""Economia forte"

Intenção de consumo dos cuiabanos para o fim de ano segue maior que no ano passado

A situação econômica positiva, no decorrer do ano, coloca o índice da pesquisa em condições melhores do que o observado no fim de 2021 e início de 2022

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Economia

Foto: Divulgação/FECOMERCIO-MT

A pesquisa de Intenção de Consumo das Famílias (ICF), realizada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens e Serviços e Turismo (CNC) e analisada pelo Instituto de Pesquisa e Análise Fecomércio Mato Grosso (IPF-MT), mostra que os cuiabanos têm melhorado a expectativa de consumo neste fim de ano em comparação ao ano anterior, acumulando alta de 7,3% em novembro de 2022 sobre o mesmo período do ano passado.

O índice atual soma 77,7 pontos, contra 72,4 pontos em novembro de 2021. A situação pandêmica da Covid-19 e a crise política e econômica ocorrida em 2015 colocou os números da pesquisa em nível de pessimismo, abaixo de 100 pontos.

Segundo análise do IPF-MT, a melhora do indicador no comparativo com o ano anterior está alinhada a um cenário animador para o comércio e serviços neste fim de ano, com a aproximação das principais datas comemorativas para os setores.

Os dados também revelam que o recente crescimento do índice geral no decorrer do ano, com alta de 6,4% em janeiro e novembro deste ano, reforça o crescimento do otimismo do consumidor, mesmo a pesquisa contabilizando uma pequena queda sobre o mês de outubro, de -0,38%. O recuo é reflexo da queda – na mesma proporção – na intenção de consumo para as famílias que recebem até 10 salários-mínimos e também acima de 10 s.m, com retração de -0,5%.

O presidente da Fecomércio-MT, José Wenceslau de Souza Júnior, acredita que as baixas averiguadas nos últimos meses podem estar ligadas a uma retração intencional das famílias para realizarem compras nas datas da Black Friday, Copa do Mundo e as festividades de fim de ano. Uma vez que o período de coleta é realizado sempre nos últimos 10 dias do mês anterior ao da divulgação da pesquisa.

“Com o fim do ano, benefícios como o 13º dos trabalhadores estimulam o consumo, movimentando a economia da capital e demais regiões do estado. Além disso, temos um aumento nas contratações, o que são muito importantes para a renda em circulação de dinheiro no estado”, afirmou Wenceslau Júnior.

Entre os subíndices avaliados na capital, Momento para Duráveis registra variação positiva no mês de novembro se comparado ao mês de outubro, com alta de 6,5%. Ainda sobre os subíndices, a Perspectiva Profissional também se destaca positivamente no mês, com alta de 4,8%, e a Renda Atual, com aumento de 1,5%.

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Reforma tributária impulsiona doações de imóveis a herdeiros

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A Reforma Tributária promulgada em dezembro de 2023 provocou um aumento no número de doações de imóveis em todo o país. Segundo o Colégio Notarial do Brasil (CNB), em 2025, foram registradas 185.861 escrituras públicas – um crescimento de 59% em comparação aos 116.225 atos formalizados em 2020.

Para especialistas, a “corrida” aos cartórios e à plataforma digital do CNB, o e-notariado, reflete uma crescente busca das famílias para antecipar a transferência de patrimônio, antes da entrada em vigor das novas regras do Imposto sobre Transmissão Causa Mortis e Doação (ITCMD).

O ITCMD é um imposto que os estados e o Distrito Federal cobram sobre a herança e a doação de bens ou direitos patrimoniais. Cada unidade federativa tem autonomia para definir seus próprios prazos e taxas.

Com a gradual entrada em vigor da Reforma Tributária, quanto maior for o valor do bem maior será o percentual das alíquotas do ITCMD, podendo chegar ao máximo de 8%.

A título de exemplo, no Distrito Federal, o governo distrital cobra uma alíquota progressiva de 4% a 6% para heranças e doações, independentemente do valor do patrimônio transmitido. Em São Paulo, há dois projetos de lei em discussão na Assembleia Legislativa: um que reduz a alíquota progressiva atualmente cobrada no estado, limitando-a ao máximo de 4%, e outro que institui o teto de 8%.

Além disso, conforme o texto da Emenda nº 132/2023, que institui a Reforma Tributária, a base de cálculo do imposto passará a ser o valor de mercado do imóvel ou bem, e não mais seu valor patrimonial – geralmente, mais baixo.

“A expectativa é que esse volume de doações continue crescendo e, portanto, também as lavraturas de escrituras”, declarou, em nota, o presidente do CNB, Eduardo Calais.

Ainda segundo a entidade, que representa os mais de 9 mil notários e tabeliães do Brasil, o registro de escrituras públicas de doações de imóveis começou a aumentar já em 2020, antes mesmo da Reforma Tributária ser promulgada, mas se intensificou nos últimos anos, até atingir, em 2025, o maior número da série histórica.

“Nos últimos meses, é nítido o aumento na procura de clientes que buscam antecipar sua sucessão patrimonial, seja por meio de doações diretas a descendentes, seja pela integralização de ativos em holdings familiares”, acrescentou, na mesma nota, Joanna Oliveira Rezende Barbosa, especialista em planejamento patrimonial.

Para os especialistas, há muitas famílias acompanhando a movimentação legislativa nos estados e no Distrito Federal para decidir se antecipam as doações em vida, e como fazê-las. Até porque, conforme já estabelecido pelo Supremo Tribunal Federal (STF), mudanças na cobrança do imposto precisam ser previamente aprovadas e regulamentadas pelo poder local.

Doações exigem cautela

Por outro lado, o advogado Matheus Bertolo Piconez alerta que agir impulsivamente pode gerar uma série de problemas, inclusive familiares.

Por exemplo: se os pais antecipam a doação para o(s) filho(s) do único imóvel que possuem, sem estabelecer seu direito de, enquanto vivos, continuarem morando ou se beneficiando da renda gerada pelo bem, passarão a depender da boa vontade do(s) herdeiro(s).

“A antecipação faz sentido quando vem acompanhada de planejamento completo, não como uma corrida de última hora”, acrescentou o advogado.

Piconez destaca a importância de o interessado também definir os termos gerais do acordo de transmissão do bem e verificar se dispõe dos recursos financeiros necessários para honrar despesas imediatas, já que a doação de um imóvel ou patrimônio não elimina a obrigação de pagar o ITCMD e outras despesas.

Presidente da seção do Colégio Notarial do Brasil no Distrito Federal, Geraldo Felipe de Souto destaca que, além de poderem registrar as escrituras remotamente, por meio da plataforma e-notariado, é possível realizar o planejamento sucessório sem abrir mão do pleno controle patrimonial. Uma das opções mais adotadas para isto é a chamada doação com reserva de usufruto.

“A Reforma Tributária trouxe urgência para conversas que muitas famílias ainda não tinham tido. Planejar a sucessão patrimonial deixou de ser algo para o futuro e passou a ser uma decisão do presente”, comentou Souto, garantindo que os cartórios de notas estão prontos para orientar cada família sobre as melhores alternativas para cada caso.



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