"Combate e Prevenção"
AL lança Frente Parlamentar de Cuidados às Drogas e recebe termo de cooperação da União
Tem o objetivo de discutir, debater, apoiar, encaminhar ações e mobilizações para a adoção de políticas públicas para o enfrentamento do problema das drogas no estado.
Política
Com o tema “Mato Grosso Sem Drogas”, a Assembleia Legislativa promoveu na manhã desta quinta-feira (28), o Fórum de Prevenção e Cuidados às Drogas. No evento, que contou com a participação de artistas, atletas, representantes do governo federal e de todos os poderes do Estado, a Casa de Leis também lançou a Frente Parlamentar de Prevenção e Cuidados às Drogas e assinou uma carta de intenção para formalizar um Termo de Cooperação Técnica com o Ministério da Cidadania, que prevê a realização de vários programas de políticas de prevenção e enfrentamento às drogas em Mato Grosso.
Realizado no Teatro Zumira Canavarros, o fórum, organizado pelo deputado estadual Gilberto Cattani (PSL), teve a participação do secretário de Cuidados e Prevenção às Drogas do Ministério da Cidadania, Quirino Cordeiro, que representou o ministro da Cidadania João Roma e assinou a carta de intenção do acordo de cooperação técnica.
“Com muita alegria vim aqui na Assembleia Legislativa de Mato Grosso, neste importante evento de mobilização contra as drogas, promovido pelo deputado Gilberto Cattani. O Brasil vive hoje um momento especial no que diz respeito às ações de enfrentamento às drogas, desde que foi publicado, em 2019, a nova política nacional com ações mais duras ao narcotráfico, assim como ações mais efetivas na prevenção e recuperação de pessoas com dependência química. Vamos continuar com este trabalho aqui no estado, como no resto do país”, disse o secretário.
Além de Quirino, o evento ainda reuniu depoimentos da comandante do 3° Batalhão da Polícia Militar, tenente- coronel Hadassah Susannah Beserra, do diretor do Departamento de Políticas Temáticas dos Direitos da Juventude, do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, Gerson Vicente de Paula, do atleta paraolímpico, medalhista de ouro nas paraolimpíadas de Pequim, Lucas Prado, da secretária de Assistência Social e Cidadania do Estado, Rosamaria Ferreira Carvalho, do ator Paulo Cintura (ex-Escolinha do Professor Raimundo) e do ex-cantor do grupo Polegar Rafael Ilha, que contou um pouco de sua história de luta contra o vício das drogas.
“Eu até brinco que se o dependente químico se destruísse sozinho estava bom, mas não, ele leva mãe, pai, tio, esposa, marido. É um problema de saúde e social muito complicado. A iniciativa do deputado Gilberto Cattani é muito importante e precisa de todo apoio”, afirmou o músico.
Coordenador da Frente Parlamentar de Prevenção e Cuidados às Drogas, o deputado Gilberto Cattani explicou que decidiu propor a criação do grupo de trabalho depois de ver de perto o sofrimento das famílias. Ele também ressaltou que a instalação da frente já está dando resultados.
“O que nos motivou foi o choro de muitas mães e nós vimos isso quando visitamos uma casa de recuperação aqui da capital chamada Tenda de Abraão. Eles cuidam de quase 200 pessoas com uma situação precária que precisa de ajuda e de custeio. Descobrimos que todas as casas de apoio do Estado não tem nenhum investimento público. Mas as coisas já começaram a melhorar depois que eu fiz o requerimento e vemos grandes progressos Tanto que já convocamos uma audiência pública, chamamos o Governo do Estado para conversar eles reativaram o Conselho Estadual de Cuidados e Prevenção às Drogas, assim como já fizeram um chamamento público para ajudar estas casas de recuperação. Isso nos enche de esperança de que vai dar certo”, declarou.
A frente parlamentar, proposta por Cattani, foi aprovada no mês de julho e tem o objetivo de discutir, debater, apoiar, encaminhar ações e mobilizações para a adoção de políticas públicas para o enfrentamento do problema das drogas no estado.
A proposta cita a necessidade de uma maior discussão sobre o tema com os diversos segmentos ligados à política de drogas em Mato Grosso, tais como: unidades públicas de saúde, Ministério Público, Defensoria Pública, sindicatos, universidades, ouvidorias e conselhos.
De acordo com o Ato n° 013/2021, publicado no Diário Oficial da Assembleia Legislativa no dia 9 de julho, o deputado Gilberto Cattani foi nomeado coordenador-geral da Frente Parlamentar de Cuidados e Prevenção às Drogas, que também terá os deputados Eduardo Botelho (DEM), Elizeu Nascimento (PSL), Max Russi (PSB) e o suplente em exercício Romoaldo Junior (MDB) como membros.
Foto: JLSiqueira/ALMT
Política
Retrospectiva: Câmara aprovou propostas de combate à violência contra a mulher
A Câmara dos Deputados aprovou, no primeiro semestre deste ano, um conjunto de propostas que reforçam o combate à violência contra a mulher, com medidas voltadas à prevenção, ao atendimento das vítimas e à punição de agressores.
Entre os principais destaques estão a criação do Sistema Nacional de Enfrentamento da Violência contra Meninas e Mulheres e de um protocolo unificado de atendimento às vítimas de estupro.
Números do semestre
No total, foram aprovados no primeiro semestre de 2026, pelo Plenário, 118 projetos de lei, 9 projetos de lei complementar, 20 medidas provisórias, 12 projetos de decreto legislativo, 5 projetos de resolução e 4 propostas de emenda à Constituição.
Sistema nacional de enfrentamento
Por meio do Projeto de Lei Complementar (PLP) 41/26, a Câmara dos Deputados aprovou a criação do Sistema Nacional de Enfrentamento da Violência contra Meninas e Mulheres. A proposta está em análise no Senado.
De autoria da deputada Jack Rocha (PT-ES) e outros, o texto foi relatado pela deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ) e prevê colaboração integrada entre o Ministério das Mulheres e os entes federativos.
O texto também permite que estados participantes do Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag) direcionem parte dos recursos vinculados a investimentos para ações do sistema.
O novo sistema de enfrentamento da violência contra meninas e mulheres terá como diretrizes ampliar a capacidade de prevenir e enfrentar o problema com ações intersetoriais, respeitada a autonomia dos entes federativos.
Gil Ferreira/Agência CNJ
Delegacias deverão registrar a ocorrência e encaminhar vítima a unidade de saúde
Atendimento a vítimas de estupro
Com a aprovação do Projeto de Lei 2525/24, da deputada Coronel Fernanda (PL-MT), a Câmara defendeu a criação de um protocolo unificado de atendimento em unidades de saúde e delegacias para casos de estupro e violência contra mulher, criança, adolescente e pessoas em situação de vulnerabilidade.
A proposta está em análise no Senado.
Relatado pela deputada Soraya Santos (PL-RJ), o texto define procedimentos para preservar provas, garantir o encaminhamento da vítima entre os serviços de saúde e segurança pública e evitar a revitimização durante o atendimento.
Programa “Antes que aconteça”
A Câmara aprovou também proposta que cria o programa “Antes que aconteça” para prevenir casos de violência contra a mulher e dar mais efetividade às medidas protetivas.
Convertido na Lei 15.398/26, o Projeto de Lei 6674/25, do Senado, foi relatado pela deputada Amanda Gentil (PP-MA) e prevê:
- campanhas educativas;
- capacitação de profissionais das áreas de saúde, segurança, educação, Justiça e assistência social;
- monitoramento eletrônico de agressores;
- atendimento itinerante em regiões de difícil acesso; e
- programas de reeducação de autores de violência.
Akira Onume/Governo do Pará
Delegado poderá instalar tornozeleira em agressor de mulher em cidades sem juiz
Tornozeleira obrigatória
Outra medida aprovada pelos deputados e transformada em lei determina que o juiz poderá exigir o uso imediato de tornozeleira eletrônica por agressores quando houver risco à mulher em situação de violência doméstica.
A regra consta do Projeto de Lei 2942/24, dos deputados Marcos Tavares (PDT-RJ) e Fernanda Melchionna (Psol-RS), convertido na Lei 15.383/26.
Segundo o texto, relatado pela deputada Delegada Ione (PL-MG), a medida também poderá ser aplicada pelo delegado em cidades que não têm juiz no local. Nesses casos, a decisão precisará ser confirmada pelo magistrado.
A norma também amplia a punição para quem descumprir medidas protetivas relacionadas ao monitoramento eletrônico e garante à vítima dispositivo de alerta sobre eventual aproximação do agressor.
Homicídio vicário
O homicídio vicário ocorre quando uma pessoa é assassinada para causar sofrimento psicológico à mulher, geralmente filhos ou outros familiares, no contexto da violência doméstica e familiar.
Esse crime foi incluído no Código Penal, com pena de reclusão de 20 a 40 anos, graças a uma proposta aprovada pela Câmara.
De autoria das deputadas Laura Carneiro (PSD-RJ), Fernanda Melchionna e Maria do Rosário (PT-RS), o Projeto de Lei 3880/24 foi relatado pela deputada Silvye Alves (União-GO) e convertido na Lei 15.384/26.
O crime será considerado homicídio vicário quando for cometido contra descendente, ascendente, dependente, enteado ou pessoa sob guarda ou responsabilidade direta da mulher.
A pena será aumentada de 1/3 se o crime for cometido:
- na presença da mulher a quem se pretende causar sofrimento;
- contra criança ou adolescente, pessoa idosa ou com deficiência; ou
- em descumprimento de medida protetiva de urgência.
Além do aumento das penas, esse crime passa a ser considerado hediondo.
Depositphotos
Lei aumentou penas para lesão corporal praticadas contra mulher por razões do sexo feminino
Lesão corporal
Com a aprovação do Projeto de Lei 3662/25, a Câmara dos Deputados apoiou o aumento das penas de lesão corporal grave, gravíssima ou seguida de morte praticadas contra a mulher por razões do sexo feminino (quando envolve violência doméstica, menosprezo ou discriminação à condição de mulher).
A proposta está em análise no Senado.
De autoria da deputada licenciada Nely Aquino (MG), o texto, relatado pela deputada Franciane Bayer (Republicanos-RS), considera alguns casos de lesões por essas razões como crime hediondo.
Assistência jurídica
Outro destaque do primeiro semestre foi a aprovação do Projeto de Lei 6415/25, que cria a Política Nacional de Assistência Jurídica às Vítimas de Violência.
A proposta foi enviada ao Senado.
De autoria da deputada Soraya Santos, o texto, relatado pela deputada Greyce Elias (PL-MG), prevê que essa assistência engloba todos os atos processuais e extrajudiciais necessários à efetiva proteção da vítima, inclusive o seu encaminhamento a atendimento psicossocial, de saúde e de assistência social.
A assistência poderá ser prestada, de forma gratuita, solidária, cooperativa ou suplementar, por vários órgãos, como:
- defensorias públicas;
- ministérios públicos;
- Ordem dos Advogados do Brasil (OAB);
- entidades e programas de assistência jurídica conveniados com os entes federativos; e
- núcleos de prática jurídica, escritórios-escola, clínicas de direitos humanos e programas equivalentes de cursos de Direito de instituições de ensino superior, públicas ou privadas, desde que atuem sob supervisão de profissional habilitado na OAB.
Depositphotos
Preso em regime aberto que continuar ameaçando a vítima pode ir para o RDD
Regime diferenciado
Outro projeto aprovado pela Câmara dos Deputados para combater a violência contra a mulher prevê a aplicação do Regime Disciplinar Diferenciado (RDD) ao preso que ameace ou volte a praticar violência contra a vítima ou seus familiares.
No RDD, o preso cumpre a pena em regime fechado, em cela individual, com restrições de visitas e de saídas para banho de sol. As entrevistas são monitoradas e a correspondência, fiscalizada.
O Projeto de Lei 2083/22, do Senado, foi aprovado pela Câmara com parecer favorável da deputada Laura Carneiro e transformado na Lei 15.410/26.
Spray de pimenta
Por fim, aguarda sanção presidencial o Projeto de Lei 727/26, que regulamenta a venda e o uso de spray de pimenta para autodefesa por mulheres.
O texto estabelece regras para comercialização, utilização e penalidades em caso de uso indevido.
De autoria da deputada Gorete Pereira (MDB-CE), o projeto foi relatado pela deputada Gisela Simona (União-MT) e exige que o produto seja aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
A intenção é evitar agressões físicas e/ou sexuais contra as mulheres.
Os estados do Rio de Janeiro e de Rondônia já aprovaram leis permitindo o acesso das mulheres ao spray, normalmente restrito às forças de segurança.
O spray será de uso individual e intransferível, e não poderá conter substâncias de efeito letal ou de toxicidade permanente.
Reportagem – Eduardo Piovesan
Edição – Natalia Doederlein
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