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Governo de MT recebe visita de gestores de MS interessados em conhecer as iniciativas de sucesso no Estado

Secretários buscaram conhecer modelos de gestão e sistemas implementados no Estado

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Política

Cristiano Emanuel

O Governo de Mato Grosso, por meio da Secretaria de Planejamento e Gestão uma equipe de gestores de Mato Grosso do Sul em busca de informações sobre as iniciativas e práticas de sucesso desenvolvidas pelo Governo e também para trocar conhecimento a respeito da administração pública, além de conhecer as propostas já implementadas e em desenvolvimento pela gestão realizada pelo atual governo.

Entre as boas práticas do Estado apresentadas à comitiva estão os sistemas Integrado de Gestão Documental (Sigadoc), Biométrico de Controle de Frequência (WEBPonto), e o Entregas MT.

O titular da Seplag, Basílio Bezerra, destacou à comitiva algumas medidas de gestão que foram adotadas pelo Estado, que, além de melhorarem o desempenho da administração, trouxeram economia aos cofres públicos.

“O uso da tecnologia otimizou recursos, melhorou o controle e reduziu a burocracia na administração pública, tornando a gestão mais eficiente, bem como contribuiu para a sustentabilidade ambiental”, comentou o gestor ao acrescentar que, com ações pontuais, o Estado conseguiu melhorar a gestão pública e ao mesmo tempo economizar recursos para que pudessem ser investidos na prestação de serviços de qualidade à população.

Durante a reunião técnicos da Seplag, responsáveis pela implantação e manutenção desses sistemas detalharam o funcionamento deles e todo o caminho percorrido pela administração e os benefícios alcançados com as medidas.

A Secretária de Administração e Desburocratização de Mato Grosso do Sul, Ana Carolina Nardes, afirmou estar impressionada com a evolução de Mato Grosso no que diz respeito à gestão e aos sistemas utilizados na melhoria de processos e fluxos na administração.

“O nosso governador Eduardo Riedel também veio da iniciativa privada e tem essa mesma vertente de transformação digital. Esse contato realizado com Mato Grosso será muito oportuno para que possamos potencializar e fazer essa troca de experiência e boas práticas entre os entes federados. Estamos muito impactados positivamente com a estrutura que o Estado tem implementado na área de gestão”.

O secretário de Governo de Mato Grosso do Sul, Pedro Caravina, ressaltou que a ideia da visita foi absorver aquilo que funciona bem em gestão e que Mato Grosso tem muito a oferecer.

“Tivemos uma ótima impressão a respeito da organização de MT em relação à gestão e à questão digital, viemos em busca de eficiência na digitalização de processos, gostamos muito do que foi apresentado, encontramos aqui alguns modelos que estávamos buscando para implementar em nosso estado”.

Sistemas apresentados

A superintendente de Arquivo Público da Seplag, Vanda da Silva, fez a apresentação do Sigadoc e explicou todo o processo de implantação. Em funcionamento há dois anos, ele possui código aberto e trabalha com a produção, a edição, a assinatura e a tramitação de documentos e processos de forma totalmente eletrônica e eliminou totalmente a tramitação de documentos físicos no Executivo.

O coordenador de Monitoramento e Pessoal da Seplag, Jomair Robson da Silva, mostrou o novo Sistema Biométrico de Controle de Frequência (WEBPonto2.0) que está sendo desenvolvido, e o secretário-chefe de Gabinete de Governo, Jordan Espíndola dos Santos, explicou sobre o sistema Entregas, que é utilizado pelo Governador Mauro Mendes para acompanhar o andamento e execução das entregas do Estado, sejam elas obras ou serviços.

Participaram também da reunião o secretário de Infraestrutura e Logística, Helio Peluffo, e o superintendente de Gestão da Informação, Gustavo Nantes, ambos de MS, além de secretários adjuntos e técnicos da Seplag e representantes da Controladoria Geral do Estado e da Empresa Mato-grossense de Tecnologia da Informação.

Fonte: SECOM-MT

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Na CDH, especialistas propõem medidas para prevenir automutilação e suicídio

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Os desafios das políticas públicas para a prevenção da automutilação e do suicídio foram o tema da audiência desta quinta-feira (10) na Comissão de Direitos Humanos (CDH) do Senado. A reunião teve como eixo central o Setembro Amarelo, campanha voltada para essa questão. Especialistas e representantes do governo federal, da sociedade civil e de ONGs discutiram os cuidados necessários com crianças e adolescentes em casa e no ambiente escolar; os impactos do ambiente de trabalho na saúde mental; e os canais disponíveis para pedir ajuda em situações de emergência.

A audiência pública foi requerida pela senadora e presidente da comissão, Damares Alves (Republicanos-DF). Segundo ela, objetivo era ampliar o debate público, reduzir o estigma em torno da questão e estimular a busca por ajuda diante de situações de sofrimento psíquico.

A campanha Setembro Amarelo tornou-se oficial com a sanção da Lei 15.199, em setembro de 2025. A norma também estabeleceu 17 de setembro como o Dia Nacional de Prevenção da Automutilação, e 10 de setembro como o Dia Nacional de Prevenção do Suicídio.

Números

Na abertura da audiência, a senadora apresentou dados sobre a dimensão do problema no mundo. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de 720 mil pessoas morrem por suicídio a cada ano. Para cada morte, estima-se que ocorram mais de 20 tentativas. Entre pessoas de 15 a 29 anos, o suicídio já é a terceira principal causa de morte.

Damares ressaltou que, no Brasil, o Ministério da Saúde contabilizou 15.507 mortes por suicídio em 2021, das quais 77,8% entre homens. Naquele ano, o suicídio foi a terceira principal causa de morte entre adolescentes de 15 a 19 anos e a quarta entre jovens de 20 a 29 anos. O mesmo levantamento identificou 114.159 notificações de violência autoprovocada, das quais 70% envolveram pessoas do sexo feminino.

— Esses dados revelam distintos grupos que apresentam diferentes padrões de vulnerabilidade. Por isso, as políticas de prevenção não podem ser uniformes — ponderou a parlamentar.

A senadora afirmou que a saúde mental de crianças e adolescentes merece atenção especial. Segundo a OMS, em publicação atualizada em 2025, um em cada sete adolescentes entre 10 e 19 anos vive com algum transtorno mental. Depressão, ansiedade e transtornos comportamentais estão entre as principais causas de adoecimento e incapacidade nessa etapa da vida.

Bullying

Para Erasto Fortes, coordenador-geral de Políticas Educacionais em Direitos Humanos do Ministério da Educação, a questão deve ser enfrentada numa abordagem intersetorial, e não só no campo da saúde. Como crianças e adolescentes passam parte significativa das suas vidas na escola, explicou, falar em prevenção no campo educacional exige a construção de ambientes educativos “seguros, acolhedores, inclusivos e democráticos”.

— O bullying, a discriminação, o racismo, a violência de gênero, a intolerância, a exclusão social, a humilhação e outras formas de violação não podem ser naturalizadas como episódios menores na vida escolar — argumentou.

Lívia dos Santos Ferreira, auditora fiscal do trabalho e representante do Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais do Trabalho (Sinait), descreveu fatores de risco de suicídio direta ou indiretamente relacionados ao ambiente de trabalho, como estressores financeiros, dificuldades econômicas e instabilidade financeira dos trabalhadores. Ela também relacionou situações que impactam especificamente as mulheres.

— Falta de clareza e de equidade das oportunidades de promoção do trabalho, diferenças de salários pagos entre homens e mulheres, sobrecarga de jornada de trabalho que se soma ao trabalho de cuidado da casa e dos filhos, são situações que a gente percebe no dia a dia como inspetora do trabalho — afirmou.

A especialista também abordou o problema do suicídio no serviço público. Segundo ela, mais de meio milhão de trabalhadores foram afastados apenas do serviço público federal em 2025, em decorrência de ansiedade, depressão e burnout.

Cláudia Márcia de Carvalho Soares, presidente da Associação Brasileira de Magistrados do Trabalho (ABMT), ressaltou que a manutenção de um ambiente de trabalho íntegro e seguro é obrigação do empregador prevista na CLT e na Constituição Federal, e destacou que a Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1) tornou essa obrigação mais objetiva ao definir deveres e responsabilidades específicos de empregadores e empregados.

— Um terço da nossa vida é no ambiente de trabalho. Então ele não pode ser causa de adoecimento e não pode ser causa de agravar um adoecimento — observou.

CVV

Alan Teixeira Lima, voluntário do Centro de Valorização da Vida (CVV), falou do trabalho da instituição, pioneira na prevenção do suicídio no Brasil e presente no país há 64 anos. Ele afirmou que, embora o CVV seja mais conhecido pelo atendimento telefônico, também mantém grupos de apoio a sobreviventes do suicídio. Hoje, explicou, o CVV conta com 2.300 voluntários no Brasil, que no último ano prestaram apoio emocional mais de 2 milhões de vezes.

— Uma pessoa pode ligar quantas vezes quiser para o CVV. A gente funciona 24 horas, garante o atendimento sigiloso, e o anonimato da pessoa que nos procura, sem julgamento, sem crítica, favorecendo o diálogo — disse Lima.

O CVV (188) atende gratuitamente pessoas passando por sofrimento psíquico, 24 horas, por telefone (188), chat ou e-mail.

Risco das bets

Gabriella de Andrade Boska, coordenadora de gestão da Rede de Atenção Psicossocial do Ministério da Saúde, relatou a preocupação da pasta com o impacto das apostas esportivas online, as chamadas bets, no número de suicídios registrados no país nos últimos anos. 

— Há estudos, inclusive da OMS, que mostram taxas de 15 vezes mais de chances de pessoas endividadas por questões de apostas cometerem suicídio por esse endividamento — afirmou.

A representante do ministério também alertou para um índice maior de casos de suicídio entre a população negra. 

Antônio Geraldo da Silva, presidente da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), alertou que a prevenção do suicídio ainda é vista como tabu e que não se pode tentar resolver uma emergência médica como uma tentativa de suicídio pelas redes sociais.

 — O preconceito estrutural é tão grande que até hoje nós não temos sequer um antidepressivo, como o carbonato de lítio, na Farmácia Popular. Isso é grave — concluiu.

Também participaram da audiência Silvia Waiãpi, ex-deputada federal; Benedito da Vozinha, bacharel em Direito; e Lídia Caroline de Carvalho, mãe atípica e assessora no Senado Federal.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado



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