"Modernidade"

Kalil destaca sustentabilidade e inovação do novo Fórum de Várzea Grande

A sede está situada na região do Chapéu do Sol, que recebe investimentos da Prefeitura de Várzea Grande e do Governo do Estado para a construção do Parque Tecnológico de Mato Grosso.

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Foto: Secom-VG

O prefeito de Várzea Grande, Kalil Baracat, participou da solenidade de inauguração do novo Fórum de Várzea Grande, nesta sexta-feira (01), no bairro Chapéu do Sol. A nova sede, que carrega o nome do “Desembargador Cesarino Delino César”, possui arquitetura moderna, contemplando a inovação e a sustentabilidade no mesmo espaço, além dos parâmetros legais de acessibilidade.

Pautado por esses pilares, a nova sede proporcionará aos magistrados, operadores do direito, servidores e população em geral, um ambiente acessível, otimizado e com melhor qualidade no atendimento. “Parabenizo o Tribunal de Justiça pela obra magnífica. É um grande edifício que vai potencializar a região do Chapéu do Sol, que abriga o Parque Tecnológico da nossa cidade”, destacou Kalil.

A região irá agregar a sede de outros órgãos como Ministério Público do Estado, OAB subseção de Várzea Grande, Universidade Federal e Estadual e Instituto Federal, além de multinacionais que já anunciaram o aporte de investimentos no local. “Nesta semana, lançamos, em parceria com a Junta Comercial de Mato Grosso, a ferramenta Empresa Instantânea, onde uma nova empresa é criada em até 8 minutos. Portanto, aqui é, sem sombra de dúvidas, o melhor lugar para se investir”, concluiu o gestor.

A presidente do Tribunal de Justiça do Estado de Mato Grosso (TJMT), desembargadora Maria Helena Póvoas, destacou que a inauguração do novo Fórum de Várzea Grande representa eficiência operacional com foco em resultados. “O Judiciário se sente orgulhoso em estar entregando para sociedade várzea-grandense esta obra que traz mais conforto, não só para os operadores do direito, como para toda sociedade. A obra tem duas palavras de ordem – acessibilidade e sustentabilidade. É uma obra que teve desafios perante a pandemia, mas não parou. Passou por meus antecessores e hoje, à frente do Judiciário, tive a honra de fazer a entrega oficial”.

A desembargadora Maria Erotides Kneip destacou a importância da nova sede para a Comarca, que tem volume e tramitação de processos bastante expressivos. “O volume é enorme, abrange uma região que é uma das mais importantes no Estado e que precisava ter sua autonomia, receber bem as pessoas que litigam, em especial, advogados. Este complexo representa dignidade, pois o antigo era acanhado para o volume da demanda atual”, enfatizou.

O novo prédio da Comarca de Várzea Grande tem capacidade para 22 Varas; 2 Juizados Especiais (do Jardim Glória e bairro Cristo Rei). O Juizado do bairro Cristo Rei atua nas áreas Cível e Criminal, já do bairro Jardim Glória na área Cível. Cerca de 400 colaboradores integram o quadro funcional do Fórum de Várzea Grande, incluindo os Juizados e assessoria militar. 

O juiz-diretor do Fórum de Várzea Grande, Luis Otávio Pereira Marques, disse que o prédio possui 22 mil mts² de construção que garante acessibilidade a toda população, serventuários da Justiça, colaboradores, propiciando ambiente de trabalho moderno e acolhedor. “A consequência é poder atender com mais presteza a toda população, inclusive os operadores de direito. O prédio unifica todas as Varas, bem como Juizados Especiais do Jardim Glória e do Cristo Rei, fazendo atendimentos unificados à população”, explicou o juiz-diretor.  

O secretário-geral do Ministério Público de Mato Grosso, promotor de Justiça Milton Mattos da Silveira Neto disse que é uma satisfação para o Poder Judiciário, sociedade e todos os atores do Sistema de Justiça – Ministério Público, Defensoria Pública, Advocacia – e principalmente para cidadão ter uma sede moderna como essa.

“Já fui promotor em Várzea Grande e, apesar do espaço antigo nos atender por muitos anos, de fato já estava bem aquém das necessidades atuais, como assegurar maior conforto a população, magistrados e jurisdicionados. Este novo fórum vem brindar a população várzea-grandense e o Ministério Público acompanha a expansão também, pois estamos com nosso prédio em construção, com a previsão da entrega para fevereiro de 2023, será uma nova sede ao lado do Fórum, com 24 gabinetes de promotores de Justiça, para assim como fez o Poder Judiciário nós possamos trazer uma nova casa também para Ministério Público e população várzea-grandense”, argumentou promotor Milton Mattos.

Conforme o governador do Estado de Mato Grosso, Mauro Mendes, é uma belíssima obra sendo entregue pelo Tribunal de Justiça de Mato Grosso. “Com essa bela obra, belo prédio, excelente estrutura, temos a convicção de que teremos melhoria na prestação do serviço para sociedade e para o cidadão de Mato Grosso.  O governo do Estado de Mato Grosso também faz importantes investimentos nas estruturas dos prédios públicos das escolas, dos hospitais, entre outros, para que possamos melhorar a prestação de serviço ao cidadão de MT”, pontuou o governador.        

A nova sede do Fórum possui Secretaria que fica em frente aos gabinetes para maior comunicação entre assessoria e serventuária; ao lado salas para conciliadores, cada unidade judiciária tem um conciliador para fazer as audiências correspondentes às unidades;  área de setor de administração;  amplo Tribunal de Júri, inclusive com dormitórios para os setes jurados, caso o Júri se estenda; carceragem onde o réu acessa diretamente a sala de audiência do magistrado, ou seja, anteriormente o réu  tinha contato com público externo, agora não terá mais contato algum. Chega na viatura policial e seu único acesso será entrevista com seu advogado.

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Na CDH, especialistas propõem medidas para prevenir automutilação e suicídio

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Os desafios das políticas públicas para a prevenção da automutilação e do suicídio foram o tema da audiência desta quinta-feira (10) na Comissão de Direitos Humanos (CDH) do Senado. A reunião teve como eixo central o Setembro Amarelo, campanha voltada para essa questão. Especialistas e representantes do governo federal, da sociedade civil e de ONGs discutiram os cuidados necessários com crianças e adolescentes em casa e no ambiente escolar; os impactos do ambiente de trabalho na saúde mental; e os canais disponíveis para pedir ajuda em situações de emergência.

A audiência pública foi requerida pela senadora e presidente da comissão, Damares Alves (Republicanos-DF). Segundo ela, objetivo era ampliar o debate público, reduzir o estigma em torno da questão e estimular a busca por ajuda diante de situações de sofrimento psíquico.

A campanha Setembro Amarelo tornou-se oficial com a sanção da Lei 15.199, em setembro de 2025. A norma também estabeleceu 17 de setembro como o Dia Nacional de Prevenção da Automutilação, e 10 de setembro como o Dia Nacional de Prevenção do Suicídio.

Números

Na abertura da audiência, a senadora apresentou dados sobre a dimensão do problema no mundo. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de 720 mil pessoas morrem por suicídio a cada ano. Para cada morte, estima-se que ocorram mais de 20 tentativas. Entre pessoas de 15 a 29 anos, o suicídio já é a terceira principal causa de morte.

Damares ressaltou que, no Brasil, o Ministério da Saúde contabilizou 15.507 mortes por suicídio em 2021, das quais 77,8% entre homens. Naquele ano, o suicídio foi a terceira principal causa de morte entre adolescentes de 15 a 19 anos e a quarta entre jovens de 20 a 29 anos. O mesmo levantamento identificou 114.159 notificações de violência autoprovocada, das quais 70% envolveram pessoas do sexo feminino.

— Esses dados revelam distintos grupos que apresentam diferentes padrões de vulnerabilidade. Por isso, as políticas de prevenção não podem ser uniformes — ponderou a parlamentar.

A senadora afirmou que a saúde mental de crianças e adolescentes merece atenção especial. Segundo a OMS, em publicação atualizada em 2025, um em cada sete adolescentes entre 10 e 19 anos vive com algum transtorno mental. Depressão, ansiedade e transtornos comportamentais estão entre as principais causas de adoecimento e incapacidade nessa etapa da vida.

Bullying

Para Erasto Fortes, coordenador-geral de Políticas Educacionais em Direitos Humanos do Ministério da Educação, a questão deve ser enfrentada numa abordagem intersetorial, e não só no campo da saúde. Como crianças e adolescentes passam parte significativa das suas vidas na escola, explicou, falar em prevenção no campo educacional exige a construção de ambientes educativos “seguros, acolhedores, inclusivos e democráticos”.

— O bullying, a discriminação, o racismo, a violência de gênero, a intolerância, a exclusão social, a humilhação e outras formas de violação não podem ser naturalizadas como episódios menores na vida escolar — argumentou.

Lívia dos Santos Ferreira, auditora fiscal do trabalho e representante do Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais do Trabalho (Sinait), descreveu fatores de risco de suicídio direta ou indiretamente relacionados ao ambiente de trabalho, como estressores financeiros, dificuldades econômicas e instabilidade financeira dos trabalhadores. Ela também relacionou situações que impactam especificamente as mulheres.

— Falta de clareza e de equidade das oportunidades de promoção do trabalho, diferenças de salários pagos entre homens e mulheres, sobrecarga de jornada de trabalho que se soma ao trabalho de cuidado da casa e dos filhos, são situações que a gente percebe no dia a dia como inspetora do trabalho — afirmou.

A especialista também abordou o problema do suicídio no serviço público. Segundo ela, mais de meio milhão de trabalhadores foram afastados apenas do serviço público federal em 2025, em decorrência de ansiedade, depressão e burnout.

Cláudia Márcia de Carvalho Soares, presidente da Associação Brasileira de Magistrados do Trabalho (ABMT), ressaltou que a manutenção de um ambiente de trabalho íntegro e seguro é obrigação do empregador prevista na CLT e na Constituição Federal, e destacou que a Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1) tornou essa obrigação mais objetiva ao definir deveres e responsabilidades específicos de empregadores e empregados.

— Um terço da nossa vida é no ambiente de trabalho. Então ele não pode ser causa de adoecimento e não pode ser causa de agravar um adoecimento — observou.

CVV

Alan Teixeira Lima, voluntário do Centro de Valorização da Vida (CVV), falou do trabalho da instituição, pioneira na prevenção do suicídio no Brasil e presente no país há 64 anos. Ele afirmou que, embora o CVV seja mais conhecido pelo atendimento telefônico, também mantém grupos de apoio a sobreviventes do suicídio. Hoje, explicou, o CVV conta com 2.300 voluntários no Brasil, que no último ano prestaram apoio emocional mais de 2 milhões de vezes.

— Uma pessoa pode ligar quantas vezes quiser para o CVV. A gente funciona 24 horas, garante o atendimento sigiloso, e o anonimato da pessoa que nos procura, sem julgamento, sem crítica, favorecendo o diálogo — disse Lima.

O CVV (188) atende gratuitamente pessoas passando por sofrimento psíquico, 24 horas, por telefone (188), chat ou e-mail.

Risco das bets

Gabriella de Andrade Boska, coordenadora de gestão da Rede de Atenção Psicossocial do Ministério da Saúde, relatou a preocupação da pasta com o impacto das apostas esportivas online, as chamadas bets, no número de suicídios registrados no país nos últimos anos. 

— Há estudos, inclusive da OMS, que mostram taxas de 15 vezes mais de chances de pessoas endividadas por questões de apostas cometerem suicídio por esse endividamento — afirmou.

A representante do ministério também alertou para um índice maior de casos de suicídio entre a população negra. 

Antônio Geraldo da Silva, presidente da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), alertou que a prevenção do suicídio ainda é vista como tabu e que não se pode tentar resolver uma emergência médica como uma tentativa de suicídio pelas redes sociais.

 — O preconceito estrutural é tão grande que até hoje nós não temos sequer um antidepressivo, como o carbonato de lítio, na Farmácia Popular. Isso é grave — concluiu.

Também participaram da audiência Silvia Waiãpi, ex-deputada federal; Benedito da Vozinha, bacharel em Direito; e Lídia Caroline de Carvalho, mãe atípica e assessora no Senado Federal.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado



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