EM PROL DA BAIXADA CUIABANA

Botelho visita o presidente do Poder Legislativo de Cuiabá, Juca do Guaraná

No encontro, foi debatida a realização de audiências e sessões em conjunto para debater assuntos importantes para a região

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Política

Foto: Secom Câmara

O deputado estadual Eduardo Botelho (DEM), 1º secretário da ALMT, esteve hoje (23) cedo visitando a Câmara Municipal de Cuiabá, quando delineou uma série de projetos de sua autoria e de outros membros da ALMT para melhor ampliar o amparo social/comercial à região da Baixada Cuiabana.

O parlamentar entende que uma união de forças entre os Poderes constituídos, incluindo principalmente Executivo e Legislativo, é capaz de promover reviravolta positiva no que se relaciona a demandas tradicionais, algumas de ordem crítica, enfrentadas ultimamente pelos munícipios situados no entorno da capital.

“Antes de mais nada, gostaria de enfatizar o quanto é importante solidificarmos intrínseca união para que, doravante, qualquer projeto institucional possa ter maior amparo e se tornar a realidade prática tanto ansiada pelos munícipes”. 

Segundo Botelho, a visita à Casa de Leis da capital, “onde fomos muito bem recebidos pelo presidente Juca do Guaraná Filho (MDB) e seus pares”, objetiva propor a realização de audiências públicas para discutir assuntos correlatos que envolvem Cuiabá e, de certa forma, influenciam toda a Baixada Cuiabana.

“É o caso, por exemplo, da agricultura familiar, a preservação do Rio Cuiabá e do meio ambiente, em geral. São ações encampadas também pela Assembleia Legislativa”.

O deputado sublinhou que não apenas a pandemia acarretou desequilíbrio geral ao Estado, com reflexos preocupantes à Baixada Cuiabana, mas também o período de grave estiagem. Há dias atrás, Botelho conferiu na região pantaneira os estragos da seca e os consequentes incêndios, com devastação desproporcional da fauna e flora. A seu ver, tal quadro terminou se projetando drasticamente nas regiões adjacentes, e é preciso que os representantes populares formem urgente corrente de sólido apoio social.

“Se, por um lado, o Estado tem se recuperado economicamente, a pandemia e a estiagem vieram somar peso negativo para que as pessoas possam respirar mais aliviadas. É o momento em que as instituições devem se unir de modo determinado, viabilizando iniciativas resolutivas. Eu tenho o maior respeito e admiração pelo Parlamento cuiabano, e antevejo, aqui, um dos embriões de força para levarmos adiante projetos parceiros exitosos, efetivamente capazes de cumprir as metas preconizadas”.

Citando mais um exemplo, o deputado Eduardo Botelho disse que a Baixada Cuiabana já emite S.O.S. para que as eventuais pontes de auxílio institucional se tornem passagem franqueada para os problemas que ora afligem seus moradores.

“A estiagem prolongada sempre traz seca, falta d’água, e afeta a produção, em geral. O povo ribeirinho vem sentindo isso na pele, dia a dia. Soma-se à seca atual a eclosão de incêndios devastadores, com perdas gerais na lavoura e animais (silvestres, gado e outras criações). E agora, sabemos, isso teve um impacto duplo, devido à pandemia. São pancadas fortes, e é preciso nos defendermos; a união possibilita estratégia eficaz”.

A Baixada Cuiabana, ainda afirmou o parlamentar estadual, anda muito sufocada nesse período de pandemia, “problema que já vivenciamos lá atrás, e, a cada ano, parece se agigantar. Daí a importância de nos unirmos para fortalecer o desencadeamento de projetos comprovadamente viáveis”, disse Botelho ao agradecer a receptividade dos parlamentares à sua visita.

 Também se pronunciando, o presidente do Legislativo, Juca do Guaraná Filho (MDB), destacou que a interação é importante para buscar soluções às principais demandas da região, e que a Câmara está aberta para debater ações de interesse para a capital. “A visita do deputado foi muito importante para trabalharmos essa relação. O diálogo irá continuar para darmos andamento nas pautas discutidas”.

 

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Na CDH, especialistas propõem medidas para prevenir automutilação e suicídio

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Os desafios das políticas públicas para a prevenção da automutilação e do suicídio foram o tema da audiência desta quinta-feira (10) na Comissão de Direitos Humanos (CDH) do Senado. A reunião teve como eixo central o Setembro Amarelo, campanha voltada para essa questão. Especialistas e representantes do governo federal, da sociedade civil e de ONGs discutiram os cuidados necessários com crianças e adolescentes em casa e no ambiente escolar; os impactos do ambiente de trabalho na saúde mental; e os canais disponíveis para pedir ajuda em situações de emergência.

A audiência pública foi requerida pela senadora e presidente da comissão, Damares Alves (Republicanos-DF). Segundo ela, objetivo era ampliar o debate público, reduzir o estigma em torno da questão e estimular a busca por ajuda diante de situações de sofrimento psíquico.

A campanha Setembro Amarelo tornou-se oficial com a sanção da Lei 15.199, em setembro de 2025. A norma também estabeleceu 17 de setembro como o Dia Nacional de Prevenção da Automutilação, e 10 de setembro como o Dia Nacional de Prevenção do Suicídio.

Números

Na abertura da audiência, a senadora apresentou dados sobre a dimensão do problema no mundo. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de 720 mil pessoas morrem por suicídio a cada ano. Para cada morte, estima-se que ocorram mais de 20 tentativas. Entre pessoas de 15 a 29 anos, o suicídio já é a terceira principal causa de morte.

Damares ressaltou que, no Brasil, o Ministério da Saúde contabilizou 15.507 mortes por suicídio em 2021, das quais 77,8% entre homens. Naquele ano, o suicídio foi a terceira principal causa de morte entre adolescentes de 15 a 19 anos e a quarta entre jovens de 20 a 29 anos. O mesmo levantamento identificou 114.159 notificações de violência autoprovocada, das quais 70% envolveram pessoas do sexo feminino.

— Esses dados revelam distintos grupos que apresentam diferentes padrões de vulnerabilidade. Por isso, as políticas de prevenção não podem ser uniformes — ponderou a parlamentar.

A senadora afirmou que a saúde mental de crianças e adolescentes merece atenção especial. Segundo a OMS, em publicação atualizada em 2025, um em cada sete adolescentes entre 10 e 19 anos vive com algum transtorno mental. Depressão, ansiedade e transtornos comportamentais estão entre as principais causas de adoecimento e incapacidade nessa etapa da vida.

Bullying

Para Erasto Fortes, coordenador-geral de Políticas Educacionais em Direitos Humanos do Ministério da Educação, a questão deve ser enfrentada numa abordagem intersetorial, e não só no campo da saúde. Como crianças e adolescentes passam parte significativa das suas vidas na escola, explicou, falar em prevenção no campo educacional exige a construção de ambientes educativos “seguros, acolhedores, inclusivos e democráticos”.

— O bullying, a discriminação, o racismo, a violência de gênero, a intolerância, a exclusão social, a humilhação e outras formas de violação não podem ser naturalizadas como episódios menores na vida escolar — argumentou.

Lívia dos Santos Ferreira, auditora fiscal do trabalho e representante do Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais do Trabalho (Sinait), descreveu fatores de risco de suicídio direta ou indiretamente relacionados ao ambiente de trabalho, como estressores financeiros, dificuldades econômicas e instabilidade financeira dos trabalhadores. Ela também relacionou situações que impactam especificamente as mulheres.

— Falta de clareza e de equidade das oportunidades de promoção do trabalho, diferenças de salários pagos entre homens e mulheres, sobrecarga de jornada de trabalho que se soma ao trabalho de cuidado da casa e dos filhos, são situações que a gente percebe no dia a dia como inspetora do trabalho — afirmou.

A especialista também abordou o problema do suicídio no serviço público. Segundo ela, mais de meio milhão de trabalhadores foram afastados apenas do serviço público federal em 2025, em decorrência de ansiedade, depressão e burnout.

Cláudia Márcia de Carvalho Soares, presidente da Associação Brasileira de Magistrados do Trabalho (ABMT), ressaltou que a manutenção de um ambiente de trabalho íntegro e seguro é obrigação do empregador prevista na CLT e na Constituição Federal, e destacou que a Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1) tornou essa obrigação mais objetiva ao definir deveres e responsabilidades específicos de empregadores e empregados.

— Um terço da nossa vida é no ambiente de trabalho. Então ele não pode ser causa de adoecimento e não pode ser causa de agravar um adoecimento — observou.

CVV

Alan Teixeira Lima, voluntário do Centro de Valorização da Vida (CVV), falou do trabalho da instituição, pioneira na prevenção do suicídio no Brasil e presente no país há 64 anos. Ele afirmou que, embora o CVV seja mais conhecido pelo atendimento telefônico, também mantém grupos de apoio a sobreviventes do suicídio. Hoje, explicou, o CVV conta com 2.300 voluntários no Brasil, que no último ano prestaram apoio emocional mais de 2 milhões de vezes.

— Uma pessoa pode ligar quantas vezes quiser para o CVV. A gente funciona 24 horas, garante o atendimento sigiloso, e o anonimato da pessoa que nos procura, sem julgamento, sem crítica, favorecendo o diálogo — disse Lima.

O CVV (188) atende gratuitamente pessoas passando por sofrimento psíquico, 24 horas, por telefone (188), chat ou e-mail.

Risco das bets

Gabriella de Andrade Boska, coordenadora de gestão da Rede de Atenção Psicossocial do Ministério da Saúde, relatou a preocupação da pasta com o impacto das apostas esportivas online, as chamadas bets, no número de suicídios registrados no país nos últimos anos. 

— Há estudos, inclusive da OMS, que mostram taxas de 15 vezes mais de chances de pessoas endividadas por questões de apostas cometerem suicídio por esse endividamento — afirmou.

A representante do ministério também alertou para um índice maior de casos de suicídio entre a população negra. 

Antônio Geraldo da Silva, presidente da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), alertou que a prevenção do suicídio ainda é vista como tabu e que não se pode tentar resolver uma emergência médica como uma tentativa de suicídio pelas redes sociais.

 — O preconceito estrutural é tão grande que até hoje nós não temos sequer um antidepressivo, como o carbonato de lítio, na Farmácia Popular. Isso é grave — concluiu.

Também participaram da audiência Silvia Waiãpi, ex-deputada federal; Benedito da Vozinha, bacharel em Direito; e Lídia Caroline de Carvalho, mãe atípica e assessora no Senado Federal.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado



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