HMC e São Benedito
Ginástica laboral ajuda a evitar lesões e doenças ocupacionais
Desenvolvida pelo SESMT, as ações visam o bem-estar dos colaboradores no desempenho de suas funções
Esporte
Que tal uma rápida paradinha no horário de trabalho para entender a importância do uso correto dos equipamentos de proteção individual (EPIs) e um exercício laboral? A iniciativa está em prática no Hospital Municipal de Cuiabá (HMC) e no Hospital Municipal São Benedito (HMSB), sob coordenação do Serviço Especializado em Segurança e Medicina do Trabalho da Empresa Cuiabana de Saúde Pública (SESMT-ECSP). O objetivo é promover a percepção sobre os cuidados com o corpo, antes, durante e depois do trabalho. Tem sido desenvolvida in loco, por setores, de modo que não interfira na rotina hospitalar e todos os trabalhadores sejam beneficiados.
“A ideia é que levem em conta a orientação, que executem no dia a dia e sintam a mudança, pois proporciona a melhora no corpo físico, além de evitar lesões e algumas doenças ocupacionais. O hospital não pode parar para a capacitação, portanto a gente concilia o melhor horário de cada setor para que, dessa forma, tenha um aproveitamento melhor”, explicou o engenheiro de segurança do trabalho do SESMT-ECSP, Anderson Tonon.
Além dele, a técnica de segurança do trabalho, Leiner Paula Chicati, a técnica de enfermagem Karina Vaz e o educador físico Rodrigo Souza integram a equipe responsável pela ação contínua nos hospitais citados.
Leiner explica que tem orientado os colaboradores sobre os cuidados com ponto biométrico, entrega de atestado, certidões de nascimento e de óbitos e atualização dos exames periódicos. As informações são pertinentes, uma vez que interferem no registro da vida funcional.
Outros temas também recebem atenção, como os cuidados com a vestimenta, a necessidade do uso de sapatos fechados no ambiente de trabalho e de máscara, descarte correto de materiais para evitar contaminações. “É um diálogo aberto, onde acontece uma troca de informações. O foco é a saúde pessoal que, consequentemente interfere na do outro”, ponderou Leiner.
Já a ginástica laboral distrai enquanto ‘destrava’ os nervos e músculos e os participantes relaxam um pouco. “Tem a finalidade de movimentar o corpo e sacudir o estresse. Estamos finalizando uma apostila em PDF com os exercícios e ilustrações visuais, de como fazer para diferentes profissionais, pois uns trabalham o tempo todo em pé, outros sentados. Com a apostila, poderão executar sozinhos, ao longo do dia. E a ação presencial poderá ser intercalada para tirar dúvidas”, revelou o educador físico responsável pela ginástica laboral, que em breve apresentará os benefícios ao diretor da ESCP, Paulo Rós.
Rós considera benéfico o trabalho desenvolvido pelo SESMT e ressalta que a conscientização de todos os envolvidos é determinante para a eficácia do aprendizado.
Por Eliana Bess – SECOM CUIABÁ
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Quando perder músculo também ameaça o cérebro
Durante muito tempo, falar em obesidade significava olhar apenas para o peso e para o IMC. Hoje sabemos que isso é insuficiente.
Duas pessoas com o mesmo peso podem ter condições completamente diferentes. Uma pode apresentar boa massa muscular e força preservada. A outra pode acumular gordura, especialmente abdominal, enquanto perde músculo e capacidade funcional.
Essa combinação é chamada de obesidade sarcopênica.
Ela reúne dois problemas importantes: excesso de gordura corporal e redução da massa ou da força muscular. Além de aumentar o risco de fragilidade, quedas, diabetes e doenças cardiovasculares, novas evidências mostram que essa condição também pode estar associada a maior risco de demência.
O que a ciência mostra :
Um grande estudo publicado na revista Clinical Nutrition avaliou dados de centenas de milhares de pessoas e analisou a relação entre composição corporal, força muscular e desenvolvimento de demência.
Os resultados mostraram que tanto a sarcopenia isolada quanto a obesidade sarcopênica estavam associadas a um risco maior de declínio cognitivo. Um dos achados mais relevantes foi a importância da força de preensão manual, medida por dinamometria.
Quanto menor a força e quanto maior sua redução ao longo dos anos ,maior foi o risco observado.
Isso reforça uma mudança importante na forma de avaliar a saúde: Não basta saber quanto peso uma pessoa perdeu. Precisamos saber quanto músculo e quanta força ela conseguiu preservar.
Emagrecer , nem sempre significa melhorar a saúde ?
Uma perda de peso mal conduzida pode incluir perda significativa de massa muscular, principalmente em pessoas mais velhas, sedentárias, submetidas a dietas muito restritivas ou a tratamentos sem acompanhamento adequado.
Mesmo com o avanço dos medicamentos para obesidade, o objetivo não deve ser apenas reduzir o número na balança. O tratamento precisa preservar músculo, reduzir gordura visceral, melhorar o metabolismo e manter a autonomia.
O paciente não deve apenas ficar mais leve. Deve ficar mais saudável, mais forte e funcionalmente mais capaz.
Por que o músculo influencia a saúde cerebral?
A relação entre músculo e cérebro é complexa, mas alguns mecanismos ajudam a explicá-la.
A perda muscular pode piorar a resistência à insulina, reduzir o gasto energético, aumentar o sedentarismo e favorecer inflamação crônica. Ao mesmo tempo, fatores como hipertensão, diabetes, apneia do sono e colesterol elevado afetam os vasos sanguíneos que irrigam tanto o coração quanto o cérebro.
Por isso, preservar músculo é muito mais do que uma questão estética. É uma estratégia de proteção metabólica, cardiovascular, funcional e possivelmente cognitiva.
Como enfrentar cientificamente esse problema ?
O primeiro passo é avaliar mais do que o peso. Circunferência abdominal, composição corporal, força de preensão, velocidade da marcha, capacidade funcional e exames cardiometabólicos ajudam a identificar riscos que o IMC isolado não mostra.
O treinamento de força deve ocupar posição central. Caminhar é importante, mas pode não ser suficiente para preservar ou recuperar massa muscular. Exercícios resistidos, progressivos e individualizados são fundamentais.
A alimentação também precisa garantir quantidade adequada de proteínas e energia, distribuídas ao longo do dia e ajustadas à idade, função renal, rotina e condição clínica.
Além disso, é essencial tratar fatores que aceleram a perda muscular e o envelhecimento vascular, como sedentarismo, diabetes, hipertensão, alterações do sono, tabagismo e obesidade visceral.
Envelhecer bem ,exige preservar força
A obesidade sarcopênica mostra por que o cuidado não pode ser fragmentado. Peso, metabolismo, coração, músculo e cérebro fazem parte do mesmo sistema.
Entendemos que o acompanhamento precisa ir além da balança. Avaliamos composição corporal, força, risco cardiovascular, alimentação, sono, rotina e capacidade funcional para construir estratégias verdadeiramente individualizadas.
Porque o objetivo não é apenas perder peso. É preservar autonomia, proteger o cérebro, fortalecer o corpo e construir saúde antes que a doença se manifeste.
Saúde não é sorte. É rotina.
Dr. Max Wagner de LimaCardiologista — CRM 6194 | RQE 2308 Prevenção cardiovascular, cardiometabolismo e medicina de antecipação.
Maristela Luft — CRN -16431Nutricionista e Mestre em nutrição clínica, composição corporal e cuidado cardiometabólico.
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