Vila Bela da Santíssima Trindade

Mato Grosso investe R$ 8,5 milhões para construção de congódromo

Espaço multiuso é um sonho antigo dos realizadores da Festa do Congo, tradicional manifestação cultural e religiosa de Mato Grosso

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Política

Foto: Mayke Toscano-SECOM-MT

O Governo de Mato Grosso, por meio da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico (Sedec) e Secretaria de Infraestrutura e Logística (Sinfra), assinou convênio com a Prefeitura Municipal de Vila Bela da Santíssima Trindade para construção do Congódromo, no valor total de R$ 8,7 milhões. Do total, R$ 8,5 milhões são de recursos do Estado e os outros R$ 263,7 mil são do município. A obra será tocada pela prefeitura.

A assinatura ocorreu nesta segunda-feira (20.03), quando o governador Mauro Mendes despachou diretamente da primeira capital da antiga Província de Mato Grosso, em celebração aos 271 anos de Vila Bela da Santíssima Trindade.

A Festa do Congo é uma das mais tradicionais manifestações culturais e religiosas de Mato Grosso. Ela representa uma luta dramatizada em que dois reinados africanos disputam o poder, com reis e embaixadores. A dança chegou com os antigos escravizados e seus descendentes mantiveram a cultura ancestral.

O rei do Congo, Juarez Gonçalves, disse que ele e todos os envolvidos com os festejos estão felizes e orgulhosos por esse presente que há muito tempo era apenas um sonho. A luta por um Congódromo é antiga, pois eles sempre quiserem um espaço adequado para a festividade e mostrar a cultura do povo negro.

“Entendemos que o governador Mauro Mendes é uma pessoa séria. Não foi como os outros que passaram aqui, nos prometeram e nunca cumpriram. Eu fico surpreso quando o governador disse que o dinheiro já estava na conta e poderíamos cobrar o prefeito, pois ele não é homem de prometer e não cumprir. Estamos imensamente felizes”.

O prefeito de Vila Bela da Santíssima Trindade, Jacob André Bringsken, destacou que o Congódromo é fundamental para a cidade também na área de turismo. “O Congódromo será um centro multiuso e hoje se torna realidade. Houve um grande empenho nisso”.

Cidades Gêmeas

O prefeito de Vila Bela e o prefeito da cidade boliviana de San Ignacio de Velasco, Carlos Ruddy Dorado Flores, entregaram uma carta ao governador Mauro Mendes pedindo para que se empenhe junto ao Governo Federal para que seja homologada a proposta de acordo bilateral referente ao Programa Cidades Gêmeas entre Vila Bela e San Ignacio.

A ideia é fomentar a atividade turística nas cidades fronteiriças. Na carta assinada pelos dois prefeitos, eles sustentam que o turismo propicia o contato entre distintas culturas, promovendo o encontro e o diálogo entre identidades, criando ambientes de negociações.

“Destacamos que os nossos municípios representam a base local da atividade turística, Vila Bela da Santíssima Trindade foi a primeira capital de Mato Grosso, ainda no período colonial, isto, por si só, já representa importante fator de visitação ao lugar. Já San Ignacio de Velasco, possui o Templo de San Ignacio, um importante local e muito procurado turisticamente, preserva costumes e tradições na cidade e nas comunidades próximas; A revalorização do passado missionário, que culminou na reconstrução do templo, incentivou a criação de oficinas artesanais que constituem uma das principais atrações do município, além de propiciar para economia local”.

Conforme o documento, caso sejam homologadas, a divulgação e promoção do turismo fronteiriço serão de abrangência internacional dos destinos, atrativos e produtos turísticos, contribuindo para o aumento do fluxo de turistas e fomentando a economia local, aumentando até mesmo as possibilidades de compras devido à variação cambial, contribuindo para o desenvolvimento econômico.

Fonte: SECOM/MT

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Na CDH, especialistas propõem medidas para prevenir automutilação e suicídio

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Os desafios das políticas públicas para a prevenção da automutilação e do suicídio foram o tema da audiência desta quinta-feira (10) na Comissão de Direitos Humanos (CDH) do Senado. A reunião teve como eixo central o Setembro Amarelo, campanha voltada para essa questão. Especialistas e representantes do governo federal, da sociedade civil e de ONGs discutiram os cuidados necessários com crianças e adolescentes em casa e no ambiente escolar; os impactos do ambiente de trabalho na saúde mental; e os canais disponíveis para pedir ajuda em situações de emergência.

A audiência pública foi requerida pela senadora e presidente da comissão, Damares Alves (Republicanos-DF). Segundo ela, objetivo era ampliar o debate público, reduzir o estigma em torno da questão e estimular a busca por ajuda diante de situações de sofrimento psíquico.

A campanha Setembro Amarelo tornou-se oficial com a sanção da Lei 15.199, em setembro de 2025. A norma também estabeleceu 17 de setembro como o Dia Nacional de Prevenção da Automutilação, e 10 de setembro como o Dia Nacional de Prevenção do Suicídio.

Números

Na abertura da audiência, a senadora apresentou dados sobre a dimensão do problema no mundo. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de 720 mil pessoas morrem por suicídio a cada ano. Para cada morte, estima-se que ocorram mais de 20 tentativas. Entre pessoas de 15 a 29 anos, o suicídio já é a terceira principal causa de morte.

Damares ressaltou que, no Brasil, o Ministério da Saúde contabilizou 15.507 mortes por suicídio em 2021, das quais 77,8% entre homens. Naquele ano, o suicídio foi a terceira principal causa de morte entre adolescentes de 15 a 19 anos e a quarta entre jovens de 20 a 29 anos. O mesmo levantamento identificou 114.159 notificações de violência autoprovocada, das quais 70% envolveram pessoas do sexo feminino.

— Esses dados revelam distintos grupos que apresentam diferentes padrões de vulnerabilidade. Por isso, as políticas de prevenção não podem ser uniformes — ponderou a parlamentar.

A senadora afirmou que a saúde mental de crianças e adolescentes merece atenção especial. Segundo a OMS, em publicação atualizada em 2025, um em cada sete adolescentes entre 10 e 19 anos vive com algum transtorno mental. Depressão, ansiedade e transtornos comportamentais estão entre as principais causas de adoecimento e incapacidade nessa etapa da vida.

Bullying

Para Erasto Fortes, coordenador-geral de Políticas Educacionais em Direitos Humanos do Ministério da Educação, a questão deve ser enfrentada numa abordagem intersetorial, e não só no campo da saúde. Como crianças e adolescentes passam parte significativa das suas vidas na escola, explicou, falar em prevenção no campo educacional exige a construção de ambientes educativos “seguros, acolhedores, inclusivos e democráticos”.

— O bullying, a discriminação, o racismo, a violência de gênero, a intolerância, a exclusão social, a humilhação e outras formas de violação não podem ser naturalizadas como episódios menores na vida escolar — argumentou.

Lívia dos Santos Ferreira, auditora fiscal do trabalho e representante do Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais do Trabalho (Sinait), descreveu fatores de risco de suicídio direta ou indiretamente relacionados ao ambiente de trabalho, como estressores financeiros, dificuldades econômicas e instabilidade financeira dos trabalhadores. Ela também relacionou situações que impactam especificamente as mulheres.

— Falta de clareza e de equidade das oportunidades de promoção do trabalho, diferenças de salários pagos entre homens e mulheres, sobrecarga de jornada de trabalho que se soma ao trabalho de cuidado da casa e dos filhos, são situações que a gente percebe no dia a dia como inspetora do trabalho — afirmou.

A especialista também abordou o problema do suicídio no serviço público. Segundo ela, mais de meio milhão de trabalhadores foram afastados apenas do serviço público federal em 2025, em decorrência de ansiedade, depressão e burnout.

Cláudia Márcia de Carvalho Soares, presidente da Associação Brasileira de Magistrados do Trabalho (ABMT), ressaltou que a manutenção de um ambiente de trabalho íntegro e seguro é obrigação do empregador prevista na CLT e na Constituição Federal, e destacou que a Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1) tornou essa obrigação mais objetiva ao definir deveres e responsabilidades específicos de empregadores e empregados.

— Um terço da nossa vida é no ambiente de trabalho. Então ele não pode ser causa de adoecimento e não pode ser causa de agravar um adoecimento — observou.

CVV

Alan Teixeira Lima, voluntário do Centro de Valorização da Vida (CVV), falou do trabalho da instituição, pioneira na prevenção do suicídio no Brasil e presente no país há 64 anos. Ele afirmou que, embora o CVV seja mais conhecido pelo atendimento telefônico, também mantém grupos de apoio a sobreviventes do suicídio. Hoje, explicou, o CVV conta com 2.300 voluntários no Brasil, que no último ano prestaram apoio emocional mais de 2 milhões de vezes.

— Uma pessoa pode ligar quantas vezes quiser para o CVV. A gente funciona 24 horas, garante o atendimento sigiloso, e o anonimato da pessoa que nos procura, sem julgamento, sem crítica, favorecendo o diálogo — disse Lima.

O CVV (188) atende gratuitamente pessoas passando por sofrimento psíquico, 24 horas, por telefone (188), chat ou e-mail.

Risco das bets

Gabriella de Andrade Boska, coordenadora de gestão da Rede de Atenção Psicossocial do Ministério da Saúde, relatou a preocupação da pasta com o impacto das apostas esportivas online, as chamadas bets, no número de suicídios registrados no país nos últimos anos. 

— Há estudos, inclusive da OMS, que mostram taxas de 15 vezes mais de chances de pessoas endividadas por questões de apostas cometerem suicídio por esse endividamento — afirmou.

A representante do ministério também alertou para um índice maior de casos de suicídio entre a população negra. 

Antônio Geraldo da Silva, presidente da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), alertou que a prevenção do suicídio ainda é vista como tabu e que não se pode tentar resolver uma emergência médica como uma tentativa de suicídio pelas redes sociais.

 — O preconceito estrutural é tão grande que até hoje nós não temos sequer um antidepressivo, como o carbonato de lítio, na Farmácia Popular. Isso é grave — concluiu.

Também participaram da audiência Silvia Waiãpi, ex-deputada federal; Benedito da Vozinha, bacharel em Direito; e Lídia Caroline de Carvalho, mãe atípica e assessora no Senado Federal.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado



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