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Mato Grosso tem estrutura suficiente mesmo se ocorrer o pior cenário, afirma especialista

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Da Redação

O médico Abdon Salam Khaled Karhawi, que é especialista em infectologia e professor da Universidade Federal de Mato Grosso, afirmou que Mato Grosso possui a estrutura necessária para atender os casos de coronavírus, mesmo na hipótese de ocorrer o pior cenário projetado de propagação da pandemia.

Abdon colabora com o Gabinete de Situação criado pelo Governo do Estado para monitorar e deliberar as ações necessárias para impedir o avanço do covid-19 em Mato Grosso.

“Estamos trabalhando para que haja o menor impacto possível. O vírus está instalado e em progressão. Toda a estrutura estadual está sendo preparada para isso. As unidades estão realocando leitos para estes pacientes, otimizando os espaços isolados. O fato é que precisamos ouvir os gestores, que estão trabalhando com isso. A equipe comandada pelo governador Mauro Mendes e pelo secretario de Saúde, Gilberto Figueiredo, está extremamente focada para que as pessoas recebam o tratamento necessário neste momento. Todos estão muito preocupados para que as pessoas recebam o atendimento correto”, afirmou ele, durante coletiva transmitida pela internet sobre a consolidação das medidas contra o coronavírus, na última quinta-feira (26.03).

O infectologista fez uma projeção da situação de Mato Grosso com o cenário da Itália, onde a pandemia provocou milhares de mortes. De acordo com ele, ainda que o vírus avance no Estado com a mesma força que avançou no país europeu, o que não deve acontecer, o Estado contará com um cenário “plausível de controlar”. 

“Podemos pegar a população italiana, que tem 60 milhões de habitantes. Até ontem havia 75 mil pessoas infectadas. Desse grupo de pacientes, 10% tiveram complicações mais graves. O cenário que nós temos é que a cada 1000 pessoas, 200 precisarão de atendimento hospitalar. Dessas 200, 50 estarão em UTI. Esse é o respaldo científico que temos hoje”.
 
“Nesse cenário, se compararmos com Mato Grosso, temos uma estimativa de infectados de pouco mais de 4 mil pessoas. Isso deve gerar uma perspectiva de que 850 pessoas precisarão de atendimento hospitalar e, dentro desse grupo, cerca de 200 a 220 leitos de UTI”, afirmou.

Abdon ponderou que esses números estão projetados na perspectiva do pior cenário possível, que é o exemplo italiano. Por isso, ele reiterou a necessidade de a população continuar a seguir as determinações do Governo do estado, no sentido de evitar o contato social, manter distanciamento mínimo de 1,5m e promover a devida higienização.

“Temos um cenário bem plausível de controlar, que está sendo calculado para atingir o ápice com 55 dias de infecção. Sendo que o nosso primeiro caso tem poucas semanas. De uma maneira objetiva, temos um cenário controlado”, ressaltou. 

Ampliação de leitos

O Governo de Mato Grosso tem definido uma série de ações para contar com a estrutura necessária de atendimento. No momento, as unidades geridas diretamente pelo Governo contabilizam 240 leitos clínicos disponíveis em oito hospitais. 

Com as medidas do Plano de Contingência, o Estado contará com o total de 616 leitos clínicos nos hospitais estaduais. 

Já o total de leitos das Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) disponibilizados nos hospitais estaduais é de 126 leitos, entre neonatal, adulto e pediátrico. Com o Plano de Contingência, a rede de assistência do estado passará a ter 228 leitos de UTI.

Também está previsto o incremento de 376 leitos clínicos e 102 leitos de UTI adulto para o atendimento de pacientes com a Covid-19. O Hospital Metropolitano de Várzea Grande, por exemplo, terá ampliação de 200 leitos, passando a contar com um total de 260 leitos exclusivos para os casos de coronavírus.

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Pivetta prepara enxugamento da máquina e avalia cortes no Governo de MT

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O governador reeleito Otaviano Pivetta (Republicanos) prepara uma revisão ampla da estrutura do Governo de Mato Grosso antes do início do novo mandato, em janeiro de 2027. A medida pretende identificar despesas que podem ser reduzidas e tornar a máquina pública mais enxuta.

A previsão é que um decreto seja publicado entre esta quarta-feira (7) e quinta-feira (8), estabelecendo os critérios para a análise. O trabalho deverá avaliar a estrutura dos órgãos estaduais, gastos com pessoal e custeio, contratos e possíveis sobreposições de funções.

A condução dos estudos deverá ficar a cargo de uma comissão presidida pelo ex-secretário de Fazenda Rogério Gallo, que coordenou a campanha de Pivetta nas eleições deste ano. O grupo terá a missão de reunir informações de diferentes setores do Estado para elaborar um diagnóstico da atual estrutura administrativa.

Entre os dados que serão analisados estão o número de servidores e cargos existentes, a organização das secretarias, contratos firmados pelo Governo e despesas administrativas. A partir desse levantamento, a comissão deverá apontar setores com possibilidade de redução de custos e áreas que precisam ser preservadas ou consideradas prioritárias.

A revisão também poderá atingir o quadro de pessoal, principalmente os cargos comissionados. No entanto, a quantidade e o formato de eventuais cortes ainda não estão definidos e dependerão das conclusões do levantamento.

A proposta faz parte da preparação para o novo ciclo administrativo de Pivetta, que foi reeleito no primeiro turno no último domingo (4). A intenção é iniciar 2027 com uma estrutura considerada mais eficiente e com maior capacidade de direcionar recursos para investimentos e serviços públicos.

O movimento ocorre paralelamente às mudanças que o governador já sinalizou para a equipe de secretariado. Pivetta afirmou que pretende promover alterações pontuais na estrutura do Governo, sem uma reforma ampla, com o objetivo de corrigir áreas que ainda não apresentam os resultados esperados.

Com a revisão, a gestão pretende identificar onde há espaço para economia sem comprometer serviços considerados essenciais. O diagnóstico deverá servir de base para as decisões administrativas que serão tomadas na preparação do próximo mandato.



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