"Preservação"

Estado apresenta plano de neutralização de carbono mais arrojado do País

Setores, como a geração de energia elétrica, e a de biocombustíveis, com o manejo sustentável, já oferecem soluções para descarbonização

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Política

Para alcançar a meta de neutralizar as emissões de carbono até 2035 em Mato Grosso, o governador Mauro Mendes assinou nesta segunda-feira (25.10) o decreto  1.160/2021, que institui o programa Carbono Neutro MT. O objetivo é fortalecer ações que contribuem para o desenvolvimento sustentável, gerando o equilíbrio entre as emissões e remoções de gases do efeito estufa. 

O Estado aderiu à campanha “Race to Zero” (Corrida para o Zero), das Nações Unidas, e se antecipa à meta da campanha mundial, que propõe neutralizar as emissões de gases de efeito estufa até 2050. A meta intermediária do programa é alcançar até 2030 a redução de 80% das emissões. 

“É possível que Mato Grosso alcance a meta não por aquilo que nós vamos fazer, mas pelo que já estamos fazendo. Essa é a grande diferença. Não vamos começar agora a estruturar ações para a descarbonização da economia. Já existem ações que apresentamos, uma estratégia com 12 eixos, e a maioria deles já estão sendo trabalhados dentro de Mato Grosso”, conta o governador Mauro Mendes sobre a política ambiental do Estado. 

O governador destaca ainda que um dos diferenciais para que Mato Grosso alcance a meta é termos 62% do território preservado, o setor produtivo estar comprometido com as causas ambientais, o empenho e investimentos no combate ao desmatamento ilegal e incêndios florestais, e ainda, o trabalho da estratégia Produzir, Conservar e Incluir (PCI), que fomenta o desenvolvimento social e econômico através do uso sustentável da terra. 

O procurador da República do Ministério Público Federal, Erich Raphael Masson, parabenizou o Governo pela meta voluntária e afirmou que a criação do selo Carbono Neutro MT atende à necessidade das empresas que necessitam de certificação.

“Esse tipo de programa com o selo verde é muito importante para garantir às empresas que executam de fato alguma atividade para zerar a emissão de carbono, quem está correto, e a própria cadeia poder selecionar os melhores produtores. A cadeia vai ter a informação de quem são os produtores que respeitam e os que não respeitam o meio ambiente”, avalia.

O presidente da Federação das Indústrias, Gustavo Oliveira, destaca a importância da iniciativa para Mato Grosso. “A Indústrias não só apoiam a iniciativa, mas entendem que temos uma vocação natural pra ser uma indústria verde. Muitos setores, como a geração de energia elétrica, e a de biocombustíveis, com o manejo sustentável, já oferecem soluções para descarbonização. Vamos ter que ampliar a escala e deixar claro para o mundo que as nossas alternativas são muito boas”, explica.  

12 ações para neutralização do carbono

As medidas elencadas como importantes para a descarbonização de MT são:  a manutenção do ativo florestal do estado, manejo florestal sustentável, regularização fundiária, melhorias na gestão de áreas protegidas, reflorestamentos comerciais, restauração de florestas, redução do risco de incêndios, manejo sustentável para a produção agropecuária, proteção de vegetação secundária em áreas de desmatamento legal, recuperação de pastagens, integração lavoura-pecuária-floresta, e produção e consumo de biocombustíveis.

As ações serão ajustadas e revisadas constantemente para adequação às inovações tecnológicas e mudanças de conjuntura político-sociais. O decreto também institui o Comitê Gestor do Programa para monitorar os resultados. 

Selo Carbono Neutro MT

Para alcançar sucesso na iniciativa, o Poder Público conta com apoio de entidades e setor privado e pessoas físicas à campanha, por meio de quatro categorias de selos de compromisso: podem ser financiadores, apoiadores, carbono 0% e compromissários.

No lançamento, aderiram ao programa como apoiadores, que farão campanhas para disseminar as metas e os resultados, a Federação das Indústrias de Mato Grosso (FIEMT), a Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Mato Grosso (Famato), Centro das Indústrias Produtoras e Exportadoras de Madeira do Estado de Mato Grosso (Cipem), Associação dos Produtores de Soja  (Aprosoja-MT),  Associação Matogrossense dos Produtores de Algodão (AMPA), Instituto Mato-Grossense da Carne (Imac), União Nacional do Etanol de Milho (UNEM),  e Ação Verde.

Mato Grosso é o primeiro estado a criar uma certificação por meio de concessão de selos a compromissários. “A adesão ao selo Carbono Neutro MT é importante para as instituições e empresas diante de um mercado, e consumidores, que têm cobrado cada vez mais que a cadeia produtiva esteja atrelada a compromissos de sustentabilidade”, explica a secretária de Estado de Meio Ambiente, Mauren Lazzaretti.

Para receber o selo de financiador, a entidade deve destinar recursos financeiros às ações voltadas ao atingimento da meta de neutralização de emissões em MT. O selo de apoiador será destinado aos que realizam campanhas de apoio ao Programa.

O selo de compromissário será concedido às pessoas físicas ou jurídicas que assumirem o compromisso voluntário de atingir a neutralização de emissões até 2035, com meta intermediária de redução de 80% das emissões até 2030.

O selo de Carbono Neutro (Carbono 0%) é outorgado às pessoas físicas ou jurídicas que comprovarem o atingimento da meta de neutralização de emissões de gases de efeito estufa.
Será mantida uma lista pública com as metas e resultados alcançados, assim como com os selos conferidos e a sua validade.

Estiveram presentes no lançamento o Chefe da Casa Civil, Mauro Carvalho; deputado estadual Dilmar Dal’Bosco; ex-governador, Julio Campos; presidente da ABNT, Mario Esper; diretor-executivo da estratégia PCI, Fernando Sampaio; presidente da Acrimat, Oswaldo Pereira Junior; secretário de Desenvolvimento Econômico, Cesar Miranda; Secretário de Segurança Pública, Alexandre Bustamante e representantes de empresas e instituições parceiras.

 

Foto: Mayke Toscano/Secom-MT

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Retrospectiva: novo piso salarial dos professores foi destaque entre aprovações da Câmara na área de educação

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No primeiro semestre deste ano, a Câmara dos Deputados aprovou a Medida Provisória 1334/26, que criou uma nova regra de reajuste do piso salarial dos profissionais do magistério público da educação básica. O texto, também aprovado no Senado, foi convertido na Lei 15.437/26.

A norma determina que, a partir de janeiro de 2026, o reajuste será baseado na soma:

  • da variação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) do ano anterior (no caso, 2025); e
  • de 50% da média da variação percentual da receita real de cinco anos anteriores (de 2021 a 2025, no caso de 2026) vinda de estados, Distrito Federal e municípios para compor o Fundeb.

A variação real corresponde ao que ficou acima do INPC no período.

A regra também valerá para profissionais contratados por tempo determinado.

De acordo com o Ministério da Educação (MEC), o reajuste do piso em 2026 foi de 5,40%. Esse percentual reúne o INPC de 2025, de 3,90%, e um ganho real de 1,50%.

O piso nacional passou de R$ 4.867,77 para R$ 5.130,63 em janeiro de 2026.

INSS de bolsistas
Na área de educação, os deputados também aprovaram o Projeto de Lei 2950/15, que torna obrigatória a participação do bolsista de pós-graduação como contribuinte individual da Previdência Social para fins de acesso a benefícios como aposentadoria e auxílios.

De autoria do ex-deputado Davidson Magalhães (BA), o texto aprovado pela Casa foi relatado pelo deputado Ricardo Galvão (Rede-SP) e está em análise no Senado.

A contribuição assegurará, por exemplo, cobertura previdenciária em situações de doença, maternidade e incapacidade temporária. Além disso, possibilita a contagem do tempo dedicado à pesquisa para fins de aposentadoria.

A contribuição a ser recolhida pela instituição cedente da bolsa será de 11% sobre um salário mínimo (atualmente R$ 1.621,00).

Com essa alíquota, o acesso à aposentadoria será somente por idade, atualmente em 62 anos para mulher e 65 anos para homem.

Caso deseje aposentadoria por tempo de contribuição ou que o tempo possa ser aproveitado para se aposentar por algum regime próprio de servidores públicos, o interessado deverá complementar a contribuição recolhida pela instituição com mais 9% sobre a base de cálculo, a fim de totalizar 20% de recolhimento.

Escolas sustentáveis
O Programa Nacional de Escolas Resilientes e Sustentáveis foi aprovado pela Câmara dos Deputados para ajudar na adaptação às mudanças climáticas e no uso de recursos naturais.

Pedro Ventura/Agência Brasília

Deputados aprovaram programa que incentiva ações sustentáveis nas escolas

De autoria do deputado Tarcísio Motta (Psol-RJ), o Projeto de Lei 2841/24 foi relatado pela deputada Socorro Neri (PP-AC) e tramita agora no Senado.

O texto prevê ações como:

  • a instalação, a manutenção e a melhoria dos sistemas de drenagem, ventilação e climatização;
  • utilização de sistemas de energia renovável e equipamentos eficientes; e
  • uso racional da água, da energia e gestão de resíduos.

Outras medidas incluem a arborização para evitar incidência solar e diminuir a temperatura média no ambiente, além de reformas e melhorias estruturais para aumentar a resistência das edificações a eventos climáticos extremos.

Cultura nas escolas
A Câmara dos Deputados aprovou ainda no primeiro semestre, a política nacional “Mais Cultura nas Escolas”, objeto do Projeto de Lei 533/24, em análise hoje no Senado.

De autoria da deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ), a proposta foi aprovada com a relatoria do deputado Tarcísio Motta, prevendo parceria entre a União, os estados, o Distrito Federal e os municípios com a sociedade civil no setor da cultura.

Segundo o texto, a União deverá apoiar os outros entes federativos na elaboração de um plano de atividade cultural anual para as escolas públicas de educação básica.

Para viabilizar a execução dos planos, poderão ser utilizados os moldes operacionais e regulamentares do Programa Dinheiro Direto na Escola (PDDE).

Cada plano deverá conter as ações, as metas, o cronograma de execução e a previsão de início e término das atividades, envolvendo bens e serviços necessários à realização das atividades artísticas, culturais e pedagógicas previstas.

Números do semestre
No total, foram aprovados no primeiro semestre de 2026, pelo Plenário, 118 projetos de lei, 9 projetos de lei complementar, 20 medidas provisórias, 12 projetos de decreto legislativo, 5 projetos de resolução e 4 propostas de emenda à Constituição.

Reportagem – Eduardo Piovesan
Edição – Marcelo Oliveira



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