ 308 milhões, segundo as investigações. Entre as medidas determinadas pelo STF estão, além da proibição de contato, a entrega de passaportes e a proibição de saída do país.
A repercussão do encontro também foi utilizada pelo ex-governador Pedro Taques (PSB), que apresentou pedido de prisão contra Mauro Mendes e Fábio Garcia sob alegação de descumprimento das medidas cautelares. O pedido, contudo, não significa que o Judiciário tenha reconhecido até o momento a existência de uma violação.
Agora, a Polícia Federal deverá concluir a análise das imagens e, caso identifique indícios de descumprimento, o episódio poderá ser submetido ao ministro Flávio Dino para avaliação das providências cabíveis.
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