Santo Antônio do Leverger

Mutirão de cidadania do Governo de MT com ações para as mulheres

No período de 2019 e 2022 Santo Antônio do Leverger recebeu mais de R$ 3 milhões destinados à assistência social do município.

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Política

Foto por: Josi Dias
A Secretaria de Estado de Assistência Social e Cidadania (Setasc), por meio das secretarias adjuntas de Programa e Projetos Especiais e Atenção à Família (SAPPEAF), Direitos Humanos, Assuntos Comunitários e o Procon, promoveu nesta quarta-feira (01.03) em Santo Antônio do Leverger o Mutirão de Cidadania e o projeto Ônibus Lilás, dando início às ações para o mês da mulher.

O mutirão contou com a equipe técnica do programa Ser Família orientando as famílias sobre o recadastramento do Cadastro Único (CadÚnico); com a equipe da Tecnologia e Informação da Setasc, orientando sobre o uso do aplicativo MT Cidadão para emissão da Carteira de Identificação do Autista (CIA); do Procon, orientando sobre os direitos da mulher consumidora e provedora do lar; além dos técnicos do projeto Ônibus Lilás que promoveram palestras e atendimento psicoassistencial individualizado, com o objetivo de prevenir a violência doméstica.

A secretária adjunta de Cidadania e Inclusão Socioprodutiva, Marilene Marchese, informou que o município de Santo Antônio do Leverger foi escolhido para iniciar as ações pela primeira-dama Virginia Mendes por ter uma prefeita e uma vice-prefeita mulheres.

“Essa é mais uma ação do Governo de Mato Grosso, juntamente com a primeira-dama, Virginia Mendes, e a secretária Grasielle Bugalho e quero parabenizá-las por esta escolha. As mulheres de Santo Antônio estão felizes e gratas por este presente. Está sendo um momento muito gostoso, com ações voltadas inteiramente para elas”, ressaltou.

“Estou feliz de saber da participação das mulheres nos atendimentos, toda a programação é para elas. Todo esse trabalho é possível porque contamos com o apoio do governo do Estado, das equipes Setasc e Unaf, voluntários e do município com o apoio da prefeita Franciele Magalhães e vice-prefeita Gisele Ribeiro. Temos outras ações neste mês de março. Nesta quinta-feira o mutirão vai atender o bairro Renascer em Cuiabá, contamos com a participação da população”, disse a primeira-dama do estado Virginia Mendes.

Foto por: Josi Dias

A prefeita de Santo Antônio do Leverger, Francielli Magalhães, agradeceu o trabalho desenvolvido pelo governador Mauro Mendes, em especial à primeira-dama, Virginia Mendes, por ter um olhar de carinho e amor voltado para a população e ressaltou que levar ações como esta é muito importante para a valorização de todas as mulheres.

“Mesmo com todas as dificuldades que a nossa primeira-dama vem enfrentando com a sua saúde, ela tira um tempo para se dedicar à população. Desejo a ela boa recuperação e agradecer em nome da população santaniense. Sabemos a importância da mulher e que ela precisa ser valorizada diariamente, não só no dia oito de março. Precisamos lembrar das mulheres todos os dias”, finalizou a prefeita Francielli.

O secretário de Assistência Social de Santo Antônio do Leverger, Rafael Victor Pedroso de Lima, disse que foi uma honra receber a abertura do Mutirão da Cidadania e Ônibus Lilás já que é um dos municípios mais carentes da Baixada Cuiabana.

Segundo o secretário, o índice de violência doméstica no município está alarmante, chegando em torno de 25%, e que por isso tem se empenhado para que a situação seja revertida em quatro meses à frente da pasta.

“Temos uma equipe do CREAS atuante no município em parcerias com o conselho tutelar e com os demais órgãos, mesmo assim nós temos um índice um pouco elevado. Para isso, estamos trabalhando na área preventiva com palestra e atendimentos descentralizados. Levando a secretaria nas comunidades mais distantes”, pontuou o secretário Rafael.

Alane de Oliveira, 19 anos, é mãe solteira e aproveitou o mutirão para ser cadastrar no Cadastro Único (CadÚnico).

“Achei essa ação muito boa. Eu não era cadastrada e assim que fiquei sabendo do mutirão vim me inscrever no Cadastro Único, já que vou ter acesso aos programas sociais”, relatou.

Outra dona de casa atendida pelo mutirão foi a Silvana Aparecida de Oliveira Silva. Diabética, somente o esposo que trabalha como autônomo para sustentar a família de quatro pessoas. Ela conta que no ano passado foi beneficiada pelo Ser Família Emergencial.

“Vim aqui para fazer o recadastramento do Cadastro Único. Com isso posso conseguir a ajuda do Ser Família novamente para a minha família”, contou Silvana.

Entre 2019 e 2022, Santo Antônio do Leverger recebeu 6.126 cestas básicas, totalizando mais de R$ 530 mil de investimentos. Outras ações do Governo de Mato Grosso no município entre o Ser Família Emergencial, cofinanciamento, filtros de barro e máquinas de costura para ações da secretaria municipal de Assistência Social somam mais de R$ 2,6 milhões destinados à assistência social do município.

Fonte: SECOM-MT

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Política

Na CDH, especialistas propõem medidas para prevenir automutilação e suicídio

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Os desafios das políticas públicas para a prevenção da automutilação e do suicídio foram o tema da audiência desta quinta-feira (10) na Comissão de Direitos Humanos (CDH) do Senado. A reunião teve como eixo central o Setembro Amarelo, campanha voltada para essa questão. Especialistas e representantes do governo federal, da sociedade civil e de ONGs discutiram os cuidados necessários com crianças e adolescentes em casa e no ambiente escolar; os impactos do ambiente de trabalho na saúde mental; e os canais disponíveis para pedir ajuda em situações de emergência.

A audiência pública foi requerida pela senadora e presidente da comissão, Damares Alves (Republicanos-DF). Segundo ela, objetivo era ampliar o debate público, reduzir o estigma em torno da questão e estimular a busca por ajuda diante de situações de sofrimento psíquico.

A campanha Setembro Amarelo tornou-se oficial com a sanção da Lei 15.199, em setembro de 2025. A norma também estabeleceu 17 de setembro como o Dia Nacional de Prevenção da Automutilação, e 10 de setembro como o Dia Nacional de Prevenção do Suicídio.

Números

Na abertura da audiência, a senadora apresentou dados sobre a dimensão do problema no mundo. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de 720 mil pessoas morrem por suicídio a cada ano. Para cada morte, estima-se que ocorram mais de 20 tentativas. Entre pessoas de 15 a 29 anos, o suicídio já é a terceira principal causa de morte.

Damares ressaltou que, no Brasil, o Ministério da Saúde contabilizou 15.507 mortes por suicídio em 2021, das quais 77,8% entre homens. Naquele ano, o suicídio foi a terceira principal causa de morte entre adolescentes de 15 a 19 anos e a quarta entre jovens de 20 a 29 anos. O mesmo levantamento identificou 114.159 notificações de violência autoprovocada, das quais 70% envolveram pessoas do sexo feminino.

— Esses dados revelam distintos grupos que apresentam diferentes padrões de vulnerabilidade. Por isso, as políticas de prevenção não podem ser uniformes — ponderou a parlamentar.

A senadora afirmou que a saúde mental de crianças e adolescentes merece atenção especial. Segundo a OMS, em publicação atualizada em 2025, um em cada sete adolescentes entre 10 e 19 anos vive com algum transtorno mental. Depressão, ansiedade e transtornos comportamentais estão entre as principais causas de adoecimento e incapacidade nessa etapa da vida.

Bullying

Para Erasto Fortes, coordenador-geral de Políticas Educacionais em Direitos Humanos do Ministério da Educação, a questão deve ser enfrentada numa abordagem intersetorial, e não só no campo da saúde. Como crianças e adolescentes passam parte significativa das suas vidas na escola, explicou, falar em prevenção no campo educacional exige a construção de ambientes educativos “seguros, acolhedores, inclusivos e democráticos”.

— O bullying, a discriminação, o racismo, a violência de gênero, a intolerância, a exclusão social, a humilhação e outras formas de violação não podem ser naturalizadas como episódios menores na vida escolar — argumentou.

Lívia dos Santos Ferreira, auditora fiscal do trabalho e representante do Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais do Trabalho (Sinait), descreveu fatores de risco de suicídio direta ou indiretamente relacionados ao ambiente de trabalho, como estressores financeiros, dificuldades econômicas e instabilidade financeira dos trabalhadores. Ela também relacionou situações que impactam especificamente as mulheres.

— Falta de clareza e de equidade das oportunidades de promoção do trabalho, diferenças de salários pagos entre homens e mulheres, sobrecarga de jornada de trabalho que se soma ao trabalho de cuidado da casa e dos filhos, são situações que a gente percebe no dia a dia como inspetora do trabalho — afirmou.

A especialista também abordou o problema do suicídio no serviço público. Segundo ela, mais de meio milhão de trabalhadores foram afastados apenas do serviço público federal em 2025, em decorrência de ansiedade, depressão e burnout.

Cláudia Márcia de Carvalho Soares, presidente da Associação Brasileira de Magistrados do Trabalho (ABMT), ressaltou que a manutenção de um ambiente de trabalho íntegro e seguro é obrigação do empregador prevista na CLT e na Constituição Federal, e destacou que a Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1) tornou essa obrigação mais objetiva ao definir deveres e responsabilidades específicos de empregadores e empregados.

— Um terço da nossa vida é no ambiente de trabalho. Então ele não pode ser causa de adoecimento e não pode ser causa de agravar um adoecimento — observou.

CVV

Alan Teixeira Lima, voluntário do Centro de Valorização da Vida (CVV), falou do trabalho da instituição, pioneira na prevenção do suicídio no Brasil e presente no país há 64 anos. Ele afirmou que, embora o CVV seja mais conhecido pelo atendimento telefônico, também mantém grupos de apoio a sobreviventes do suicídio. Hoje, explicou, o CVV conta com 2.300 voluntários no Brasil, que no último ano prestaram apoio emocional mais de 2 milhões de vezes.

— Uma pessoa pode ligar quantas vezes quiser para o CVV. A gente funciona 24 horas, garante o atendimento sigiloso, e o anonimato da pessoa que nos procura, sem julgamento, sem crítica, favorecendo o diálogo — disse Lima.

O CVV (188) atende gratuitamente pessoas passando por sofrimento psíquico, 24 horas, por telefone (188), chat ou e-mail.

Risco das bets

Gabriella de Andrade Boska, coordenadora de gestão da Rede de Atenção Psicossocial do Ministério da Saúde, relatou a preocupação da pasta com o impacto das apostas esportivas online, as chamadas bets, no número de suicídios registrados no país nos últimos anos. 

— Há estudos, inclusive da OMS, que mostram taxas de 15 vezes mais de chances de pessoas endividadas por questões de apostas cometerem suicídio por esse endividamento — afirmou.

A representante do ministério também alertou para um índice maior de casos de suicídio entre a população negra. 

Antônio Geraldo da Silva, presidente da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), alertou que a prevenção do suicídio ainda é vista como tabu e que não se pode tentar resolver uma emergência médica como uma tentativa de suicídio pelas redes sociais.

 — O preconceito estrutural é tão grande que até hoje nós não temos sequer um antidepressivo, como o carbonato de lítio, na Farmácia Popular. Isso é grave — concluiu.

Também participaram da audiência Silvia Waiãpi, ex-deputada federal; Benedito da Vozinha, bacharel em Direito; e Lídia Caroline de Carvalho, mãe atípica e assessora no Senado Federal.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado



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