MEIO AMBIENTE

Em reunião com Ministério, Mato Grosso cobra combate ao desmate ilegal nas áreas federais

Agenda faz parte do Fórum de Secretários de Meio Ambiente da Amazônia Legal, organizado pela Força-Tarefa dos Governadores Pelos Clima e Floresta (GCF)

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Política

Foto por: Sema-MT

Como parte da programação do Fórum de Secretários de Meio Ambiente da Amazônia Legal, a Secretaria de Estado de Meio Ambiente de Mato Grosso (Sema-MT) se reuniu com representantes do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima para solicitar mais investimentos no combate ao desmatamento ilegal em áreas federais. O encontro aconteceu na manhã desta sexta-feira (27/01), em Brasília.

“Levamos uma carta com o posicionamento dos secretários da Amazônia Legal que mostra o que elencamos como prioridade. Levamos para o centro das discussões a necessidade dos estados de mais ações de comando e controle nas áreas federais, para efetivamente eliminarmos o desmatamento ilegal, de incentivo ao desenvolvimento regional de baixas emissões e da floresta em pé”, destaca a secretária de Meio Ambiente de Mato Grosso e presidente da Associação Brasileira de Entidades de Meio Ambiente (Abema), Mauren Lazzaretti.

A agenda foi conduzida pelo secretário-executivo do Ministério do Meio Ambiente, João Paulo Capobianco, o secretário-executivo adjunto, Mauro Pires, o secretário Extraordinário de Controle do Desmatamento e Queimadas, André Lima, e o chefe do Departamento de Políticas de Controle do Desmatamento e Queimadas, Raoni Rajão.

O documento entregue também pede incentivos para a bioeconomia e projetos de descarbonização, como o Carbono Neutro MT, que prevê a neutralização das emissões até 2035 em Mato Grosso. Também aponta a urgência da regularização fundiária e ambiental da Amazônia, e de se facilitar e desburocratizar a análise de projetos e a liberação de recursos, quando houver a retomada do Fundo Amazônia.

Como presidente da Abema, a secretária pontuou na reunião a necessidade de tratativas que incluam os desafios dos outros biomas presentes em outros estados, e em Mato Grosso, como o Pantanal, Cerrado, Mata Atlântica, Caatinga e área Costeira.

Créditos: Sema-MT

Secretário de Meio Ambiente do Amazonas, Eduardo Taveira, secretário-executivo do MMA, João Paulo Capobianco e a secretária de Meio Ambiente de MT, Mauren Lazzaretti
Créditos: Sema-MT

Ainda nesta manhã, os representantes de Mato Grosso se reuniram com embaixadores do Reino Unido e Noruega, e com a Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional, para tratar da retomada do fundo Amazônia. O secretário-executivo da Sema-MT, Alex Marega, destaca a importância desta pauta para todos os nove estados da Amazônia.

“Com a reativação do Fundo da Amazônia, os estados vão poder novamente submeter os seus projetos para buscar financiamentos, o que é extremamente importante. Em Mato Grosso já tivemos uma fase de investimento que beneficiou principalmente as nossas regionais com novas sedes, compra de equipamentos, e desenvolvimento de sistemas”, conta.

Fórum de Secretários

Secretários de Meio Ambiente dos estados da Amazônia Legal estiveram reunidos, nesta quinta-feira (26/01), na primeira Reunião Ordinária de 2023 do Fórum de Secretários da Força-Tarefa de Governadores para o Clima e Florestas (GCF Task Force). Entre as pautas, estão a gestão ambiental e o combate aos crimes ambientais no bioma em 2023. O espaço possibilita que os secretários compartilhem experiências e ações para a proteção da maior floresta tropical úmida do mundo.

Na ocasião, foi eleita para a presidência do Fórum a secretária de Meio Ambiente e das Políticas Indígenas do Acre, Julie Messias, e como vice-presidente, permanece a secretária de Meio Ambiente e Recursos Naturais do Maranhão, Raysa Queiroz. Messias assume o lugar do secretário do Amazonas, Eduardo Taveira.

Créditos: Sema-MT

Fonte: SECOM-MT

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Na CDH, especialistas propõem medidas para prevenir automutilação e suicídio

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Os desafios das políticas públicas para a prevenção da automutilação e do suicídio foram o tema da audiência desta quinta-feira (10) na Comissão de Direitos Humanos (CDH) do Senado. A reunião teve como eixo central o Setembro Amarelo, campanha voltada para essa questão. Especialistas e representantes do governo federal, da sociedade civil e de ONGs discutiram os cuidados necessários com crianças e adolescentes em casa e no ambiente escolar; os impactos do ambiente de trabalho na saúde mental; e os canais disponíveis para pedir ajuda em situações de emergência.

A audiência pública foi requerida pela senadora e presidente da comissão, Damares Alves (Republicanos-DF). Segundo ela, objetivo era ampliar o debate público, reduzir o estigma em torno da questão e estimular a busca por ajuda diante de situações de sofrimento psíquico.

A campanha Setembro Amarelo tornou-se oficial com a sanção da Lei 15.199, em setembro de 2025. A norma também estabeleceu 17 de setembro como o Dia Nacional de Prevenção da Automutilação, e 10 de setembro como o Dia Nacional de Prevenção do Suicídio.

Números

Na abertura da audiência, a senadora apresentou dados sobre a dimensão do problema no mundo. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de 720 mil pessoas morrem por suicídio a cada ano. Para cada morte, estima-se que ocorram mais de 20 tentativas. Entre pessoas de 15 a 29 anos, o suicídio já é a terceira principal causa de morte.

Damares ressaltou que, no Brasil, o Ministério da Saúde contabilizou 15.507 mortes por suicídio em 2021, das quais 77,8% entre homens. Naquele ano, o suicídio foi a terceira principal causa de morte entre adolescentes de 15 a 19 anos e a quarta entre jovens de 20 a 29 anos. O mesmo levantamento identificou 114.159 notificações de violência autoprovocada, das quais 70% envolveram pessoas do sexo feminino.

— Esses dados revelam distintos grupos que apresentam diferentes padrões de vulnerabilidade. Por isso, as políticas de prevenção não podem ser uniformes — ponderou a parlamentar.

A senadora afirmou que a saúde mental de crianças e adolescentes merece atenção especial. Segundo a OMS, em publicação atualizada em 2025, um em cada sete adolescentes entre 10 e 19 anos vive com algum transtorno mental. Depressão, ansiedade e transtornos comportamentais estão entre as principais causas de adoecimento e incapacidade nessa etapa da vida.

Bullying

Para Erasto Fortes, coordenador-geral de Políticas Educacionais em Direitos Humanos do Ministério da Educação, a questão deve ser enfrentada numa abordagem intersetorial, e não só no campo da saúde. Como crianças e adolescentes passam parte significativa das suas vidas na escola, explicou, falar em prevenção no campo educacional exige a construção de ambientes educativos “seguros, acolhedores, inclusivos e democráticos”.

— O bullying, a discriminação, o racismo, a violência de gênero, a intolerância, a exclusão social, a humilhação e outras formas de violação não podem ser naturalizadas como episódios menores na vida escolar — argumentou.

Lívia dos Santos Ferreira, auditora fiscal do trabalho e representante do Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais do Trabalho (Sinait), descreveu fatores de risco de suicídio direta ou indiretamente relacionados ao ambiente de trabalho, como estressores financeiros, dificuldades econômicas e instabilidade financeira dos trabalhadores. Ela também relacionou situações que impactam especificamente as mulheres.

— Falta de clareza e de equidade das oportunidades de promoção do trabalho, diferenças de salários pagos entre homens e mulheres, sobrecarga de jornada de trabalho que se soma ao trabalho de cuidado da casa e dos filhos, são situações que a gente percebe no dia a dia como inspetora do trabalho — afirmou.

A especialista também abordou o problema do suicídio no serviço público. Segundo ela, mais de meio milhão de trabalhadores foram afastados apenas do serviço público federal em 2025, em decorrência de ansiedade, depressão e burnout.

Cláudia Márcia de Carvalho Soares, presidente da Associação Brasileira de Magistrados do Trabalho (ABMT), ressaltou que a manutenção de um ambiente de trabalho íntegro e seguro é obrigação do empregador prevista na CLT e na Constituição Federal, e destacou que a Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1) tornou essa obrigação mais objetiva ao definir deveres e responsabilidades específicos de empregadores e empregados.

— Um terço da nossa vida é no ambiente de trabalho. Então ele não pode ser causa de adoecimento e não pode ser causa de agravar um adoecimento — observou.

CVV

Alan Teixeira Lima, voluntário do Centro de Valorização da Vida (CVV), falou do trabalho da instituição, pioneira na prevenção do suicídio no Brasil e presente no país há 64 anos. Ele afirmou que, embora o CVV seja mais conhecido pelo atendimento telefônico, também mantém grupos de apoio a sobreviventes do suicídio. Hoje, explicou, o CVV conta com 2.300 voluntários no Brasil, que no último ano prestaram apoio emocional mais de 2 milhões de vezes.

— Uma pessoa pode ligar quantas vezes quiser para o CVV. A gente funciona 24 horas, garante o atendimento sigiloso, e o anonimato da pessoa que nos procura, sem julgamento, sem crítica, favorecendo o diálogo — disse Lima.

O CVV (188) atende gratuitamente pessoas passando por sofrimento psíquico, 24 horas, por telefone (188), chat ou e-mail.

Risco das bets

Gabriella de Andrade Boska, coordenadora de gestão da Rede de Atenção Psicossocial do Ministério da Saúde, relatou a preocupação da pasta com o impacto das apostas esportivas online, as chamadas bets, no número de suicídios registrados no país nos últimos anos. 

— Há estudos, inclusive da OMS, que mostram taxas de 15 vezes mais de chances de pessoas endividadas por questões de apostas cometerem suicídio por esse endividamento — afirmou.

A representante do ministério também alertou para um índice maior de casos de suicídio entre a população negra. 

Antônio Geraldo da Silva, presidente da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), alertou que a prevenção do suicídio ainda é vista como tabu e que não se pode tentar resolver uma emergência médica como uma tentativa de suicídio pelas redes sociais.

 — O preconceito estrutural é tão grande que até hoje nós não temos sequer um antidepressivo, como o carbonato de lítio, na Farmácia Popular. Isso é grave — concluiu.

Também participaram da audiência Silvia Waiãpi, ex-deputada federal; Benedito da Vozinha, bacharel em Direito; e Lídia Caroline de Carvalho, mãe atípica e assessora no Senado Federal.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado



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