"Vôlei"
Torcida vibrante marca final de Circuito Brasileiro em Cuiabá
Campeão olímpico vence pela terceira vez etapa Open de Vôlei de Praia na capital mato-grossense; título feminino ficou com a dupla Rebecca e Talita
Esporte
“Cuiabá me traz sorte”. É assim que a capital mato-grossense é registrada por Alison Cerutti, o Mamute, depois do terceiro e merecido campeonato conquistado numa etapa do Circuito Brasileiro de Vôlei de Praia realizado na cidade. Neste domingo (05.12), o campeão olímpico garantiu o título da quinta e última etapa da temporada 2021 jogando ao lado do campeão mundial sub-21, Guto Carvalhaes.
Em Cuiabá, Alison foi campeão das etapas de 2012, em que fez dupla com Emanuel, de 2019 com Álvaro Filho e, agora, com Guto. Além do êxito repetido na cidade, o atleta exaltou a torcida local.
“Independente do calor do horário, a arquibancada estava lotada, com pessoas que gostam do esporte e valorizam seus ídolos. A gente precisa de mais disso no Brasil, e estou muito feliz por ganhar esse título aqui em Cuiabá”.
Para garantir o título dessa quinta etapa, Alison e Guto venceram na final os campeões da temporada 2021, Evandro e Álvaro Filho, por 2 sets a 0 (21/17 e 21/12). O bronze ficou com a dupla George Wanderley e André Stein.
Com entrada gratuita e cobertura em todas as arquibancadas, a população lotou a arena montada no complexo esportivo do ginásio Aecim Tocantins. Para o casal Edson Rodrigues e Shirley Cleia, por exemplo, a alegria era contagiante por acompanhar a competição.
“Está tudo excelente, uma grandiosa estrutura, parabéns ao governo de Mato Grosso por apoiar esse evento maravilhoso. Ainda mais depois dessa pandemia em que ficamos tanto tempo sem sair de casa, é uma ótima distração para todos nós daqui e para quem veio de fora”, elogiou Edson.
A etapa em Cuiabá foi a segunda da temporada com presença de público, logo após o retorno da torcida em Itapema (SC), durante o torneio que ocorreu no mês de novembro. Sediadas no Rio de Janeiro (RJ), as três primeiras etapas foram acompanhadas somente pela internet e TV. Todo o Circuito Brasileiro 2021 foi transmitido na página de facebook da CBV e no Canal Vôlei de Praia TV e teve duas semifinais (uma de cada gênero) e as finais exibidas pelo SporTV.
“Um evento como esse movimento toda a baixada cuiabana. É mais um evento que coloca Mato Grosso no cenário nacional e mundial”, destaca o secretário-chefe da Casa Civil, Mauro Carvalho.
Realizada pela Confederação Brasileira de Voleibol (CBV) e Federação Mato-grossense de Voleibol (FMTV), a competição nacional contou com a parceria do Governo de Mato Grosso, por meio da Secretaria de Estado de Cultura, Esporte e Lazer (Secel-MT). Para o titular da Secel, Alberto Machado, o Beto Dois a Um, é mais uma oportunidade que coloca o Estado como protagonista na realização de grandes eventos esportivos no país.
“Recebemos neste ano a Copa América, a série A do Brasileirão, o Centro-Oeste de Natação e, agora, essa última etapa da temporada 2021 de vôlei de praia com os melhores atletas do planeta. Estou muito feliz com essa missão que o governador Mauro Mendes nos deu, de levar cultura e esporte a todos os cantos de Mato Grosso e propiciar tudo isso à população”, celebra o secretário.
Campeãs do torneio feminino
A quinta e última etapa da temporada 2021 do Circuito Brasileiro Open de Vôlei de Praia consagrou a dupla Rebecca Cavalcanti e Talita Antunes como campeãs do torneio feminino. A decisão pelo ouro aconteceu no sábado (04.12), com a vitória por 2 sets a 1 na disputa contra Elize Maia e Thâmela.
Bárbara Seixas e Carol Solberg ficaram com o título da temporada 2021, que foi conquistado já na primeira rodada da fase de grupos, na sexta-feira (03.12), devido aos bons resultadas nas cinco etapas da competição. Nesta quinta e última etapa, a dupla garantiu a terceira colocação.
Sub-17 em Cuiabá
O complexo esportivo do ginásio Aecim Tocantins acolhe também a etapa única do Circuito Brasileiro Sub-17 de vôlei de praia. A competição, que começou neste domingo (05.12) e prossegue até terça-feira (07.12), reúne 51 duplas de todo o país (27 femininas e 24 masculinas) na busca pelo título nacional.
De acordo com o secretário adjunto de Esporte e Lazer da Secel, Jefferson Carvalho Neves, esse formato de competição que une o voleibol adulto e esporte juvenil traz grandes benefícios para o fortalecimento do esporte.
“A realização do Circuito Brasileiro junto com o Sub-17 possibilita que os atletas mais jovens tenham contato, usem os mesmos equipamentos e joguem na mesma arena que seus ídolos. É o que a gente chama de pedagogia do exemplo pois traz inspiração e mostra que é possível alcançar sonhos por meio de muito trabalho, treinamento e dedicação”.
Foto: Michel Alvim/Secom-MT
Esporte
Quando perder músculo também ameaça o cérebro
Durante muito tempo, falar em obesidade significava olhar apenas para o peso e para o IMC. Hoje sabemos que isso é insuficiente.
Duas pessoas com o mesmo peso podem ter condições completamente diferentes. Uma pode apresentar boa massa muscular e força preservada. A outra pode acumular gordura, especialmente abdominal, enquanto perde músculo e capacidade funcional.
Essa combinação é chamada de obesidade sarcopênica.
Ela reúne dois problemas importantes: excesso de gordura corporal e redução da massa ou da força muscular. Além de aumentar o risco de fragilidade, quedas, diabetes e doenças cardiovasculares, novas evidências mostram que essa condição também pode estar associada a maior risco de demência.
O que a ciência mostra :
Um grande estudo publicado na revista Clinical Nutrition avaliou dados de centenas de milhares de pessoas e analisou a relação entre composição corporal, força muscular e desenvolvimento de demência.
Os resultados mostraram que tanto a sarcopenia isolada quanto a obesidade sarcopênica estavam associadas a um risco maior de declínio cognitivo. Um dos achados mais relevantes foi a importância da força de preensão manual, medida por dinamometria.
Quanto menor a força e quanto maior sua redução ao longo dos anos ,maior foi o risco observado.
Isso reforça uma mudança importante na forma de avaliar a saúde: Não basta saber quanto peso uma pessoa perdeu. Precisamos saber quanto músculo e quanta força ela conseguiu preservar.
Emagrecer , nem sempre significa melhorar a saúde ?
Uma perda de peso mal conduzida pode incluir perda significativa de massa muscular, principalmente em pessoas mais velhas, sedentárias, submetidas a dietas muito restritivas ou a tratamentos sem acompanhamento adequado.
Mesmo com o avanço dos medicamentos para obesidade, o objetivo não deve ser apenas reduzir o número na balança. O tratamento precisa preservar músculo, reduzir gordura visceral, melhorar o metabolismo e manter a autonomia.
O paciente não deve apenas ficar mais leve. Deve ficar mais saudável, mais forte e funcionalmente mais capaz.
Por que o músculo influencia a saúde cerebral?
A relação entre músculo e cérebro é complexa, mas alguns mecanismos ajudam a explicá-la.
A perda muscular pode piorar a resistência à insulina, reduzir o gasto energético, aumentar o sedentarismo e favorecer inflamação crônica. Ao mesmo tempo, fatores como hipertensão, diabetes, apneia do sono e colesterol elevado afetam os vasos sanguíneos que irrigam tanto o coração quanto o cérebro.
Por isso, preservar músculo é muito mais do que uma questão estética. É uma estratégia de proteção metabólica, cardiovascular, funcional e possivelmente cognitiva.
Como enfrentar cientificamente esse problema ?
O primeiro passo é avaliar mais do que o peso. Circunferência abdominal, composição corporal, força de preensão, velocidade da marcha, capacidade funcional e exames cardiometabólicos ajudam a identificar riscos que o IMC isolado não mostra.
O treinamento de força deve ocupar posição central. Caminhar é importante, mas pode não ser suficiente para preservar ou recuperar massa muscular. Exercícios resistidos, progressivos e individualizados são fundamentais.
A alimentação também precisa garantir quantidade adequada de proteínas e energia, distribuídas ao longo do dia e ajustadas à idade, função renal, rotina e condição clínica.
Além disso, é essencial tratar fatores que aceleram a perda muscular e o envelhecimento vascular, como sedentarismo, diabetes, hipertensão, alterações do sono, tabagismo e obesidade visceral.
Envelhecer bem ,exige preservar força
A obesidade sarcopênica mostra por que o cuidado não pode ser fragmentado. Peso, metabolismo, coração, músculo e cérebro fazem parte do mesmo sistema.
Entendemos que o acompanhamento precisa ir além da balança. Avaliamos composição corporal, força, risco cardiovascular, alimentação, sono, rotina e capacidade funcional para construir estratégias verdadeiramente individualizadas.
Porque o objetivo não é apenas perder peso. É preservar autonomia, proteger o cérebro, fortalecer o corpo e construir saúde antes que a doença se manifeste.
Saúde não é sorte. É rotina.
Dr. Max Wagner de LimaCardiologista — CRM 6194 | RQE 2308 Prevenção cardiovascular, cardiometabolismo e medicina de antecipação.
Maristela Luft — CRN -16431Nutricionista e Mestre em nutrição clínica, composição corporal e cuidado cardiometabólico.
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