"Quinta-feira (15)"
Pequenos produtores rurais de Várzea Grande e Livramento expõem suas mercadorias na Feira da Agricultura Familiar
Evento será oportunidade para demonstrar resultados dos trabalhos desenvolvidos ao longo do ano, como cursos, assistências técnicas e disponibilização de equipamentos e insumos pela Prefeitura e parceiros.
Economia
Pequenos produtores rurais de Várzea Grande e de Nossa Senhora do Livramento realizam, no próximo dia 15 de dezembro, a Feira da Agricultura Familiar, com apoio das Prefeituras dos dois municípios. O evento ocorrerá das 8h às 17 horas, no pátio da Prefeitura de Várzea Grande, entre o prédio principal e a Procuradoria Geral do Município. Ao todo, 20 stands estarão disponíveis, sendo 15 para produtores locais e 5 para expositores da cidade vizinha.
Quem for conferir a feira vai encontrar pães, bolos e biscoitos artesanais, frutas (abacaxi, banana, jabuticaba, laranja, limão, manga, tamarindo), folhosas (agrião, alface, almeirão, cebolinha, cheiro verde, coentro, couve, hortelã, rúcula, salsa), verduras (abóbora, batata doce, berinjela, feijão de corda, jiló, mandioca, maxixe, pimenta, quiabo), derivados de leite (queijos, requeijão, cabacinha), doces de leite, geleias, melado, rapadura, mel, banha, produtos medicinais (garrafadas, sabonetes, xaropes), além de itens de artesanato, como decoração, viola de cocho e tapetes de crochê.
De acordo com o secretário municipal de Meio Ambiente e Desenvolvimento Rural Sustentável, Célio dos Santos, a Feira da Agricultura Familiar já ocorreu outras vezes, mas é a primeira vez que irá ocorrer em parceria com outro Município. “Nós acreditamos que é uma forma de divulgar todo o trabalho que vem sendo desenvolvido pela administração do prefeito Kalil Baracat com relação ao fortalecimento da agricultura familiar. E como nós sabemos que somos cidades irmãs, nada mais justo do que desenvolver um trabalho em parceria dessas duas prefeituras”, disse.
Conforme o gestor, a feira é o momento em que os pequenos produtores rurais poderão mostrar o resultado de tudo aquilo que produziram com o apoio da Prefeitura e demais parceiros. “Isso é fruto do trabalho de cursos de capacitação que nós estamos realizando na zona rural em parceria com o SENAR. É fruto de apoios que estamos recebendo da Secretaria de Estado de Agricultura Familiar, através da secretária Teté Bezerra, que tem nos apoiado e disponibilizado equipamentos agrícolas e insumos para que a gente possa fortalecer cada vez mais a agricultura familiar aqui no município de Várzea Grande. Estamos extremamente otimistas e 2023 promete mais ainda para a agricultura familiar aqui em Várzea Grande”, afirma.
Segundo o coordenador de Desenvolvimento Rural Sustentável, Jhonattan Ferreira, que está a frente da organização da feira, ao longo de 2022, a Secretaria de Meio Ambiente e Desenvolvimento Rural Sustentável (SEMMADRS) impulsionou seu rol de serviços às famílias do campo, oferecendo oficina de agroecologia e produção de defensivos orgânicos; cursos e palestras em parceria com o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (SENAR-MT), sendo: fabricação caseira de melado, açúcar mascavo e rapadura, vacinação contra brucelose, casqueamento, panificação artesanal, identificação e uso de plantas medicinais, controle de formigas cortadeiras e cupins, cultivo de banana, avicultura, olericultura, apicultura, ovinocultura, produção de derivados do leite.
Além disso, foram oferecidas assistências técnicas, transporte e distribuição gratuitos de insumos, disponibilização de tratores com operadores para preparo do solo, entre outros benefícios com o intuito de auxiliar os pequenos produtores em suas atividades. “Estamos rotineiramente nas comunidades em contato com os produtores para levantar e atender as demandas. Aqueles agricultores que querem aprimorar sua produção, recebem total apoio da Secretaria e esta feira será o momento deles apresentarem às pessoas da cidade tudo aquilo que vem sendo feito no campo, graças ao apoio da Prefeitura”, afirma.
Economia
Reforma tributária impulsiona doações de imóveis a herdeiros
A Reforma Tributária promulgada em dezembro de 2023 provocou um aumento no número de doações de imóveis em todo o país. Segundo o Colégio Notarial do Brasil (CNB), em 2025, foram registradas 185.861 escrituras públicas – um crescimento de 59% em comparação aos 116.225 atos formalizados em 2020.

Para especialistas, a “corrida” aos cartórios e à plataforma digital do CNB, o e-notariado, reflete uma crescente busca das famílias para antecipar a transferência de patrimônio, antes da entrada em vigor das novas regras do Imposto sobre Transmissão Causa Mortis e Doação (ITCMD).
O ITCMD é um imposto que os estados e o Distrito Federal cobram sobre a herança e a doação de bens ou direitos patrimoniais. Cada unidade federativa tem autonomia para definir seus próprios prazos e taxas.
Com a gradual entrada em vigor da Reforma Tributária, quanto maior for o valor do bem maior será o percentual das alíquotas do ITCMD, podendo chegar ao máximo de 8%.
A título de exemplo, no Distrito Federal, o governo distrital cobra uma alíquota progressiva de 4% a 6% para heranças e doações, independentemente do valor do patrimônio transmitido. Em São Paulo, há dois projetos de lei em discussão na Assembleia Legislativa: um que reduz a alíquota progressiva atualmente cobrada no estado, limitando-a ao máximo de 4%, e outro que institui o teto de 8%.
Além disso, conforme o texto da Emenda nº 132/2023, que institui a Reforma Tributária, a base de cálculo do imposto passará a ser o valor de mercado do imóvel ou bem, e não mais seu valor patrimonial – geralmente, mais baixo.
“A expectativa é que esse volume de doações continue crescendo e, portanto, também as lavraturas de escrituras”, declarou, em nota, o presidente do CNB, Eduardo Calais.
Ainda segundo a entidade, que representa os mais de 9 mil notários e tabeliães do Brasil, o registro de escrituras públicas de doações de imóveis começou a aumentar já em 2020, antes mesmo da Reforma Tributária ser promulgada, mas se intensificou nos últimos anos, até atingir, em 2025, o maior número da série histórica.
“Nos últimos meses, é nítido o aumento na procura de clientes que buscam antecipar sua sucessão patrimonial, seja por meio de doações diretas a descendentes, seja pela integralização de ativos em holdings familiares”, acrescentou, na mesma nota, Joanna Oliveira Rezende Barbosa, especialista em planejamento patrimonial.
Para os especialistas, há muitas famílias acompanhando a movimentação legislativa nos estados e no Distrito Federal para decidir se antecipam as doações em vida, e como fazê-las. Até porque, conforme já estabelecido pelo Supremo Tribunal Federal (STF), mudanças na cobrança do imposto precisam ser previamente aprovadas e regulamentadas pelo poder local.
Doações exigem cautela
Por outro lado, o advogado Matheus Bertolo Piconez alerta que agir impulsivamente pode gerar uma série de problemas, inclusive familiares.
Por exemplo: se os pais antecipam a doação para o(s) filho(s) do único imóvel que possuem, sem estabelecer seu direito de, enquanto vivos, continuarem morando ou se beneficiando da renda gerada pelo bem, passarão a depender da boa vontade do(s) herdeiro(s).
“A antecipação faz sentido quando vem acompanhada de planejamento completo, não como uma corrida de última hora”, acrescentou o advogado.
Piconez destaca a importância de o interessado também definir os termos gerais do acordo de transmissão do bem e verificar se dispõe dos recursos financeiros necessários para honrar despesas imediatas, já que a doação de um imóvel ou patrimônio não elimina a obrigação de pagar o ITCMD e outras despesas.
Presidente da seção do Colégio Notarial do Brasil no Distrito Federal, Geraldo Felipe de Souto destaca que, além de poderem registrar as escrituras remotamente, por meio da plataforma e-notariado, é possível realizar o planejamento sucessório sem abrir mão do pleno controle patrimonial. Uma das opções mais adotadas para isto é a chamada doação com reserva de usufruto.
“A Reforma Tributária trouxe urgência para conversas que muitas famílias ainda não tinham tido. Planejar a sucessão patrimonial deixou de ser algo para o futuro e passou a ser uma decisão do presente”, comentou Souto, garantindo que os cartórios de notas estão prontos para orientar cada família sobre as melhores alternativas para cada caso.
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